sexta-feira, 30 de março de 2007

quinta-feira, 29 de março de 2007

Orgulho Português

Não gosto de me imiscuir em coisas que têm a ver com política. Trauma da juventude por não ter aderido a conceitos radicais que nunca se enquadraram na minha formação moral, já que a académica era praticamente irrelevante. Mas dói-me o coração verificar que alguém, de outro mundo, constata aquilo que nós temos bem visível mas que parece não querermos ver...
Mais uma vez os sinais de alarme vêm do exterior.
Quem se sentir habilitado que conteste as afirmações deste senhor que, com a habitual frieza britânica vem demonstrar aquilo que toda a gente vê e discute mas que não se vislumbra qualquer réstea de vontade para alterar.
"Portugal continua entre os países da UE onde a distribuição da riqueza é mais desigual (...). O grupo social mais rico aufere seis vezes e meia mais do que o mais pobre. Uns vivem muito bem e outros no limiar da pobreza".
De nada serve assobiar para o ar e fazer de conta que não é connosco. A deficiente qualificação técnica é uma das causas apontadas mas não será por aqui... Veja-se o drama dos jovens com formação superior.
Depois de terem elegido Salazar como o maior português de sempre, a divulgação de estudos desta natureza faz com que o nosso orgulho nacional fique, certamente, um pouco abalado...

sábado, 24 de março de 2007

As Margens do Tua

O Rio Tua é magnífico. Pela paisagem que o rodeia, pelas gentes que habitam as suas margens, pela linha de caminho de ferro que segue o seu curso, pela excelente fauna piscícola, pelas tragédias a que está indelevelmente associado.
A mais recente fatalidade foi a queda de uma pequena composição ferroviária a que chamaram o Metro de Mirandela mas ao longo dos tempos tem sido palco de muitas outras, se não tão graves, também muito dolorosas.
O Tua começa por ser um caso raro pela sua denominação. A principal particularidade é que não tem nascente, é o fruto da união, próximo de Mirandela, de dois outros rios, o Tuela e o Rabaçal. Porém, é no percurso entre a encantadora cidade transmontana e a foz no Rio Douro que o seu trajecto é mais espectacular. Pelo caminho, recebe o valiosíssimo contributo das águas que escorrem desde a Serra da Padrela, próximo de Vila Pouca de Aguiar, passando pelas terras de Jales onde estas águas se tornavam imundas por lavarem as lamas auríferas das minas ali existentes. É o Rio Tinhela, um curso de água de fraco caudal no verão mas que leva tudo impiedosamente à sua frente quando se enfurece com as chuvas do Inverno. Juntam-se próximo das Caldas de Carlão, uma estância balnear privada com uma nascente de águas sulfurosas que têm lavado as chagas de muita gente.
Foi num fundão do Rio Tinhela, bem perto das Caldas de Carlão, que foi encontrado o corpo do Padre Plácido, já em decomposição por causa dos cerca de 15 dias que esteve escondido submerso, talvez a rir-se da cegueira das muitas pessoas que em vão o procuraram.
Foram dezenas de voluntários, bombeiros das corporações locais, sapadores e mergulhadores dos Fuzileiros e também os cães da GNR. Os animais seguiram a pista desde a residência do desaparecido Padre até ás margens do Tinhela mas ali perdia-se qualquer rasto e ficavam desorientados. Contudo, não era visível no rio qualquer corpo ou pista e desvalorizou-se o instinto dos canídeos. Foi percorrido o rio até à confluência do Tua e este até à foz mas nada. Quase a desistir das buscas, alguém se lembrou de dar um último mergulho num poço que ainda não tinha sido visitado, ligeiramente acima da represa das Caldas e… lá estava, na sombra, junto a uma rocha, em pé, a cabeça a escassos centímetros da superfície e uma serapilheira atada às pernas com uma pedra dentro…
O Padre Plácido tinha formação eclesiástica mas a sua vida era a arqueologia e o ensino. Possuía um espólio riquíssimo de objectos pré-históricos e tinha uma extrema devoção pelos importantes vestígios existentes na zona, dos quais o mais importante será a Pala Pinta.
A verdade é que decidiu daquele modo acabar a sua actividade como professor e como investigador, sabe-se lá porquê…
De Brunheda até à foz, o vale do Tua é de uma beleza asfixiante. A linha de caminho de ferro acompanha-o, pela margem esquerda, no percurso sinuoso e estreito, furando de vez em quando por baixo de massas graníticas enormes que parecem estar na iminência de se despenharem para o rio. Na margem direita situam-se pequenas localidades perfeitamente integradas na paisagem: Franzilhal, Amieiro, onde um benemérito local mandou construir uma ponte para os seus habitantes poderem deslocar-se para a estação de Santa Luzia mas que a fúria das águas já destruiu, Safres e as suas hortas com as famosas tronchudas, únicas no mundo, um pouco mais afastada S. Mamede de Ribatua e as não menos famosas laranjas da Fraga.
Por fim, a Foz do Tua e a decadente Estação, o Sr. Narciso (já desaparecido) e o seu triciclo a vender pão aos viajantes, o “Calça Curta” com o seu imponente estabelecimento do outro lado da rua, a taberna do Sr. Fernando (grande pescaria que fizemos) e o Óscar, que com quatro tábuas grosseiras construiu uma espécie de cabana, com esplanada e tudo, onde sazonalmente, no verão, se podiam saborear deliciosos petiscos, especialmente peixinhos do rio e enguias…
Hei-de voltar às margens do Tua e a Carlão…

sexta-feira, 23 de março de 2007

O Ouropeso

Planta liliácea. Ademais de ouropeso tamén se coñece
como ouropesa, ouropez, lencia, granda, velorta,
abórtigas, corciana..., e en castelán como “purga de los pobres”,
pois en cocemento é moi apreciada parapurgar tanto a animais
como a persoas.O nome débello á crenza de que vale tanto
ouro como pesa, pois é moi boa para innumerables aplicacións
mediciñais.
Para mim, é uma planta com uma magia extraordinária. O meu primeiro contacto com ela foi em menino, na companhia de meu Pai, que procurava na natureza a cura para os males que o afligiam.


Embrenhávamo-nos nos pinhais, para os lados da Pegada, e meu Pai pesquisava, no meio do tojo e da imensa caruma, as pequenas folhas douradas que recolhia com cuidado e guardava numa bolsa de tecido. Eu colaborava na recolha mas nem sempre acertava na planta certa, pois havia muitas parecidas e só o poder de observação e experiência, atributos que em mim escasseavam, permitiam distinguir as verdadeiras das falsas.



A sua designação comum é Craveiro-do-monte, Cravo-do-monte ou Ouropeso. Segundo Vandelli, pertence à espécie Simethis mattiazzi, ordem Liliales, família Asphodelaceae, classe Liliatae (Monocotyledoneae), subclasse Liliidae, divisão Spermatophyta, subdivisão Magnoliophytina (Angiospermae).


Muito embora se refira que possui imensas propriedades medicinais, as nossas conhecidas relacionavam-se apenas com as purgativas. Ministrava-se em infusão para desembaraçar os intestinos e libertá-los do que era nocivo.
Contudo, o resultado nem sempre seria o desejado. Contava-se, em surdina, que uma viúva lá do lugar tinha ido à procura da planta milagrosa para preparar uma limpeza intestinal ao marido que estava de cama sem “obrar” havia muito tempo. O chá que ela lhe ministrou foi de tal ordem que se acabaram de vez as maleitas do desditoso homem… diziam as más línguas, em jeito de galhofa, que fora o “desempate”. Para mim não foi mais do que um acto de amor que apenas não produziu o resultado desejado, ou talvez sim…

sábado, 10 de março de 2007

Lobos

A propósito da notícia hoje publicada no JN àcerca do medo dos lobos, em terras de Soajo, evoco um belo conto que há alguns anos publiquei num outro espaço de lazer como este, do qual deixo aqui uma pista para quem quiser relembrar ou visitar pela primeira vez.
E por falar em lobos, também há muito para ver nos blogs e sitios do Senhor de Adrão e do seu amigo Quico, que ninguém fala melhor do que eles sobre este tema e não só.
Mas a Serra da Peneda não tem apenas lobos. Vale a pena vaguear por lá, ainda que só seja numa viagem virtual.


A imagem acima é uma panorâmica dos incêndios que deflagraram na Serra da Peneda, algures nas proximidades de Soajo. Só não sei em que ano ocorreu este flagelo mas em 2006 foi pior.


Nesta, a violência das chamas está bem patente.


Um recanto a não perder. A Peneda, local e santuário com o mesmo nome da magestosa serra.


Outro recanto fabuloso, só visto no National Geographique, pelos lados do Oriente... Padrão é o seu nome, fui lá há muitos anos, com o meu amigo Neca, comprar uma parelha de bois... custaram vinte e cinco contos, deixei um de sinal e fui pagar o restante duas semanas depois à feira da Portela do Alvite... Bons tempos...



Ao lado, Porto Cova, ou Portacova, parecem gémeos. Graças ao Google Earth, é possível visualizar tudo isto e... muito mais.