quinta-feira, 21 de junho de 2007

Férias!


Uma pausa no trabalho. Enquanto não regresso deixo-vos na companhia desta balada que, certamente, vai despertar muitas recordações já adormecidas...

terça-feira, 19 de junho de 2007

Trova do Vento que Passa



Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu País
O vento cala a desgraça
O vento nada me diz

domingo, 17 de junho de 2007

Ainda há Pastores?



Correio da Manhã, 17 de Junho de 2007

Brasil: FICA premeia "Aqui há Pastores?"
O documentário português "Aqui há Pastores?", de Jorge Pelicano, foi distinguido com o primeiro prémio no FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Goiás (Brasil).
O filme português foi considerado o melhor entre 552 concorrentes, em representação de 61 países.

Mais um!
É um documentário fabuloso que tem sido premiado e reconhecido em muitos festivais de cinema estrangeiros.
Falta o reconhecimento interno, como sempre...

sábado, 16 de junho de 2007

Quando eu Morrer...


- Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes -
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro...


Mário de Sá Carneiro
Poemas completos, Planeta DeAgostini, S.A., Lisboa, 2006

Cantares



Camiñante, no hay camiño,
Se hace camiño al andar...

O Padrinho

Não foi a última vez que o vi mas foi a última vez que o vi com vida. Acompanhado pelo nosso cunhado Hipólito, subia vagarosamente a calçada para tomar o carro de praça que o havia de levar à cidade do Porto para uma intervenção cirúrgica, da qual nunca mais recuperou. Eu encontrava-me numa tarefa árdua e importante, no pequeno quinteiro em frente da casa paterna, a substituir o eixo de um dos carros de bois da nossa “frota” e eles sorriram da minha ousadia, porque era trabalho para peritos na arte da carpintaria e eu era apenas um curioso. Sorriram e continuaram a caminhada sem um “até logo”, que despedidas nunca fizeram parte dos nossos hábitos.
Nós deveríamos ter desconfiado daquele regresso inesperado de terras gaulesas onde amealhara um invejável pé-de-meia mas a alegria de o ver entre nós não deixava margem para cogitações. Tudo parecia normal, excepto aquela visível tristeza, o olhar vago e distante, a contrastar com a força e a vivacidade que lhe eram peculiares.
Do Porto regressaria algumas semanas depois apenas para dar o último suspiro na casa onde nascera e que durante os seus trinta e cinco anos de vida ajudara a sustentar.
Era meu irmão e padrinho de baptismo e tanto eu como os restantes membros do agregado familiar tínhamo-nos habituado a venerá-lo e respeitá-lo como um verdadeiro chefe de família porque, na verdade, ele tornou-se naturalmente a “trave mestra” da casa por ser mais velho e porque o nosso pai ficara fisicamente impossibilitado de desempenhar esse papel desde que um fatídico acidente o deixou estropiado para o resto da vida.
Esse sentido de responsabilidade marcou-o para a sua curta vida e vincou no seu rosto, de feições angulosas e correctas, os estigmas de um homem sério e trabalhador.
Não era homem para folganças, encarava tudo com uma seriedade voluntária, simples e competente e era detentor de uma força e de uma generosidade incomensurável.
Quando, já tardiamente em relação a outros do seu tempo, decidiu procurar vida melhor em França e comunicou essa decisão em casa foi um caso sério. A nossa mãe ficou inconsolável e nós, os mais pequenos, pressentíamos que se avizinhavam tempos ainda mais difíceis, um sentimento quase que de orfandade…
Mas os argumentos eram muito poderosos e seguiu o seu destino.
Sempre que podia regressava e passava grandes temporadas, principalmente no Verão, para ajudar nos trabalhos mais espinhosos e também para ajudar e desfruir do seu principal hobby: a música.
A música não tinha segredos para ele. Tanto executava de forma exímia um solo de trompete como trauteava uma pauta do princípio ao fim sem uma falha de som ou de compasso. Ajudava na aprendizagem dos mais novos, copiava laudas e laudas de peças musicais para os diversos instrumentos, empenhava-se activamente em tudo que se relacionasse com a existência da Banda de Música.
Contudo, a vida foi tão madrasta para ele que nem lhe permitiu conhecer a filha que se encontrava em gestação no ventre materno quando partiu rumo à eternidade.
Quem o conheceu sabe bem que não merecia tão cruel destino …
Por isso, aqui lhe expresso a minha homenagem, a minha gratidão e a minha eterna saudade.

Coimbra, 15 de Junho de 2007

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Mudar de Vida



Bem que apetece, muitas vezes, dar um pontapé na rotina, largar as amarras e partir... Partir sem norte, sem rumo, sem destino, qual vagabundo sem eira nem beira, despreocupadamente despreocupado...
Mas como?
Mudar é uma característica própria da natureza mas não tanto da condição humana. E eu, como qualquer mortal, não sou um fervoroso adepto da mudança, trocar o certo pelo incerto, saltar para o desconhecido, arriscar.
E como diz o povo, "mais vale um pássaro na mão que dois a voar"... se bem que eu gostaria muito de voar e por vezes voo, voo sim, mas baixinho, muito baixinho...

quarta-feira, 13 de junho de 2007

O Mito

"O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo"
Fernando Pessoa


Mito

(Do gr. mÿthos, «palavra expressa» pelo lat. mythu-, «fábula; mito»)
Substantivo masculino

  1. Relato das proezas de deuses ou de heróis, susceptível de fornecer uma explicação do real, nomeadamente no que diz respeito a certos fenómenos naturais ou a algumas facetas do comportamento humano;
  2. Narrativa fabulosa de origem popular; lenda;
  3. Elaboração do espírito essencialmente ou puramente imaginativa;
  4. Alegoria;
  5. Representação falsa e simplista, mas geralmente admitida por todos os membros de um grupo;
  6. Algo ou alguém que é recordado ou representado de forma irrealista;
  7. Exposição de uma ideia ou de uma doutrina sob forma voluntariamente poética e quase religiosa.

Ouvia em pequeno coisas fabulosas sobre visões fantásticas de pessoas, de acontecimentos, de passamentos, de feiticeiras, de lobisomens e de pejeiras, algumas dessas coisas dispersas nos dois blogs que me esforço por manter “vivos”.
Mas há muitas coisas que vão caindo no esquecimento e há algum tempo atrás, num comentário ao post “Há Bruxas?”, minha irmã evocou um termo muito usado nessas “estórias” para os quais nunca encontrei definição nos diversos dicionários de língua portuguesa que já percorri: o “omito”.
O “omito” teria o significado de fantasma e era a visão imaginária (?) de uma pessoa real que premonizava a sua morte a curto prazo, faculdade que apenas era detida por algumas pessoas mas nunca contestada pela comunidade.
Havia mesmo relatos de situações em que as pessoas eram obrigadas a afastar-se dos caminhos percorridos pelos cortejos fúnebres para deixar passar a encenação de um funeral que na realidade se realizaria alguns dias depois, de pessoas vistas num determinado local, sendo certo e sabido que essas pessoas na realidade estavam acamadas e sem poder sair de casa e até de agressões perpetradas por esses fantasmas aos curiosos e corajosos que teimavam em certificar-se se eram figuras reais ou imaginárias.
Geralmente, essas visões ocorriam de noite mas também podiam ocorrer durante o dia, como aquela que já relatei e que, dadas as circunstâncias, não me deixa qualquer margem para dela duvidar.
Naquele tempo, o tempo tinha um tempo bem definido para o trabalho e para o repouso. O primeiro era o dia, este era a noite.
A noite metia medo. Era o tempo das sombras, onde tudo assumia contornos extraordinários, o tempo dos mitos e das incertezas. As noites escuras encerravam mil mistérios onde tudo se confundia nas tenebrosas trevas. As mais claras e de luar tornavam mais misteriosos os mistérios das pardacentas paisagens nocturnas. De noite, as sombras assumiam formas fantasmagóricas que faziam eriçar todos os pelos do nosso corpo sempre que havia necessidade de desafiar a escuridão. Os sons produzidos na natureza tornavam-se mais distintos e sonoros como nunca os nossos ouvidos os conseguiam captar durante o dia. E isso era estranho, assustador e intimidativo.
Também, neste caso, a electricidade desfez os mitos da minha juventude. A noite tornou-se dia e o tempo já não nos permite definir o nosso tempo como outrora. As vias de comunicação, os meios de transporte, o poder dos media enredaram-nos numa teia da qual já não nos podemos libertar.
Os (o)mitos cederam lugar à realidade que não é, agora, menos assustadora e inquietante.

Coimbra, 13 de Junho de 2007



terça-feira, 12 de junho de 2007

Acontece...


Hoje lembrei-me deste gajo. Morreu muito jovem mas deixou interpretações majestosas, tal como esta, quanto a mim, a melhor de todas.
Para mim era o tempo do sonho, da ilusão, da irreverência, e muitas outras coisas que não me apetece trazer ao de cima.

domingo, 10 de junho de 2007

Portugal dos Pequenitos

Não, não é deste Portugal que quero hoje falar. É de um outro Portugal, o Portugal dos pequenitos.
Aqui os pequenitos não se divertem com as construções de brincadeira, não admiram a diversidade das habitações, não se entusiasmam com a recordação do Império...
Neste Portugal luta-se muito para não sair da cepa torta por força de um destino previamente traçado e sem jeito nem engenho para o alterar.
Neste Portugal dos pequenitos há homens que são explorados por outros homens, há mulheres vitimas de maus tratos e centro de descarga de inúmeras frustrações, há crianças que deixam a escola para ajudar a sustentar o lar, há jovens que vão produzir riqueza para outros lugares, da qual trazem uma pequena parte para colmatar as carências da nossa terra.
Triste fado este.
Dizem os especialistas que as crises são cíclicas e a economia tende a encontrar o equilíbrio. E eu, que de economia só entendo os sinais mais e menos, mais para - do que para +, tenho vindo a constatar que há apenas um ciclo, o da recessão, já que o outro há muito anda oculto nas gavetas de S. Bento, ou do INE, ou do imponente edifício da Rua do Ouro onde, dizem, ainda existem umas boas reservas desse precioso metal.
Veio agora a lume a boa notícia de que nos primeiros meses do ano a economia portuguesa cresceu 2%, à custa das exportações já que o investimento parece que não teve tão bom desempenho.
Mas perguntem aos "pequenitos" deste País o que isso representou para eles. Certamente responderão como eu, nada, ou então que com o mesmo salário compram menos coisas, que disto eles entendem...
As exportações são importantes, sem dúvida, mas o consumo privado é que é o principal barómetro que permite ver para que lado a economia converge. E se as famílias não dispõe de empregos nem de rendas suficientes é certo que vão reduzir o consumo. Se o consumo diminui, baixa a procura, abranda a produção, modera-se o investimento e, consequentemente, a economia deprime.
Então...

Foto Internet

sábado, 9 de junho de 2007

Santo António de Val de Poldros

A avaliar pelos vestígios existentes, é um local habitado pelo Homem desde há muitas centenas de anos. E não é em vão que isso acontece. É um recanto da Serra da Peneda extremamente belo e aprazível, onde se respira um ambiente ainda imaculado.
A capela dedicada ao Santo que lhe deu nome já foi alvo de diversas reconstruções e tenho dúvidas que haja documentação clara acerca da sua origem. O Santo sabemos bem quem é. É português, casamenteiro e protector dos gados que povoam a serra, e não só. Também existe uma crença que protege os porquinhos, aqueles comilões que engordam e engordam até serem sacrificados para satisfação da gula dos donos, assim, tal qual… E quando o bicho dá sinais de fastio ou febre, lá vem o dono a interceder perante o santo: “Se não morrer o porquinho dou um chouriço ao Santo Antoninho”… Claro que o Santo não come chouriços, nem lacões, nem cabritos, nem vitelos, nem deles faz colecção, mas no dia da festa lá está tudo isso, testemunho da fé dos homens, pronto a ser leiloado e depois sim, para fazer as delícias de um cozido ou para alentar uma sopa de saramagos, uma espécie de nabiça selvagem que por lá abundava no tempo em que se cultivava a batata e o centeio e mau grado a escassez ainda consta no cardápio do restaurante que um arrojado empresário ribamourense ali implantou.
A festa era, invariavelmente, a 13 de Junho, o dia de Santo António. Em tempos que já lá vão, havia uma novena que se iniciava uma semana antes e à qual acorriam romeiros de todas as aldeias das redondezas: Riba de Mouro, Tangil, Merufe, Gave, Parada do Monte, Gavieira, Padrão, talvez de lugares ainda mais distantes. No dia 11 era a feira de gado anual.
Agora a festa é realizada no domingo mais próximo e a feira no sábado que o antecede. A novena não sei se ainda se realiza ou não. É provável que sim.
Mas o que torna mais atractivo o local é todo o ambiente envolvente: As cardenhas, as tapadas, os poulos de feno, o tojo, a carqueja, a carrasca, as giestas, as urzes, as fontes de água fresca e cristalina, a frescura do ar, as manadas de cachenas e as récuas de garranos que pastam livremente, o tinir dos chocalhos, o balir das reses, o gorjeio dos pássaros…
Agora até tem electricidade e têm-se cometido atrocidades de bradar aos céus. As tradicionais cardenhas são destruídas e adaptadas a casas de veraneio, é certo que com utilização dos materiais originais mas adaptadas ao conforto e ás dimensões mais consentâneas com as exigências da vida actual. Cada um pode fazer do seu património o que bem entender mas ali não está em causa só o bem-estar dos proprietários, há um testemunho dos nossos antepassados que é preciso salvaguardar e legar aos vindouros.
Os danos ainda não são significativos e espero bem que as entidades competentes consigam travar qualquer tendência especulativa sobre o espaço que é de toda a humanidade e não apenas dos seus titulares.

Imagens Internet
Fotografia do Altar com direitos de autor

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Em Junho, de foice em punho...

Para ceifar o quê?
Tinha pensado num tema mas verifiquei que está muito bem tratado aqui e não só. Assim, que fazer?
Como diria Pedro Abrunhosa, talvez f****? Mas por agora ficamos com os seus (nossos) fantasmas.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Acabou a Greve

Ontem foi dia de greve geral. Eu, como não posso fazer greve fisicamente, aderi de alma e coração de forma virtual e, por isso, aqui o Memórias não esteve com meias medidas: fechou.
Faltou, porém, uma explicação, algo que elucide os biliões de internautas sobre as ponderosas razões que me levaram a tomar tão drástica medida.
E eu queria dar essa satisfação mas tal não é fácil.
Como é que eu poderia dizer abertamente que estamos num país de fruta (daquela que os macacos gostam), que temos um primeiro ministro que parece ser filho de uma frequentadora da "bia norte", sem me arriscar a dar com os costados no Forte de Elvas?
Não é que eu tenha alguma desconfiança em relação aos meus leitores mais fiéis mas quem me garante que não anda por aí algum haker que me vai delatar?
Além disso eu não me envolvo em politiquices. Eu identifico-me mais com o povo que trabalha e sofre, paga os impostos e lamenta a sua sina, quer fazer greve e não pode porque os míseros trocos que se arrisca a perder fazem muita falta para pagar as contas da água, da elecricidade, do telefone, da gasolina, dos feijões, dos tomates, do macarrão, do pão, da educação, da saúde...

Imagem Internet

Sei que estou a ser um pouco extravagante e egoísta, devia limitar-me apenas às coisas básicas mas uma pessoa habitua-se ao luxo e depois custa muito andar para trás.
Além disso a greve que se pretendia geral foi um autêntico fiasco, a fazer fé nos números oficiais e como se deduz dos escassos blogers que aderiram a esta iniciativa.


segunda-feira, 28 de maio de 2007

Eduardo Discoli

Vai fazer um ano que atravessou Portugal discretamente, entrando por Valença e saindo por Vila Real de Santo António.
Este "Gandamaluco" ainda pensa ter tempo para regressar à Argentina e escrever um livro com o relato da sua aventura.
Tive o privilégio de contactar com ele na sua passagem por Coimbra onde permaneceu dois dias e confesso que sinto uma grande admiração pela coragem com que se aventurou neste empreendimento.
Um "periódico" da sua terra relata assim a sua passagem por Roma:
"LA EPOPEYA DE UN GAUCHO Y JUGADOR DE POLO AFICIONADO Y SUS TRES "PINGOS"
A caballo, hasta Roma, para saludar al Papa
Eduardo Díscoli dejó Argentina hace seis años. Ayer, pudo ver a Benedicto XVI.
El gaucho y jugador de polo aficionado Eduardo Díscoli, 57, levantó el brazo montado en Gerónimo y saludó al Papa que se acercaba en automóvil al Arco de las Campanas para entrar en su "papamóvil" a la plaza de San Pedro, donde en la audiencia general de los miércoles lo esperaba una multitud de 50 mil personas listas para aclamarlo. Benedicto XVI preguntó a sus colaboradores: "¿Quién es?", y cuando se lo explicaron le devolvió sonriéndole el saludo.
Envuelto en una bandera argentina, Díscoli dijo después a Clarín: "Para llegar a Roma recorrí 28 mil kilómetros e hice hoy 10 más hasta el Vaticano, pero he cumplido con otro de mis sueños".
Junto al gaucho montado en Gerónimo están, mansos, Profeta y Chalchalero, dos caballos criollos con los que Díscoli seguirá su gira alrededor del mundo. Hace seis años partió desde Buenos Aires y recorrió prácticamente todos los países americanos hasta arribar a Nueva York.
"Hace un año y medio cruce en avión el Atlántico gracias a un sponsor. En Nueva York y México quedaron cuatro caballos criollos que estoy tratando de recuperar y por eso pido ayuda financiera en la Argentina", agregó.
Díscoli y sus tres caballos son huéspedes del Club de Polo de Roma. "Me gusta haber vuelto a jugar", explicó. El embajador argentino ante la Santa Sede y sus colaboradores lo ayudaron para que pudiera saludar brevemente al Papa. Nuestro compatriota monseñor Leonardo Sandri, le aseguró el privilegio de poder ir montado a caballo hasta el Arco de las Campanas.
Monseñor Sandri, que es uno de los más estrechos colaboradores del Papa, recibió en el Palacio Apostólico a Eduardo Díscoli acompañado por el embajador Custer.
El gaucho contó a Clarín sus aventuras: los mayores problemas los tuvo en los países americanos para hacer atravesar las fronteras a los caballos. "En Europa nunca tuve problemas".
Ha sido invitado especialmente a la recepción de la Embajada argentina ante la Santa Sede para celebrar la revolución de mayo y con sus caballos asistirá al homenaje frente al monumento al general José de San Martín en el parque de la villa Borghese.
"Ya recorrí media Europa y ahora iré a Austria, Rusia, China, Mongolia, la India, Egipto, Israel, Túnez, Argelia, Marruecos. De allí volveré a la Argentina", enumera.
Pero ¿Cuanto le falta para dar semejante vuelta? "Cuatro o cinco años", respondió Díscoli. El gaucho es de San Pedro, separado, con dos hijos y vive en Santa Lucía, provincia de Buenos Aires. Sugiere a Clarín la consulta de su sitio de Internet:
www.deacaballoalmundo.com.ar"


sábado, 26 de maio de 2007

Há Bruxas?

Acredita em bruxas?
Muita gente diz que não, não acreditam nessas coisas, outros dizem que sim, elas existem.
Citando o Padre Fontes de Vilar de Perdizes, quando lhe colocaram a mesma questão: “… como diz o galego, yo creer no lo creo pero que las hay, hay!”
A culpa é da electricidade. No tempo em que não havia luz eléctrica, que faz da noite dia, era possível observar o movimento das bruxas durante a noite, num frenesim constante, daqui para ali, dali para acolá. Eu próprio vi muitas vezes, com estes olhos "que a terra há-de comer", como elas se movimentavam pelas encostas da Cumieira, em Birtelo, Cousso, Pomares, Cela e Cubalhão. Na noite escura, geralmente às sextas-feiras, após se apagarem os frouxos luzeiros das candeias a petróleo no interior dos lares, pouco demorava que tinha início a “dança” das bruxas, uma espécie de pirilampo que se deslocava à velocidade do raio de uma localidade para outra. Por vezes juntavam-se em grupos de quatro ou cinco, permaneciam alguns minutos como que a conferenciar, quem sabe se a acertar alguma estratégia, para de seguida se dispersarem em diversas direcções.
Era possível observar tudo isto da janela da minha casa, mas com muita precaução para elas não desconfiarem de que estavam a ser vigiadas. À menor suspeita desapareciam e ninguém mais as via. E era um espectáculo mágico, fascinante, encantador…
Mas, tudo tem um fim e a electricidade, como já referi, foi a causa do fim destas observações. A iluminação eléctrica fez da noite dia e as bruxas, certamente, adoptaram outra forma de viajar. Em vez de vassouras devem ter propulsores a hidrogénio ou outro combustível capaz de imprimir alta velocidade aliada a uma camuflagem tão eficiente que se tornam invisíveis aos nossos olhos.
Mas provas da sua existência não faltam. Há alguns anos, uma vizinha minha abordou-me e perguntou-me se nesse dia ia à Vila. Respondi-lhe que sim, que depois do almoço ia sair e disse-lhe que se precisasse de algo podia dispor. Ela pediu-me para lhe dar boleia que estava preocupada com o filho e precisava levá-lo ao médico.
O filho era um rapazote dos seus dezasseis ou dezassete anos, fisicamente bem constituído mas, como se diz na gíria, um pouco “pírulas” ou estouvado. Tinha ido trabalhar para a quinta de um tio, um solteirão ex-emigrante no Canadá, mas sentira-se doente e o tio levou-o ao médico que lhe prescreveu a medicação, certamente adequada para o caso. Só que o rapaz, na ânsia de melhorar rapidamente, tomou tudo de uma só vez e ficou ás portas da morte. Foi socorrido a tempo e passado o perigo o tio devolveu-o à família natural. E foi neste contexto que a minha vizinha foi ter comigo. O filho ainda não estava completamente restabelecido, dormia com os olhos abertos e queria ouvir a opinião de quem sabia…
Assim foi. Após o almoço rumamos à Vila, sede do concelho e situada a cerca de trinta quilómetros da aldeia onde morávamos.
Quando estávamos a uns escassos três quilómetros da urbe, a minha vizinha foi-me dizendo que não era bem ao médico que queria ir, que ia a uma bruxa existente nas imediações da Vila, que havia que fazer e não crer, que coisa e tal e eu expus o meu ponto de vista. Que melhor era ir ao médico, que a bruxa não ia fazer nada a não ser iludir a realidade… mas nada, não consegui demovê-la do seu objectivo nem tinha essa pretensão. Chegados ao sítio onde existia a tal “curandeira” eles apearam-se e combinamos encontrar-nos no mesmo local quando regressasse.
Na viagem de regresso lá tive que ouvir a vizinha, encantada com a “consulta”. Tu dizes que não acreditas mas devias ter assistido… ela adivinhou tudo, tudo, tudo, e disse tudo certo… que era inveja de um familiar, que o rapaz ia melhorar e que queria ir para a Suíça e que havia de ir brevemente, bla… bla… bla… E eu, cá para mim, ia pensando: Sim… vai lá vai… há-de ir para a Suíça quando eu for padre!…
Acabaram-se as férias, alguns meses mais tarde regressei à terra. À conversa com os amigos perguntei pelo tal rapaz - Ah… F. … está na Suíça…
E eu nunca fui padre!

Coimbra, 26 de Maio de 2007

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Está na Moda

Meme sem estar muito convencido das virtualidades desta corrente muito em voga, vou aqui deixar o meu contributo para que a mesma não se quebre e passar o testemunho...
O meu testemunho, apesar de ser muito popular mas muito pouco interiorizado, herdei-o de meu pai e tento o possível para fazer dele uma filosofia de vida:


"Nunca faças aos outros o que não quiseres que te façam a ti"

Passo-o aos seguintes blogers:
Sobrinha
Entre Mares e Planuras
Coisas Soltas
Liliana
Professor
Agradeço à minha amiga "bruxinha", que só pensa em comer :), o ter-se lembrado de mim.
Espero ter correspondido ao repto.
Eu ainda sou do tempo que outras correntes se faziam por carta, com notas de vinte escudos, depois passou a uma moeda de vinte e cinco tostões e acho que as novas tecnologias acabaram com isso de vez... Era bom que recomeçassem com notinhas de €xxx...

terça-feira, 22 de maio de 2007

As Cachenas

Há dias, num momento de boa disposição, apelidei alguém de "cacheno". Perante o espanto de quem ouviu, tive de explicar muito bem que era um termo muito popular na minha terra, para designar alguém de manhoso, matreiro, sagaz, ruim...
Depois fiquei a meditar sobre o assunto e relembrei os contornos desta terminologia.

As cachenas (pronuncia-se "catchena") são uma raça de gado bovino originária da Serra da Peneda e zona contígua da Galiza que tem resistido a todos os avanços da tecnologia ao longo dos séculos.
São animais muito rústicos, de porte pequeno mas muito resistentes, capazes de sobreviver em situações de grande adversidade. A sua versatilidade tem sido a principal garantia de sobrevivência perante a invasão de raças mais produtivas em leite e carne mas perfeitamente inadaptadas ao meio.
A raça ainda perdura graças ao esforço desenvolvido por um pequeno número de resistentes e tenazes agricultores mas corre o risco de desaparecer, à semelhança de outras artes desenvolvidas pelas populações serranas.
Para a posteridade ficarão os "catchenos" urbanos...

Foto Internet

sábado, 19 de maio de 2007

Fotografia

Era um dia gélido de Dezembro, com um sol radioso, lá pelos idos anos sessenta.
Para a posteridade, um dos meus irmãos, no intervalo entre uma comissão de serviço militar em Moçambique e outras que se seguiriam em Angola, preparou a máquina e disparou a objectiva.
Esta fotografia andou por África, França, veio parar à minha posse e é uma imagem rara em que os meus progenitores aparecem juntos.


Ainda havia muita gente naquela casa granítica. Actualmente está desabitada e tenho dúvidas que alguma vez volte a ter vida no interior como naquele tempo. Mas ainda lá está, austera e sólida, desafiando o tempo e o vento...
Quantas recordações...

terça-feira, 15 de maio de 2007

Vamos lá dar uma mãozinha!


Esta rapariga é muito prendada e merece o nosso apoio para divulgar uma marca de artigos de filigrana que a podem tornar uma magnata do ramo, numa zona que se debate com problemas sérios no que se refere ao exodo dos Recursos Humanos locais.
Com a devida vénia do meu amigo Jofre Alves, um incansável investigador e importante divulgador do património histórico e cultural do idílico concelho de Paredes de Coura, transcrevo alguns dados referentes à autora:

"Liliana Guerreiro - Nota Biográfica:
  • Curso Técnico Profissional de Artes Gráficas da Escola Profissional de Artes e Ofícios de Vila Nova de Cerveira.
  • Licenciatura no Curso De Artes, opção Joalharia, da Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos.
  • Participou em várias exposições salientando-se o projecto e exposição itinerante (Travassos-Bulgária-Porto-Caminha-Coimbra-Lisboa) “leveza – reanimar a filigrana” realizada pela ESAD e pelo Museu do Ouro de Travassos, Póvoa do Lanhoso.
  • Entre outros, recebeu o 1.º Prémio no concurso de artesanato tradicional da FIA – Feira Internacional de Lisboa, em 2004 e 2006.
  • Actualmente desenvolve um projecto de reutilização das técnicas tradicionais da filigrana na joalharia contemporânea.
  • Vive e trabalha em Paredes de Coura."

Parabéns à Liliana e votos de muitos exitos na sua vida profissional.