sábado, 3 de maio de 2008

O Dia da Guarda

"A manutenção dos níveis quantitativos da criminalidade participada, desde 2003, com a significativa descida de todos os tipos de criminalidade violenta e grave praticada contra pessoas.
Descida superior a 40% da mortalidade e sinistralidade rodoviária, nos últimos 5 anos, poupando mais de 2000 vidas...
Participação directa nos principais processos e operações de combate à fraude e evasão fiscais, evitando a delapidação ou fazendo reverter para a fazenda pública dezenas de milhões de euros todos os anos.
Forte contributo para suster os tráficos e aguentar a pressão das ameaças que, crescentemente, são exercidas sobre a costa portuguesa, tanto ao nível das drogas como da imigração ilegal e do tráfico de pessoas.
O SEPNA, onde se integrou o Corpo de Guardas Florestais, é hoje uma estrutura operacional altamente especializada e capacitada para a preservação do nosso património ambiental, com reconhecimento nacional e internacional.
Adequada articulação dos meios e capacidades da Guarda nas estruturas de Protecção Civil, através do SEPNA e do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro, tem contribuído, de forma decisiva, para que os incêndios e a destruição da nossa floresta passassem a ser encarados, não como uma fatalidade mas como uma ameaça que pode ser controlada e restringida.
O GIPS, com cerca de 700 efectivos com adequada preparação específica e bem equipados, em razão da excelência dos seus resultados operacionais, é hoje uma Unidade de referência, em matéria de protecção civil, e um modelo que outros países já estão a adoptar".

No dia em que se comemora mais um aniversário da "criação" da Guarda Nacional Republicana, importa reter o balanço apresentado hoje pelo Ex.mo Tenente General Comandante Geral.
É um balanço positivo, em jeito de despedida, do qual transparece um elevado grau de satisfação e orgulho pelo trabalho desenvolvido ao longo de cinco anos na liderança desta Força Policial, revelador também do profissionalismo e abnegação dos milhares de Soldados que se empenharam decisivamente na obtenção destes resultados.
Também eu me sentiria orgulhoso, mesmo tendo contribuído infimamente para a sua concretização, se não pairasse nos bastidores uma imensa onda de preocupações e anseios que incomodam e desassossegam. É que, se por um lado a "obra feita" é uma realidade, por outro muito há a fazer para recuperar, no plano individual, a credibilidade, o brio e o gosto pela profissão e, no plano social, o respeito e o reconhecimento público e institucional que é devido e esperado pelos militares da Guarda.
Passeando o olhar por diversos sítios e blogues da web identificados com a Guarda fica-se com a sensação de que esta secular Instituição se assemelha mais a uma "casa" dos horrores do que a uma organização onde se desenvolve um serviço público de excelência, em absoluto contraste com os conteúdos do discurso acima apresentados.
Por isso aqui quero deixar a minha mensagem a todos que me acompanham nesta caminhada: O rumo a seguir é o da competência, da correcção, da excelência e da abnegação.
Só assim teremos a legitimidade necessária para reivindicar melhores salários, melhores condições de trabalho, mais e melhores meios.
Só assim poderemos exigir o respeito e o apreço da comunidade.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

1.º de Maio

Feriado, Dia do Trabalhador, um dia lindo, lindo...
E eu aqui a debater-me com um problema: a escolha de um tema para desenvolver. Um de entre tantos sobre os quais gostaria de me debruçar. Vou eliminando uns porque a ideia ainda não está suficientemente desenvolvida e amadurecida, outros porque se podem considerar tabu, dadas as limitações à liberdade de expressão que impende sobre o meu estatuto profissional, outros ainda porque é melhor deixá-los para quem tem mais autoridade sobre a matéria. E tanto há para reflectir!!!
O Mundo parece que gira desgovernado. O espectro da fome é uma realidade, o desemprego ou o subemprego pairam sobre os trabalhadores, são reais as preocupações sobre a segurança, cuidados de saúde, educação... e as projecções de curto prazo não são nada animadoras.
A agravar o cenário, notícias como aquelas que chegaram de França e da Áustria, relatos de actos brutais e animalescos que só uma mente profundamente perturbada pode conceber.
E os verdadeiros heróis, os motores das economias, os trabalhadores continuam a ser apenas os burros de carga que suportam sobre o seu dorso toda a ganância e soberba dos amos. Mas hoje é o nosso dia, para lembrar que há muitos anos atrás, em circunstâncias ainda mais adversas, outros trabalhadores morreram por ousarem aliviar o peso da albarda.
O Mundo está, decididamente, de pantanas...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O Meu 25A

Muito se tem falado do 25 de Abril de 1974, com muito acerto e desacerto, e muito mais haverá ainda por falar. Porém, não foi esse o meu 25 de Abril, porque na minha vida nada mudou naquele dia e apenas tive uma pequena percepção das mudanças que daí resultaram alguns meses mais tarde, quando a Banda de Música do antigo Regimento de Infantaria n.º 6 executava belíssimos trechos de obras clássicas e a tropa, tanto na plateia como no balcão, exigia ruidosamente que executassem a famosa "Grândola, Vila Morena", ou quando, no mesmo palco, o Grupo Seiva Trupe levava a cena a peça "Catarina Eufémia", de onde emergiu a não menos famosa canção Somos Livres, da autoria e superiormente interpretada por Ermelinda Duarte.
Para mim, as recordações mais importantes situam-se um ano depois, a 25 de Abril de 1975, continuava eu a cumprir serviço militar obrigatório em Tancos. Nesse dia realizou-se em todo o território nacional aquele que julgo ter sido o primeiro acto eleitoral por sufrágio universal, directo e secreto em Portugal. Foi o dia das eleições para a Assembleia Constituinte.Organizado e dirigido pelo Movimento das Forças Armadas, aquele acto eleitoral foi uma manifestação de civismo e de sede de democracia impressionante.
A adesão às urnas foi também, creio eu, a maior de sempre, tendo em conta que existiam 6.231.372 eleitores inscritos, votaram 5.711.829 (91,66%), tendo-se abstido apenas 519.543 (8,34%).
Infelizmente, não foi nesse dia que pude exercer o meu direito de voto pela primeira vez. O meu recenseamento eleitoral tinha sido efectuado no Porto e passei a integrar os cadernos eleitorais da freguesia de Miragaia. Porquê? Porque quando foi desencadeado o recenseamento eleitoral encontrava-me já incorporado na escola de recrutas que decorria no extinto CICA1, na Rua D. Manuel II, instalações que posteriormente reverteram para a Universidade do Porto.
Actualmente não seria problema porque podia sempre exercer o direito de voto por correspondência mas... naquele tempo o sistema ainda não o permitia. Como também não foi permitido a muitos dos militares, entre os quais me encontrava, deslocarem-se aos locais onde se encontravam recenseados para o efeito já que as mesas de voto foram guarnecidas por militares e os que não estavam empenhados no acto, na segurança das assembleias de voto ou no apoio logístico permaneciam nos Quartéis de prevenção.
Por Montalvo, Constância e Praia do Ribatejo passeei orgulhosamente, nesse dia, o lenço amarelo que me fora distribuído de madrugada para ostentar ao pescoço, à cowboy, integrando-me num grupo e numa missão específica que se prolongou pela noite dentro.
E depois?

terça-feira, 22 de abril de 2008

Residências Geriátricas, Lares ou Abandono?

"Portugal tem 13 mil idosos em lista de espera para os lares apoiados pelo Estado. O número foi avançado ontem pelo padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições Particulares de Solidariedade Social (CNIS), após admitir a possibilidade de algumas destas valências receberem donativos de particulares em troca de vagas." (JN Abril de 2008).
"O envelhecimento da população e o insuficiente investimento em lares estão a deixar milhares de idosos e famílias sem resposta para necessidades, que, por vezes, são urgentes. Em lista de espera para conseguir lugar num lar estão 18 mil pessoas, disse ao DN o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNI), o padre Lino Maia." (DN Julho de 2007).
Os números acima referidos têm a separá-los, além da diferença entre si, o decurso de tempo de dez meses.
Há mais de duas dezenas de anos, compartilhava eu a enfermaria de um Hospital com um veterano militar reformado. E se eu não estava muito bem do ponto de vista físico e mesmo psicológico, aquele homem metia dó, quer pelos inúmeros problemas de saúde que o atormentavam, quer pelo aparente abandono dos familiares.
Ali mantínhamos algumas rotinas como ver televisão numa sala própria e ler os jornais do dia. Era naquela sala que eu permanecia após a última refeição sempre servida muito cedo, que o pessoal que prestava serviço nessa área tinha que ir embora...
Uma noite, ao regressar ao quarto, em silêncio e sem acender a luz para não incomodar o meu vizinho, consegui descortinar que tinha caído da cama e se arrastava pelo chão extremamente agitado. Peguei nele ao colo e coloquei-o na cama. Ficou sossegado por alguns instantes e tentei adormecer mas não consegui porque entretanto o meu vizinho voltou a entrar em agitação atirando-se da cama abaixo. Chamei o "enfermeiro" de serviço, este chamou o médico, lá o sossegaram por mais algum tempo mas foi sol de pouca dura. Passados escassos minutos entrou em convulsões e dali partiu para melhor...
Não foi a morte daquele cidadão, nos setenta e muitos anos e com fraca qualidade de vida, que me fez evocar aqui esse facto mas as circunstâncias em que ocorreu: abandonado. E isso é muito recorrente nos tempos que decorrem.
Se há coisas que me preocupam uma delas é a forma como se vive actualmente a velhice, talvez porque sinto aproximar-se o tempo em que também farei parte desse extenso rol de inutilidades que enchem os lares. Ainda mais me preocupa perceber que por detrás desse universo de pessoas fragilizadas existe um crescente aproveitamento económico, encapotado nas mais diversas roupagens, quais aves de rapina pressentindo o cheiro da preia - misericórdias, ipss's, empresários individuais e grupos económicos poderosos. São os Lares para os de mais parcos recursos, as Residências Geriátricas para os remediados e as Residências Sénior para o segmento médio-alto.
É o que já foi designado por "mercado de ouro", com um potencial de crescimento avassalador dada a desumanização total da sociedade em que vivemos.
Contudo, os designados Lares para idosos são um mal necessário e sempre é preferível morrer debaixo de um tecto a retroceder ao tempo em que se levavam ao monte.
Mas é escandaloso constatar a existência de uma lista de espera com a dimensão acima referida. Mais ainda saber-se que se "compram" vagas à custa de "doações", num absoluto desrespeito e atropelo claro dos direitos dos candidatos a essas mesmas vagas.
À margem ficam ainda os sem-abrigo, os indigentes e aqueles afortunados a quem não falta o cuidado de uma mão carinhosa para lhe fechar os olhos...

sábado, 19 de abril de 2008

Os Caçadores de Aviões

O aeródromo da Chã pouco mais era do que um terreno de pastagem para algumas ovelhas e cabras ou uma ampla pista de treino para destemidos adeptos de desportos motorizados ali realizarem alguns piões, ou ainda para aprendizes mais temerosos da arte da condução efectuarem os treinos indispensáveis para o exercício da mesma sem se atemorizarem com a concorrência dos mais experientes nas vias públicas.
Contudo, mesmo salpicado de vegetação rasteira, o veterano piloto do pequeno monomotor descortinou a imensa pista por entre o denso pinhal do planalto e efectuou uma aterragem perfeita. O que não esperaria, certamente, era que ao sair da aeronave se iria deparar com dois façanhudos elementos da Guarda Nacional Republicana a indagar da presença de tão insólito intruso naquele espaço. De facto, era caso para especular acerca da eficiência de um tal serviço de inteligência, capaz de detectar, em tempo real, a presença de qualquer objecto voador em solo transmontano, mesmo sem haver sinais de radar que denunciasse a sua aproximação e a suposta torre de controle estar tão degradada como a própria pista!
Na realidade, a oportunidade de tal acção nada teve a ver com qualquer minuciosa e aturada recolha de notícias ou trabalho de laboratório. À semelhança de muitas outras que diariamente preenchem os registos dos Postos foi apenas fruto do acaso.
Naquele dia, da parte de tarde, a patrulha motorizada saíu do quartel sem outro objectivo que não fosse efectuar o giro definido na respectiva guia e regressar ao ponto de partida a tempo e horas. É que aqueles meios de transporte não eram uma mais-valia para o desempenho das funções policiais, pelo contrário, constituiam um quebra-cabeças tanto para quem os conduzia como para quem os administrava. Não raras vezes era necessário promover o retorno a reboque por avarias irremediáveis e quando isso não acontecia era certo que os elementos da patrulha chegavam ao Quartel todos sujos, mal ataviados, psicologicamente desgastados e fisicamente arrasados porque pelo percurso tinham que limpar as velas uma e outra vez, ou verificar e ajustar as correntes de tracção, ou empurrar para pôr o motor a trabalhar, ou outras acções que eram o desespero de todos.
Mas o percurso na subida para a Chã até decorreu sem incidentes e quando lá chegaram aperceberam-se do raro fenómeno - uma avioneta estava a fazer-se à pista - e o dever obrigava-os a verificar do que se tratava para dar cumprimento às determinações superiores que impunham a imediata comunicação de qualquer acção que pusesse em causa a soberania e integridade do território nacional.
Foi assim que abordaram o arrojado piloto inglês recolhendo os dados necessários para efectuar a comunicação ao escalão superior, ao mesmo tempo que lhe prestaram o apoio necessário para garantir a segurança do seu meio de transporte e a deslocação para a Pousada Barão de Forrester onde tinha reservado alojamento para pernoitar e descansar que bem precisava.
Fiquei surpreso pelo regresso extemporâneo da patrulha mas foi por uma boa causa. Peguei nos elementos fornecidos e imediatamente uma mensagem voou pelo espaço, através das ondas hertzianas, até ao comando imediato, deste para outro, e outro, e outro até que alguém se lembrou que era preciso complementar a informação com mais elementos, que só podiam ser obtidos junto do súbdito de Sua Magestade.
Eu próprio, acompanhado pelo motorista, me dirigi à magnífica Pousada onde, com a ajuda preciosa do funcionário em serviço no bar, já que os meus conhecimentos de inglês não permitiam sustentar o diálogo, consegui sacar os dados de que precisava para complementar a informação. Aproveitei para desejar uma boa estadia ao forasteiro e regressei ao meu local de trabalho dando cumprimento ao que me fora solicitado. Só que não foi ainda desta vez que o serviço ficou concluído. Faltava ainda saber por onde tinha entrado em território nacional, quando tencionava partir e para onde. Já estava a ser complicado demais mas não havia nada a fazer que não fosse voltar à Pousada.
O cidadão estrangeiro ainda se encontrava no mesmo local, sensivelmente na mesma posição, à conversa com o barmen, apenas tinha mudado o líquido do copo, e não manifestou qualquer enfado pela insistência e persistência em lhe "arrancar" tudo que sabia mas algo deve ter perpassado como um alarme pela sua mente que, após fornecer as informações solicitadas, sacou instintivamente da carteira e "ameaçou-nos" com uns papéis estranhos que eu reconheci como sendo próprios para "agradecer" o nosso empenho e dedicação para que a sua estadia ali fosse o melhor possível.
Obviamente não aceitamos e ficamos gratos por não ser necessário voltar ao contacto com aquela personagem que, além de ter sido surpreendido com uma recepção de que não estaria à espera, ainda mais embaraçado e confuso deve ter ficado com a nossa complexa e delicada recolha de informações pensando que tinha aterrado em Myanmar ou na Somália.

Fantasmas

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Casas mais acessíveis...

"Governo alarga prazo dos empréstimos à habitação em regime bonificado até ao limite de 50 anos"
Com mais esta medida de fundo, a construção civil vai iniciar um novo ciclo de prosperidade. A seguir vai ser tornar o crédito transmissível aos filhos e netos. Depois, eles que se desenrasquem...
O problema será promover as necessárias obras de beneficiação, que quando acabarem de pagar já a casa valerá menos de um terço do que custou, assim por alto, se calhar menos.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Mãos Firmes...

"Capitán, mande firmes. Digan conmigo: Viva España y Viva el Rey", fue la primera orden dada ayer por la primera ministra de Defensa de la historia española, Carme Chacón, al tomar posesión de su cargo al frente de las Fuerzas Armadas.
http://www.farodevigo.es/secciones/noticia.jsp?pRef=2008041500_6_216362__ESPANA-Chacon-designa-pontevedres-Constantino-Mendez-numero-Defensa
"Capitão, mãos firmes. Digam comigo: Viva Espanha e Viva o Rei". Foi esta a primeira ordem da ministra da Defesa espanhola, Carme Chacón, ao passar a revista às tropas.
http://dn.sapo.pt/2008/04/15/internacional/ministra_defesa_e_vedeta_nova_equipa.html
A tradução pouco importa. Também não é importante a forma como os jornalistas de um e do outro lado da fronteira de referem às Forças Armadas.
O que se pretende realçar é o facto de uma advogada de 37 anos de idade, prenhe de sete meses, ser nomeada Ministra da Defesa e, consequentemente, lider das Forças Armadas de uma das maiores potências da Europa e, quiçá, do mundo.
Carme Chacón é licenciada en Direito pela Universidad de Barcelona. Realizou estudos de posgraduação em Osgoode Hall Law School (Toronto, Canadá), na Universidade de Kingston e na Universidade Laval de Montreal, foi professora de Direito Constitucional na Universidad de Gerona e é Secretária da Educacão, Cultura e Investigacão da Comissão Executiva Federal do PSOE, tornando-se assim, não só na primeira mulher a ocupar aquela pasta, mas também a primeira mulher grávida a integrar o governo Espanhol.
E ninguém diga que o Senhor Zapatero não tem bom gosto. Estou convencido que o moral dos Militares do país vizinho vai aumentar substancialmente com esta nomeação.
Depois da legalização dos casamentos homossexuais, a Espanha continua a surpreender, não só pela escolha para a pasta da defesa mas também pelo elevado número de mulheres que integram o actual executivo que, também pela primeira vez na história, integra mais elementos femininos que masculinos.
A política da Igualdade, por aquelas bandas, não é uma mera carta de intenções, escreve-se e pratica-se com acções concretas.
Seria bom que o nosso Primeiro não visse por ali apenas os sapatos "Prada" de que tanto gosta mas também formas de fazer política às direitas.
Foto obtida em:
http://ecomordefuentes.nireblog.com/blogs/ecomordefuentes/files/chacon.jpg

domingo, 6 de abril de 2008

Há 33 Anos

Encontrei-os há dias, quando percorria um mal organizado lote de fotografias. Conhecemo-nos na tropa e nunca mais encontrei nenhum deles.
Gozávamos uns momentos de descontracção, em Tancos, sem sabermos bem porque carga de água ali fomos parar. Os seis cromos eram quase todos tripeiros: Areosa, Vila do Conde, Leça, Vilar do Andorinho, Gaia (2) e eu, o Munçoum, como era conhecido. Ademais, apenas recordo o apelido de dois deles, o Monteiro e o Miranda e, certamente, nenhum deles se lembrará do meu.
Bem no início da Primavera, tínhamos acabado a formação básica e a especialidade, Condutor Auto Rodas (CAR), e de ser colocados na nossa primeira Unidade, a Escola Prática de Engenharia.
Ainda estes dias me perguntavam: mas porquê condutor auto rodas, havia condutores auto sem rodas? Bem, sem rodas não, mas com rodas e patas havia, eram os condutores hipo, que na tropa sempre houve muitas cavalgaduras e, se é certo que esse número tem vindo a diminuir, a verdade é que ainda há por lá muitas bestas...
Mas, adiante, antes que a coesão das Forças Armadas estremeça e me veja a contas com um PD como aconteceu ao Sr. Coronel Alves de Fraga, autor do blog Fio de Prumo.
Mal sabíamos nós que nos estava reservada uma missão muito mais importante, a guerra do ultramar. É verdade, só um escapou, o vilacondense, que tinha a decorrer um processo de "amparo" de pais o qual foi deferido poucos dias depois, não sei se foi para amparar os pais ou se foi para os pais o ampararem a ele.
Senti um aperto enorme no coração quando em finais de Maio de 1975, ao passar em frente à caserna onde estávamos alojados, ao volante da "minha" Morris, regressava do Entroncamente onde íamos frequentemente em serviço de transporte de pessoal. À porta das instalações, com cara de quem "comeu e não gostou", estava o Leça que mal me viu gritou: ó Munçoum, bai arrumar a fragoneta que bamos pra'Angola...
Não acreditei mas ao dar conta do serviço caí na realidade. O sargento encarregado do parque auto mandou-me apresentar na Secretaria para tratar dos assuntos administrativos com vista à marcha para Lisboa.
No mesmo dia recebemos equipamento militar para dois anos de campanha em Angola e uma guia de marcha para nos apresentarmos no Depósito Geral de Adidos, Calçada da Ajuda, Lisboa. Volvidos dois dias, com uma dose cavalar de vacinas contra "tudo", regressamos a casa com a determinação de voltarmos ao DGA uma semana depois.
Aquele regresso a casa de forma tão inesperada causou alegria, naturalmente, mas também estupefacção. Não era normal, algo não encaixava na rotina que se tinha estabelecido. Disse o que se passava mas só quando mostrei o documento onde constava o despacho de mobilização é que se convenceram que era verdade. Afinal, um ano depois do 25 de Abril, a guerra ainda não terminara...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O Cavaleiro Solitário

Após quase dois meses sem se saber dele, D. Eduardo deu sinais de vida e de grande optimismo.
"He cruzado toda Grecia de Norte a Sur ... me encuentro en Markopolo... en un Club Hípico del mismo nombre. Hemos parado en estos fatigosos días en lugares,como estaciones de Tren, casas abandonadas, montañas, valles, cementerios, Iglesias, Hoteles para perros, criaderos de Jabalí, centros hípicos, pasando por ciudades como, Alexandropolis, Tesaloniqui, Tebas, Lamia,Maratón Malacasa Artemisa, el valle de las Termopilas, muy agotador, pero valió la pena".
A comitiva segue agora com um novo membro, Manuelita, uma tartaruga que encontrou em amena cavaqueira com Chalchalero, o cavalo criolo argentino que já conta com 33.400 quilómetros percorridos. É obra!!!
Seguir-se-á a Síria e, se a oportunidade se propiciar, Índia e Mongólia. A continuar assim tarde ou nunca teremos o livro que tenciona editar quando regressar à Pátria.
Que Deus o ajude.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Pelas Margens do Tua

O homem foi criado com uma individualidade própria
e dotado de todos os atributos indispensáveis para
evoluir por si mesmo em direcção a um fim superior".
Carlos Bernardo González Pecotche


O valor da vida humana é hoje insignificante e reduzido a um contexto de tal modo diminuto que nos faz meditar acerca dos superiores desígnios reservados a esta nossa condição.
Volto às margens do Tua para recordar uma tragédia que testemunhei há alguns anos.
Era dia de percorrer as aldeias, numa daquelas acções em que se fiscalizava a licença do cão e do gato, o depósito de detritos e despejo de águas sujas na via pública, ao mesmo tempo que se contactava com as pessoas, se ouviam queixas e reclamações, desabafos e confidências, enfim, uma verdadeira acção de proximidade entre a população e aqueles que se encontram por ela mandatados para velarem pela sua segurança e tranquilidade.
A actividade começara cedo, interrompeu-se para um frugal almoço e continuava pela tarde até cerca das dezassete horas..., se as obrigações de serviço o permitissem. Não foi o que sucedeu nesse dia.
Sem muito trabalho, seriam umas quatro horas da tarde, já no percurso de regresso ao Quartel, o emissor-receptor instalado no inconfundível Land Rover quebrou o monótono ruído do motor. Uma rixa em Carlão, com tiros e feridos, reclamava a nossa presença.
Era preciso agir.
Percorridos escassos quilómetros um automóvel de aluguer despertou a nossa atenção com sinais de luzes e gestos do respectivo condutor. Este dirigia-se para o Hospital local transportando um sexagenário de rosto irreconhecível pelo sangue que parecia jorrar de todos os poros e informou-nos de que havia mais um ferido ou morto. Não perdemos tempo. Era preciso socorrer aquele homem e não éramos nós que lhe podíamos valer. Enquanto aquele se dirigiu para o Hospital, nós retomamos a marcha em direcção a Carlão.
Aquela simpática aldeia fora alvo da nossa visita matinal onde detectamos apenas uma situação de que já havia referências e exigia acção policial. Um indivíduo perfeitamente referenciado conduzia diariamente uma viatura de mercadorias sem estar legalmente habilitado e vimos a viatura suspeita a circular em direcção a nós numa rua de sentido único. Paramos para interceptar o condutor mas este apercebeu-se da nossa presença e, habilmente, encostou a viatura e fugiu a pé sem chegarmos a reconhecê-lo e agir em conformidade com a situação.
Agora, a escassos metros do local onde a viatura fora abandonada, o nosso suspeito jazia inerte no asfalto. Era um indivíduo ainda jovem, menos de trinta anos, casado e pai de três filhos de tenra idade. Estava morto.
A informação então recolhida pelo testemunho das pessoas e pelos vestígios que foi possível recolher deu-nos uma ideia do que teria sucedido.
O mesmo indivíduo que de manhã nos escapara por pouco conduzia novamente a sua viatura, pela mesma rua, e apercebeu-se de uma discussão entre um tio e o veterano cidadão que tinha sido transportado para o Hospital. Então terá dito ameaçadoramente que ia pôr fim à discussão e acelerou a fundo dirigindo-se para casa que em linha recta ficava a escassos cem metros mas para lá chegar tinha de dar a volta ao quarteirão e percorrer cerca de um quilómetro. Instantes depois regressou ao local da discussão a pé, numa correria desenfreada e munido de uma espingarda de caça semi-automática, com capacidade para cinco cartuchos. Era um exímio atirador, coleccionador de troféus nos torneios de tiro aos pratos e um caçador nato, tanto na época de caça como no defeso.
Só que do lado oposto encontrava-se um rival à altura, talvez menos impulsivo mas mais experiente. Enquanto o jovem foi buscar a sua arma, o veterano, que se encontrava junto da própria residência, muniu-se da sua velha caçadeira de dois canos paralelos, carregada e pronta para o que desse e viesse.
Os tiros ecoaram em uníssono, sinistramente, pelas ruas da pacata localidade.
Pelo que apuramos foram três os disparos e foi impossível determinar qual dos contendores terá disparado primeiro. Talvez tenha sido o veterano, um tiro com cartucho de chumbo, alto, apenas para intimidar, dado que as marcas se encontravam numa parede por trás do local onde jazia o jovem. Este, com a frieza que lhe era peculiar nos torneios em que participava, disparou certeiro. Uma parte do escaldante chumbo atingiu o rival no antebraço esquerdo e no rosto e outra parte descreveu um semicírculo, acompanhando os contornos da cabeça, num portão de chapa à sua retaguarda.
Talvez tenha sido instintivamente que o veterano disparou o segundo tiro pois o chumbo do adversário deixou-o cego para sempre. Este segundo tiro foi fatal para o jovem. A metralha do cartucho era pesada, própria para caça maior, e um grosso zagalote perfurou o crânio do desditoso indvíduo.
Ironia do destino.
Se naquela manhã tivesse sido detido por condução ilegal talvez ainda hoje fosse o caçador furtivo mais temido de Carlão e eu teria de encontrar outro tema para aqui desenvolver...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Promessas

Preparou-se como uma noiva, precoce, temporã, para me presentear com os seus deliciosos frutos aí por meados de Maio. E é um regalo para a vista mas, certamente, não será mais do que isso. O frio e a chuva vão fazer com que muitas das flores caiam no chão estéreis. Com muita mágoa minha...

Mesmo assim, se uma quarta parte conseguir vingar, ainda vai ser uma festa.

Se isso acontecer, hei-de apresentar a reportagem. Fica a promessa.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Inquietações

El continuo encarecimiento del crudo y el elevado precio de algunos alimentos han vuelto a incrementar la inflación armonizada que en marzo subió dos décimas y alcanzó el 4,6 por ciento, la tasa más elevada desde 1997, cuando comenzó a elaborarse este indicador.
http://www.farodevigo.es/secciones/noticia.jsp?pRef=2008033100_10_212102__ECONOMIA-alza-crudo-eleva-inflacion-armonizada
Expertos auguran la pérdida de un millón de empleos en la construcción hasta 2010
Un estudio rebaja a 300.000 las viviendas nuevas que se iniciarán este año, frente a las 900.000 de 2006 Los promotores aconsejan invertir en centros comerciales.

http://www.farodevigo.es/secciones/noticia.jsp?pRef=2008033100_10_211998__ECONOMIA-Expertos-auguran-perdida-millon-empleos-construccion-hasta-2010
El número de disoluciones de empresas en Galicia se incrementó un 73% en los dos primeros meses del año, en comparación con el mismo periodo del año 2007, cuando un total de 212 empresas cerraron sus puertas. En lo que va de año, esa cifra ha subido hasta alcanzar las 368 compañías, 156 más que hace un año.
http://www.farodevigo.es/secciones/noticia.jsp?pRef=2008033000_10_211816__ECONOMIA-crisis-cobra-empresas-gallegas-primeros-meses-este
"De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento", diz o povo, e lá sabe porquê. Agora, por maioria de razão, bem podemos clamar que os "ventos" de Espanha não auguram nada de bom para o nosso canto.
E enquanto o nosso Primeiro se desfaz em sorrisos e emoções (serão lágrimas de crocodilo?), apresenta números e projectos a provar que a crise foi ultrapassada e a sustentar o que diz determina uma baixa dos impostos cujos efeitos serão certamente nulos, pelo menos para os consumidores, os nossos vizinhos, bem mais objectivos, apresentam cruamente os números de uma realidade que só não vê quem não quer.
E se por aqueles lados não há lugar para optimismos como poderemos nós acalentar a esperança de uma retoma que teima em não se manifestar?

domingo, 30 de março de 2008

Perfil

'Profs' vão ter cursos de defesa e prevenção Associação Nacional de professores vai ensinar docentes a prevenir e intervir perante casos de "bullying", indisciplina, violência nas escolas.
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/279111
Soubemos de fonte oficial que já está definido o perfil do professor do futuro. Muito embora ainda esteja no segredo dos deuses, conseguimos obter uma fotografia daquilo que serão os requisitos mínimos para aceder ao ensino público e desvendamos um pouco do mistério, em primeiríssima mão.

Informamos ainda que quem não obedecer aos requisitos mínimos exigidos será excluído.
Agora compreendemos melhor porque foi decidido reduzir o IVA para acesso aos ginásios...

sábado, 29 de março de 2008

A (Re)toma

"Fecharam 50 mil PME em 2007 o dobro dos fechos de 2006. Desde o agravar da crise, em Agosto de 2007, perderam-se cerca de 50 mil postos de trabalho".
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/278808


Os números são dramáticos mas parecem-me tão credíveis como aqueles que apresentou o nosso Primeiro ao afirmar que a economia portuguesa já gerou perto de 100 000 novos postos de trabalho nesta legislatura e que a meta dos 150 000 prometidos na campanha eleitoral é realizável.
De facto, como podemos dar credibilidade a dados estatísticos cujas variáveis são desconhecidas? Se uma empresa faliu e no mesmo local, com a mesma gerência, com os mesmos equipamentos e muitas vezes os mesmos operários surge uma nova empresa que ilações se podem retirar?


"A Lidl & Companhia comprometeu-se a contratar 19 trabalhadores residentes no concelho, mas, segundo a autarquia, a empresa tem "apenas um trabalhador residente no concelho a tempo inteiro", de um quadro de pessoal que inclui 14 trabalhadores com 16 horas semanais, um com 10 horas semanais e outros três apenas com uma hora semanal e com um vencimento mensal de 13,60 euros".
http://jn.sapo.pt/2008/03/29/pais/camara_ameaca_retirar_licenca_lidl_f.html


Promessa mal cumprida e, por causa disso, o Presidente da Câmara da Mealhada ameaçou retirar a licença por quebra das condições contratuais.
Só que tal posição poderá ir parar aos Tribunais e tornar-se num imbróglio judicial sem fim. É que a Direcção Regional de Economia do Centro, a quem a autarquia apresentou uma queixa denunciando o incumprimento do contrato, já se manifestou no sentido de que "a empresa cumpre o estabelecido ... e que, aquando do licenciamento, não foi tido em conta "o tipo de vínculo" a celebrar com os trabalhadores".
Eu não sei que tipo de funções desempenharão aqueles trabalhadores com contrato de uma hora semanal e um salário mensal de € 13,60 mas que deve ser uma trabalho muito aliciante, lá isso deve...

quinta-feira, 27 de março de 2008

Sintra - 1978/79?

O prometido é devido.
Uma fotografia publicada aqui pela minha amiga yankee (de origem minhota, saloia por adopção e com uma costela alentejana) fez-me recordar o tempo em que, vagueando por Sintra munido da minha estimada Minolta 7s, captei uma imagem da mesmíssima paisagem só que com algumas diferenças de cor e de idade que os cerca de 30 anos de diferença lhe imprimem.
Deixei ali a promessa de procurar no meu "arquivo" esse registo e publicá-lo, ultrapassando assim o egoístico gozo de o deter só para mim.
Felizmente encontrei, não uma, mas várias fotografias, todas muito belas (gaba-te...), numa sequência lógica que aqui vou procurar respeitar e plasmar.

Espero que gostem mas se não gostarem tanto me dá. São minhas!!!



E a velha máquina também...

Novidades da Terra

Há mais um motivo de orgulho em Monção. O novíssimo e polémico monumento da autoria de mestre João Cutileiro, evocando a mítica heroína que desfez o apertado cerco do inimigo castelhano atirando-lhe o pão que já não existia na urbe, não deixa ninguém indiferente.
As opiniões divergem e com ou sem conhecimento de causa não falta quem opine sobre o novel monumento. Há quem o considere uma obra futurista e de grande qualidade estética e simbólica, há quem diga que se trata de uma aberração que nunca deveria ser implantada num local onde predomina a austeridade das antigas muralhas de granito cinzento.
Dizem que foi financiado por um mecenas anónimo, juntamente com mais duas obras de arte a implantar na futura rotunda de S. Pedro e na Lodeira, junto à ponte internacional, e que o custo do conjunto ascende a cerca de € 50.000,00. Bem haja.
Pessoalmente não me agrada. Comparando com a profusão de monumentos disseminados pelo casco urbano de Vila Nova de Cerveira, julgo que da autoria de um artista radicado na região, mestre José Rodrigues, onde impera uma perfeita harmonia entre os materiais e a paisagem, a nossa Deu-la-Deu choca pelo impacto com que aquele corpo estranho nos ataca os sentidos.
Mas Cutileiro é mesmo assim, ou não fosse ele o autor do escandaloso D. Sebastião de Lagos ou do fálico obelisco que imortaliza os heróis do 25 de Abril no Parque Eduardo VII.
Ei-la...
A autoria da imagem está impressa na própria na própria fotografia mas para quem não enxergar bem aqui fica o endereço:
http://olhares.aeiou.pt/deu_la_deu_martins/foto1829102.html

Reviver

Revivi, nesta Páscoa, por instantes, o sentimento de festa marcadamente cristã mas que servia, noutros tempos, para muitos outros fins que não apenas a "lavagem" dos pecados acumulados ao longo de todo o ano.
Na minha terra, para se receber a visita pascal convenientemente, removiam-se os móveis e retirava-se todo o lixo acumulado por detrás e por baixo,com água e sabão amarelo esfregava-se o soalho, muitas vezes desgastado, esburacado e carcomido pelo tempo e pelo bicho da madeira que nele se instalava e rilhava incessantemente até se desfazer em pó, principalmente quando era de má qualidade, que se fosse de castanheiro ou de carvalho tornava-se mais resistente que o aço, varriam-se pátios e caminhos de acesso às humildes habitações, por fim enfeitava-se tudo com um ror de pétalas de camélias e "páscoas", uma lindas flores amarelinhas que cresciam a esmo pelos prados mais húmidos do Baloucal, da Cancelinha, dos Vicentes, do Outeiro...
As portas das casas abriam-se de par em par e a família esperava na sala, principal divisão da habitação e a única que era exposta. Em cima da mesa, coberta com uma toalha de alvo linho retirada do fundo do baú onde se guardava o bragal mais fino, um prato com doces, em que ninguém tocava, excepto se o anfitrião convidasse para um apressado beberete, o que apenas sucedia nas casas de maiores recursos.
O Padre recitava as suas ladainhas do costume, em latim, como mandava a liturgia, e de seguida era dado a beijar o crucifixo adornado a preceito para aquela época. No final cumprimentava o dono da casa, de cuja mão sacava discretamente o donativo que este previamente tinha preparado para a ocasião e enfiava-o na algibeira sem contar, pelo menos no acto, que depois iria fazer contas e tentar adivinhar quem seria o sovina que o presenteara com tão magra prestação.
Os Padrinhos, alguns, presenteavam os afilhados com um pão de trigo. Confesso que nunca percebi bem aquele costume mas... naquela terra havia coisas que não tinham explicação, por isso está tudo explicado...
Depois era o melhor da festa, que era encher o estômago com um delicioso cozido, quantas vezes apenas umas batatas e couves cozidas com um pedaço de toucinho ou chouriça. E quando calhava também se fazia um bucho doce cuja receita ainda hei-de tentar recolher e registar para a posteridade.
Mas os tempos mudam e actualmente a visita pascal resume-se a um arremedo do que era apenas para manter a tradição. Mesmo assim, honra seja feita a quem se esforça por manter viva a memória desse passado que tantas coisas me evoca.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Aleluia!!!

A todos os meus amigos deixo aqui os votos de uma Páscoa feliz.







Na próxima semana, se me quiserem encontrar, procurem-me por ali, na zona central :)


Fotografia (c): http://www.dapfoto.com/arquivo-detalhe.php?idArquivo=114102

sábado, 8 de março de 2008

Quem Manda?

O Ministério da Administração Interna divulgou hoje, véspera do protesto dos professores em Lisboa, um conjunto de "normas técnicas" para regulamentar a actuação das forças de segurança durante manifestações públicas.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1321961&idCanal=12

O texto integral do documento pode ser consultado aqui.
Trata-se de um documento que define um modelo de actuação das forças policiais face ao quadro legal que legitima o direito de reunião e de manifestação em Portugal e vem na sequência da forma como alguns agentes das polícias procuraram recolher informações acerca da manifestação de professores prevista para hoje, designadamente sobre o número de viaturas de transporte de passageiros envolvidas na operação de mobilização para a concentração a realizar na Capital.
O assunto não seria tema de abordagem neste espaço se não me parecesse algo inédito. Acho mesmo que é a primeira vez que um Ministro da Administração Interna impõe, assim, a organismos que dele dependem, uma modalidade de actuação face a determinada situação, nomeadamente à realização de manifestações públicas.
A experiência diz-me que muitas vezes, no interior das Instituições, é necessário criar normas que regulamentem o seu funcionamento ou estabeleçam modelos de actuação uniformes, sempre subordinadas ao quadro legal vigente. São as designadas NEP (Normas de Execução Permanente) ou, simplesmente, Notas-Circulares, ou ainda, de forma mais genérica, somente Ordens.
A produção destas Normas Técnicas deverá, a meu ver, se necessárias, competir aos titulares dos cargos de direcção das forças de segurança e não ao Ministro.

De facto, o Ministro da Administração Interna encontra-se no topo de uma cadeia hierárquica bem definida, com as suas competências e responsabilidades e o seu Ministério tutela as forças de segurança na sua dependência, tendo por missão e atribuições:
Decreto-Lei n.o 203/2006 de 27 de Outubro (Lei Orgânica do MAI)
Artigo 1.º
Missão
O Ministério da Administração Interna, abreviadamente designado por MAI, é o departamento governamental que tem por missão a formulação, coordenação, execução e avaliação das políticas de segurança interna, de administração eleitoral, de protecção e socorro e de segurança rodoviária, bem como assegurar a representação desconcentrada do Governo no território nacional.
Artigo 2.º
Atribuições
Na prossecução da sua missão, são atribuições do MAI:
a) Manter a ordem e tranquilidade públicas;
b) Assegurar a protecção da liberdade e da segurança das pessoas e seus bens;
c) Prevenir e a reprimir a criminalidade;
...

Na concretização da missão e atribuições do MAI surgem as forças de segurança (a Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana) cuja actuação tem limites legais perfeitamente definidos, dos quais se destacam os seguintes:
Constituição da República Portuguesa de 2005
Artigo 272.º
(Polícia)
1. A polícia tem por funções defender a legalidade democrática e garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos.
2. As medidas de polícia são as previstas na lei, não devendo ser utilizadas para além do estritamente necessário.
3. A prevenção dos crimes, incluindo a dos crimes contra a segurança do Estado, só pode fazer-se com observância das regras gerais sobre polícia e com respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.
4. A lei fixa o regime das forças de segurança, sendo a organização de cada uma delas única para todo o território nacional.
Lei n.º 20/87, de 12 de Junho (Lei de Segurança Interna)
Artigo 16.º
Medidas de polícia
1 - No desenvolvimento da actividade de segurança interna, as autoridades de polícia referidas no artigo 15.º podem, de harmonia com as respectivas competências específicas organicamente definidas, determinar a aplicação de medidas de polícia.
2 - Os estatutos e diplomas orgânicos das forças e serviços de segurança tipificam as medidas de polícia aplicáveis nos termos e condições previstos na Constituição e na lei, designadamente:
a) Vigilância policial de pessoas, edifícios e estabelecimentos por período de tempo determinado;
b) Exigência de identificação de qualquer pessoa que se encontre ou circule em lugar público ou sujeito a vigilância policial;
c) Apreensão temporária de armas, munições e explosivos;
d) Impedimento da entrada em Portugal de estrangeiros indesejáveis ou indocumentados;
e) Accionamento da expulsão de estrangeiros do território nacional.
3 - Consideram-se medidas especiais de polícia, a aplicar nos termos da lei:
a) Encerramento temporário de paióis, depósitos ou fábricas de armamento ou explosivos e respectivos componentes;
b) Revogação ou suspensão de autorizações aos titulares dos estabelecimentos referidos na alínea anterior;
c) Encerramento temporário de estabelecimentos destinados à venda de armas ou explosivos;
d) Cessação da actividade de empresas, grupos, organizações ou associações que se dediquem a acções de criminalidade altamente organizada, designadamente de sabotagem, espionagem ou terrorismo ou à preparação, treino ou recrutamento de pessoas para aqueles fins.
4 - As medidas previstas no número anterior são, sob pena de nulidade, imediatamente comunicadas ao tribunal competente e apreciadas pelo juiz em ordem a sua validação.

Por seu turno, as forças de segurança e os titulares dos cargos que as dirigem também se encontram, organicamente, delimitados nas suas atribuições e competências.
No caso concreto da GNR, que não difere substancialmente da PSP, dispõe a lei:
Lei n.º 63/2007, de 06 de Novembro (Lei Orgânica da GNR)
Artigo 3.º
Atribuições
1 - Constituem atribuições da Guarda:
a) Garantir as condições de segurança que permitam o exercício dos direitos e liberdades e o respeito pelas garantias dos cidadãos, bem como o pleno funcionamento das instituições democráticas, no respeito pela legalidade e pelos princípios do Estado de direito;
Artigo 23.º
Comandante-geral
1 - O comandante-geral é um tenente-general nomeado por despacho conjunto do Primeiro-Ministro, do ministro da tutela e do membro do Governo responsável pela área da defesa nacional, ouvido o Conselho de Chefes de Estado-Maior se a nomeação recair em oficial general das Forças Armadas.
2 - O comandante-geral é o responsável pelo cumprimento das missões gerais da Guarda, bem como de outras que lhe sejam cometidas por lei.
3 - Além das competências próprias dos cargos de direcção superior de 1.º grau, compete ao comandante-geral:
a) Exercer o comando completo sobre todas as forças e elementos da Guarda;
b) Representar a Guarda;
...
g) Decidir e mandar executar toda a actividade respeitante à organização, meios e dispositivos, operações, instrução, serviços técnicos, financeiros, logísticos e administrativos da Guarda;
...
q) Exercer as demais competências que lhe sejam delegadas ou cometidas por lei.
Lei n.º 2/2004 de 15 de Janeiro
Artigo 7.º - Competências dos titulares dos cargos de direcção superior
1 - Compete aos titulares dos cargos de direcção superior de 1.º grau, no âmbito da gestão geral do respectivo serviço ou organismo:
a) Elaborar os planos anuais e plurianuais de actividades, com identificação dos objectivos a atingir pelos serviços, os quais devem contemplar medidas de desburocratização, qualidade e inovação;
...
d) Praticar todos os actos necessários ao normal funcionamento dos serviços e organismos, no âmbito da gestão dos recursos humanos, financeiros, materiais e patrimoniais, tendo em conta os limites previstos nos respectivos regimes legais, desde que tal competência não se encontre expressamente cometida a outra entidade e sem prejuízo dos poderes de direcção do membro do Governo respectivo;
e) Propor ao membro do Governo competente a prática dos actos de gestão do serviço ou organismo para os quais não tenha competência própria ou delegada, assim como as medidas que considere mais aconselháveis para se atingirem os objectivos e metas consagrados na lei e no Programa do Governo;
f) Organizar a estrutura interna do serviço ou organismo, designadamente através da criação, modificação ou extinção de unidades orgânicas flexíveis, e definir as regras necessárias ao seu funcionamento, articulação e, quando existam, formas de partilha de funções comuns;
...
h) Proceder à difusão interna das missões e objectivos do serviço, das competências das unidades orgânicas e das formas de articulação entre elas, desenvolvendo formas de coordenação e comunicação entre as unidades orgânicas e respectivos funcionários;
...
j) Elaborar planos de acção que visem o aperfeiçoamento e a qualidade dos serviços, nomeadamente através de cartas de qualidade, definindo metodologias de melhores práticas de gestão e de sistemas de garantia de conformidade face aos objectivos exigidos;
l) Propor a adequação de disposições legais ou regulamentares desactualizadas e a racionalização e simplificação de procedimentos;
...

Perante este cenário atrevo-me a formular duas questões:
Não estará o MAI a imiscuir-se nas competências e responsabilidades dos titulares dos cargos dirigentes das forças de segurança?
Não bastaria transmitir aos mesmos titulares que mandassem os seus subordinados observar escrupulosamente, como lhes compete, as disposições legais que estabelecem os limites da acção das polícias?

sexta-feira, 7 de março de 2008

Una Furtiva Lágrima



A fotografia não é muito agradável mas o conteúdo é divinal.
Escutem!!!

Linguística de Cavenca III – Pronúncias Dialectais

Isolado na encosta da serra, o povo de Cavenca desenvolveu formas de expressão próprias, algumas bem rudes, que nos faziam corar de vergonha sempre que alguém se ria da nossa “forma” de falar.
E não deixa de ser curioso que tais diferenças constituíam-se em áreas muito próximas. Só que a mobilidade das pessoas era ínfima e os círculos de relações estabeleciam-se quase exclusivamente nas próprias aldeias.
Aqui vão mais alguns dos termos e vocábulos que por lá ainda residem e resistem.

AcotcharAgasalhar, apertar (a roupa)
ArrincarArrancar
ArrotchadaPaulada, cacetada
AtotarAmolgar, fazer mossa
BormelhoVermelho
CogordosCogumelos
EscarapolarEscarapelar
EscambromEscambroeiro, catapereiro, pilriteiro
FichaduraFechadura
GramGrão, testículo
LandraLande, bolota (do carvalho)
LeitarugaLeituga
MalhaSova, tareia (levou uma malha)
MareloAmarelo
MoutelaMoiteira, mouteira
SaragaçoSargaço, caruma
SaramelaSalamandra
SoqueSoco, tamanco
TchoutchoChocho, atrasado mental
XaragomEnxergão

domingo, 2 de março de 2008

Minha Terra, Minha Gente!

A foto acima é uma vista aérea do sítio mais lindo do mundo e foi escolhida para preenchimento do fundo do ambiente de trabalho do meu computador. Deste modo, todos os dias me detenho ali por instantes e volto a percorrer os trilhos da minha juventude.
A descrição da paisagem é simples. À esquerda os montes da Gave, onde se divisa perfeitamente o extenso e íngreme caminho que liga esta localidade até à formosíssima Branda de Aveleira, por detrás do planalto acima, ao centro. À direita a extensa cumeada que se eleva desde Riba de Mouro até ao Alto das Chaldetas, no mesmo planalto, em cima, ao centro e por detrás do qual fica a Branda de Santo António de Val de Poldros, a raínha das Brandas da Serra da Peneda. Sobre a cumeada serpenteia a estrada que foi a primeira via de comunicação dos tempos modernos a ligar Cavenca ao resto do Mundo.
Ao centro do profundo e estreito vale, fronteira entre as freguesias da Gave e de Riba de Mouro e, cumulativamente, dos concelhos de Melgaço e Monção, situa-se o talvegue por onde escorrem ligeiras as cristalinas e gélidas águas do Rio Pequeno, na origem do qual se destaca, imponente, a "Cabeça da Fraga", o medonho tergo onde todas as águas se separam e de onde escorrem, como dois enormes membros, as cumeadas que se desvanecem ao fundo, no vale do Rio Mouro, já fora do alcance da objectiva.
Na vertente esquerda da cumeada mais à direita, bem ao centro da foto, voltado a nascente e semi-encoberto pelas sombras do entardecer, situa-se o lugar de Cavenca, como que a esconder-se, envergonhado, das luzes do progresso...

Que linda é minha terra
Vestida de verde
A gente se perde
Bombiando horizontes
A água das fontes
Murmúrios suaves
E o canto das aves
Além pelos montes

Que linda é minha terra
Enfeitada de flores
Eu canto os primores
Dos verdes confins
Eu canto aleluia
Das tardes amenas
Cobertas de penas
Cheirando alecrim

Permita meu deus
Que eu morra cantando
Ao pango entoando
Canções regionais
Que parta feliz
Alegre cantando
Aos campos e as varzeas
Dos pagos natais

sábado, 1 de março de 2008

Negra Sombra

Censurado

Exercia funções de docência no extinto Instituto Superior Militar em Águeda, na área do direito disciplinar, e não disfarçava uma certa antipatia em relação aos elementos das forças de segurança que salpicavam de outras cores o tom verde-escuro predominante dos militares do exército que maioritariamente constituíam as diversas turmas.
Sem romper com princípios e valores fortemente arraigados no meio castrense, onde o valor da disciplina sempre atingiu o expoente máximo de rigor e de severidade, conseguiu de forma exímia introduzir na matéria uma nova forma de abordagem dos procedimentos, mais consentânea com os valores que emergiram e desenvolveram no pós 25 de Abril de 1974, especialmente no aspecto das garantias de defesa que gradualmente foram sendo introduzidas (a norma do Regulamento de Disciplina Militar que proibia qualquer forma de representação apenas foi declarada inconstitucional em 1988!!!).
E aquele mal disfarçado rancor para connosco impelia-o frequentemente a lançar algumas "farpas" que de certo modo nos incomodavam mas que não admitiam resposta porque isso poderia provocar danos Irreparáveis no nosso desenvolvimento académico...
Mas, como diz o nosso povo, a vingança serve-se fria, e a oportunidade surgiu no final do curso quando foram pedidas sugestões para ilustrar as caricaturas feitas de encomenda para o livro de curso.
Então, num "rasgo de inspiração", satirizei do seguinte modo o cáustico professor:

"Dura lex sed lex",
Diz com ar de sabichão
O doutor Pinto Carneiro
Quando nos dá a lição.

Mas quando ia a rodar
Ligeirinho e distraído,
Talvez com outro cuidado,
Não viu que havia um radar
Numa curva bem escondido
E nele foi apanhado.

Defendeu-se em tribunal,
Disse que era inconstitucional,
Não merecia ser punido.
Respondeu-lhe então o juiz,
Assoando o seu nariz...
... Dura lex sed lex!!!

Obviamente foi "censurado".

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Divulgação

O Senhor Jofre de Lima Monteiro Alves, autor de vários e excelentes blogs cuja temática decorria em torno de Paredes de Coura e que lamentável mas compreensivelmente decidiu suspender há alguns dias não "arrumou"... o teclado :)
Certamente que Padornelo, por si só, não daria tema para nos encher os olhos de magníficos trabalhos de investigação e de lazer e, por isso, decidiu "escavar em ruínas" e o resultado aí está.
Em boa hora o temos de volta. Os seus textos vêm recheados de conteúdos interessantíssimos e com ele aprenderemos sempre alguma coisa.
O último post lembra o desaparecimento do saudoso Zeca Afonso. A propósito, vi há alguns dias na televisão da Galiza um espectáculo de homenagem ao mesmo como ainda não teve paralelo em Portugal, a sua pátria. Que se espera de quem trata assim os próprios filhos?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Peculato e Abuso de Poder

"Dois coronéis e dois majores da GNR de Évora, utilizaram vários militares, soldados e cabos, seus subalternos, nas horas de serviço, para fazer obras nas suas casas particulares e trabalhos agrícolas nas suas herdades. Usavam também material, viaturas e as oficinas da GNR para interesse próprio."
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/249001

Certamente que se irá fazer justiça, neste como noutros casos que frequentemente ocorrem na administração pública, mas dada a terminologia utilizada, que gera alguns equívocos, vou deixar algumas pistas para que se perceba um pouco melhor o que está aqui em causa.
Assim, o Código Penal Português, cuja versão original remonta a 1995, comporta dois livros subdivididos em Títulos, Capítulos e Secções.
O Livro I ou Parte Geral, de uma forma aqui muito resumida, trata de princípios, dos factos, das consequências jurídicas do facto, das penas e medidas de segurança, da queixa e acusação particular e da extinção da responsabilidade criminal.
O Livro II ou Parte Especial define os crimes e as penas aplicáveis. Os crimes agrupam-se por títulos conforme o tipo. No Título I são enumerados os crimes contra as pessoas, no Título II os crimes contra o património, no Título III os crimes contra a identidade cultural e a integridade pessoal, no Título IV os crimes contra a vida em sociedade e no Título V os crimes contra o Estado. É aqui, no Capítulo IV, que se inserem os crimes de abuso de poder e peculato referidos na notícia inicial, um capítulo que tem por título "dos crimes cometidos no exercício de funções públicas". Portanto, são crimes praticados apenas por quem exercer cargos públicos ou, de forma mais explícita, por funcionários públicos.
A tipificação dos crimes em título e as penas correspondentes é a seguinte:
Artigo 375º
Peculato
1 - O funcionário que ilegitimamente se apropriar, em proveito próprio ou de outra pessoa, de dinheiro ou qualquer coisa móvel, pública ou particular, que lhe tenha sido entregue, esteja na sua posse ou lhe seja acessível em razão das suas funções, é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.
2 - Se os valores ou objectos referidos no número anterior forem de diminuto valor, nos termos da alínea c) do artigo 202º, o agente é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.
3 - Se o funcionário der de empréstimo, empenhar ou, de qualquer forma, onerar valores ou objectos referidos no nº 1, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.
Artigo 382º
Abuso de poder
O funcionário que (...) abusar de poderes ou violar deveres inerentes às suas funções, com intenção de obter, para si ou para terceiro, benefício ilegítimo ou causar prejuízo a outra pessoa, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.
De salientar que, no caso aqui noticiado, é ainda instaurado, obrigatoriamente, procedimento disciplinar, de acordo com as normas constantes da Lei n.º 145/99, de 01 de Setembro e que, comprovando-se os factos, levará à aplicação de penas que podem ir desde a mera advertência até à separação do serviço.
O Código Penal Português foi aprovado pelo Decreto-Lei n.º 48/95, de 15 de Março tendo vindo a sofrer alterações muito frequentes, nomeadamente:
- Declaração n.º 73-A/95, de 14 de Junho
- Lei n.º 90/97, de 30 de Julho
- Lei n.º 65/98, de 02 de Setembro
- Lei n.º 7/2000, de 27 de Maio
- Lei n.º 77/2001, de 13 de Julho
- Lei n.º 97/2001, de 25 de Agosto
- Lei n.º 98/2001, de 25 de Agosto
- Lei n.º 99/2001, de 25 de Agosto
- Lei n.º 100/2001, de 25 de Agosto
- Lei n.º 108/2001, de 28 de Novembro
- DL n.º 323/2001, de 17 de Dezembro
- DL n.º 38/2003, de 08 de Março
- Lei n.º 52/2003, de 22 de Agosto
- Lei n.º 100/2003, de 15 de Novembro
- DL n.º 53/2004, de 18 de Março
- Lei n.º 11/2004, de 27 de Março
- Rectif. n.º 45/2004, de 05 de Junho
- Lei n.º 31/2004, de 22 de Julho
- Lei n.º 5/2006, de 23 de Fevereiro
- Lei n.º 16/2007, de 17 de Abril
- Lei n.º 59/2007, de 04 de Setembro

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Hora de Balanço

Sábado, 24 de Junho de 2006
Sexta, 22 de Fevereiro de 2008
10 000 visitas

Foi naquele sábado de Junho de 2006 que dei a conhecer ao mundo este espaço. Sem objectivos definidos, sem uma linha editorial específica, vou apenas despejando memórias antes que a erosão do tempo as apague de vez, lançando algumas "farpas", expondo sentimentos...
Apresento-me tal como sou, sem subterfúgios ou artifícios.
Por aqui vou encontrando amigos e familiares, estabelecendo alguma empatia com outros internautas.
Aqui recebo as minhas visitas (já ultrapassa dez milhares) e esforço-me por retribuir do mesmo modo.
Agradeço as palavras amáveis que me deixam nos comentários e peço desculpa por não responder a todos mas não pretendo transformar a zona de comentários num "chat" de mau gosto.
Peço desculpa se não consigo corresponder aos desafios que me têm sido propostos ou às vossas expectativas. Nem sequer vou apresentar qualquer tipo de justificação injustificada. É que o engenho e a arte não dão para mais...
Assim vamos prosseguir, sem rumo nem destino.
Para isso conto convosco.
Acreditem que, só pelo facto de saber que do outro lado do monitor estão vocês, já me dá o alento necessário e imprescindível para continuar.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Ora Porra...

Ora porra!
Então a imprensa portuguesa é
que é a imprensa portuguesa?
Então é esta merda que temos
que beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.

Fernando Pessoa, Poesia-Vol. I de Álvaro de Campos, Planeta DeAgostini, Lisboa, 2006

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Um dia Triste

Fechou-se um ciclo.
O mundo da blogosfera é hoje um importante meio de comunicação. Há blogs para todos os gostos: bons, medíocres, de opinião, pessoais, sérios, galhofeiros, individuais, de grupo, de muitos e diversificados temas ou, simplesmente, de lazer.
Verifiquei hoje, com tristeza, que o excelente bloger de Paredes de Coura, Senhor Jofre de Lima Monteiro Alves suspendeu toda a actividade literária e artística dos seus blogs Coura Magazine, Coura Magazine - Foto, Coura Magazine - História, Heráldica de Coura e Terras de Coura.
Por aqueles espaços, a quem o autor dedicou muito carinho, dedicação e imenso trabalho de investigação, podemos ainda deliciar-nos com um perfume do Alto Minho, de uma região naturalmente bela. E não se vislumbra, em todo o trabalho do Senhor Jofre Alves, qualquer tipo de manifestação que possa beliscar alguém.
Paredes de Coura perde assim um excelente meio de divulgação regional.
Mas no Alto Minho é assim. Quem não é capaz de produzir algo que se veja arranja sempre forma de denegrir o trabalho dos outros.
Por isso é que aquela região se transformou na pobreza que é actualmente...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Eduardo Discoli - Depois da Tempestade a Bonança

Finalmente, mais de um mês após o último relato, este "D. Quixote" argentino voltou a dar sinais de vida. E pelos vistos, a vida voltou a sorrir-lhe, depois de ter passado pelo inferno no norte da Bulgária onde lhe roubaram tudo e teve uma passagem de ano como certamente nunca sonharia ser possível. Mas lá continua, estoicamente, a sua saga. É um caso impressionante de coragem e de espírito de aventura.

"encontré un refugio de pastores al lado de una vertiente, y me dispuse a pasar la Noche Buena. Con 30 centímetros de nieve los caballos escarbando para echarse un bocado, era triste. Para más solo tenia para comer una cabeza de ajo, un pan y un cuarto litro de vino".
http://www.deacaballoalmundo.com.ar/NUEVO/Paginas/Diario/29-Bulgaria.htm

"Poco faltó para que el aventurero argentino Eduardo Discoli, que en 2001 inició una vuelta al mundo a lomo de caballo, perdiera la vida de frío cerca de Plovdiv. El viajero y sus tres caballos: Chalchalero, Profeta y Jerónimo, pasaron una de las noches más frías de este invierno bajo las estrellas, en campo abierto, en las primeras fechas de este mes de enero. A fecha de Hoy el solitario jinete argentino, abogado de profesión, y sus tres caballos, están recuperándose en el Club Hípico Arkan cerca de Plovdiv".
http://64.233.183.104/search?q=cache:NQWaSGMlFpUJ:www.bnr.bg/RadioBulgaria/Emission_Spanish/News/2008.01.13.noticias.al.margen.domingo.htm+eduardo+discoli+site:.bg&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=1&gl=pt


"Fue increíble, había 80 cm de nieve y estaba bloqueado, los caballos afuera bajo unas plantas, parecían fantasmas, las estalactitas, y el hielo colgaban de sus colas y sus clinas. Fue muy duro, eso sucedió entre el primero y el tres de Enero".

http://www.deacaballoalmundo.com.ar/NUEVO/Paginas/Diario/29-Bulgaria.htm

Foto
http://www.bnr.bg/NR/rdonlyres/72B86603-18CC-40D6-9546-6312220EBA14/0/11_12_07_big.jpg

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Em Defesa de um Nome

"Melgaço terá três pólos de produção de energia eólica, em Picos, com 26 torres, Alto Corisco, com 33, e Santo António, com 16."
É assim que o JN descreve a localização dos polos de produção de energia eólica do Parque Eólico do Alto Minho, implantados nos concelhos de Melgaço, Monção, Valença e Paredes de Coura.
Tal descrição não teria qualquer relevância se não existisse ali um erro de geografia que ainda não vi ninguém contestar ou corrigir. É que o Polo de Santo António situa-se, se não todo, pelo menos na maior parte, em terrenos da freguesia de Riba de Mouro, concelho de Monção, o que já motivou uma querela jurídica entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal por causa do direito às contrapartidas financeiras que a sua implantação confere aos proprietários dos terrenos (ver As Novas Florestas).
Não é um caso de extrema gravidade que possa implicar qualquer tipo de "levantamento" popular em defesa dos limites da freguesia mas a passividade com que as forças vivas de Riba de Mouro encaram este episódio já se tem vindo a manifestar em relação a muitos outros que só têm contribuído para a perda de protagonismo e capacidade de intervenção na vida pública. A extinção da Banda de Música e o encerramento da única Escola do Ensino Básico são exemplos de resignação que não favorecem a capacidade empreendedora e solidária das gentes da minha terra, sobejamente demonstrada em muitas outras ocasiões.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Vida Moderna

Dizem que ...
  • Todos os dias temos que comer uma maçã por causa do ferro e uma banana por causa do potássio. Também uma laranja, para a vitamina C, meio melão para melhorar a digestão e uma chávena de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
  • Todos os dias temos que beber dois litros de água (sim, e logo a seguir mijá-los, que leva quase o dobro do tempo que os leva a beber).
  • Todos os dias temos que tomar um Activia ou um iogurte para ter 'L. Casei Defensis', que ninguém sabe exactamente que porcaria é, mas parece que se não ingeres um milhão e meio todos os dias, começas a ver toda a gente com uma grande diarreia ou presos dos intestinos.
  • Cada dia temos que tomar uma aspirina, para prevenir os enfartes, mais um copo de vinho tinto, que serve mais ou menos para a mesma coisa. E outro de vinho branco, para o sistema nervoso, e um de cerveja, que já não me lembro para que era. E se os tomares todos juntos, mesmo que te dê um derrame cerebral na hora, não te preocupes, pois o mais certo é que nem dês conta disso.
  • Todos os dias temos que comer fibras. Muita, muitíssima fibra até que sejamos capazes de cagar uma camisolona bem grossa.
  • Temos que fazer quatro a seis refeições diárias leves sem te esqueceres de mastigar cem vezes cada garfada. Ora, fazendo um pequeno cálculo apenas a comer vão-se assim de repente umas cinco horitas. Ah, depois de cada refeição deves escovar bem os dentes, ou seja, depois do Activia e da fibra, os dentes; depois da maçã, os dentes; depois da banana, os dentes. Assim, enquanto tiveres dentes, não te podes esquecer nunca de passar o fio dental, massajador das gengivas e bochechar com PLAX...
  • Melhor, amplia a casa de banho e põe a aparelhagem de música lá, porque entre a água, a fibra e os dentes vais passar muitas horas (quase metade do dia) ali dentro.
  • Equipa-a também de jornais e revistas para te pores a par do que se passa enquanto estiveres sentado na sanita porque com a quantidade de fibra que estás a ingerir são mais umas horitas diárias que ali vais passar.
  • Temos que dormir oito horas e trabalhar outras oito, mais as cinco que usamos a comer, faz vinte e uma. Restam três horas, isto se não surgir nenhum imprevisto. Segundo as estatísticas, vemos três horas diárias de televisão. Bem, já não podes, porque todos os dias devemos caminhar pelo menos uma meia hora (convém regressares ao fim de 15 minutos, senão andas mas é 1 hora!).
  • E há que cuidar das amizades porque são como uma planta: temos que as regar diariamente. E quando vais de férias também, suponho, senão as plantas morrem nas férias. Para além disso, há que estar bem informado e ler pelo menos um dos jornais diários e uma revista séria, para comparar a informação.
  • Ah! E temos que ter sexo todos os dias mas sem cair na rotina: temos que ser inovadores, criativos, renovar a sedução. Isso leva o seu tempo. E já nem estamos a falar do sexo tântrico!! (a respeito disso, relembro: depois de cada refeição temos que escovar os dentes!)
  • Também temos que arranjar tempo para a maquilhagem, a depilação/fazer a barba, varrer a casa, lavar a roupa, lavar os pratos e já nem falo dos que têm gatos, cães, pássaros e uma catrefada de filhos...
  • No total, dá umas 29 horas diárias, se nunca parares.
  • A única possibilidade que me ocorre, é fazer várias destas coisas ao mesmo tempo: por exemplo, tomar duche com água fria e com a boca aberta, e assim bebes logo os dois litros de água de uma vez. Enquanto sais do banho com a escova de dentes na boca, vais fazendo amor, o sexo tântrico, parado, junto ao teu par, que de passagem vê TV e te vai contando o que se passa, enquanto varre a casa.
  • Sobrou-te uma mão livre?
  • Telefona aos teus amigos e aos teus pais! Bebe o vinho e a cerveja (depois de telefonares aos teus pais, vai fazer-te falta!).
  • O iogurte com a maçã pode dar-to o teu par enquanto ele come a banana com Activia.
  • No dia seguinte troquem.
  • E menos mal que já crescemos, porque se não tínhamos que engolir mais umas Cerelacs e um Danoninho Extra Cálcio todos os santos dias.
  • Úuuuf!
  • Se ainda te restam 2 minutos, reenvia isto aos teus amigos (que temos que regar como as plantas) enquanto comes uma colherzinha de Muesli ou Al-Bran, que faz muito bem...
  • E agora vou deixar-te porque entre o iogurte, o meio melão o primeiro litro de água e a terceira refeição do dia, já não faço a mínima ideia o que é que estou a fazer porque preciso urgentemente de uma casa de banho.
  • Ah, vou aproveitar e levo comigo a escova de dentes...

Autor desconhecido)
Recebido via e-mail (adaptado)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

História de Vida - Ou como contrariar o destino

Exteriormente era uma casa modesta, igual a muitas outras da pequena mas aprazível e simpática aldeia duriense. Contudo, mal assomei ao pequeno pátio situado à entrada já divisava a miséria que grassava no interior daquelas quatro paredes que serviam de lar a uma extensa e pobre família: uma montureira com inúmeros dejectos em decomposição a fervilhar de insectos, escorrências pestilentas de águas residuais e lama...
Dentro da única divisão da casa, escura, suja e sem o mínimo de condições de habitabilidade, um pequeno catre servia de berço a um ser humano, uma menina com cerca de um ano, que nele se encontrava nas condições mais miseráveis que se possa imaginar: em posição fetal, doente, desnutrida e salpicada de excrementos já ressequidos, embrulhada nuns míseros farrapos também com excrementos humanos agarrados e encrostados e com um desenvolvimento físico correspondente a uns escassos três meses.
Não tinha registo, nem baptismo, nem vacinas... nada, não era ninguém!
Foram uns vizinhos que souberam da situação em que a criança se encontrava e teriam tentado, em vão, convencer a mãe a levá-la ao Hospital concelhio, porque o pai, um pastor rude e bruto, não deixava que lhe tocassem e perante isso ninguém ousava desafiar a autoridade paterna. Toda a gente tinha medo dele, já tinha resolvido uma querela à navalhada e, por isso, o mais avisado seria chamar a Guarda.
Naquele tempo a Guarda resolvia (quase) tudo, era uma autêntica polícia de proximidade, conhecia as pessoas e as pessoas reconheciam-na. Ainda retenho o ar de espanto e de incredulidade estampado nos rostos de muitas pessoas, principalmente as mais idosas, quando precisei de lhes explicar que os seus problemas tinham de ser apresentados e dirimidos nos tribunais, certamente a pensar lá para dentro que "eram modernices de uma geração de incompetentes".
Foi nesse clima de confiança e de ausência de estruturas de apoio para casos daquela natureza que os vizinhos da menina foram ao Posto da Guarda apresentar o caso, esperando certamente a resposta que ansiavam: a Guarda vai resolver.
E resolveu...
Eu próprio me incumbi de ir ao local e comigo foi o Saraiva, um Guarda da "velha guarda" em quem sempre confiei e que nunca defraudou essa confiança. Era um excelente profissional e um Homem afável, conversador. Conhecia a área como as palmas da mão, conhecia as pessoas e a índole das populações e mais do que isso, tinha um coração do tamanho do Mundo mas que pouco tempo após a obtenção da merecida reforma o atraiçoou e decidiu deixar de bater naquele peito imenso.
Quando constatamos o quadro acima descrito não foi preciso perder tempo com mais conversas. Com o pai ausente no monte, com as suas ovelhas e cabras, para ele certamente mais importantes do que a filha e a mãe, uma mulher boçal, estúpida e porca, reticente e com medo da reacção do bruto do marido, decidimos transportar a menina no jeep para o Centro de Saúde, fossem quais fossem as reacções. Ao ver que nada podia fazer perante a nossa determinação, a mãe e a avó de menina resolveram acompanhar-nos e o velho Land Rover da Guarda também serviu para transportar aquelas mulheres e a desditosa criança até ao Hospital onde ficou internada ao cuidado das Irmãs e do corpo clínico que lhe ministraram os cuidados necessários para iniciar a recuperação que se impunha.
Alguns meses depois o Saraiva e uma das Irmãs apadrinharam o baptizado da menina. Mais tarde foi transferida para uma instituição em Braga e não voltou à casa paterna, pelo menos nos primeiros anos de vida. Será hoje uma mulher com vinte e poucos anos de idade que nada recordará do que se passou na sua idade da inocência e ainda bem.
Importa esclarecer que naquele tempo não existiam comissões de protecção de menores, nem casas abrigo, nem apavs, nem... nem...

domingo, 27 de janeiro de 2008

Actualidades

Uma parcela de 4 mil hectares na herdade de Rio Frio, que atravessa os concelhos de Palmela, Alcochete e Montijo, foi vendida no dia 7 de Dezembro, quando já eram conhecidas das autoridades as conclusões do relatório do LNEC sobre a localização do novo aeroporto internacional.
...
A herdade de Rio Frio, uma enorme extensão de terrenos entre Palmela, Alcochete e Montijo, está a ser comprada por vários empresários, que avançaram para estes negócios nos últimos meses. O mais recente foi formalizado no passado dia 7 de Dezembro e implicou a compra de cerca de quatro mil hectares da herdade, num negócio global que terá ascendido aos 250 milhões de euros.
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=77435

O primeiro-ministro acredita que as denúncias de corrupção feitas ontem pelo bastonário da Ordem dos Advogados não se referiam a nenhum membro do actual Governo.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317804&idCanal=12

O primeiro-ministro, José Sócrates, foi hoje recebido com protestos em Évora, durante uma iniciativa do Governo. Em declarações aos jornalistas minimizou o incidente, dizendo estar já "muito habituado" a manifestações, as organizadas pela CGTP.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317811&idCanal=12

Evoco aqui a velha história de Hans Christian Andersen sobre o rei vaidoso que gostava de se vestir de forma espampanante.
Era um rei muito vaidoso e estúpido e, por isso, dois "artistas" viram naquela sua mania uma forma de ganhar muito dinheiro. Pois os dois espertalhões foram até ao palácio real e anunciaram-se como especialistas em tecidos mágicos.
O rei já ouvira falar de tecidos de todos os tipos mas nunca tinha ouvido falar de tecidos mágicos. Ficou curioso. Ordenou que os dois fossem à sua presença.
O tecido mágico que eles vendiam era diferente de todos os tecidos comuns porque somente as pessoas inteligentes podiam vê-lo.
O rei contratou logo os dois "artistas" e encomendou-lhes um fato para estrear no dia da independência a troco de uma fortuna. Os "artistas" limitaram-se fazer de conta e aguardar a hora de receber a importância combinada.
Passados alguns dias o rei ordenou aos ministros que passassem a inspeccionar a obra. Estes não viam nada mas, como não queriam passar por burros, elaboravam relatórios a dizer maravilhas do fato.
Até que o próprio rei resolveu pessoalmente ir ver o tecido maravilhoso. E, tal como os ministros, não viu coisa alguma porque nada havia para ser visto. Mas pensou: “Se os ministros viram, é porque são inteligentes. E eu não posso deixar que eles saibam da minha burrice porque pode ser que tal conhecimento venha a desestabilizar o meu governo...”.
No Dia da Pátria, a cidade engalanou-se, bandeiras por todos os lados, bandas de música, as ruas cheias, tocaram os clarins e ouviu-se uma voz pelos alto-falantes: “Cidadãos do nosso país! Dentro de poucos instantes a vossa inteligência será posta à prova. O rei vai desfilar usando a roupa que só os inteligentes podem ver.”
Rufaram os tambores. Abriram-se os portões do palácio e o rei marchou vestido com a sua roupa nova.
Um oh! de espanto elevou-se pelos ares. Todos ficaram maravilhados. Como era linda a roupa do rei! Todos eram inteligentes.
Mas, no alto de uma árvore estava encarapitado um menino a quem não tinham explicado as propriedades mágicas da roupa do rei. Ele olhou, não viu roupa nenhuma, viu o rei nu exibindo uma enorme barriga, as nádegas murchas e as vergonhas dependuradas. Não se conteve e deu um grito que a multidão inteira ouviu:
-O rei vai nu!

Interioridades

Alguém que me explique, como se pode chegar a conclusões tão díspares:
  1. O Fórum "Monção: Presente e Futuro", que aconteceu no dia 12 de Janeiro no auditório da Escola Profissional do Alto Minho Interior (EPRAMI), deixou a indicação que o município, fruto da sua situação geográfica, tem potencial para "construir" um desenvolvimento sustentável... tem um potencial grande de crescimento, sendo "empurrado" pelo país ou pela proximidade à Galiza.
http://www.caminha2000.com/jornal/n373/distritomoncao.html

  1. Arcos de Valdevez, Melgaço, Monção e Paredes de Coura são os concelhos "menos competitivos" do distrito de Viana do Castelo, de acordo com um trabalho desenvolvido pelo ex-ministro da Economia Augusto Mateus.
http://jn.sapo.pt/2008/01/26/norte/desertificacao_sangra_interior.html

No primeiro caso trata-se de um fórum em que, supostamente, se reúne um grupo de personalidades mais ou menos importantes e entre uns almoços, uns copos (de alvarinho, de preferência) e uns dedos de conversa se extraem conclusões brilhantes como esta, embora surja ali uma dúvida sobre a origem do "empurrão" para tal desenvolvimento, não se sabendo bem se vem do país ou se da Galiza.
O segundo caso assenta numa base mais científica e as conclusões são de um economista que já foi ministro, penso que do tempo em que um autarca do Alto Minho "vendeu" o seu voto de deputado a troco de compensações económicas para a Região (parece-me que essas compensações se resumiram a uma auto-estrada de Viana a Ponte de Lima sem portagens - por enquanto) e certamente saberá do que está a falar.
A realidade está à vista de todos. Há pequenas unidades de produção a fechar por falta de mão de obra, os construtores civis queixam-se da falta de operários, os jovens continuam a demandar outras paragens. As Termas foram concessionadas a um grupo galego, a Zona Industrial está a ser ocupada por galegos e as grandes superfícies comerciais por lá instaladas fervilham de galegos.
Assim não será difícil adivinhar quem é que empurra quem.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Trapalhadas

Tem um corpo redactorial de peso e nem se pode considerar que sejam da oposição. No blog SORUMBÁTICO fala-se abertamente de política e do momento actual. Dali extraí um pequeno excerto que se segue, de um artigo de opinião publicado no Público de 20 de Janeiro, da autoria de António Barreto e que vale a pena ler na íntegra.
"Vivem obcecados com a propaganda. Anunciam a ideia, anunciam o projecto, anunciam a correcção, anunciam a revisão, anunciam o concurso, anunciam a adjudicação, anunciam a decisão prévia, anunciam a nova correcção, anunciam a primeira inauguração, anunciam a segunda inauguração..."
http://sorumbatico.blogspot.com/2008/01/os-trapalhes.html
Por
estas e por outras, já estou como o filósofo "quanto mais conheço os homens, mais gosto do meu cão"...

sábado, 19 de janeiro de 2008

Resistências

Já por aqui me pronunciei acerca da última fronteira que urge eliminar, a económica. Verifica-se agora que não é apenas essa. Resiste ainda uma fronteira que se torna absolutamente incompreensível nos tempos que decorrem, a burocrática.
Há alguns dias, ao ler o quinzenário monçanense "A Terra Minhota" apercebi-me do desconforto em que exercem actividade em Portugal as centenas de médicos espanhóis que, segundo se pode ler no artigo sob o título "Médicos espanhóis multados pela BT", se sentem perseguidos pela aplicação de leis obsoletas e anti-europeistas vigentes em Portugal.
Hoje, é o JN que traz o assunto a público fazendo eco do apelo da Associação de Profissionais da Saúde Espanhóis em Portugal (APSEP) "aos primeiros-ministros de Portugal e de Espanha para a resolução imediata do problema da circulação dos trabalhadores que residam em Espanha e trabalham em Portugal, reclamando a revogação da lei 22-A/2007, referente à regulamentação do Imposto sobre Veículos".
Segundo o mesmo artigo, "
em causa está a decisão do Governo português, por norma introduzida pelo Ministério das Finanças, de obrigar os trabalhadores espanhóis a substituírem as matrículas das suas viaturas por matrículas portuguesas nas suas deslocações diárias da sua residência para o local de trabalho, em Portugal, o que, nos últimos três meses, tem levado, junto às zonas transfronteiriças, a Brigada Fiscal da GNR a intensificar detenções, multas, retenções de documentação e até a imobilização de veículos".
É sobejamente conhecida a clamorosa falta de quadros na área da saúde, fruto de políticas proteccionistas de uma elite que tem vivido nas nuvens e que só foi possível superar os perniciosos efeitos nos cuidados de saúde prestados à população através do recurso ao recrutamento de técnicos estrangeiros. E se viessem de Cuba, ou do Brasil, ou da Austrália, ainda vá... Agora, vêm de um espaço onde, pretensamente, foram abolidas as fronteiras e é livre a circulação de trabalhadores e das mercadorias, na maioria dos casos nem necessitam mudar de residência pois fazem deslocações inferiores a muitos trabalhadores nacionais entre o local onde residem e aquele onde exercem a sua actividade profissional e têm de "exportar" o seu automóvel para Portugal? E no regresso a casa vão ter de mudar novamente de matrícula para circular em Espanha?
Dura lex, sed lex e não resta aos agentes da BT, da BF, da GF, dos Carabinieri, da Geandarmerie, do FBI ou da ASAE nada mais que não seja aplicá-la.
Já agora, coloquem um radar junto às fronteiras para "caçar" os infractores.
E já agora, contratem também um robot para cobrar as multas, sempre não terá de sofrer o vexame de se sentir num país do outro mundo.