quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Pobres Portugueses...

Era uma vez uma quinta governada por um humano despótico que explorava indecentemente os animais.

Cansados de ser oprimidos, os animais revoltaram-se e transformaram a quinta num espaço comunitário governado pelos porcos, que eram os mais inteligentes, liderados por Bola de Neve e Napoleão, adoptando o lema "todos os animais são iguais".

Mas na sombra, o porco Napoleão conspira. Cria e adestra, em segredo, uma ninhada de mastins aguardando o momento oportuno para destituir o outro líder.

Quando chegou a hora açulou os cães ao Bola de Neve e tomou o poder.

A partir de então foram impostas novas regras que apenas serviam os interesses dos porcos e os animais eram novamente escravizados e explorados, enquanto aqueles absorviam e desbaratavam ociosamente todas as rendas da quinta.

O lema da quinta passou então a ser "todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros".

O resumo anterior foi extraído, mentalmente, do filme "O Triunfo dos Porcos", baseado na obra literária de George Orwell com o título original "Animal Farm", escrita em 1944.

Trata-se de uma obra de ficção e qualquer semelhança com pessoas ou factos é mera coincidência.

Entretanto, deixo algumas pistas para leitura e reflexão...

Menos cem mil pobres

A situação de pobreza entre os que residem em Portugal baixou de 19%, em 2005, para 18%, em 2006. Apenas 1%, mas que em números exactos representa mais de 100 mil pessoas.

...

Sócrates apontou ontem "que há uma progressiva redução nas desigualdades ao nível dos rendimentos", devido à quebra de 0,1% na diferença de riqueza entre os mais ricos e os mais pobres.
Ribeiro Mendes discorda e diz que o Governo não está a resolver o problema. "Aumentou o risco de pobreza entre os que estão na idade activa e a desigualdade nos rendimentos mantém-se", concluiu.

...

Em 2006, aos 20% de população com maiores rendimentos correspondia cerca de 45% do total do rendimento monetário líquido das famílias. Enquanto os 20% do patamar mais baixo sobrevivem com 7% desse montante.

Sempre a perder

Os trabalhadores do Estado deverão este ano perder poder de compra pelo nono ano consecutivo.

Recessão

Uma série de indicadores económicos negativos dos dois lados do Atlântico e o anúncio pelo Citigroup de prejuízos recorde durante o último trimestre de 2007 acentuaram ontem as preocupações relativamente à entrada em recessão dos Estados Unidos e ao abrandamento forte da economia europeia.

Injustiças Sociais

Henrique Granadeiro, administrador-mor da Portugal Telecom, aufere, mensalmente, 185 590 euros [cerca de 37 500 contos], ou seja: 128 vezes mais do que a empresa gasta com 128 trabalhadores, na base de que cada um destes recebe 1449 euros [cerca de 300 contos] mensais.

- ÀS AAAARRRRMMMMAAAAAASSS!!!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Linguística de Cavenca II – Pronúncias Dialectais

Linguística de Cavenca III – Pronúncias Dialectais

Isolado na encosta da serra, o povo de Cavenca desenvolveu formas de expressão próprias, algumas bem rudes, que nos faziam corar de vergonha sempre que alguém se ria da nossa “forma” de falar.

E não deixa de ser curioso que tais diferenças constituíam-se em áreas muito próximas. Só que a mobilidade das pessoas era ínfima e os círculos de relações estabeleciam-se quase exclusivamente nas próprias aldeias.

Aqui vão mais alguns dos termos e vocábulos que por lá ainda residem e resistem.

Acotchar Agasalhar, apertar (a roupa)
Arrincar Arrancar
Arrothada Paulada, cacetada
Atotar Amolgar, fazer mossa
Bormelho Vermelho
Cogordos Cogumelos
Escarapolar Escarapelar
Escambrom Escambroeiro, catapereiro, pilriteiro
Fichadura Fechadura
Gram Grão, testículo
Landra Lande, bolota (do carvalho)
Leitaruga Leituga
Malha Sova, tareia (levou uma malha)
Marelo Amarelo
Moutela Moiteira, mouteira
Saragaço Sargaço, caruma
Saramela Salamandra
Soque Soco, tamanco
Tchoutcho Chocho, atrasado mental
Xaragon Enxergão







sábado, 12 de janeiro de 2008

Incursões Literárias - Manifesto Anti-Dantas

Veio parar à minha biblioteca o último volume de uma colecção de livros editada por Planeta DeAgostini, "Printed in Spain" e intitulada Biblioteca Fernando Pessoa e a Geração de Orpheu.

É uma colecção esplêndida, principalmente por se tratar de Fernando Pessoa, reeditada e divulgada num formato muito agradável e a um preço excepcional.

Este volume é uma edição original da Assírio & Alvim com o título "Almada Negreiros - Manifestos e Conferências" e começa pelo Manifesto Anti-Dantas que, conforme se vê aqui, terá sido escrito entre Abril e Setembro de 1916.

Lê-se ainda no mesmo sítio, de onde copiei, com o devido respeito, a parte do Manifesto que inseri abaixo e onde se pode ver na íntegra:

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saiu este folheto de 8 páginas impresso em papel de embrulho, ao preço de 100 reis, todo grafado em maiúsculas e utilizando aqui e além, para sublinhar a onomatopeia - PIM!, uns ícones representando uma mão no gesto de apontar.

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Sobre o mesmo tema e sob o título "Almada e Dantas a Nu" escreveria Fernando Dacosta um artigo muito interessante (ver referências), do qual também aqui deixo alguns excertos.

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O "Manifesto Anti-Dantas e por Extenso", escrito por Almada em 1915, foi uma pedrada no charco da vida literária e social da época. Hoje, à distância de décadas, o choque entre ambos assume novos contornos e permite outras leituras.

O primeiro acto que chamou as atenções do público para José Almada Negreiros, um jovem em começo de carreira no ano de 1915, não foi de natureza cultural, mas social, não teve intenções criativas, mas destrutivas. Tratou-se do lançamento de um manifesto de várias páginas e vários insultos dirigido contra o, então, expoente máximo das letras portuguesas: Júlio Dantas.

Com irreverências nunca vistas, Almada achincalha-o (e ao que ele representa) gravemente, abrindo espaço para si e para a sua geração, a do "Orpheu", que Dantas apelidara de "paranóica".

Fulminado de espanto, por indignação uma parte, por regozijo outra, o país divide-se, radicaliza-se. Almada passa a ter nome. E pressa.

Decide jogar cada vez mais forte. Não tem a paciência, a intemporalidade de Pessoa. Quer o presente e quere-o sem medida, sem espera.

Sabe que a maneira mais fácil, mais rápida, de se ganhar evidência nos círculos culturais é utilizar a violência, o escândalo, o terrorismo contra os, neles, famosos.

Júlio Dantas - poeta, dramaturgo, cronista, jornalista, conferencista, médico, deputado, militar, ministro, glória das instituições, da política, da literatura, do teatro, da sociedade da época, académico de dezenas de academias, referência para o Prémio Nobel e para a Presidência da República - era-lhe uma tentação; até porque não iria reagir, não iria contra-atacar. As figuras proeminentes encontram-se, em situações dessas, muito expostas, quase indefesas.

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Dantas sofre a afronta em silêncio...

Almada multiplica-se em provocações. Espera Dantas à porta de casa -residia na Rua Ivens (habitou em 22 prédios diferentes)- e, quando o vê, põe-se em sentido, faz-lhe um manguito e berra: "As armas, às áármas, às áááááármas!"

Feroz na amizade como na inimizade, Almada defende a murro (fizera-se razoável pugilista) Amadeo de Souza-Cardoso, quando um quadro seu é cuspido pelo público na abertura, em 1916, de uma exposição na Liga Naval. "É mais importante a descoberta da pintura de Amadeo do que a do caminho para a Índia, porque a Índia foi há quatro séculos", invectiva.

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Dantas ouve-o e entristece. Numa tarde de calor, à porta da Bertrand, está de conversa com Luís de Oliveira Guimarães. Almada desce a rua, pára na sua frente por instantes, tira o chapéu, inclina-se prossegue. Dantas segue-o com o olhar.

"Este Almada, sempre tão velho, coitado!", exclama.

...

MANIFESTO ANTI-DANTAS E POR EXTENSO

por José de Almada-Negreiros

POETA D'ORPHEU FUTURISTA e TUDO

BASTA PUM BASTA!

UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!

ABAIXO A GERAÇÃO!

MORRA O DANTAS, MORRA! Mão.jpg (2277 bytes)PIM!

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PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!

MORRA O DANTAS, MORRA! Mão.jpg (2277 bytes)PIM!

José de Almada-Negreiros

POETA D'ORPHEU

FUTURISTA

e

TUDO

Mão.jpg (2277 bytes)

REFERÊNCIAS:
http://www.prof2000.pt/users/tomas/manifesto_anti.htm
Fernando Dacosta "Almada e Dantas a Nu",
Público Magazine, 4/4/93, In http://www.prof2000.pt/users/tomas/almada_e_dantas_a_nu.htm


quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cabras, Cães & Companhia

A minha cadela é uma cabra. Já o disse antes, está dito. Apesar de tudo é um animal de estimação e como tal considerado, com quase tudo em dia: boletim de vacinas, desparasitante interno e externo, as unhas aparadas, o pelo escovado. Porque se trata de um bicho de estimação tenho-me visto muitas vezes constrangido a adoptar uma "vida de cão" e até passado por vicissitudes várias que se prendem com a intolerância das pessoas e a discriminação que se faz em relação à "proibição" de entrada de cães em estabelecimentos comerciais, especialmente de restauração e bebidas, o que já motivou uma intervenção policial. Digo proibição entre aspas porque realmente não há lei que proíba a entrada de animais de estimação nesses estabelecimentos.

A este respeito refere o Decreto Lei n.º 168/97, de 4 de Julho, com a redacção dada pelo Decreto Lei n.º 57/2002, de 11 de Março, que "... pode ser recusado o acesso às pessoas que se façam acompanhar por animais, desde que essas restrições sejam devidamente publicitadas" (art. 30.º, 3).

Fica assim ao critério do proprietário decidir se podem ou não podem aceder ao local pessoas acompanhadas dos seus animais que deverá, caso adopte a proibição, promover a adequada informação. Informação que procuro descortinar e respeitar sempre que me faço acompanhar da Maisy, apesar de não entender muito bem a atitude dos proprietários os quais, geralmente, colocam à entrada do estabelecimento o famigerado dístico indicativo da proibição de entrada de animais de companhia, mesmo tratando-se de autênticas espeluncas por onde pululam os mais diversos parasitas e até pessoas bem mais nocivas para a saúde pública do que a maioria dos cães e gatos.

Contudo, ela não se sabe comportar e, por isso, o melhor é não tentar aceder a sítios susceptíveis de gerar conflitos. É que ela, apesar dos seus caninos quarenta e nove anos, se considerar-mos que um ano para os humanos corresponde a sete para os cães, não tem um pingo de vergonha. Resmunga com tudo que se mexa mas tem uma predilecção especial por gatos, crianças de colo, velhinhos e, pasme-se, negros. O único indivíduo desta cor que tolera é um rafeiro que mora a cerca de trezentos metros e, sempre que lhe cheira a algo mais que mijo, lá anda ele a rondar para tentar a sua sorte, coisa que felizmente para ela ainda não aconteceu mas se chegarem a vias de facto vai ser um problema bicudo. Ela que se cuide.

Mas agora está na moda criticar as restrições recentemente impostas aos fumadores. Críticas que espelham quase sempre aquilo que se passa na mente de cada um. E é compreensível que assim seja. Cada qual defende o seu ponto de vista o melhor que pode, esgrimindo-se argumentos a favor dos direitos de uns ou de outros, conforme o lado em que se encontram.

Do lado dos fumadores lançam-se impropérios contra os "chibos" e "bufos" e o zelo das polícias sempre omnipresentes mas que não aparecem quando estão a assaltar os bancos e as pessoas ou a roubar o automóvel.

Do lado oposto reclama-se legitimidade para denunciar assente no exercício dos direitos de cidadania.

Como é evidente, para quem me conhece, a minha posição está do lado da cidadania, não querendo com isto dizer que do outro lado não a exerçam de forma exemplar, por várias razões:

  1. Por razões profissionais, sendo certo que, no meu caso particular, além do exercício consciente de cidadania, é uma imposição legal cumprir e fazer cumprir as leis em vigor;
  2. Porque há muito decidi que o tabaco nunca poderia sobrepor-se à minha vontade;
  3. Porque sempre posso optar pela escolha do local que pretendo frequentar;
  4. Porque os proprietários dos estabelecimentos podem também efectuar as suas opções;
  5. Porque entendo que nem tudo que restringe as liberdades individuais deverá ser abolido (por exemplo o uso do cinto de segurança ou do capacete de protecção).

domingo, 6 de janeiro de 2008

O Caçador

Um dia é da caça, outro é do caçador. Que o diga um senhor com quem me cruzei casualmente há cerca de vinte e oito anos, que nunca mais vi e que é a personagem principal desta história verdadeira.
A caça é um desporto, dizem os aficionados, mas na verdade trata-se apenas de um jogo em que os participantes concorrem de uma forma muito desigual. De um lado os caçadores, artilhados a rigor e fazendo uso dos mais sofisticados instrumentos, do outro os indefesos animais que bem podem fugir mas de pouco lhes vale.

Habitualmente a caça tem a sua abertura a 15 de Agosto, sendo permitida a captura de rolas, aves columbinas de migração, abundantes em Portugal de Abril a Setembro, após o que emigram para a África.

Foi precisamente no dia 15 de Agosto, decorria o ano de 1980. Era um dia de pouco movimento na secular Vila de Valença do Minho, pelo facto de ser feriado e o comércio local encontrar-se encerrado. E naquele tempo, sem esse atractivo, bem se podiam fechar as portas da Fortaleza que muito poucas pessoas se incomodariam com isso.

A zona exterior à antiga Vila amuralhada era muito diferente do que é actualmente: A estação dos Caminhos de Ferro, duas pensões, o Mercado Municipal, a fábrica de chocolates "Valenciana" e uma outra relacionada com manufactura de borracha, a residencial
Mané e algum comércio ao longo da Estrada Nacional, mais acima o Quartel da GNR e o resto era "paisagem", isto é, campos de cultivo.
No Quartel da GNR, um edifício na altura ainda recente e com boas condições, coexistiam os comandos do Posto local e da Secção de Valença, esta com uma zona de acção que abrangia, além do concelho sede, os de Vila Nova de Cerveira, Monção e Melgaço.

Era ali que eu me encontrava, jovem Cabo, a realizar o estágio do Curso de Formação de Sargentos, empenhado em compilar elementos para a elaboração do relatório final que ocorreria em Setembro. Juntamente comigo apenas se encontrava o pessoal de serviço diário que era o plantão, o apoio ao plantão e um outro responsável pelas comunicações. Foi este que pelas três horas da tarde me informou de que alguém telefonara a denunciar a prática de caça
por um grupo de caçadores numa zona proibida, o que face à legislação vigente constituía crime.
Era preciso agir e eu próprio, acompanhado pelo Soldado de apoio ao plantão e o telefonista, munidos das respectivas armas, dois de pistola e bastão e o terceiro com uma G3, que quando se trata de caçadores nunca se sabe,
deslocamo-nos para o local a toda a velocidade que permitia o velho carocha preto, exclusivo do Comandante da Secção mas que também servia para "desenrascar" outros serviços.
Estacionamos o carro junto ao apeadeiro de
Friestas e embrenhamo-nos na floresta à procura dos prevaricadores dos quais não se via rasto. Percorremos um caminho ao longo da linha de caminho de ferro em direcção a Lapela e volvidos escassos trezentos metros ouvimos um disparo de caçadeira proveniente de um cabeço à nossa esquerda. Apuramos os sentidos e tentamos descortinar o autor do disparo mas em vão. Mais uns metros percorridos e um velho velocípede com motor denunciava o infractor mas do seu proprietário nada. Circundamos o cabeço, ouvimos mais um disparo mas a densidade da vegetação e a configuração do terreno nunca nos permitiu avistar o caçador que, certamente, também não se apercebeu de que os papéis estavam quase a inverter-se e de caçador passava a ser ele a presa...
Voltamos ao local onde se encontrava o velocípede e
dispusemo-nos a esperar ali que a nossa presa viesse ter connosco. De facto, não tardou em que descobrissemos o nosso alvo, de espingarda em riste e cabeça no ar atento a tudo que tivesse penas e se movesse no cocuruto do arvoredo. Tão absorto vinha que esbarraria com qualquer de nós, não tivéssemos tomado providências para impedir alguma reacção intempestiva que pusesse em risco a nossa integridade física. Um dos meus companheiros ordenou-lhe que parasse e apontasse a arma para cima o que foi de imediato acatado. Depois de desarmado passamos à efectiva fiscalização.
Tratava-se de um "pobre diabo", jornaleiro de profissão, morador numa pequena aldeia do vizinho concelho de Monção. Trazia quatro ou cinco rolas penduradas à cinta, os documentos em ordem, licença de caça, seguro, licença de uso e porte de arma de caça, livrete de manifesto da arma e declaração de empréstimo de uma velha e ferrugenta espingarda de calibre 16, de um só cano, quase arcaica, que apresentava já um intenso desgaste.
Seguidamente expliquei-lhe que exercia a actividade venatória numa zona em que tal era proibido e encontrava-se assim a praticar um crime de caça punível com prisão e multa e que implicava acessoriamente a perda dos instrumentos e do produto da caça.
O homem vacilou, desculpou-se com o argumento de que desconhecia que ali era proibido caçar, já ali vira outros e... Continuei a informá-lo de que, em consequência do delito cometido devia considerar-se detido e, como o Tribunal estava fechado, notifiquei-lhe a obrigação de comparecer perante o Juiz ás nove horas do primeiro dia útil seguinte.
Não pude dizer mais nada.
Toda a resistência que as pernas do nosso homem ainda continham
desfêz-se como manteiga derretida e caiu no chão. Chorou, implorou, que levássemos as rolas mas que o deixássemos ir embora, que nunca mais voltaria a caçar, que tinha duas filhas pequeninas, que... que...
Era nítido que aquele não fora o objectivo da denuncia, não era o objectivo da nossa deslocação mas não havia nada a fazer, estava em infracção e
dura lex sed lex, como diz o nosso pobo...
Pensei rápido e vi que estava com um problema para resolver.
Olhei para os meus companheiros, quase tão aflito como o prisioneiro, que simplesmente encolheram os ombros.

Decidi.

Ordenei ao homenzinho que se levantasse e perguntei-lhe se aquele caminho tinha saída em direcção a Monção. Ele respondeu afirmativamente e disse-lhe que pegasse as suas coisas e, com o velocípede à mão para não denunciar a sua presença, que desaparecesse.
Foi visível o alívio no seu semblante, ofereceu presunto, vinho tudo que quiséssemos, era só ir à sua casa, mas limitei-me a dizer-lhe que não perdesse tempo e se pusesse a andar antes que fosse tarde. Assim fez e rapidamente desapareceu pela estreita vereda coberta de vegetação.
De certo modo aliviados pusemo-nos em marcha em sentido contrário.
Junto ao apeadeiro encontrava-se um indivíduo com aspecto de ser alguém importante que nos interpelou se não os tínhamos apanhado, que ainda agora tinha ouvido tiros para os lados de onde vínhamos. Sim, nós também ouvimos mas devem ter fugido porque batemos tudo e não vimos ninguém. Convencido ou não, ainda nos referiu que os caçadores por ele denunciados eram de Braga, tinha-lhes dito que ali não podiam caçar mas não fizeram caso, só que depois já se tinham dirigido para a zona em que tal era permitido.

Teria sido a minha estreia a prender um criminoso, certamente aquela acção seria elogiada pelos nossos superiores...

Erramos, eu mais que os meus companheiros. Fizemos de Procurador da República e de Juiz, decidimos absolver o nosso criminoso mas ainda hoje, em consciência, considero que foi a decisão mais acertada.

Assim se fez (a minha) JUSTIÇA.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Para 2008...

Agradeço a todos os meus parentes, amigos e amigas as palavras amáveis e os votos de boas festas que me foram dirigidos. A todos desejo em dobro tudo que me desejaram.

Aproveito para revelar, em primeiríssima mão, quais foram os meus desejos para 2008, formulados ao "passar" as passas:

  1. Que me saia o euromilhões;
  2. ...e muita saúde para o gastar;
  3. Que me saia o jakpot do euromilhões;
  4. ...e muita saúde para o gastar;
  5. Que me volte a sair o euromilhões;
  6. ...e muita saúde para o gastar;
  7. Que me saia o segundo prémio do euromilhões;
  8. ...e muita saúde para o gastar;
  9. Se não sair o euromilhões...
  10. Que não me falte a saúde para ganhar muitos €€€€;
  11. De uma forma ou de outra que seja um ano melhor do que a merda de ano que findou;
  12. E se não puder ser melhor, porra... então que não seja pior...

Bah... Eu até nem gosto de passas!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Natal 2007

Natal!
Para mim o Natal resulta algo nostálgico, longínquo, dramaticamente belo. Sem querer repetir-me sempre direi que o Natal me reporta aos tempos em que ansiava avidamente que chegasse esse dia. Era dia de festa e fazia-se a festa com o pouco que havia. O que nunca faltava era o calor mesmo sentindo o frio a penetrar nos nossos corpos por todos os lados. Calor da lareira e calor humano.
Actualmente, sentam-se comigo à mesa os fantasmas do passado. Há perdas que jamais se poderão superar, pedaços de nós que nunca poderemos recuperar. E eu já perdi muitos desses pedaços. Por isso o meu Natal se torna mais cinzento e obscuro, mesmo sob o brilho intenso de tudo que me rodeia. Por tudo isso...


Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce
Uma vida, amanhecer
Natal é sempre o fruto
Que há no ventre da Mulher.

Poema extraído de http://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/html/ary-quandoUmHomemQuiser.html


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Bom Natal, D. Eduardo

Parece que as coisas não estão a correr muito bem a este senhor, por terras búlgaras.
De acordo com o último e-mail publicado aqui, o périplo mundial que se propôs executar atingiu o grau de dificuldade máximo.
Segundo ele, "Estoy creo, en la casa de una banda de ladrones, y ya padecí sus costumbres, reloj de marca, rosarios, etc, a parte esa Comunidad Europea me echó los perros garroneros, pienso que no me han de alcanzar...".
E continua: "Por favor a toda la gente deciles que sigo a Turquía y que esto no es Europa Central. Esto es a todo o nada, el que la crea que me siga, y que la aguante".
Por fim lança um apelo: "Todos aquellos que tengan una persona amiga hacia donde voy, su ayuda será bien venida.Estos 300 km fueron los más difíciles del viaje".
Esteja onde estiver, D. Eduardo, desejo-lhe um Bom Natal e faço votos para que doravante as coisas voltem ao seu melhor.

Foto: http://horsecity.com/images/051705/6821_512.jpg

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Boas Festas

Outros Olhares Sobre a Justiça

PARABÉNS JUSTIÇA!
A notícia da absolvição dos arguidos do caso UGT – Fundo Social Europeu é extraordinária.
Não é a absolvição que é extraordinária é a sentença. A Justiça Portuguesa, com Juízes, Delegados do Procurador, Funcionários Judiciais, Advogados, Meirinhos, Técnicos de Luz e Som, Respectivos Sindicatos estão de parabéns porque conseguiram uma sentença! Demorou 15 anos, mas outros casos demorarão mais, ou nem se resolverão. E valeu a pena. Como cada magistrado ganha pelo menos mil contos por mês, como são no mínimo 4 por juízo (sem ofensa), dá 4 mil contos por mês, a que se pode juntar mais mil para despesas diversas. A 5 mil contos por mês (contas por baixo), durante 15 anos, a 14 meses dá 105 mil contos de custos. Como a rapaziada foi toda absolvida, foi o que pagámos, nós, os contribuintes, para manter os nossos queridos juízes, sempre tão independentes e anti funcionários a não fazerem nada (nada que tenha utilidade) entretidos durante 15 anos.
Multiplique-se o labor destes forçados às galés de beca e toga pelos processos sem fim à vista da Casa Pia, do Apito Dourado, do Furacão qualquer coisa e façam-se as contas ao que pagamos por nada!Mas eles, os magistrados da Justiça Portuguesa, parecem não darem por nada. Só não querem ser funcionários públicos. Se eu tivesse um emprego destes, também preferia ser palhaço de circo.
Carlos Matos Gomes
In http://avenidadaliberdade.org/home, 18-12-2007
Comentários para quê?
Alguém se sentiu incomodado com este caso? Mas quem teria tido a infeliz ideia de iniciar um processo criminal por causa do desvio de uns trocaditos que a CEE enviou para cá?
Lembram-se da forma como agiu a Justiça no caso de um algarvio que não liquidou oportunamente uma dívida de cerca de uma centena de euros?
E quantos "algarvios" não devem existir por aí...
Pois é, a "senhora" é cega mas não é estúpida.

Se tem que se colocar de algum lado que seja do lado dos poderosos...

A Última Fronteira

"A fronteira é o limite entre duas partes distintas, por exemplo, dois países, dois estados, dois municípios.

As fronteiras representam muito mais do que uma mera divisão e unificação dos pontos diversos. Elas determinam também a área territorial exata de um Estado, a sua base física.

As fronteiras podem ser naturais, geométricas ou arbitrárias; sendo delimitações territoriais e políticas que, através da proteção que garante aos seus estados, representa a autonomia e a soberania desses perante os outros."

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fronteira

O significado que a fronteira representava na minha juventude era o de uma barreira intransponível, o limite para além do qual se situava o desconhecido, o estrangeiro, o inimigo... Uma barreira mais psicológica do que real, já que ao longo da raia sempre houve convivencialidade, familiaridade, interacção.

A Comunidade Económica Europeia desfez essas barreiras mas subsiste ainda uma vergonhosa fronteira que dificilmente se ultrapassará: a fronteira económica.

Se tivermos em conta que há alguns anos a Galiza era a região autonómica de Espanha mais empobrecida, se tivermos em conta que a Galiza e o Norte de Portugal se inserem na mesma região económica da União Europeia, se considerar-mos que a peseta, por ocasião da Revolução dos Cravos valia menos de metade do escudo...

...teremos alguma dificuldade em entender a crueza dos números que estão espelhados nos artigos para os quais remetem os excertos e as hiperligações que se seguem:

"El salario bruto medio se sitúa en Galicia en 1.424,6 euros al mes, un 4,3 por ciento más que hace un año"

http://www.vigometropolitano.com/news/291/ARTICLE/3090/2007-12-18.html

"...o salário base médio tem vindo a crescer de forma constante nos últimos anos, rondando os 840 euros."

http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?div_id=&id=878735&main_id=

São dados cruéis mas são reais e actuais. E é visível como o caminho é trilhado a velocidades diferentes, de um e do outro lado, como os investimentos se situam em unidades de produção do lado que mais cresce economicamente ou de consumo do lado que mais nos dói. A melhor prova disso está nos mercados onde diariamente nos reabastecemos do que precisamos para satisfazer as necessidades básicas, basta verificar a origem.

domingo, 16 de dezembro de 2007

O Estado da Justiça

"... quando um juiz põe um indivíduo na rua que foi apanhado por dar um tiro em outra pessoa, mas não em flagrante delito, dizem logo que a culpa é do juiz. Não senhor. A culpa é do sistema processual penal. E quem o faz não são os polícias, os magistrados, os juízes, são os senhores políticos, a Assembleia da República e o Governo. Esses é que são os verdadeiros responsáveis. Não falo só deste Governo. Falo de todos os Governos que têm permit(id)o que as coisas chegassem onde chegaram. No aspecto da ineficácia das polícias e da ineficácia do aparelho e do sistema judiciário".
Marques Vidal Correio da Manhã de 16DEZ07.
Como dizia o papagaio, "para quem não sabe voar, este senhor manda umas bocas ... " no mínimo arrojadas.
E eu subscrevo. Ele sabe do que fala porque a sua experiência como Delegado do Ministério Público, como Juiz e como Director Nacional da Polícia Judiciária conferem-lhe o conhecimento de causa suficiente e necessário para produzir tais afirmações.
Para quem desconhece, esclarecemos que os Juízes de antigamente faziam um percurso prévio pela área da investigação, nos serviços do Ministério Público. O que lhes permitia, quando alcançavam a verdadeira Magistratura, ver para além do que alcança o campo de visão dentro das quatro paredes do Tribunal.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Emigrantes - III

A Diáspora continua. Agora com novos modelos mas, pelos números oficiais, são já perto de cinco milhões os portugueses que procuram renovar a esperança de uma vida melhor por esse mundo fora.
E no entanto, nunca se falou tão pouco de emigração.
A "pedrada no charco" vem de um investigador de Centro de Estudos Geográficos que levanta um pouco do véu com que se tem pretendido ignorar este fenómeno.
Também, porquê que os governantes, sempre tão ocupados com coisas "mais importantes" se deveriam preocupar com a perda de mão de obra, agora muito mais qualificada, se não falta quem os substitua vindos do leste europeu, ou de África, ou do Brasil, e ainda por cima com grandes dividendos políticos? Sim, porque dá mais visibilidade falar de acolhimento do que de fuga, de nacionalizar em vez de exilar...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Travessia do Deserto

E Depois do Adeus
http://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/html/paulodecarvalho-eDepoisDoAdeus.html

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós



Esta canção serviu de senha para o desencadear das acções militares que deram início à revolução de 25 de Abril de 1974. Hoje serve para enviar uma mensagem a muita gente que percebe a minha angústia por me sentir como um tolo no meio da ponte, sem saber se há-de ir para um ou para o outro lado. Só que neste caso não se trata apenas de saber para que lado ir, porque o caminho apenas tem um sentido, trata-se de saber, isso sim, quando e para onde.

Investimento

É mais uma empresa estrangeira a instalar-se no Alto Minho, conforme noticia a Lusa (http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/%2BFvdw7UIDzKkzH29iJ6HeA.html).
O novíssimo parque industrial de Monção tem sido um exemplo de sucesso demonstrado pela taxa de ocupação do espaço, já em fase de ampliação.
É bom para a região porque cria possibilidades de emprego, é bom para demagogos que verão nos números apresentados uma boa arma política apresentando "obra feita".
Mas a riqueza ali produzida irá para Espanha e para a Alemanha. Por cá contentamo-nos com as migalhas resultantes da exploração de uma mão de obra barata, pouco qualificada e com a flexisegurança de um trabalho precário e instável.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

El Condor Pasa


"El cóndor pasa es un obra teatral musical clasificada tradicionalmente como zarzuela, a la cual pertenece la famosa melodía homónima. La música fue compuesta por el compositor peruano Daniel Alomía Robles en 1913 (registrada legalmente en 1933) y la letra, posteriormente, por Julio de La Paz (seudónimo de Julio Baudouin). En el Perú fue declarada Patrimonio Cultural de la Nación en el año 2004."
http://www.youtube.com/watch?v=zYU2r1N8VHg&feature=related

É muito conhecida a versão imortalizada pela dupla Simon & Garfunkel (de que sou um admirador incondicional). Confesso que, embora se inferisse a sua ligação à cultura Inca, ignorava completamente a importância histórica e cultural que lhe é dedicada no Perú.

Outra vez: Amâncio Prada

Libre te Quiero


Para ouvir e sonhar...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Maria la Portuguesa


Gosto desta música. Foi escrita e interpretada superiormente por um andaluz pouco conhecido que se apaixonou pelo fado, por Amália e pela boémia das noites lisboetas. Dedicou-a a Amália que nunca chegou a interpretá-la, ou pelo menos a gravá-la, e também, tal como o seu criador, nunca terá atingido elevados índices de popularidade. Mas conseguiu o suficiente para perdurar por muitos anos.
A letra já a publiquei neste blog, algures lá pelos fundos...

sábado, 8 de dezembro de 2007

Linguística de Cavenca – Pronúncias Dialectais

Achei interessante a temática desenvolvida pelo ilustre bloguista, Senhor Jofre de Lima Monteiro Alves, no magnífico Blog Courense Coura Magazine (http://couramagazine.blogs.sapo.pt/).

Muitos dos vocábulos ali apresentados são idênticos aos usados na minha terra mas aqui outros há que diferem de tudo que é costume ouvir-se em redor.

Isolado na encosta da serra, o povo de Cavenca desenvolveu formas de expressão próprias, algumas bem rudes, que nos faziam corar de vergonha sempre que alguém se ria da nossa “forma” de falar.

De tal modo que algumas pessoas mais bem informadas, no intuito de disfarçar a rudeza da nossa linguagem e para denotar um modo de falar mais evoluído, se referiam à freguesia Riba de Mouro dizendo Cima de Mouro

Numa tentativa de reavivar lembranças do tempo que já lá vai mas que ainda teima em resistir pontualmente, pelo menos enquanto houver resquícios de uma geração em declínio na qual me incluo, vou tentar evocar alguns dos termos usados no “meu tempo” e que se distanciam do português corrente e mais se aproximam do arcaico, especialmente pela fonética.

Àgora
Interjeição de espanto que significa não digas!
Assubir Subir, trepar;
Auga Água;
BásVais (a troca do v pelo b é uma característica do norte
sobejamente conhecida);
BeiçoLábio;
BeiçomBênção;
BendimarVindimar;
BuberBeber;
CabirtoCabrito;
CandoQuando;
CantoQuanto;
CastinheiroCastanheiro;
CoiroPreguiçoso, indolente;
CortelhoCorte pequena;
CraiboCaibro;
CricaVagina
CuidarCogitar, pensar;
EndeOnde/aonde (ende bás?/aonde vais?);
FatchinsTestículos (agradeço a lembrança ao senhor Alves Silva,
in “A Terra Minhota”, Redacções, Monção,
1 de Dezembro de 2007
);
GestaGiesta;
MunçomMonção;
HaiHá;
PamPão (em geral, todos os ditongos assumem a variante
am (cam/cão, açafram/açafrão, tcham/chão, Juam/João,
maçam/maçã) ou om (Som/são, Adom/Adão,
ladrom/ladrão, cagom/cagão, saltom/saltão,
melom/melão);
Nom/num
Não (nom, num deixes, num quero...);
ParribaPara cima;
SatcharSachar (regra geral, o ch assume a pronúncia tch);
Si
Sim;
Un-haUma (é difícil reproduzir graficamente este som, ai se é…).


:)))

sábado, 1 de dezembro de 2007

Maçãs Podres

Certamente que todos nós recordamos os tempos de infância, quando ainda não dispúnhamos de computadores e consolas de jogos, em que era muito comum, nos tempos de lazer e em grupos, desenvolver brincadeiras e jogos de perícia. Um dos temas preferidos dos rapazes era, sem dúvida, brincar aos polícias e ladrões. Como a brincar se dizem e fazem coisas sérias, este jogo desenvolvia um tema muito importante que era a eterna luta entre o Bem e o Mal em que, regra geral, o Bem acabava por vencer.
Porém, os tempos mudam e actualmente acontecem coisas muito estranhas, a avaliar pelo título da notícia em diversos jornais e meios de comunicação on-line como este que extraí de http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=886722:
Militar da GNR e ladrão de bancos
Pelos vistos, um jovem militar da Guarda Nacional Republicana exercia, sem autorização, uma outra actividade, certamente mais lucrativa do que a profissão que, voluntariamente, escolheu e pensou seguir.
Muita gente se interrogará: Como é possível?
A resposta está no cesto da fruta. Por mais rígidos que sejam os critérios de selecção, alguma das peças de fruta que seleccionamos há-de apodrecer. O pior é que, se não for logo identificada e retirada do meio da fruta sã, ela vai contaminar as restantes e acaba por ir parar tudo ao lixo.
Só que, como diz Júlia Lemgruber(*) “já se foi o tempo em que simplesmente se eliminavam as maçãs podres numa corporação. É preciso descobrir os efeitos delas na conduta e nos procedimentos policiais como um todo”.


(*)Ex-ouvidora da polícia do estado do Rio de Janeiro e coordenadora do Centro de Estudos em segurança Pública e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, no Rio, In http://www.comunidadesegura.org/?q=pt/node/35060