Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a acção; semeia a acção e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o carácter.
(Tihamer Toth)
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Os Contentores
"O Serviço de Urgência Básica (SUB) de Monção, resultante da reestruturação da rede nacional de urgências, deve entrar em funcionamento a 01 de Outubro, mas provisoriamente em contentores".
Já não é novidade a instalação de contentores para resolver problemas pontuais de obras necessárias e urgentes e manter em funcionamento alguns serviços cuja paralisação possa acarretar sérios problemas, nomeadamente na área da saúde.
Mas só me debruço sobre os casos aqui referidos porque me parecem perfeitamente descabidos por razões diversas.
No primeiro caso existem espalhadas pelo concelho inúmeras escolas com condições para acolher as crianças, nomeadamente a EB 23 de Pias, alvo de transformação em EB 1 poucos anos após a sua construção e numa altura em que recebeu um "prémio internacional de excelência educativa”, atribuído pelo Conselho Iberoamericano em Honra da Qualidade Educativa, complexo moderno e funcional que fica a menos de dez quilómetros e que estará, certamente, muito desaproveitado.
No segundo caso parece-me que não havia necessidade de precipitar as coisas bastando adiar o encerramento dos SAP tal como se encontravam até serem criadas as condições para implementar o SUB conforme foi definido politicamente. E se por um lado se arranja forma para os serviços funcionarem com o mínimo de condições, a comodidade dos utentes foi pura e simplesmente relegada para um plano inferior ao patamar do puro desprezo. É que o exíguo espaço que servia de parque de estacionamento foi completamente ocupado pelos contentores e nas imediações, área de grande intensidade de tráfego e próximo de um nó rodoviário importante, não se vislumbram condições para suprir essa necessidade sem violar grosseiramente as regras que será, obviamente, o que virá a suceder, além de criar um perigo acrescido para a circulação automóvel e dos peões.
E tudo leva a crer que o provisório, não se tornando definitivo, vai ter uma longevidade maior do que seria desejável.
Será maior a cancha que a perna?
Actualização (em 18Set2008, às 21,30)
Recebi hoje o jornal "A Terra Minhota" e constatei que o meu "alarmismo" em relação ao estacionamento para os utentes do SUB/SAP de Monção é infundado.
De facto, a Santa Casa de Misericórdia disponibilizou um espaço anexo ao actual Centro de Saúde e já foram efectuadas as necessárias obras de terraplanagem e de ligação entre os dois espaços, faltando apenas sinalizar adequadamente o local, referiu o Director.
Pelo reparo em que errónea e involuntariamente incorri peço desculpa.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
O Tesouro Encantado (VII)
Entretanto actualizavam-se as informações. O Zé da Bina andava desaparecido havia dois dias. Ninguém sabia dele. Na semana anterior tinham desaparecido cinco galinhas de diversos galinheiros, por sinal todas pretas, e também tinha desaparecido o gato preto da Ana da Pinta, disse o Padre benzendo-se. E quatro rapazes fortes e espadaúdos tinham amanhecido doentes, com febre e todos arranhados nas mãos e no rosto, parecia obra do mafarrico.
O comandante e o seu ordenança ouviam tudo atentamente mas a atenção deles estava mais centrada no negro pote de ferro que ao lado do lume já resfolegava como uma locomotiva. Sem delongas, o Padre encheu duas enormes tigelas de barro vidrado e colocou-as à frente dos visitantes que prontamente atacaram aquele fumegante, espesso e nutritivo caldo de couves com feijões e farinha de milho.
Agora que o estômago já não clamava por sustento e mais descansados da longa caminhada já havia melhores condições para pensar. As coisas começavam a encaixar: as conversas na taberna, os despojos das galinhas e do gato lá na serra, os misteriosos desaparecimentos em Cavenca e a súbita maleita que acometera os jovens constituíam as peças de um puzzle em formação. Mas havia ainda brechas por preencher e questões que requeriam uma solução. O Zé da Bina, que havia dois dias ninguém via, onde se encaixaria naquele enigma? E que motivos levariam o grupo àqueles confins da serra para realizar um ritual demoníaco, cuja experiência indicava que era quase sempre relacionado com bruxas e frustradas questões amorosas?
Só havia uma forma de saber. Era interrogar os presumíveis protagonistas. Nesse sentido, despediram-se cordialmente do Reverendo e percorreram a principal rua da localidade, um estreito caminho de calçada portuguesa com uns profundos sulcos laterais provocados pelas inúmeras passagens das ferragens que circundavam as grossas rodas dos carros de bois.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Mais do mesmo...
http://dn.sapo.pt/2008/09/11/economia/espanha_e_alemanha_recessao_arrastam.html
... o norte-americano George Soros, um dos homens mais ricos do Mundo, afirmou que a Europa está em recessão
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=362581&tema=29
A Espanha, mas também a Alemanha - a maior economia da UE - e o Reino Unido não conseguiram isolar as suas economias da instabilidade financeira do último ano e meio.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1011568
Um relatório divulgado pela Comissão Européia nesta semana afirma que três países da União Européia (EU) estão à beira da recessão, ou seja, de dois trimestres consecutivos de crescimento negativo: a Alemanha, a Grã-Bretanha e a Espanha.
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2008/09/11/euro_registra_maior_baixa_em_um_ano_na_asia-548178832.asp
A Comissão traçou um panorama similar para os 27 países na União Européia, que incluem os 15 países que adotam o euro. Suas previsões mostraram recessão técnica --dois trimestres consecutivos de retração no PIB-- na Alemanha, maior economia da região, na Inglaterra e na Espanha.
http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRN1049235020080910
Depois dos alertas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a União Européia admitiu oficialmente hoje, em Bruxelas, que três de suas cinco maiores economias - Alemanha, Reino Unido e Espanha - estão em recessão neste terceiro trimestre de 2008.
http://www.atarde.com.br/economia/noticia.jsf?id=958130
"Teixeira dos Santos considera que é muito cedo para falar de um recessão na Europa, apesar de reconhecer que o abrandamento é superior ao esperado e que terá que rever em baixa as previsões para a economia portuguesa quando apresentar o OE 2009"
Já podemos ficar mais descansados!!!
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Fiasco ou Sarrafusca?
O comunicado do PR:
"O exercício de poderes constitucionalmente atribuídos ao Presidente da República não pode, em caso algum, ser entendido como um factor de atraso na entrada em vigor de diplomas legais, nem pode justificar o retardamento da concretização de medidas de governo"
O Comunicado do MAI:
"O Ministro da Administração Interna frisou apenas que o atraso na publicação daquela lei e na sua subsequente regulamentação atrasou, “objectivamente”, a deslocação de militares libertados pela eliminação de escalões intermédios para o exercício de funções operacionais na GNR"
O que disse o Ministro:
" ... quero dizer, com toda a clareza, que houve um atraso nesse processo, que se deveu, em primeiro lugar, ao atraso da aprovação da Lei Orgânica da Guarda Nacional Republicana"
Os factos:
A Lei Orgânica da GNR foi publicada em 06 de Novembro de 2007;
No artigo 53.º ficou definido o suporte regulamentar que é apenas isto:
1 - São regulados por diploma próprio:
a) A aplicação de taxas e a cobrança de despesas a cargo de entidades que especialmente beneficiem com a actividade da Guarda;
b) O estatuto remuneratório do comandante-geral.
2 - É regulada por decreto regulamentar a prossecução pela Guarda na zona contígua da atribuição prevista na alínea d) do n.º 2 do artigo 3.º bem como a articulação entre a Guarda e a Autoridade Marítima Nacional, no tocante às atribuições previstas nas alíneas c), e) e f) do mesmo número.
3 - São regulados por portaria conjunta do ministro da tutela e do membro do Governo responsável pela área das finanças os termos da ligação funcional entre a Unidade de Acção Fiscal e o Ministério das Finanças prevista no n.º 2 do artigo 13.º
4 - A prestação e o pagamento dos serviços requisitados à Guarda nos termos dos artigos 17.º e 18.º da presente lei são objecto de portaria conjunta do ministro da tutela, do membro do Governo responsável pela área das finanças e, quando aplicável, do membro do Governo com a tutela da entidade requisitante.
5 - O número, as competências, a estrutura interna e o posto correspondente à chefia dos serviços de apoio directamente dependentes do comandante-geral e dos serviços dos órgãos superiores de comando e direcção são definidos por decreto regulamentar.
6 - São determinados por portaria do ministro da tutela:
a) A área de responsabilidade da Guarda, no caso de atribuições simultaneamente cometidas à Polícia de Segurança Pública, bem como das unidades territoriais e respectivas subunidades;
b) Os símbolos e condecoração previstos no artigo 8.º, bem como o regulamento de atribuição desta;
c) As condições em que o pessoal militar da Guarda pode ser afecto a organismos de interesse público;
d) Os termos a que obedece a eleição dos representantes dos oficiais, sargentos e guardas no CSG e no CEDD;
e) A criação e extinção de subunidades das unidades territoriais, especializadas, de representação e de intervenção e reserva;
f) A criação e extinção e o funcionamento dos serviços das unidades territoriais, bem como do estabelecimento de ensino;
g) Os termos em que se processa o apoio administrativo das unidades, especializadas, de representação e de intervenção e reserva pelos serviços do CARI e da SGG.
7 - São regulados por despacho do ministro da tutela:
a) Os tipos de armas em uso pela Guarda, bem como as regras do respectivo emprego;
b) O regulamento da IG;
c) O regulamento de funcionamento do CEDD.
E no artigo 55.º...
A presente lei entra em vigor no prazo de 30 dias, com excepção do artigo 53.º, que entra em vigor no dia seguinte ao da publicação.
Do edifício legislativo constante no art. 53.º apenas foi publicado o que respeita ao número 2 e, eventualmente, foram produzidos alguns ajustamentos no que respeita ao número 6, a).
Em 04 de Junho d0 corrente ano o Público fazia eco do atraso na regulamentação num artigo postado no sítio "IN VERBIS": "Muitos dos quase 25 mil militares da GNR ainda não sabem onde vão trabalhar e quais as regras que vão ter de seguir. A nova lei orgânica da GNR está por regulamentar há quase seis meses, contrariando assim o prazo de 30 dias estipulado no início de Novembro do ano passado, quando foi aprovada".
Dado o baixo nível dos comentários o administrador, muito sensatamente, bloqueou os comentários ao post.
Dez meses depois a situação continua por definir.
Quid juris?
A Cabala
Primeiro foi o muitomentiroso, depois o bastonário da OA. Mas a prova cabal está aqui. E mais não digo...
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Zona de Estacionamento Limitado
Tudo foi feito em conformidade com a lei e o regulamento de suporte pode ser consultado aqui.
Julgo que não havia necessidade. O CH é pequeníssimo e na periferia há lugares de estacionamento que avonde, se excluirmos o dia de feira semanal ou os dias de festa. E proporciona um excelente passeio pedonal.
Só que as pessoas gostam de ir para a Praça de carro, estacionar ao pé da esplanada, à porta do banco, em frente da loja de ferragens ou da mercearia, em suma, se se poder ir de carro não se vai apé, ainda que haja que estacionar em cima de passeios, em segunda fila, nas passadeiras para peões, no centro das praças, nas curvas, nos lugares reservados a deficientes ou outros.
Também ali, à semelhança do que acontece em todos os aglomerados urbanos, a permissividade é grande e as hipóteses de se ser penalizado pelas contravenções praticadas são diminutas, se excluirmos as surpresas esporádicas que a caixa de correio revela de vez em quando.
Como já referi por aí de forma algo irónica, não me admiraria que qualquer dia vejamos as máquinas a foçar no subsolo da Terra Nova ou do Terreiro para lá se criar mais espaço para estacionamento pago. Atreverme-ia mesmo a vaticinar que se os resultados for€m animador€s esse tempo estará mais próximo do que se possa pensar.
Pessoalmente acho abusiva a utilização do espaço público para enriquecimento privado mas também sou de opinião que o CH fica muito mais agradável sem carros.
Por isso a minha sugestão é a supressão total da circulação rodoviária dentro do perímetro das Muralhas, com as excepções normais e compreensíveis.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Justiça e (in)Segurança
No meio de um desnorte confrangedor foi pedida a demissão do ministro, remendou-se à pressa a legislação sobre posse de armas, foram difundidas instruções para que se aplicasse prisão preventiva aos autores de crimes com uso de armas (à vista ou ocultas), não faltou quem apontasse o dedo à magistratura, levaram-se a cabo importantes operações policiais com dezenas e dezenas de detenções por ingestão de álcool e falta de habilitação legal para conduzir...
Certo. Entre fazer o que se fez ou ficar de braços cruzados a ver "passar os comboios" foi de longe o mais avisado. Mas diz-nos a experiência que a criminalidade, aquela de que estamos a falar, está muito ligada à degradação da qualidade de vida das pessoas, sem esquecer o sentimento de impunidade que é o corolário de um longo processo de fragilização da autoridade das instituições, a par de mudanças sociais profundas sem a correspondente adaptação ou adequação das normas e dos procedimentos para lidar com esses fenómenos emergentes.
Como refere António Barreto, "Tudo depende da justiça. A vida familiar, os direitos e deveres de paternidade e maternidade, a sucessão, a habitação, os direitos das crianças e dos idosos. A vida comercial e os contratos. A vida laboral, os direitos e os deveres. A segurança das ruas. A certeza do direito. A organização urbana, as expropriações, as licenças para construir, as obras, os direitos e deveres dos senhorios, dos condóminos e dos inquilinos. O ambiente. A qualidade do espaço público. A paz dos citadinos. O ruído. As perturbações da tranquilidade. A vida marginal. Os tráficos nocturnos".
O texto supracitado foi extraído de um trabalho que assume uma importância acrescida porque não foi produzido no contexto em que nos situamos pois o autor reporta-o a 8 de Janeiro de 2008, sob o título Coesão urbana: desigualdades e justiça.
E vale a pena lê-lo na íntegra.
O Tesouro Encantado (VI)
Eram cinco da madrugada quando o diligente polícia saiu do Posto acompanhado por um ordenança.
Quando o sol despontou lá por detrás da Cumieira já estavam à porta da taberna do Ti Albino, em Quartas, à espera que este se levantasse para lhes fornecer o mata-bicho com que tencionavam retemperar as forças.
O veterano taberneiro era um velho almocreve que conhecia a serra como as palmas da mão, tantas foram as vezes que a atravessou com as suas mulas carregadas dos mais diversos géneros, especialmente de vinho que transportava em odres, uns sacos feitos de pele de cabra devidamente curada a preparada para o efeito. Era também um velho conhecido das autoridades policiais a quem fornecia frequentemente informações preciosas acerca do que via e ouvia. E nada melhor do que uns bons copos de vinho verde ou aguardente bagaceira de fabrico artesanal para que os assíduos frequentadores da tasca “cantassem” como rouxinóis.
Por isso era quase obrigatório as patrulhas da Guarda pararem naquele local para revigorar as forças e para “dois dedos” de conversa sempre muito útil e profícua. E enquanto mastigavam uns pedaços de broa, “empurrada” com pequenos goles de aguardente, a conversa ia fluindo. Foi assim que o taberneiro ficou a saber do objectivo da visita das autoridades e estas das secretas conversas de um restrito grupo de rapazes que havia algum tempo tinham despertado a curiosidade do anfitrião. Só que quando este se aproximava discretamente para tentar captar algo desviavam a conversa para as banalidades do costume ou dispersavam para as respectivas casas. Era de facto muito intrigante. Ali havia coisa, pela certa...
Com o estômago aconchegado pelo frugal pequeno almoço, a patrulha atacou a serra com todas as ganas. Já passava das onze quando chegaram ao local que lhes fora mencionado e o comandante concluiu de imediato, pelos vestígios existentes, que ali se tinha desenvolvido um ritual de magia negra. Só não sabia a razão da escolha daquele local. Esses acontecimentos ocorriam, geralmente, junto ou mesmo no interior de cemitérios, em encruzilhadas de caminhos rurais e até no interior das localidades. Também não sabia como relacionar o evento com o suspeito grupo de que lhe falara o taberneiro. Conhecia os rapazes, eram jovens, de boas famílias embora humildes, um pouco rebeldes como todos os jovens mas nunca lhe constara que estivessem associados a essas condutas anticristãs..., o Ti Albino estava a ficar um pouco caquéctico, coitado, já tinha reparado que as suas informações não eram tão fiáveis como noutros tempos.
Ainda era visível o desenho da estrela de cinco pontas, as pedras que serviram de altar permaneciam no centro, junto delas os cotos das velas semi-queimadas. Eram também visíveis as pretas penas e pequenos ossos dos galináceos devorados pelas feras e um pouco mais longe o cadáver de um gato preto começava a entrar em decomposição.
O Cabo da Guarda limpou o suor que lhe escorria do rosto e olhou o sol escaldante que atingia o zénite. Não disfarçava algum nervosismo com todo aquele aparato mas procurou manter a calma e até teceu algumas considerações supostamente cómicas acerca do achado. Estava calor mas não era apenas o sol de Verão que lhe produzia aquele efeito. Sentia-se sufocar dentro da grossa e incómoda farda de cotim cinzento, guarnecida de brilhantes botões de metal amarelo e apertada até ao pescoço. Bem lhe apetecia libertar-se daquele peso brutal mas não lhe era permitido pelos regulamentos e sabia que se o fizesse podia cair-lhe em cima a mão pesada da hierarquia guiada pelo famigerado Regulamento de Disciplina Militar, o célebre RDM que nos quase sessenta itens do artigo quarto definia tudo que lhes era imposto e proibido, desde a obediência cega e incondicional ao chefe até às mais íntimas relações de carácter pessoal e privado.
Bebeu um pouco de água e refrescou as mãos. Já tinha tomado nota de tudo e voltando a colocar a pesada mauser à bandoleira e sempre seguido pelo ordenança rumaram encosta abaixo até Cavenca. O seu instinto dizia-lhe que era ali que estava a chave de todo aquele mistério mas havia outra razão muito ponderosa para se dirigirem ao povoado. De facto, o esforço despendido e aqueles ares da serra tinham dado lugar a uma lazeira que qualquer coisa que se mastigasse era bem-vinda. E daquele lugar nunca saíram de estômago vazio. Era gente extremamente generosa e o pouco que tivessem dava sempre para partilhar.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
O Estado da (in)Justiça
- Processo Apito Dourado: nada
- Assassinatos de seguranças na noite: nada
- Caso Maddie: nada (com direito a humilhaçãozinha no estrangeiro...)
- Caso Freeport: nada
- Caso dos sobreiros PP: nada
- Caso BCP: nada
- Caso Vale e Azevedo: nada
- Operação Furacão: nada
- Mas soube-se prender um jovem que fez um download de música ...YEAAAAAAAAH!...
Procurei confirmar este último ponto, já que relativamente aos anteriores não vale a pena perder tempo, e deu nisto:
2008-06-19 13:21
Internet
Português condenado por downloads ilegais
A Justiça condenou-o a 90 dias de prisão que podem ser substituídos por pena de multa.
E casos como este muitos mais haverá (ainda não há muito tempo foi notícia a execução de mobiliário de um mísero reformado, lá para os lados do reino dos algarves, por não ter pago uma dívida de "alguns trocos").
Eu designaria isto como uma justiça "pilha-galinhas"!
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Chamar os Bois pelos Nomes
É mais um episódio de uma longa novela que ainda perdura mas que muita gente já esqueceu ou está em vias de esquecer.
Depois de vencida a primeira batalha com a revogação da medida de coação que lhe foi imposta, o P, como é tratado no acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa conseguiu mais um sucesso ao ver satisfeitas, embora (muito) parcialmente, as suas pretensões na demanda que intentou contra o Estado.
Lendo o Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, onde não houve unanimidade na decisão e as conclusões do relatório que culmina com a decisão ora proferida fica-se com a ideia de que a Justiça é uma enrodilhada teia sem ponta por onde se lhe pegue e, nestas circunstâncias, sujeita a vicissitudes diversas.
E não deixa de ser elucidativa a forma complacente como todas as entidades envolvidas no processo lidaram com factos apurados no Inquérito e descritos no art. 43° do Acórdão do TRL: "O Senhor Presidente da República, o Senhor Presidente da Assembleia a República, o Senhor Procurador Geral da República, um Senhor Ministro do Governo, o Senhor Bastonário da Ordem dos Advogados foram contactados, concertadamente, a pedido, ou com a conivência do arguido que, dessa forma, tentou, por todas as vias, impedir o curso e a tramitação normal e legal do presente inquérito", considerando o mesmo Tribunal Superior que isso é "perfeitamente compreensível" atento "o facto de ter procurado conter as repercussões negativas que, em termos de opinião pública, daí resultavam para o partido de que era porta-voz". Se a memória não me atraiçoa há no nosso ordenamento jurídico uma moldura penal para actos dessa natureza mas...
Claro que o recurso interposto ou a interpor pelo Ministério Público vai permitir adiar por mais algum tempo aquilo que se desenha como mais provável.
Falta saber se, de acordo com a Lei n.º 67/2007, de 31 de Dezembro, que aprova o Regime da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado, vai ser exercido o "direito de regresso contra os titulares de órgãos, funcionários ou agentes responsáveis" (art. 8.º, 3) já que tudo indica reunirem-se os pressupostos de ilicitude e de culpa consagrados nos artigos 9.º e 10.º da mesma Lei.
Se assim for, o nome do dito está à vista.
Combustíveis
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Santiago II
"Caça às Bruxas"
Uma operação da Brigada de Trânsito da GNR, segunda-feira, em Vila Nova de Poiares, está na origem de uma situação insólita: a "mando" do presidente da Câmara, um militar da BT foi identificado pela Polícia Municipal.
Claro que a culpa não é do presidente mas de quem lhe propicia a oportunidade de "brilhar".
Os números do desemprego
A descida homóloga da taxa de desemprego, de 7,9% para 7,3%, estimada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o segundo trimestre deste ano, e revelada no final da semana passada, não encontra eco nos números administrativos do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Em Julho, inscreveram-se nos centros de emprego 50,7 mil pessoas, mais 13% do que no mesmo mês do ano passado e mais 16,7% do que no mês anterior.
Afinal, em que ficamos? Há mais ou menos desempregados?
Fogos
Este ano, já arderam mais dois mil hectares do que no mesmo período do ano passado... Mas, ao DN o presidente da Liga Portuguesa de Bombeiros, Duarte Caldeira, desvaloriza este dado. "As comparações com 2007 são pouco rigorosas, porque estamos a falar do melhor ano dos últimos 30", justifica. Para o dirigente deviam fazer-se as comparações com os anos mais graves como 2003 ou 2005.
Pois... Até há bem pouco tempo nem se falava de incêndios. Será que já não são tema digno de realce para os OCS?
Operações de Socorro
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Cerva, Jorge Campos, foi identificado durante um incêndio, por um elemento do Grupo de Intervenção Protecção e Socorro (GIPS) da GNR, alegadamente devido à intenção de utilizar uma técnica de contra fogo no combate a um incêndio em Tinhela, Concelho de Valpaços.
Bombeiros defendem "urgente clarificação" de competências entre bombeiros e GNR.
Isto é apenas uma "cortina de fumo". O que está em causa é mais abrangente e relaciona-se com um "corpo estranho" que alguém introduziu numa "quinta" mas que mais tarde ou mais cedo será expelido.
Perante este cenário, o que dizer? Ainda bem que já voltou o futebol!!!
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Santiago ou Prisciliano?
A interrogativa em título é o que menos importa. Há coisas que se fazem porque se gosta ou se deseja e eu há muito acalentava o forte desejo de ir a Santiago de Compostela. Realizei-o no passado dia 08/08/08.
Não fui a pé, coisa que é verdadeiramente aliciante, principalmente o "caminho francês", mas aproveitei bem o dia. E vale realmente a pena.
Passeei descontraidamente pelas ruas da urbe onde não deixa de ser curiosa a forma aportuguesada da toponímia local...
... abracei o apóstolo, não este mas o outro que está na Catedral, por detrás do altar :)... no Centro Galego de Arte Contemporânea, da autoria de Siza Vieira, tive oportunidade de posar junto da "Origem do Mundo", não a de Courbet mas uma réplica mais futurista, feita de uma constelação de imagens retiradas do Google...
... e ainda tive tempo para beber "unas copas" e conversar um pouco na "Tertúlia do Moderno" da Praça S. Xosé em Pontevedra.
A Galiza exerce sobre mim um fascínio irresistível, de tal modo que me sinto lá tão bem como no Minho e muito melhor do que na "moirama", que me desculpem os portugueses de além-Mondego...
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Finalmente Israel!!!

An Argentinian horseman has reached Jerusalem on his globetrotting world record-seeking journey. http://www.orange.co.uk/news/topstories/20146.htm?linkfrom=feed_newsandweather&link=link_9&article=index
Eduardo Discoli atravessou finalmente o Mediterrâneo e aportou a Israel. Parece que decidiu dali rumar ao norte de África e desde Marrocos regressar à Argentina. Mas certamente "va a ser muy largo y complicado el camino a casa!!!" como o próprio escreveu aqui.
Se percorrer a Europa foi um mero passeio, a circulação entre os diversos Países do Médio Oriente será o oposto, o que se pode avaliar pelo tempo que demorou a reunir as condições para o "salto" que agora se verificou.
Estou certo que conseguirá porque determinação e coragem é coisa que não falta ao valoroso gaúcho.
Continuo a acompanhá-lo, D. Eduardo, e desejo do fundo do coração que a sua viagem tenha o sucesso que merece.
Actualização:
O que faltava...
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Romagem à Peneda
A vista do profundo vale do Minho apresentava-se assim e o tempo estava fresco e agradável, bom para caminhar...
Algum tempo depois já Cavenca ficava para trás...
... e aos nossos olhos vão-se sucedendo imagens que, mesmo sendo nossas conhecidas, não deixam de nos surpreender e extasiar...
O vitelinho posa com elegância para a objectiva...
O "moinho" de vento assoma em Bogalheiras e dá-nos os bons-dias...
Chegamos à zona das brandas. Por entre as giestas surgem os prados verdinhos de Santo António de Val de Poldros...
A vista do planalto é soberba!
E as antigas casas dos pastores ainda resistem...
Aqui é a parte mais íngreme da subida da serra. Parece que vamos direitinhos ao céu...

O trilho desenrola-se agora por entre imensos rochedos. Como a bateria da minha Canon se esgotou tive de recorrer ao Google para continuar a ilustração da viagem :(

Refrescamos a vista nas águas do pântano, bem mais escassas do que nos mostra a foto...
Chegamos finalmente ao termo da viagem, era quase meio dia. O último troço do trajecto é uma descida desde as alturas, ao lado do imenso rochedo da Meadinha, aos zig-zag, até desembocar repentinamente no terreiro da Igreja.
Com estas imagens do Google Earth redesenhamos o trajecto, primeiro desde Cavenca até à Bouça dos Homens...
... depois, da Bouça dos Homens até à Peneda.Só faltaram as concertinas, as castanholas e as pandeiretas para ficar completa a imagem que a minha memória retinha daquele lugar.
Recordações de Verão
Nos já longínquos anos 60/70 do Século passado começaram a surgir novas formas de animação de festas e romarias.
Pelo Alto Minho foram aparecendo e desaparecendo alguns grupos musicais dos quais recordo os grupos Plátano, Thema Solus e Contacto. Estes dois últimos fundiram-se mais tarde num só sob a designação que ainda hoje detém e que foi recuperada de um antigo e então extinto rancho folclórico de Monção: o Roconorte.
"Cuando sali de Cuba" foi uma canção de sucesso na época e era um número musical que o conjunto "Thema Solus" interpretava magistralmente dando um tom extremamente romântico às escaldantes noites de Verão (lembra-se prof. Nande?)...
O Mundo era, na época, muito diferente do que é hoje!
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Pobreza com Norte
Em 2005, o Norte de Portugal era a região da UE a 25 com o mais baixo índice de rendimento por habitante.
Já há muito tempo que a região norte perdeu protagonismo no campo económico. As grandes oportunidades de desenvolvimento que a integração na UE proporcionou não foram aproveitadas e há décadas que ali se assiste à debandada do melhor e mais abundante dos recursos regionais: os recursos humanos.
À falta de investimento associou-se a baixa qualificação técnica e educativa que nem o mapa cor de rosa nem mesmo a criação de novas e modernas instituições de ensino dos diversos graus foram capazes de ultrapassar. E de pouco serve formar bons profissionais se depois não puderem aplicar os conhecimentos na região para criar riqueza, tendo de demandar outras paragens para os porem em prática.
Agora a esperança renasce, a avaliar pelo sorriso e entusiasmo do sr Sousa. O cal center da PT em Santo Tirso vai contribuir generosamente para gerar os prometidos 150 mil postos de trabalho, bem remunerado, pelo que dizem...
quinta-feira, 24 de julho de 2008
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Pais???
"Una niña de tres años murió ayer tras haber pasado el día en el interior del coche, aparcado al sol, debido a un olvido de su padre(...) Es la segunda vez en menos de una semana que se produce un drama de este tipo en Francia".
Em comentário à notícia alguém escreveu uma magnífica oração, numa língua morta, cuja leitura me evoca sons que ouvia em pequeno quando assistia às missas dominicais...
PATER NOSTER, QUI ES IN CAELIS, SANCTIFICETUR NOMEM TUUM, ADVENIAT REGNUM TUUM, FIAT VOLUNTAS TUA, SICAT IN CAELO ET IN TERRA.
PANEM NOSTRUM SUPERSUBSTANTIALEM DA NOBIS HODIE, ET DIMITTE NOBIS DEBITA NOSTRA, SICUT ET NOS DIMITTIMUS DEBITORIBUS NOSTRIS, ET NE NOS INDUCAS IN TENTATIONEM, SED LIBERA NOS A MALOS, AMEM...
... e com razão. Em vez de criticar mais vale rezar... para que não se repita!
