Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a acção; semeia a acção e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o carácter.
(Tihamer Toth)
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
El Condor Pasa
"El cóndor pasa es un obra teatral musical clasificada tradicionalmente como zarzuela, a la cual pertenece la famosa melodía homónima. La música fue compuesta por el compositor peruano Daniel Alomía Robles en 1913 (registrada legalmente en 1933) y la letra, posteriormente, por Julio de La Paz (seudónimo de Julio Baudouin). En el Perú fue declarada Patrimonio Cultural de la Nación en el año 2004."
http://www.youtube.com/watch?v=zYU2r1N8VHg&feature=related
É muito conhecida a versão imortalizada pela dupla Simon & Garfunkel (de que sou um admirador incondicional). Confesso que, embora se inferisse a sua ligação à cultura Inca, ignorava completamente a importância histórica e cultural que lhe é dedicada no Perú.
Outra vez: Amâncio Prada
Para ouvir e sonhar...
domingo, 9 de dezembro de 2007
Maria la Portuguesa
Gosto desta música. Foi escrita e interpretada superiormente por um andaluz pouco conhecido que se apaixonou pelo fado, por Amália e pela boémia das noites lisboetas. Dedicou-a a Amália que nunca chegou a interpretá-la, ou pelo menos a gravá-la, e também, tal como o seu criador, nunca terá atingido elevados índices de popularidade. Mas conseguiu o suficiente para perdurar por muitos anos.
A letra já a publiquei neste blog, algures lá pelos fundos...
sábado, 8 de dezembro de 2007
Linguística de Cavenca – Pronúncias Dialectais
Muitos dos vocábulos ali apresentados são idênticos aos usados na minha terra mas aqui outros há que diferem de tudo que é costume ouvir-se em redor.
Isolado na encosta da serra, o povo de Cavenca desenvolveu formas de expressão próprias, algumas bem rudes, que nos faziam corar de vergonha sempre que alguém se ria da nossa “forma” de falar.
De tal modo que algumas pessoas mais bem informadas, no intuito de disfarçar a rudeza da nossa linguagem e para denotar um modo de falar mais evoluído, se referiam à freguesia Riba de Mouro dizendo Cima de Mouro…
Numa tentativa de reavivar lembranças do tempo que já lá vai mas que ainda teima em resistir pontualmente, pelo menos enquanto houver resquícios de uma geração em declínio na qual me incluo, vou tentar evocar alguns dos termos usados no “meu tempo” e que se distanciam do português corrente e mais se aproximam do arcaico, especialmente pela fonética.
Àgora Interjeição de espanto que significa não digas! Assubir Subir, trepar; Auga Água; Bás Vais (a troca do v pelo b é uma característica do norte
sobejamente conhecida);Beiço Lábio; Beiçom Bênção; Bendimar Vindimar; Buber Beber; Cabirto Cabrito; Cando Quando; Canto Quanto; Castinheiro Castanheiro; Coiro Preguiçoso, indolente; Cortelho Corte pequena; Craibo Caibro; Crica Vagina Cuidar Cogitar, pensar; Ende Onde/aonde (ende bás?/aonde vais?); Fatchins Testículos (agradeço a lembrança ao senhor Alves Silva,
in “A Terra Minhota”, Redacções, Monção,
1 de Dezembro de 2007);Gesta Giesta; Munçom Monção; Hai Há; Pam Pão (em geral, todos os ditongos assumem a variante
am (cam/cão, açafram/açafrão, tcham/chão, Juam/João,
maçam/maçã) ou om (Som/são, Adom/Adão,
ladrom/ladrão, cagom/cagão, saltom/saltão,
melom/melão);Nom/num Não (nom, num deixes, num quero...); Parriba Para cima; Satchar Sachar (regra geral, o ch assume a pronúncia tch); Si Sim; Un-ha Uma (é difícil reproduzir graficamente este som, ai se é…).
:)))
sábado, 1 de dezembro de 2007
Maçãs Podres
Porém, os tempos mudam e actualmente acontecem coisas muito estranhas, a avaliar pelo título da notícia em diversos jornais e meios de comunicação on-line como este que extraí de http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=886722:
Militar da GNR e ladrão de bancos
Pelos vistos, um jovem militar da Guarda Nacional Republicana exercia, sem autorização, uma outra actividade, certamente mais lucrativa do que a profissão que, voluntariamente, escolheu e pensou seguir.
Muita gente se interrogará: Como é possível?
A resposta está no cesto da fruta. Por mais rígidos que sejam os critérios de selecção, alguma das peças de fruta que seleccionamos há-de apodrecer. O pior é que, se não for logo identificada e retirada do meio da fruta sã, ela vai contaminar as restantes e acaba por ir parar tudo ao lixo.
Só que, como diz Júlia Lemgruber(*) “já se foi o tempo em que simplesmente se eliminavam as maçãs podres numa corporação. É preciso descobrir os efeitos delas na conduta e nos procedimentos policiais como um todo”.
(*)Ex-ouvidora da polícia do estado do Rio de Janeiro e coordenadora do Centro de Estudos em segurança Pública e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, no Rio, In http://www.comunidadesegura.org/?q=pt/node/35060
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
A Grande Caminhada

"Un avocat de 57 de ani, din Argentina, care a pornit într-o călătorie în jurul lumii pe cal, a ajuns joi la Drobeta Turnu Severin".
http://www.gds.ro/Eveniment/2007-11-24/Ocolul+pamantului+in+saua+unui+cal&hl=Alin%20GHICIULESCU&tip=toate
A saga continua. Mesmo sem saber bem o que está escrito dá para perceber que Eduardo Discoli continua a sua saga pelo Mundo e anda meio perdido algures pela Roménia, quem sabe se à procura do famoso Vampiro da Transilvânia.
Cuidado com o Inverno, D. Eduardo!
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Democracia e Intolerância
http://jn.sapo.pt/2007/11/28/policia_e_tribunais/governador_civil_confirma_exposicao_.html
O Estado moderno, na divisão preconizada por Montesquieu, assenta na teoria dos três poderes e da sua separação: o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judicial.
Teoricamente é assim que se organiza o Estado Português.
Teoricamente também é pressuposto serem independentes.
Mas serão mesmo independentes?
Existem cada vez mais sinais de ingerências e pressões externas em cada um deles. E aqui pode estar um desses sinais.
Ainda de acordo com o mesmo artigo, "A manifestação aconteceu à porta do Centro Cultural Vila Flor. À saída do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, José Sócrates, foi vaiado, num momento de grande tensão, com as forças de segurança a travar o avanço dos manifestantes".
Pelos vistos não se pode vaiar o senhor primeiro-ministro, nem se pode reunir um grupo de cidadãos para o fazer. Isto sem um pré-aviso entregue na câmara municipal.
O mesmo já não acontece se for para aplaudir.
Qualquer dia o nosso primeiro ouve muitas palmas e pensa que estão a aplaudi-lo mas é o mesmo que fazem as criancinhas naqueles seus jogos infantis: o sim é não e o não é sim...
domingo, 25 de novembro de 2007
Carta Aberta ao Senhor Inspector Geral da Administração Interna
Em mais de trinta anos de serviço na Guarda Nacional Republicana nunca vi uma crítica tão veemente, humilhante e tão desadequada à acção das polícias como esta que V. Ex.ª desferiu na entrevista concedida ao Expresso, especialmente vinda de "dentro".
Conheço as fraquezas da organização em que estou inserido mas também reconheço tudo aquilo que V. Ex.ª omitiu e que é o que nos dá força para prosseguir: o tributo dado diariamente por milhares de agentes em prol de uma causa, amplamente reconhecido e divulgado nos órgãos de comunicação social.
Há alguns anos, Senhor Inspector, ocorreu um envenenamento de animais na via pública na zona da Lourinhã e um canal de televisão efectuou um reportagem naquela área onde entrevistou diversas pessoas anónimas, entre elas um miúdo de uns 9 ou 10 anos, a quem perguntarem o que faria se soubesse quem tinha praticado aquela barbaridade ao que o petiz respondeu: -Se soubesse quem foi informava a Guarda.
A atitude do menino revela confiança e não medo. Medo dos polícias tínhamos nós, nos anos 50 e 60 do século passado. Hoje não é assim e V. Exª sabe-o muito bem.
Então porquê generalizar?
V. Ex.ª tem responsabilidades, dirige o mais importante órgão de controlo (ex)terno da acção das polícias e não ignora a importância do papel desempenhado por aqueles que designou de "cowboys" no combate à criminalidade. Não pode ignorar que o crime organizado não se combate com rosas, nem que o problema da Guarda não é ser uma força militar, nem o facto de chamar "adversários" a quem está à margem da lei. Basta atentarmos no simples facto de eu estar a falar em combate, ou no nome de uma secção da Polícia Judiciária (Combate ao Banditismo) para percebermos que determinada linguagem belicista nada tem de errado mas se adequa àquilo que queremos exprimir.
Sinto-me ofendido, Senhor Inspector. Ofendido e humilhado. E não pense que é um qualquer sentimento corporativista. A minha opinião e visão crítica da Instituição tem sido reafirmada ao longo de dezenas de anos do serviço mais diverso, desde mero executante, nas ruas e nos campos, de pistola e bastão à cinta, até cargos de chefia e de controlo interno, de caneta em riste para "disparar" naqueles que ultrapassam os limites da legalidade... como pode ver aqui se se dignar dar uma espreitadela.
Para quem em cerca de dois anos exerceu o cargo no mais completo obscurantismo acho que escolheu a forma mais errada de dar visibilidade à sua existência.
Boaventura Afonso Eira-Velha
P.S. Esta carta foi enviada por correio electrónico ao destinatário em 25 de Novembro de 2007. Poderei ser processado disciplinarmente por ousar dirigir-me a SEXA e manifestar-lhe a minha indignação mas não podia ficar indiferente perante tanta falta de respeito às Instituições e às pessoas.
O Senhor Inspector Geral há-de perceber que ele passará e as Instituições prevalecerão. Já assim foi e continuará a ser.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Cantando e Rindo...
Pode ler-se a notícia completa em
http://jn.sapo.pt/2007/11/22/economia_e_trabalho/portugal_sexto_pais_mais_pobre_ocde.html
E assim se faz Portugal... uns vão bem e outros mal...
O que poderemos nós fazer? Talvez...
Acho que já me estou a repetir demais :(
P.S. Para que não subsistam quaisquer dúvidas, declaro solenemente que nunca fiz parte da JP :)
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Gémeos
"somo parecidos, temos o riso fácil e damos a mão com o coração"http://jn.sapo.pt/2007/11/21/ultima/socrates_e_chavez_querem_aprofundar_.html
Eu diria mais: Não são parecidos, são gémeos. Para quem não acreditar sugiro um exercício clássico, descubram as diferenças...
Imagem: http://dn.sapo.pt/2007/11/20/225900.jpg
terça-feira, 20 de novembro de 2007
A Bilha

Não era uma bilha qualquer. Era uma bilha única pela qual toda a gente gostava de beber e um instrumento indissociável das jornadas de árduo trabalho do campo sob a inclemência de um sol abrasador. A água que brotava do seu seio arredondado era fresca e cristalina, porque fresca e cristalina era ela ao sair do próprio manancial e a bilha conservava todas essas qualidades acrescentando-lhe um indescritível sabor a barro recosido sabe-se lá em que olaria.
Um dia andavam meus pais e irmãos a sachar milho no Manhuço (raio de nome) e incumbiram-me de ir encher a bilha de água a uma nascente no sítio denominado Uzenda (raio de nome). Todo empertigado e importante, lá me desloquei pé ante pé direitinho à nascente: Desci pelo caminho das Carvalheiras, virei à esquerda por um carreiro estreito até ao Chão do Monte, atravessei a corga que descia a encosta desde o Chão da Aveleira até ao Rio Pequeno ao fundo da Carvalheira e eis-me em frente da pequena mina de onde escorria uma generosa nascente de água do melhor que pode haver. E aqui começam as complicações... Olhei para o buraco, onde teria de me enfiar para aceder à água numa improvisada bica feita de pedras toscas mas recuei cheio de medo. Não que visse ali qualquer fantasma mas... podia estar lá alguma cobra e brrrrrrrr... nãaaa, não meto a cabeça naquele buraco. Recuei, olhei de novo, voltei para trás e fui embora sem uma gota de água. Para cúmulo, pelo estreito carreiro ladeado de ervas quase da minha altura já via cobras por todos os lados e cada vez mais amedrontado acelerei o passo o mais que me permitiam as pequenas pernas. Ao voltar a passar por um valado de onde escorria uma pequena cascata de água que fazia remexer as ervas que a ladeavam e produzir um ténue ruido deu-se o clímax dos medos. Então, desatei a correr com quantas ganas tinha. Ao subir o último troço do caminho, uma calçada tosca de pedras, terra e ervas escorreguei e bem tentei evitar o acidente mas o pior aconteceu: a bilha bateu numa pedra e desfez-se em mil pedaços. Oh que desgraça! Como foi possível aquilo acontecer-me? Que justificação eu ia dar aos meus pais e irmãos que cheios de sede aguardavam que eu lhes levasse o precioso líquido? E que castigo estaria reservado para o sacrilégio de partir a mais preciosa bilha que existia em todo o lugar de Cavenca e arredores?
Automaticamente, recolhi os pedaços de barro que me foi possível apanhar, deixei-os numa borda do campo de milho onde decorria o trabalho e, sem que ninguém me visse nem ao menos dizer "água vai", dei de "frosques" para casa...
Quando meu pai e irmãos regressaram para o almoço, que naquele tempo se chamava jantar, submeteram-me a um intenso e agressivo interrogatório para saber porque não lhes tinha levado a água. Atabalhoadamente defendi-me como pude, argumentando que a cobra tinha soprado e que escorregara... E a bilha, onde está a bilha? A bilha ficou no cimo do campo, no meio de uma ervas... Pois então, diz meu pai, depois de comermos vais comigo mostrar-me onde está.
A tempestade amainou, ganhei tempo e respirei fundo. Depois de ingerirmos o parco almoço deslocámo-nos ao local do "crime". Ao aproximarmo-nos do sítio onde tinha deixado os restos da famosa bilha adiantei-me a meu pai, que andava muito devagar devido a uma avaria no sistema de tracção o qual além das pernas contava com a ajuda de duas bengalas e de longe fui-o informando do sítio onde jaziam os "restos mortais" do estimado objecto.
Pelo sim pelo não fui mantendo uma distância razoável do meu progenitor, não fosse uma das suas auxiliares motrizes assentar-me nas costas...
Imagem: http://www.rt-atb.pt/fotos/C%20-%20Arlindo%20Silva%20-%20bilha%20de%20%C3%A1gua%20c%C3%B3pia.jpg
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Xirarei...
Xirarei nas tuas augas de mulher.
Xirarei un por uno os teus caminhos
P'ra namorar-te xirarei e xirarei".
sábado, 10 de novembro de 2007
A Criação
O Rogério, uma popular personagem muito conhecida e respeitada na Vila de Monção, era um daqueles indivíduos que não desperdiçava qualquer oportunidade para incutir na sua extensa prole uma criação sustentada em hábitos de respeito e honestidade. Habitava uma velha casa na Rua General Pimenta de Castro que também servia para exercer a sua actividade comercial em vários ramos, ora de taberneiro, ora de sapateiro, ora sei lá de quê. E era usual as pessoas das aldeias, sempre que se deslocavam à Vila para fazer compras ou resolver outras coisas que só ali se podiam decidir, deixarem os seus pertences no estabelecimento do Rogério enquanto deambulavam pelas artérias da localidade na resolução das inúmeras tarefas.
Um dia, ao proceder às ultimas arrumações para encerrar o estabelecimento, o Rogério encontrou perdida no meio da tralha uma carteira bem grossa, indiciando ter um bom recheio de notas, que na altura eram bem escassas.
Meteu a carteira no bolso e, fechadas as portas, dirige-se para a habitação onde a família, à volta da mesa, o esperava ansiosamente para cear.
Sentou-se no seu lugar e, com ar muito sério e em tom baixinho para estabelecer uma maior cumplicidade no acto, pegou na carteira, colocou-a em cima da mesa e disse: - Meus filhos, estamos ricos! Encontrei esta carteira cheia de dinheiro ali na loja e agora podem escolher o que desejarem...
Deslumbrados os filhos começaram cada um a pedir o que mais desejava. Uma queria uma máquina de costura, outro queria um clarinete novo, outro ainda um fato de veludo, enfim, uma lista enorme de pedidos...
Decepcionado com a ganância dos filhos, o Rogério puxou de uma vara apropriada e começou a desancar em todos exclamando: - Seus filhos da p..., eu a pensar que tinha uma família de gente honrada e honesta e estou metido com um bando de ladrões... vão já p'ra cama que hoje não há ceia para ninguém!
Era assim que se dava a criação naquele tempo. Hoje seria um método de educação mal aceite mas em certas circunstâncias ainda fazia jeito...
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Usurpação
Em Portugal a produção artística e literária está protegida por lei (Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março) que considera obras:
Art. 1.º
1 – (...) as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas, que, como tais, são protegidas nos termos deste Código, incluindo-se nessa protecção os direitos dos respectivos autores.
2 – As ideias, os processos, os sistemas, os métodos operacionais, os conceitos, os princípios ou as descobertas não são, por si só e enquanto tais, protegidos nos termos deste Código.
3 – (...) a obra é independente da sua divulgação, publicação, utilização ou exploração.
Consideram-se ainda obras originais:
Art. 2.º
1 – As criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, quaisquer
que sejam o género, a forma de expressão, o mérito, o modo de comunicação e o objectivo, compreendem nomeadamente:
a) Livros, folhetos, revistas, jornais e outros escritos;
b) Obras dramáticas e dramático-musicais e a sua encenação;
c) Conferências, lições, alocuções e sermões;
d) Obras coreográficas e pantominas, cuja expressão se fixa por escrito ou por qualquer outra forma;
e) Composições musicais, com ou sem palavras;
f) Obras cinematográficas, televisivas, fonográfica, videográfica e radiofónicas;
g) Obras de desenho, tapeçaria, pintura, escultura, cerâmica, azulejo, gravura, litografia e arquitectura;
h) Obras fotográficas ou produzidas por qualquer processo análogos aos da fotografia;
i) Obras de arte aplicadas, desenho ou modelos industriais e obras de design que constituam criação artística, independentemente da protecção relativa à propriedade industrial;
j) Ilustrações e cartas geográficas;
l) Projectos, esboços e obras plásticas respeitantes à arquitectura, ao urbanismo, à geografia ou às outras ciências;
m) Lemas ou divisas, ainda que de carácter publicitário, se se revestirem de originalidade;
n) Paródias e outras composições literárias ou musicais, ainda que inspiradas num tema ou motivo de outra obra.
As penas para o crime de usurpação podem ser "prisão até três anos e multa de 150 a 250 dias, de acordo com a gravidade da infracção, agravadas uma e outra para o dobro em caso de reincidência, se o facto constitutivo da infracção não tipificar crime punível com pena mais grave".
Serve esta advertência para dizer a alguém, e não vou dizer quem é porque o visado irá dar-se conta, que o meu blog tem como princípio respeitar as fontes. Se por um acaso tal não acontecer também não será grave, não pretendo apropriar-me do alheio e muito menos obter qualquer proveito.
Também quero deixar expresso que não vou exercer o direito de queixa, requisito essencial para desencadear a acção penal.
De resto, espero que os meus leitores e leitoras continuem a visitar, a usar e abusar deste espaço, que continuará a estar disponível enquanto os dedos me permitirem...
domingo, 28 de outubro de 2007
Desconfiado e pouco Civilizado
Não me admira que assim seja. Eu penso que nós, os portugueses, somos desconfiados e patenteamos uma enorme falta de civismo.
Querem provas? Vejam o que se passa nas estradas. Não é falta de civismo o que ocorre perante os nossos olhos diariamente?
A palavra desconfiança é um substantivo feminino que significa "falta de confiança; suspeita; temor de ser enganado; ciúme". Não conhecemos ninguém com estes atributos, pois não? Não manifestamos desconfiança em relação aos processos Casa Pia ou Apito Dourado, o mesmo com o caso da Praia da Luz, nem em relação ao poder político, quer de âmbito nacional, quer de âmbito autárquico, nem aos rumores de tráfico de influências e corrupção nos Tribunais, nem em relação aos vizinhos que vivem desafogadamente e não se sabe de onde lhes vem aquilo com que se pagam os melões ou àquela madame que trabalha de noite e dorme de dia...
Mas mais curioso ainda é que todos nós, eu repito, TODOS NÓS, falamos disto como se pertencessemos a outro planeta.
Para cúmulo, lá diz o velho ditado (deve ser chinês): Quando a esmola é grande, o cego desconfia!
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
O Palácio da Justiça
A inauguração de um emblemático empreendimento público, designado geralmente por "Palácio de Justiça", fez deslocar ao Alto Minho a mais proeminente figura do Estado, o Almirante Américo de Deus Rodrigues Tomás, ou Thomaz, na altura a ocupar "democraticamente" o cargo de Presidente da República, e foi feito um convite à população em geral para lhe manifestar o "carinho, o apreço e a gratidão" do Povo do Norte...
Como havia transportes à borla, aproveitei a ideia para me associar a um pequeno grupo de Cavenca e ao mesmo tempo fazer uma pausa nas malfadadas lides do campo.
Preparamo-nos a rigor, lavadinhos e vestidos com a melhor farpela e rumamos serra abaixo em direcção ao lugar do Cruzeiro onde tinha o seu términus a velha camioneta da carreira de Monção para Riba de Mouro, coisa que só existia regularmente às quintas feiras e excepcionalmente para aquele grandioso evento.
A caminhada de Cavenca ao Cruzeiro era longa, cerca de quatro quilómetros por caminhos de cabras e um estradão em terra batida rasgado pelos Serviços Florestais, mas para nós não representava qualquer dificuldade, habituados que estavamos a calcorreá-los de dia e de noite.
Já em pleno lugar da Gateira, caminhávamos céleres e com o máximo cuidado para não sujar o calçado nem a roupa mas eis que surge na curva da estrada, em direcção a nós, um motociclista em alta velocidade, um daqueles novos-ricos que em França tinha angariado fundos para trocar o meio de transporte tradicional, os burros e machos, por uma moderna motocicleta equipada com um poderoso motor da marca "pachancho" de 49 cc de potência!
Aquilo era uma visão rara na aldeia e eu, boquiaberto, fiquei a olhar o percurso do motociclista que passou por nós como um raio e não reparei numa nascente de água que jorrava das profundezas da terra fruto da perfuração de uma conduta de água que alguém fizera atravessar o caminho. Meti a "pata na poça" e atolei-me até aos joelhos. Quando saí para a terra firme estava uma miséria, com a barrenta lama a encharcar-me sapatos e calças...
Que fazer? Desistir? Não, jamais... limpei-me o melhor que pude e continuei a caminhada sem desânimo.
A minha persistência foi bem recompensada.
Em plena praça da Terra Nova, pude ver bem de perto a alva figura do Presidente, que parecia bem mais normal do que na fotografia que me habituara a ver nos manuais escolares onde surgia imponente e com uma cores bem mais saudáveis do que na realidade apresentava. Até o fato de marujo parecia um pouco encarquilhado, comparado com a lisura do papel.
O Palácio da Justiça foi inaugurado com pompa e circunstância e surgia magnificente perante os olhares da populaça que acorreu de todas as freguesias do vasto concelho.
Hoje já se torna pequeno e parece insuficiente para albergar os diversos serviços judiciais e cartórios que ali foram instalados. Foi ali que um destes dias foi revelada a sentença que condenou a sete anos de prisão uma jovem mãe por ter provocado a morte de uma filha de tenra idade a pontapé...
O palácio da justiça cumpriu mais uma vez a sua função.
sábado, 20 de outubro de 2007
As Novas Florestas
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1308175&canal=59
Nada me move contra as energias renováveis mas evoco aqui a maior das maldades que foi praticada em relação às populações serranas. A política florestal do Estado Novo encurralou aquelas gentes acostumadas a tirarem da serra tudo ou quase tudo de que necessitavam: pastos, mato, lenha, pedra...
A consequência dessa política foi o êxodo massivo dos anos 60 e 70.
Mas quando a liberdade emergiu tudo se transformou. As viçosas florestas foram incendiadas e o povo voltou a dominar aquilo que desde sempre, por direito, lhes pertenceu.
Direito que actualmente está consagrado na lei, conforme consta do artigo 1.º da Lei n.º 68/93, de de 04 de Setembro, alterada pela Lei n.º 89/97, de 30 de Julho.
1 - São baldios os terrenos possuídos e geridos por comunidades locais.
2 - Para os efeitos da presente lei, comunidade local é o universo dos compartes.
3 - São compartes os moradores de uma ou mais freguesias ou parte delas que, segundo os usos e costumes, têm direito ao uso e fruição do baldio.
A este propósito, relembro que foi celebrado, em tempos, entre a Junta de Freguesia de Riba de Mouro e a Direcção Geral das Florestas, um acordo para reflorestação da serra, de Santo António de Val de Poldros até Cavenca.
No dia em que as máquinas se deslocaram para o monte para começar os trabalhos o sino da pequena capela de Cavenca tocou a rebate e um pequeno mas destemido "exército" popular, composto por homens (poucos), mulheres (a maioria) e crianças, armados de enxadas, foices e outros utensílios domésticos e uma enorme determinação, deslocou-se à serra, ordenou aos operadores das máquinas que parassem os trabalhos e os acompanhassem até à sede da Junta de Freguesia e ali os deixou com o recado de que nunca mais ousassem invadir os seus baldios.
Após isto, a Directora concelhia dos Serviços Florestais, juntamente com o Presidente da Junta, deslocou-se a Cavenca para convencer a população dos benefícios que daquela política florestal poderiam advir para a comunidade mas foi tarde. A opinião daquela gente estava formada e recusaram-se peremptoriamente a aceitar ingerências externas no "seu" espaço.
Desconheço completamente como foi desenvolvido o processo de concessão ou ocupação dos baldios para implantação dos parques eólicos e, apesar de discordar da estética, acho que vale a pena apostar neste projecto. Mas, antes de o concretizar, deveria haver um debate sério com quem, por direito, tem a capacidade e o poder de decidir sobre a utilização e emprego do seu espaço.
Sempre será melhor do que virem mais tarde a confrontar-se com acções subversivas, porque o povo é quem mais ordena.
As Pombinhas da Catrina
Rumou a norte pelas Beiras e radicou-se em Presandães onde nunca se integrou plenamente, mais por causa da sua personalidade quezilenta do que pela hostilidade da população nativa. Era mais tolerado pelo temor do que pelo respeito e as brigas constantes com um vizinho obrigaram este a vender o que possuía e a ir viver para outra terra.
Pouco ou nada se sabia do seu passado apesar de alguns rumores indiciarem ter tido problemas com a justiça lá para os lados de onde provinha e até ter adoptado uma identidade falsa mas de concreto não se sabia nada. Ali permaneceu vários anos e do seu agregado familiar faziam parte três bonitas raparigas que desabrochavam, vistosas e apetecíveis, numa sequência etária regular. E como o pai não permitia que se relacionassem com os rapazes da terra, nem de fora da terra, acabavam por partir contra a vontade dos progenitores, quais pombinhas que abandonam o pombal, que a natureza pode mais do que a vontade humana.
Das três ficou a mais nova, ainda adolescente, mas à semelhança das irmãs, quando o tempo chegou enamorou-se por um jovem da terra e também esta, para seguir o que o coração lhe pedia, desapareceu da casa paterna.
Desesperado, o cigano procurou-a por todo o lado, indagou do paradeiro do namorado, denunciou o desaparecimento da filha às autoridades mas em vão. Todos os dias percorria os recantos por onde era habitual a jovem deslocar-se, ia ao posto policial indagar se havia alguma notícia, reclamou para o ministro por causa da inoperância dos agentes que se preocupavam mais com as pequenas explorações agrárias que possuíam do que com a segurança dos cidadãos, acabou por escolher para alvo da sua fúria a pessoa errada: o pai do namorado da filha.
O senhor Jaime era um viúvo sexagenário e ainda vigoroso, com um físico moldado pela austeridade agreste da paisagem duriense, um cidadão um pouco reservado mas muito respeitado na terra. Um dia, após o almoço, fumava tranquilamente um cigarro no alpendre da sua casa quando o “Cigano”, conduzindo o seu veículo de tracção animal tirado por uma possante mula, subia pela estrada que atravessa o lugar em direcção a casa. Este, ao avistar o Jaime, dirigiu-lhe um chorrilho de insultos e, não satisfeito, terá disparado um tiro de pistola na sua direcção.
O “Cigano” continuou o caminho e uns quinhentos metros à frente saiu da estrada para a direita, desceu uma rampa e virou novamente à direita. Uns metros adiante o caminho apresentava uma bifurcação, em frente continuava em direcção à casa do Jaime e à esquerda para o centro da localidade onde o “Cigano” morava. Quando descrevia a curva para a esquerda surge o Jaime de caçadeira em riste e o disparo ecoou sinistro pela pequena aldeia. Ágil, o “Cigano” saltou da carroça e fugiu. Chegou ao posto policial esbaforido a denunciar o atentado de que fora alvo e a pedir protecção. Quem pagou as consequências foi o desditoso animal que apanhou o grosso do disparo na cabeça e teve de ser abatido.
Naquela mesma noite o temido “Cigano” desapareceu da pequena aldeia e nunca mais foi visto por ali. Nem compareceu ao julgamento onde o senhor Jaime respondeu pelo crime de que foi acusado e do qual foi absolvido.
Quando falava do assunto, o senhor Jaime, com a tranquilidade que lhe era peculiar, redarguia: Comigo ele (o cigano) não faz o que fez com o outro. Eu já vivi a minha vida, não tenho nada a perder…
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Novidades da Terra
É assim que que a Câmara Municipal de Monção apresenta mais uma iniciativa autárquica com o filantrópico patrocínio da Modelo Continente Hipermercados, S.A.

O moderno balneário termal que uma cheia do rio deixou inutilizado pouco tempo após a inauguração foi cedido a um grupo galego aguardando-se com espectativa a sua abertura para se saber, concretamente, para o que vai servir - fala-se que será um SPA. SPA "é uma designação técnica para um complexo turístico que providencia actividades de lazer saudáveis, geralmente em contacto com a natureza. Algumas dessas actividades são natação, sauna etc." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Spa).

A seguir vai ser lançado o concurso para exploração das antigas instalações termais e o Bar da Caldas.
Já só falta a Bragaparques tomar posse da "cave".
A Culpa é da Vontade
Um pouco de ânimo com Manuela Azevedo e os outros Humanos...