terça-feira, 2 de setembro de 2008

Combustíveis

Os mais baratos


Jumbo Aveiro Sem Chumbo 95 €1.350
Jumbo Aveiro Sem Chumbo 98 €1.390
Jumbo Aveiro Gasóleo €1.190
Cipol Sto Amaro Gasóleo + €1.321
Petro Zona S. J.... GPL Auto €0.600

Os mais caros


BP Raminha Sem Chumbo 95 €1.472
BP Via Sacra Sem Chumbo 98 €1.679
Repsol Estádio... Gasóleo €1.328
BP Raminha Gasóleo + €1.417
Repsol - Ulpicar... GPL Auto €0.718
Parece, finalmente, que a liberalização do mercado de carburantes começou a funcionar. Mas gostaria que alguém me explicasse a razão de tamanha discrepância entre os preços praticados no Jumbo de Aveiro e os correspondentes na coluna da direita.
Mesmo assim eu continuo fiel à "Gasolinera Pardo", em Salvaterra do Miño...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Santiago II

A Gabriela, do Blog DONA-REDONDA, esteve em Santiago de Compostela no mesmo dia que eu e disse que não nos encontramos. E eu digo que é mentira. Para prová-lo aqui apresento uma fotografia com a indicação do local onde eu a vi.

"Caça às Bruxas"

Polícia Municipal multa carro da Brigada de Trânsito
Uma operação da Brigada de Trânsito da GNR, segunda-feira, em Vila Nova de Poiares, está na origem de uma situação insólita: a "mando" do presidente da Câmara, um militar da BT foi identificado pela Polícia Municipal.
Claro que a culpa não é do presidente mas de quem lhe propicia a oportunidade de "brilhar".
Os números do desemprego

A descida homóloga da taxa de desemprego, de 7,9% para 7,3%, estimada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o segundo trimestre deste ano, e revelada no final da semana passada, não encontra eco nos números administrativos do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Em Julho, inscreveram-se nos centros de emprego 50,7 mil pessoas, mais 13% do que no mesmo mês do ano passado e mais 16,7% do que no mês anterior.

Afinal, em que ficamos? Há mais ou menos desempregados?
Fogos

Este ano, já arderam mais dois mil hectares do que no mesmo período do ano passado... Mas, ao DN o presidente da Liga Portuguesa de Bombeiros, Duarte Caldeira, desvaloriza este dado. "As comparações com 2007 são pouco rigorosas, porque estamos a falar do melhor ano dos últimos 30", justifica. Para o dirigente deviam fazer-se as comparações com os anos mais graves como 2003 ou 2005.
Pois... Até há bem pouco tempo nem se falava de incêndios. Será que já não são tema digno de realce para os OCS?
Operações de Socorro

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Cerva, Jorge Campos, foi identificado durante um incêndio, por um elemento do Grupo de Intervenção Protecção e Socorro (GIPS) da GNR, alegadamente devido à intenção de utilizar uma técnica de contra fogo no combate a um incêndio em Tinhela, Concelho de Valpaços.
Bombeiros defendem "urgente clarificação" de competências entre bombeiros e GNR.

Isto é apenas uma "cortina de fumo". O que está em causa é mais abrangente e relaciona-se com um "corpo estranho" que alguém introduziu numa "quinta" mas que mais tarde ou mais cedo será expelido.

Perante este cenário, o que dizer? Ainda bem que já voltou o futebol!!!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Santiago ou Prisciliano?


A interrogativa em título é o que menos importa. Há coisas que se fazem porque se gosta ou se deseja e eu há muito acalentava o forte desejo de ir a Santiago de Compostela. Realizei-o no passado dia 08/08/08.
Não fui a pé, coisa que é verdadeiramente aliciante, principalmente o "caminho francês", mas aproveitei bem o dia. E vale realmente a pena.

Passeei descontraidamente pelas ruas da urbe onde não deixa de ser curiosa a forma aportuguesada da toponímia local...









... abracei o apóstolo, não este mas o outro que está na Catedral, por detrás do altar :)
... no Centro Galego de Arte Contemporânea, da autoria de Siza Vieira, tive oportunidade de posar junto da "Origem do Mundo", não a de Courbet mas uma réplica mais futurista, feita de uma constelação de imagens retiradas do Google...
... e ainda tive tempo para beber "unas copas" e conversar um pouco na "Tertúlia do Moderno" da Praça S. Xosé em Pontevedra.
A Galiza exerce sobre mim um fascínio irresistível, de tal modo que me sinto lá tão bem como no Minho e muito melhor do que na "moirama", que me desculpem os portugueses de além-Mondego...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Finalmente Israel!!!



An Argentinian horseman has reached Jerusalem on his globetrotting world record-seeking journey. http://www.orange.co.uk/news/topstories/20146.htm?linkfrom=feed_newsandweather&link=link_9&article=index

Eduardo Discoli atravessou finalmente o Mediterrâneo e aportou a Israel. Parece que decidiu dali rumar ao norte de África e desde Marrocos regressar à Argentina. Mas certamente "va a ser muy largo y complicado el camino a casa!!!" como o próprio escreveu aqui.
Se percorrer a Europa foi um mero passeio, a circulação entre os diversos Países do Médio Oriente será o oposto, o que se pode avaliar pelo tempo que demorou a reunir as condições para o "salto" que agora se verificou.
Estou certo que conseguirá porque determinação e coragem é coisa que não falta ao valoroso gaúcho.
Continuo a acompanhá-lo, D. Eduardo, e desejo do fundo do coração que a sua viagem tenha o sucesso que merece.
Actualização:

O que faltava...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Romagem à Peneda

Foi no dia 15 de Agosto. De manhã bem cedo reunimos o grupo no cimo de Cavenca e pusemo-nos a caminho, eram sete horas.





A vista do profundo vale do Minho apresentava-se assim e o tempo estava fresco e agradável, bom para caminhar...









Algum tempo depois já Cavenca ficava para trás...







... e aos nossos olhos vão-se sucedendo imagens que, mesmo sendo nossas conhecidas, não deixam de nos surpreender e extasiar...














O vitelinho posa com elegância para a objectiva...







O "moinho" de vento assoma em Bogalheiras e dá-nos os bons-dias...







Chegamos à zona das brandas. Por entre as giestas surgem os prados verdinhos de Santo António de Val de Poldros...
A vista do planalto é soberba!








E as antigas casas dos pastores ainda resistem...












Aqui é a parte mais íngreme da subida da serra. Parece que vamos direitinhos ao céu...



O trilho desenrola-se agora por entre imensos rochedos. Como a bateria da minha Canon se esgotou tive de recorrer ao Google para continuar a ilustração da viagem :(



Refrescamos a vista nas águas do pântano, bem mais escassas do que nos mostra a foto...


Chegamos finalmente ao termo da viagem, era quase meio dia. O último troço do trajecto é uma descida desde as alturas, ao lado do imenso rochedo da Meadinha, aos zig-zag, até desembocar repentinamente no terreiro da Igreja.

Com estas imagens do Google Earth redesenhamos o trajecto, primeiro desde Cavenca até à Bouça dos Homens...

... depois, da Bouça dos Homens até à Peneda.
Só faltaram as concertinas, as castanholas e as pandeiretas para ficar completa a imagem que a minha memória retinha daquele lugar.

Recordações de Verão


Nos já longínquos anos 60/70 do Século passado começaram a surgir novas formas de animação de festas e romarias.
Pelo Alto Minho foram aparecendo e desaparecendo alguns grupos musicais dos quais recordo os grupos Plátano, Thema Solus e Contacto. Estes dois últimos fundiram-se mais tarde num só sob a designação que ainda hoje detém e que foi recuperada de um antigo e então extinto rancho folclórico de Monção: o Roconorte.
"Cuando sali de Cuba" foi uma canção de sucesso na época e era um número musical que o conjunto "Thema Solus" interpretava magistralmente dando um tom extremamente romântico às escaldantes noites de Verão (lembra-se prof. Nande?)...
O Mundo era, na época, muito diferente do que é hoje!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pobreza com Norte

Regressei ao trabalho. Não foram as tais férias de sonho mas foram aquelas que me propus fazer tendo em conta que os ventos não vão de feição para grandes festas. E por falar em festas, ainda se ouvem foguetes, ainda se realizam umas procissões e festivais folclóricos mas já não se vê o fulgor de outros tempos. Por isso não é de estranhar a crueza dos números que o DN de hoje nos apresenta.
Em 2005, o Norte de Portugal era a região da UE a 25 com o mais baixo índice de rendimento por habitante.
Já há muito tempo que a região norte perdeu protagonismo no campo económico. As grandes oportunidades de desenvolvimento que a integração na UE proporcionou não foram aproveitadas e há décadas que ali se assiste à debandada do melhor e mais abundante dos recursos regionais: os recursos humanos.
À falta de investimento associou-se a baixa qualificação técnica e educativa que nem o mapa cor de rosa nem mesmo a criação de novas e modernas instituições de ensino dos diversos graus foram capazes de ultrapassar. E de pouco serve formar bons profissionais se depois não puderem aplicar os conhecimentos na região para criar riqueza, tendo de demandar outras paragens para os porem em prática.
Agora a esperança renasce, a avaliar pelo sorriso e entusiasmo do sr Sousa. O cal center da PT em Santo Tirso vai contribuir generosamente para gerar os prometidos 150 mil postos de trabalho, bem remunerado, pelo que dizem...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pais???

O Mundo está de pernas para o ar. De França chega esta notícia terrível, numa altura em que por cá tanto se fala do arquivamento do célebre "Caso Maddie" e da tese defendida pelo polícia que conduziu as investigações numa primeira fase.
"Una niña de tres años murió ayer tras haber pasado el día en el interior del coche, aparcado al sol, debido a un olvido de su padre(...) Es la segunda vez en menos de una semana que se produce un drama de este tipo en Francia".
Em comentário à notícia alguém escreveu uma magnífica oração, numa língua morta, cuja leitura me evoca sons que ouvia em pequeno quando assistia às missas dominicais...
PATER NOSTER, QUI ES IN CAELIS, SANCTIFICETUR NOMEM TUUM, ADVENIAT REGNUM TUUM, FIAT VOLUNTAS TUA, SICAT IN CAELO ET IN TERRA.
PANEM NOSTRUM SUPERSUBSTANTIALEM DA NOBIS HODIE, ET DIMITTE NOBIS DEBITA NOSTRA, SICUT ET NOS DIMITTIMUS DEBITORIBUS NOSTRIS, ET NE NOS INDUCAS IN TENTATIONEM, SED LIBERA NOS A MALOS, AMEM
...
... e com razão. Em vez de criticar mais vale rezar... para que não se repita!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Do Rio Tua ao Rio Pinhão - Operação "CGD"

Soou o alarme no Posto. Era da dependência da Caixa Geral de Depósitos. O seu accionamento por descuido costumava ocorrer ao iniciar os trabalhos ou então após o encerramento, quando a senhora da limpeza passava tudo a panos. Mas àquela hora só podia ser um assalto. Eram quase treze horas, um período do dia propício para uma acção daquelas pois era quando o movimento e afluência do público se tornava mais reduzido. ..
Além disso era uma hora ainda pior para uma acção policial com vista a deter ou pelo menos afugentar os eventuais assaltantes porque os Guardas também almoçam. Mas naquelas circunstâncias não se podia deixar de corresponder com os meios que estivessem disponíveis. Eu próprio, que tinha ficado a ultimar alguns assuntos pendentes, ordenei ao Apoio ao Plantão que fosse buscar a viatura, um "veloz" Jeep Land Rover, peguei a Pistola Metralhadora Stayer M/42 que se encontrava permanentemente pronta a usar por detrás da porta onde permanecia o Plantão e depressa nos metemos a caminho dispostos a tudo.
A PM Stayer M/42 já só existe na memória dos mais velhos. Tratava-se de uma arma ligeira, calibre 9mm, parecida com uma pequena espingarda. Era a arma que o comandante de posto de outros tempos carregava ao ombro nas rondas pelas localidades e na polícia de feiras e romarias.

E impunha respeito... Dizia-se que disparava metralha por todos aqueles buraquinhos de arrefecimento que existiam na manga que protegia o cano em toda a sua extensão... um mito nunca desmentido porque fazia jeito aquela fama terrível!!!
A abordagem ao local onde se situava a dependência não era difícil mas era preciso tomar algumas precauções... Fomo-nos aproximando devagar perscrutando todos os movimentos nas imediações mas verificava-se uma calma estarrecedora. Ao longo de toda a Avenida não se divisava vivalma e também não havia viaturas suspeitas. Estávamos a cerca de cem metros da improvisado barracão onde funcionava a dependência bancária e entre a nossa viatura e aquelas instalações interpunha-se apenas o novo edifício em construção que a iria acolher dentro de pouco tempo. Então, ordenei ao motorista que parasse e que ficasse atento a qualquer movimento suspeito enquanto eu, de Pistola Metralhadora em riste, efectuei uma manobra de envolvimento pelas traseiras do edifício novo, passei igualmente pelas traseiras do barracão e espreitei com todas as cautelas pelo esquina do lado direito da porta de entrada.
Nada. Não se ouvia barulho, não se via ninguém e a porta estava entreaberta. Confirmava-se. Só podia ser um assalto. Olhei em frente e vi o Jeep na rua... pelo menos a rua estava desimpedida e já tinha alguma cobertura... Mas como sair daquele impasse?
Avancei para a porta, sempre colado à parede, pronto para reagir a qualquer acção vinda do interior, espreitei, vi à minha direita o balcão de lés a lés completamente vazio, daquele lado não havia nada mas o ângulo da porta meio fechada não me deixava ver o que se passava à esquerda e era deste lado que ficava o escritório do gerente e o cofre provisório que só servia para guardar os valores durante o horário de funcionamento. Era ali que eles estavam... só podia ser. E tinham os funcionários como reféns enquanto enchiam os sacos com o dinheiro...
Com o cano da arma empurrei a porta devagarinho e a minha suspeita confirmava-se. Ninguém à vista. O que significava que estavam mesmo no escritório.
Foi então que ouvi um sussurro vindo daquele lado. Parecia uma conversa cordial e nada que se assemelhasse àqueles gritos histéricos que se vêm nos filmes. Avancei até ao balcão que me garantia protecção e fui tomando posição para ver quem estava lá dentro... as vozes dirigiam-se para a minha direcção e apontei a arma sobre o balcão pronto para limpar o sebo ao primeiro que resistisse. Contudo, qual não é o meu espanto quando vejo sair lá de dentro, perfeitamente descontraídos, o gerente e o subgerente... O meu e o deles, que ao me verem naquela posição quase se cagaram de medo...
Desfeitas as dúvidas expliquei-lhes o sucedido e o susto que me pregaram com aquela atitude desleixada e o gerente pediu mil desculpas pelo sucedido. Saímos.
Só então verifiquei que, sobre o muro da Escola Secundária, ao lado do barracão da Caixa, uma pequena multidão de alunos tinha estado a observar a operação especial que ali se desenvolvera.
O que eles não se terão divertido...
Só alguns dias mais tarde constatei que aquela maravilhosa arma tinha o mecanismo de retenção do carregador partido e que, provavelmente, apenas me serviria para dar umas cajadadas nos meliantes.

Diversificação

Face ao domínio das grandes superfícies, o pequeno comércio tem de se bater contra o seu poder asfixiante com criatividade e imaginação.
Como?
Vejam um exemplo...
Imagem: http://www.lavanguardia.es/

domingo, 20 de julho de 2008

Espanha Aterriza, Portugal Navega!

"Hay en Portugal una revalorización de lo propio, de lo exclusivo, de manera que vuelve a ser hora de los jabones de la marca de la mariposa, de las conservas de atún de las Azores, de las sardinas enlatadas de Motosinhos, de la pasta con la que los heterónimos de Fernando Pessoa se lavaban los dientes, de las pastillas para la tos del Dr. Bayard, y de los lápices de colores que separaban Mozambique de Rhodesia, el Transvaal y Tanganika en los mapas del África colonial".
Costuma-se dizer que "de Espanha nem bom vento nem bom casamento". Mas o que diz o Senhor Enric Juliana no artigo publicado no diário La Vanguardia enche de orgulho o peito lusitano. É que num mundo globalizado é possível arranjar estratégias de resistência, como o senhor da pequena papelaria do Largo do Calhariz.
E é o mesmo espanhol, cuja opinião, pelos vistos, não foi muito apreciada lá pelos seus lados, que indica a fórmula para sair da crise, como se pode ver no resumo transcrito acima.
Já não é a primeira vez que sucede. O povo português é capaz de contornar os obstáculos mais difícies, como comprova a nossa história. É só deixá-lo trabalhar. Porque a globalização é boa para encher os bolsos das grandes multinacionais mas o povo fica apenas com as migalhas.
"Quanto mais alto se sobe, maior é o trambolhão", mais uma vez o povo, sempre ele, cheio de razão. O grupo espanhol Martinsa y Fadesa, ligado especialmente à construção civil, voou alto, muito alto, e o resultado está à vista.
Por tudo isto, ainda acredito que Portugal é um País viável. É só os "Senhores da Guerra" descerem à terra e perceberem que a solução para a crise reside cá, no nosso povo.
Deixem-nos trabalhar!

O Tesouro Encantado (V)

Mesmo assim não esmoreceram. Repetiram os satânicos rituais duas, três, cinco vezes. Por fim pareceu-lhes pressentir o solo a tremer sob os seus joelhos. Uma negra nuvem ofuscou o luar e uma rajada de vento apagou os frouxos luzeiros das velas. Do cimo do penedo que ficava sobranceiro à fonte elevou-se majestosamente um gigantesco pássaro, lançando no ar um lancinante grito que ecoou por montes e vales, desaparecendo célere nas imensas trevas.
Foi o suficiente para fazer soçobrar a ténue réstia de coragem que ainda retinha ali o fatigado grupo. Instintivamente puseram-se em pé e desataram numa arrebatada corrida pela serra abaixo, cada qual por onde podia e o instinto o orientava, a qual só terminou pouco mais de meia hora depois na localidade de onde tinham partido, secretamente, algumas horas antes.
No dia seguinte, uma súbita e estranha doença reteve no leito quatro dos cinco jovens, ninguém sabia que moléstia os acometera mas parecia coisa má a avaliar pelo aspecto que apresentavam. Do quinto não havia notícia mas poderia ter saído de casa cedo sem dizer nada à família, já não era a primeira vez.
No final do dia um pastor relatou a descoberta de um estranho e macabro espólio junto da Fonte do Seixo mas não se atreveu a mexer no que quer que fosse. Nunca tantos e tão intrigantes casos se tinham verificado na pacata aldeia. Até parecia coisa de bruxas. Depois de falarem com o Padre Bernardino houve quem sugerisse que se denunciassem os factos às autoridades.

sábado, 19 de julho de 2008

Cumpra-se a Lei!

A avaliar pelo alarido dos comentários, está a causar indignação a notícia publicada no Correio da Manhã de hoje que dá conta da difusão, pelo Comando Geral da Guarda Nacional Republicana, de uma ordem que proíbe os seus agentes de disparar as armas de que são detentores durante as perseguições automóveis – a não ser que os próprios agentes estejam em risco ou que a vida de terceiros possa ser afectada pelo comportamento dos fugitivos.
Não conheço o teor do artigo na sua totalidade (não tenho t€mpo para comprar a edição impressa) e também não conheço o despacho nem o contexto em que essa ordem possa ter sido difundida.
A ser verdadeira a sua existência é porque o Comandante-Geral entendeu que, para o cumprimento da missão, não são suficientes os limites legais impostos à acção dos agentes policiais.
Parece que está na moda emitir ordens para reforçar o que está contemplado na lei mas, sinceramente, acho que é um desperdício de tempo.
Sobre o tema do uso das armas pelos elementos das Forças de Segurança já eu me debrucei em tempos, a propósito de um acidente decorrente de uma perseguição policial de que resultou a morte do condutor de um oficial da GNR por causa de um disparo da arma deste. A minha opinião mantém-se inalterada e as disposições do Decreto Lei n.º 457/99, de 05 de Novembro, também.
Mas não é só este diploma legal que limita o uso das armas.
Entre outros, citamos aqui o Código Deontológico do Serviço Policial que, no artigo 8.º, 3, diz " (...) só devem recorrer ao uso de armas de fogo, como medida extrema, quando tal se afigure absolutamente necessário, adequado, exista comprovadamente perigo para as suas vidas ou de terceiros e nos demais casos taxativamente previstos na lei".
Para mim basta. É que o Código Deontológico do Serviço Policial, que não é lei, foi um documento produzido com a participação das organizações sócio-profissionais da GNR e da PSP e, como se refere no preâmbulo, é uma forma de adesão voluntária aos princípios de actuação e de conduta consagrados na Lei. A grande aposta terá que ser na formação e no treino.
Por isso, cumpra-se a Lei!

O Estatuto do Trabalhador-Estudante

"O ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, homologou a 11 de Julho um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República que defende que todos os militares podem pedir o estatuto do trabalhador-estudante, e não apenas os do regime de voluntariado e contrato".
Há anos que um Oficial do Exército português se vem a debater numa "guerra" sem tréguas contra uma série de "moinhos de vento" para fazer valer um direito consagrado na Lei: A aplicação do Estatuto do Trabalhador Estudante (ETE).
De tal modo que, perante a permanente e irredutível recusa dos superiores hierárquicos que lhe negaram o benefício desse estatuto, alicerçada em decisões prepotentes e arbitrárias porque são contrárias à Lei, decidiu enviar um e-mail a Sua Excelência o Presidente da República e, por inerência, Chefe Supremo das Forças Armadas, denunciando aquilo que considerava ser um acto ilegal e arbitrário dos seus comandantes directos.
Tal acto teve como consequência, não a resolução do conflito mas a instauração de um processo disciplinar ao Oficial que culminou com a aplicação de uma pena privativa de liberdade - três dias de detenção.
O ETE foi consagrado pela primeira vez em Lei através de diploma aprovado pela Assembleia da República e publicado no Diário da República de 21 de Agosto de 1981. Ali se definia trabalhador-estudante como sendo "todo o trabalhador ao serviço de uma entidade empregadora pública ou privada que frequente qualquer grau de ensino oficial ou equivalente". Posteriormente foi sofrendo modificações mantendo-se, em geral, a mesma definição. Actualmente integra a Subsecção VIII, Título II, Livro I do Código do Trabalho, aprovado pela Lei n.º 99/2003, de 27 de Agosto, em revisão, definindo-se aqui como trabalhador estudante "aquele que presta uma actividade sob autoridade e direcção de outrem e que frequenta qualquer nível de educação escolar, incluindo cursos de pós-graduação, em instituição de ensino" (art. 79.º, 1).
O ETE consagra modalidades de adequação do horário de trabalho e outras facilidades (nunca a renúncia às obrigações de serviço) àqueles que, exercendo uma actividade por conta de outrem, pretendem ampliar ou melhorar a sua formação académica e curricular. E não são poucos os casos em que, por motivações diversas, os trabalhadores recorrem a esse estatuto.
Só que nos meios castrenses e similares tem havido alguma dificuldade em entender como é que uma Lei da República, de aplicação geral e abstracta, pode interferir nos poderes discricionários do Comandante, Director ou Chefe, a quem deus conferiu a possibilidade de dispor da vida dos seus subordinados, e decide-se liminarmente que "o estatuto do trabalhador-estudante não se aplica aos militares do quadro permanente"...
E quando os argumentos que sustentam uma atitude insustentável começam a escassear pedem-se pareceres, muitas vezes feitos ad hoc.
Não se tratando do mesmo caso mas porque o assunto é absolutamente conexo com o tema que hoje aqui trago, sugiro que se atente na conclusão primeira do Parecer da Procuradoria Geral da República n.º PGRP0000958...
1ª - Aos militares da Guarda Nacional Republicana não é, em virtude do dever de disponibilidade que sobre eles impende, aplicável o regime dos trabalhadores-estudantes constante da Lei nº 116/97, de 4 de Novembro;
... e do acórdão do Supremo Supremo Tribunal Administrativo n.º 0777/04:
I - Não é aplicável aos militares da GNR o regime geral relativo aos trabalhadores-estudantes, tal como é definido actualmente na Lei n.º 116/97, por não ser compatível com o que decorre do estatuto a que estão sujeitos, maxime do dever de disponibilidade que sobre eles impende.
Finalmente um ponto a favor de quem, ao longo de muitos anos, tem pugnado apenas por um direito fundamental sobejamente conhecido: o direito à igualdade perante a lei.
Este parecer vai ainda mais além e, quem quiser que retire as suas ilações: "Mais do que pedir um parecer ao Conselho Consultivo da PGR, o Governo deverá instruir o Exército a aplicar o estatuto (...) aos militares em causa"... aconselha o Relator.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O Tesouro Encantado (IV)

Quem presenciasse aquele quadro não ficava com a mais pequena dúvida de que só poderia ser obra do demónio.
O passo seguinte era também bem conhecido dos membros do grupo. Cada um ocuparia a respectiva posição, de joelhos e sentado nos calcanhares, em cada um dos cinco vértices do pentagrama, de forma que ficassem voltados para o local de onde manava o precioso líquido.
Conforme rezava a lenda, seria ali que se abririam as portas por onde jorraria ouro em abundância tal que nunca mais precisariam trabalhar como mouros no cultivo das terras e na pastorícia. Sabiam também que antes se confrontariam com terríveis monstros que haviam de surgir das profundezas para os atemorizar e perante os quais não poderiam de modo algum vacilar sob pena de se quebrar a magia que havia de desfazer o encantamento.
Com tudo a postos e já nas respectivas posições, os jovens não viam a hora de começar o ritual. Não falavam, não se ouvia qualquer ruído. Apenas um abafado rumorejar da água da nascente e um surdo matraquear dos músculos cardíacos que batiam nos peitos a um ritmo desconcertante.
Era um quadro deveras estranho e macabro o que se desenhava na pacata clareira com os cinco vultos geometricamente dispostos no amplo pentagrama iluminados pelas trémulas luzes das cinco velas e pelo pálido brilho de uma refulgente lua cheia.
Finalmente ia iniciar-se a função. O líder do grupo, que ocupava o vértice apontado à fonte, retirou um velhíssimo alfarrábio de um saco de serapilheira que até ali se mantivera intocável em cima da relva e abriu-o na página previamente marcada. Começou então um ininteligível recital, misto de orações e imprecações, através do qual os temerários jovens evocavam trémula e repetidamente as forças do mal e instavam os demónios para que libertassem o desejado tesouro mas em vão.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Blogs em Destaque

Já há algum tempo que consta do rol das minhas leituras preferidas. Dei mais uma espreitadela para ver as novidades e, por curiosidade, fui ver os comentários. Não são muitos mas deixam a pista para uma questão que eu aqui apelidaria de "honra ao mérito". É o público reconhecimento que lhe é dado no sítio do "SOL" onde se encontra alojado.
Estou a falar do blog FOZ DO RIO TRANCOSO 42º 9' 15'' da autoria de IASousa, um blog de Melgaço que nos fala de um tempo e de um mundo desconhecido ou simplesmente ignorado por muita gente mas que cala fundo nas lembranças de quem nele viveu aquele tempo: o Alto Minho Interior.
Sem desmerecimento dos restantes conteúdos, sigo avidamente os desenvolvimentos da "Visita a Parada" que já vai no número VII. Através daquela narrativa podemos ver as paisagens, ouvir as pessoas, observar gestos, hábitos e costumes que apenas residem e resistem na memória dos mais velhos, auscultar o sentir, o pulsar e os anseios daquelas gentes.
Com uma apresentação sóbria e em linguagem simples e acessível, onde são preservados os traços regionais que se vão diluindo, o autor presenteia-nos com um minucioso e excepcional retrato a preto e branco que cada um de nós pode aproveitar para colorir a gosto.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O Tesouro Encantado (III)

Chegaram finalmente à clareira de relva verde e fresca que bordejava o generoso manancial. Conheciam bem a serra e a nascente onde se dessedentaram vezes sem conta, uma água cristalina e fresca com não havia igual. Até se dizia que detinha propriedades medicinais por causa do ouro que estava depositado nas entranhas da terra donde brotava e já várias pessoas tinham obtido a cura para as suas moléstias mas a noite e as sombras formadas pela luz pálida do luar tornavam o lugar mais sinistro do que alguma vez imaginaram.
Não havia tempo a perder. Sabiam bem o que era preciso fazer e o tempo urgia porque já passava das onze e à meia noite em ponto tinha que se dar início ao ritual. Pousaram os provimentos que carregavam às costas transpiradas quer pela carga, quer pela extensa caminhada, sempre a subir, quer ainda pela emoção e, porque não, por um mal disfarçado medo. Começaram então a preparar o cenário tal como tinham lido no livro e delineado vezes sem conta.
Desenharam um pentagrama, a famosa estrela de cinco pontas de que tanto tinham ouvido falar mas cujos poderes ignoravam, tendo o cuidado de orientar o vértice por forma a coincidir em simultâneo, à meia noite em ponto, com a posição da lua e da nascente de água. No meio do pentagrama construíram toscamente uma espécie de altar onde foram depostas em círculo, depois de degoladas, as cinco galinhas pretas que tinham desaparecido misteriosamente mas que ali reapareceram prontas a serem sacrificadas às forças ocultas que guardavam o cobiçado tesouro. No meio do círculo formado pelas carcaças ensanguentadas das galinhas foi colocado o gato preto da Ti Ana que, por causa do seu mau feitio, já tinha sido sacrificado no dia anterior. À volta do enigmático altar foram acesas as cinco velas que completavam o quadro.
Ficava assim concluído o cenário onde decorreria a função que lhes havia de trazer a almejada fortuna.

Polifemo 2008


Não. Não é Ulisses, nem está em Tróia mas anda lá por perto. Desde Março ou princípios de Abril que D. Eduardo Discoli e os seus três companheiros, dois cavalos crioulos e um mustang, se encontram nas imediações de Atenas à espera de melhores "ventos" para atravessar o Mediterrâneo.
Estou certo que deve passar por momentos de grande frustração mas ele está habituado a lidar com adversidades ainda maiores e há-de chegar o dia em que o temível cíclope o libertará.
Depois..., há muito mundo para percorrer!!!

Crise

Montilla anuncia un plan de austeridad contra la crisis:
Reducción del gasto corriente hasta un 25% y la contención en la contratación de nuevos funcionarios, hasta el punto de no sustituir al personal que cause baja;
•Congelará el sueldo de los altos cargos como un gesto "simbólico";
•Los nuevos expedientes de gasto que no sean de carácter recurrente tendrán que ser aprobados por el Governo;
•El president mantiene la previsión de crecim
iento para 2008 en el 1,8% y cree que la situación se alargará dos años como mínimo.


Bueno, as medidas referidas acima vão ser implementadas pelo Governo Autónomo da Catalunha, a Região Autonómica com a economia mais forte do Reino de Espanha.
E o congelamento dos salários dos altos cargos, na sequência do que já foi determinado pelo Governo Central e também adoptado na Itália, mesmo sendo uma medida simbólica, não deixa de ser uma medida moralizadora e com impacto na opinião pública.
Por cá continuamos a falar, a falar a falar mas pouco se faz, ou melhor, aperta-se com os mesmos...
Não deixa de ser sintomático o estudo recente efectuado pelo Conselho Económico e Social que revela que grande parte da população atingida pelo espectro da pobreza tem emprego e trabalha!!! Quem paga salários desses dormirá de consciência tranquila?
Enquanto se continuar a falar e a não adoptar medidas que possibilitem um controlo eficaz sobre a evasão fiscal de pouco servirão os paliativos que servem para cativar votos mas que nada solucionam.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Turismo em tempo de vacas magras

"Picnic" de cuatro estrellas
La crisis lleva a los turistas a comprar en el supermercado y comer en la habitación del hotel


Uma nova forma de turismo emerge dos tempos de crise. É o turismo da refeição no quarto de hotel, da saca de compras do supermercado, da poupança na alimentação.
Tem alguma lógica este tipo de restrição ao consumo. É que as férias num local de sonho, em hotel de 3, 4 ou 5 estrelas, dão status e fazem roer de inveja a vizinhança.
E mesmo que se notem alguns gramas de peso a menos não há problema. Pelo contrário, só aumenta a auto-estima e denota muita actividade e cuidados físicos adicionais, que as férias também servem para isso.
É um turismo envergonhado que leva os utentes dos hotéis a levar para os respectivos aposentos comida comprada no supermercado e até pequenos fornos eléctricos para confeccionarem as suas refeições. E também a perguntarem por locais onde se coma mais barato, para desespero dos industriais hoteleiros que ficam com os seus restaurantes às moscas.
Para isso mais vale ficar em casa...
Foto:
http://www.farodevigo.es/servicios/lupa/lupa.jsp?pIdFoto=979680&pRef=2008071500_2_242259__Gran-Vigo-Picnic-cuatro-estrellas

domingo, 13 de julho de 2008

O Tesouro Encantado (II)

A ideia começou então a ganhar forma: - Vamos à Fonte do Seixo desencantar o pote de libras de ouro que lá está nas profundezas e ficamos ricos!
Já nada os podia deter. Sonhavam com dinheiro a rodos, libras reluzentes a encher os bolsos, comprar cavalos e terras, boas farpelas, boa e abundante comida na mesa, o mundo a seus pés...
Estudaram a fórmula até à exaustão, muniram-se de calendários e almanaques com as fases da lua, rebuscaram velas de cera por todos os cantos dos respectivos lares e até umas quantas galinhas negras desapareceram misteriosamente das capoeiras deixando estupefactas as respectivas donas. Nem o gato preto da Ti Ana da Pinta escapou. A operação ganhava corpo no mais absoluto e intrigante sigilo.
Chegou finalmente o dia que os deixaria ricos. Quase nem cearam e para não levantar suspeitas simularam ir deitar-se. No silêncio da noite, quando todo o mundo dormia placidamente, algo se movia na pequena aldeia. Eram cinco corajosos e desenvoltos jovens que se deslocavam sem fazerem o menor ruído pelos sombrios caminhos que conduziam ao cimo da povoação, para se reunirem num local pré-determinado, cada qual transportando os materiais necessários para a arriscada missão. A lua, redonda e enorme, iluminava perfeitamente a serra e os caminhos que conduziam ao local de destino. Logo que o grupo se reuniu nem foi preciso falar nada. Um simples olhar, como que a confirmar se estava tudo a postos, foi a senha necessária para darem início à caminhada.
Os caminhos eram bem conhecidos. Subiram a encosta do Carril até ao planalto de Chão da Aveleira, mais uma íngreme subida até Fonte Boa, depois um pouco mais suave até por cima da poça do Arroio. Ali começava a corga da Fonte do Seixo, sinistramente escura e medonha.
A água que escorria pelo estreito córrego, rumorejante, de pedra em pedra, por entre a vegetação rasteira, parecia querer dizer-lhes que desistissem. Os cabelos eriçavam-se e calafrios de medo percorriam as espinhas dos arrojados jovens mas nada os demovia do objectivo definido. Com o ânimo cada vez mais vacilante procuravam não demonstrar os sentimentos de insegurança e davam vigorosas passadas por entre as ramagens de giestas, urze e tojo. Era preciso atingir a nascente que ficava umas centenas de metros mais acima, abrigada por uns penhascos rochosos e densa vegetação selvagem.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Alguém falou em crise?

Eu não tenho um iPhone. Não que não gostasse de ter mas porque não me posso dar ao luxo de desbaratar seiscentos €uros para ter toda aquela tecnologia entre mãos. Assim, faço como Bocage, espero pela última moda... Mas, felizmente, não falta quem compre. Para gáudio das operadoras de telecomunicações.
Também não vou beneficiar dos cinquenta por cento de desconto nos passes L123 e do Andante, como foi anunciado por "aquele que nós sabemos". Não porque não precise mas porque não resido nas áreas metropolitanas de Lisboa nem do Porto.
E temo que também não vou beneficiar do plano Robin dos Bosques. E é bem feito. Aproveito para ir atestar o depósito uma vez por mês a Salvaterra do Minho (fica na Galiza, se acaso não sabiam) e por isso sou penalizado na "distribuição" dos dividendos...
É assim...
Imagem: http://ultimahora.publico.clix.pt/imagens.aspx/237716?tp=UH&db=IMAGENS&w=320

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O Tesouro Encantado (I)

Estava escrito nos livros de magia mas era um segredo bem guardado. Na Fonte do Seixo existia um tesouro encantado que um Mouro muito rico ali escondera na fuga precipitada dos temíveis heróis da reconquista cristã mas só acessível a quem tivesse a intrepidez e a coragem necessárias para lá ir à meia noite, em plena lua cheia, e realizar o ritual mágico que o havia de libertar dos terríveis e medonhos monstros que o guardaram noite e dia ao longo dos séculos.
A fórmula estava bem explicada no famoso e ultra-secreto Livro de S. Cipriano de que se ouvia falar mas que ninguém conhecia. Bem, ninguém não. Um antigo e perseguido calhamaço sobrevivera e estava, havia muitos anos, secretamente escondido, no fundo de um baú, já meio carcomido da traça. Era um exemplar único que alguém preservou da sanha persecutória que perdurou mesmo depois de ser extinta a Santa Inquisição. De tal forma foi escondido que até o próprio dono lhe perdeu o rasto. Mas o tempo passou, o sigiloso fundo secreto foi devassado e o misterioso livro voltou a ver a luz do dia.
Porém o achado não podia ser divulgado. Mesmo sem Inquisição a censura era apertada e se o Padre da Freguesia ou o Cabo da Guarda suspeitassem da sua existência era certo que seria rapidamente incinerado e o seu detentor alvo de tremenda excomunhão, para não falar em castigo bem pior. Assim, a mensagem foi passando de boca em boca num círculo muito restrito de jovens aventureiros e robustos, a quem nada nem ninguém metia medo que em longos serões e longe da observação de quem quer que fosse iam desfolhando curiosamente todas as páginas do famoso alfarrábio.

terça-feira, 8 de julho de 2008

A Cavar...

Sempre ouvi dizer que a terra dá tudo de que necessitamos. E também que "o trabalho dá saúde". Se dúvidas havia, elas estão completamente dissipadas. Vejam a seguir o exemplo mais flagrante que sustenta o que acabei de afirmar. Os líderes das oito maiores economias mundiais exercitam os músculos, entusiasmadíssimos, deixando no ar a mensagem que nós vemos muitas vezes cá pelo burgo, afixada em estabelecimentos comerciais e similares: "Se tens inveja do que eu tenho faz como eu: Trabalha, malandro!".
Imagem importada daqui.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Para Pensar...

"É um progressivo desrespeito pelas autoridades devido a uma maior tensão social, mudanças de hábitos e costume, aos filmes americanos e à educação que se dá aos filhos"
Morreu no Hospital o jovem que foi atingido por um projéctil disparado por elemento das forças de segurança, com as quais me identifico. É já conhecida a minha posição em relação ao uso de armas de fogo e não é por isso que venho evocar aqui o triste acontecimento. São, sim, as declarações de um senhor que não conheço e que aborda o problema de uma forma que eu considero muito pertinente e esclarecida.
Há uma série de factores que concorrem para a degradação das relações de cidadania e existem culpados. Essa degradação começa nas famílias mas acentua-se especialmente nas Instituições.
Em tempos que já lá vão assistia estupefacto a julgamentos em que os réus, ainda era assim que se designavam e não arguidos, eram pura e simplesmente "arrasados" perante a severidade dos Juizes. O Presidente do Tribunal, em regra Juiz Desembargador do Círculo, um veterano experimentado na investigação por força de muitos anos a dirigir os serviços do Ministério Público, não se compadecia com meros formalismos processuais e atirava-se ao indefeso cidadão, ali colocado já em acentuada inferioridade, como "gato a bofe", passe a expressão. A audiência não era um concílio onde se debatia tudo menos os factos, como ocorre actualmente. Tudo aquilo metia medo...
Agora é o que se vê. De Marco de Canavezes, de Gondomar, mais recentemente da Feira e de Vila Real chegaram exemplos da fragilidade da justiça. Mas mais gritante, embora menos conhecida porque não tem interesse mediático, é a forma como nesses mesmos e noutros locais, diariamente, se desautoriza a autoridade.
Acontece não raras vezes que os agentes das forças de segurança são chamados a intervir em locais onde ocorrem desacatos e têm de recorrer à força para impor a ordem. Pois é certo e sabido que caso alguém seja detido e presente em Tribunal saem de lá, no mínimo, dois arguidos: um é o desordeiro o outro é o agente da ordem, normalmente ambos sujeitos a termo de identidade e residência, o famoso TIR que serve para nada. Mas pior do que isso é que caso seja deduzida acusação são os dois tratados de igual forma, como se se tratasse de uma mera rixa de taberna, sem observação do normativo penal que prevê a qualificação dos crimes de que são vítima os agentes da autoridade.
Agora é só colher os frutos...

domingo, 29 de junho de 2008

Fidelidade

"... juro por minha honra que estou integrado na ordem social estabelecida pela Constituição Política de 1933, com activo repúdio do comunismo e de todas as ideias subversivas".

Esta era a fórmula mágica que abria as portas da administração pública e alimentava a esperança de uma vida menos agreste de muita gente. E por enquanto não há problemas porque os ingressos na função pública, além de não oferecerem uma profissão aliciante, estão em "banho maria", para não dizer congelados porque ainda há excepções. Mas se os comunistas continuarem a atazanar a vida "daquele cujo nome não se pode pronunciar" ainda há-de haver quem se lembre de a repristinar.
Abrenuntio!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Uma Ponte para a Paz ou mais uma Passagem para a Discórdia

Foi inaugurada ontem em Jerusalém a Ponte dos Cabos, mais um belo exemplar da fabulosa obra arquitectónica de Santiago Calatrava.
Parece que custou a módica quantia de $ 65 milhões e não será, seguramente, uma obra favorável à consolidação da paz com os palestinianos. É que, como se sabe, Jerusalém continua a constituir um obstáculo ao processo de paz por ser reivindicada como capital histórica quer de Israel, quer da Palestina.
Mas ela lá está, imponente, indiferente às questões políticas que a rodeiam.
E, apesar de ser notícia em inúmeros jornais e sites estrangeiros, por cá ainda não descobri qualquer referência a este evento.
Imagens:
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL613828-5602,00.html
http://www.farodevigo.es/

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Honras Fúnebres?

"A alegada utilização indevida de meios humanos e de veículos da PSP, durante o funeral do sogro do ex-comandante metropolitano do Porto, está a ser investigada pelo Ministério Público, que já iniciou as inquirições".
Certo. Não era polícia, não era um acto de serviço, era apenas uma expressão de solidariedade para com o chefe. E distrair homens e meios para fins que não aqueles para os quais são remunerados poderá ser crime. O Ministério Público faz bem investigar. Mas investiguem tudo. TUDO, TUDO, ouviram?

sábado, 21 de junho de 2008

A Pia

Já era do conhecimento geral que o dr. Manuel Seabra, que foi vice-presidente e presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, foi convidado e aceitou o convite para exercer as "altas" funções de Chefe de Gabinete de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Também é do conhecimento geral que esse mesmo senhor foi um dos protagonistas do tristemente célebre “Caso da Lota” e por isso impedido pelo PS de se candidatar à presidência da Câmara de Matosinhos.
O que terá passado despercebido é que o referido senhor
vive, durante a semana, no Sheraton Lisboa Hotel & Spa, onde a pernoita mais barata custa 165 euros.E desloca-se para Matosinhos, onde reside, com o motorista da autarquia. E também o facto de, fazendo fé na mesma notícia, ali pernoitar por sua conta e pagar um precinho especial, apenas €75,00 por noite, menos de metade do que paga o comum dos mortais!!! Pelos vistos a administração do Hotel está muito magnânima...
Já o uso do motorista, e já agora, da viatura que está à sua disposição, nas deslocações de Lisboa para Matosinhos, é reconhecido que o faz apenas duas ou três vezes por mês e justificado porque perdeu o comboio.
Falta saber se essas deslocações se podem considerar integrantes das funções que se encontra a desempenhar. É que eu por bem menos já vi funcionários "sentarem o rabo no mocho", que é o mesmo que dizer, responder em Tribunal. Porquê? Porque há uma norma penal que considera crime o uso de bens públicos para proveito próprio.
Artigo 376.º
Peculato de uso

1 - O funcionário que fizer uso ou permitir que outra pessoa faça uso, para fins alheios àqueles a que se destinem, de veículos ou de outras coisas móveis de valor apreciável, públicos ou particulares, que lhe forem entregues, estiverem na sua posse ou lhe forem acessíveis em razão das suas funções, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.
Também falta saber se, à semelhança do ministro das finanças, possui residência em Matosinhos e, em função disso, precebe o respectivo subsídio de deslocação que, como é sabido, corresponde a um valor mensal equivalente a três salários mínimos nacionais.

A Justiça aqui ao lado...

"Barrientos y su mano derecha ingresan en prisión acusados de tráfico de influencias, malversación y blanqueo."
O primeiro era o presidente da câmara, o segundo o seu chefe de gabinete, em Estepona, Málaga. Lá como cá os governos autárquicos estão eivados de vícios, sendo extenso o rol de crimes cometidos no exercício de funções públicas. A corrupção, abuso de autoridade, tráfico de influências, favorecimento pessoal e mesmo o branqueamento são os mais comuns e andam de braço dado com os titulares dos cargos públicos. As relações promíscuas estabelecem-se, quase sempre, em torno de interesses económicos poderosos: a construção civil, a gestão do espaço (PDMs), o património colectivo... Mas há uma grande diferença em relação à forma como são tratados judicialmente. É que neste jardim à beira mar plantado são muito escassos os casos judiciais instaurados e muito mais ainda os que efectivamente terminam com uma decisão punitiva.
Fica-se com a sensação que as instâncias judiciais não funcionam como se vê com frequência aqui ao lado. Ainda não há muitos dias, um manifestante que agrediu um agente policial durante a greve no sector das pescas foi julgado e condenado a vários meses de prisão menos de uma semana depois, se fosse cá teríamos caso para mais de três anos. O processo do 11M foi concluído (investigação e julgamento) em menos de dois anos (o julgamento do caso Casa Pia já dura três). E o juiz decretou prisão preventiva para um jovem que atropelou mortalmente um indivíduo, considerando que, dados os antecedentes, a sua liberdade constituía um perigo público.
Há sempre o argumento de que as leis portuguesas são muito permissivas, ou que o direito processual penal é demasiado garantístico, ou se não forem estes serão outros, tudo para justificar a inércia do funcionamento das instituições...
E assim se cria um sentimento de impunidade que chega a ser confrangedor. Veja-se a arrogância, a sobranceria, a forma despudorada como figuras públicas, que ocupam ou ocuparam cargos públicos, afrontam o sistema judicial.
E atente-se no que escreveu aqui um conhecido advogado. E também nos comentários...
Se nada for feito em relação a isto será caso para gritar: ÀS ARRRRRRRMAS!!!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Bloqueio

"A Procuradoria Distrital de Lisboa quer investigar todos os crimes que ocorreram durante as manifestações de camionistas dos últimos dias".
Toda a gente percebeu que o Estado de Direito tremeu. E de nada serve especular sobre as possibilidades de incriminação penal dos responsáveis. Poderíamos aqui enumerar uma série de atropelos à lei, a começar pela lei fundamental, a CRP de 1976 com os retoques que sofreu ao longo dos 32 anos de vigência, tendo em conta as acções e omissões relatadas em directo pelas televisões, mas deixamos isso para as instâncias próprias.
O que me causa alguma estupefacção é que parece que o poder executivo só agora se apercebeu que a economia portuguesa anda sobre rodas.
Se isto ocorreu apenas com a paralização dos transportadores de mercadorias, o que não seria se simultaneamente houvesse greve e acções de protesto dos pescadores, dos taxistas, dos agricultores, dos trabalhadores da administração pública, enfim, uma generalização da contestação contra o aumento brutal dos combustíveis...
Será este um cenário assim tão irreal?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Monção em Imagens - II

Porta de Salvaterra (outra perspectiva)

Toponímia (entrando pela Porta de Salvaterra, à esquerda)

Enquadramento paisagístico da Deuladeu

Muralha e Alameda dos Néris , o Rio Minho e a Galiza, à esquerda
Deuladeu de Cutileiro (pormenores da outra face)

Todas as fotografias são propriedade do autor.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Monção em Imagens

Os nossos mortos na Guerra do Ultramar


A Galiza mailo Minho - João Verde



Deuladeu de Cutileiro



Outra perspectiva de Deuladeu de Cutileiro


Legenda alusiva à Deuladeu de Cutileiro

Porta de Salvaterra


Todas as fotografias são propriedade do autor.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

A minha pequena homenagem a Fernando Pessoa, no 120.º aniversário do seu nascimento.
In Mensagem, Planeta de Agostini, Lisboa, 2006




Imagem: http://amrrm.blogs.sapo.pt/arquivo/Prece.jpg

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Do Rio Tua ao Rio Pinhão - A Senhora Guarda

Estava quase a atingir a reforma e era um Guarda a denotar cansaço das patrulhas, da farda e de muitos anos de constante stresse, diligente o suficiente mas não extremamente dedicado. Era visível a "erosão" do tempo mas mesmo assim não regateava uma ordem nem se eximia às responsabilidades.
Naquele dia era o único elemento disponível para exercer a função de motorista numa das minhas frequentes rondas pelas povoações e, mesmo sabendo da sua limitada aptidão para aquela tarefa, lá tive de o incumbir daquela missão.
Assim iniciamos um périplo por diversas aldeias: Granja, Favaios, Sanfins do Douro, Cheires...
E foi aqui que a coisa "azedou"...
Àquela hora do dia a simpática aldeia, onde se produz o melhor vinho generoso do mundo, estava deserta. Descemos pela rua que atravessa a localidade, em plena urbe descrevemos uma curva à esquerda, um desvio à direita e eis-nos no adro da pequena capela. À direita fica o Quartel dos Bombeiros Voluntários, à porta do qual se encontrava um jovem, talvez de plantão, certamente um pouco aborrecido por não ter nada para fazer.
O velho Guarda entra no largo da capela e descreve um semi-círculo para inverter a marcha. Como o espaço não permitia efectuar a manobra de uma só vez, teve necessidade de engrenar a marcha "à ré" e recuar um pouco. Só que a manobra não saiu bem e o motor "foi-se abaixo". No silêncio absoluto ouviu-se nitidamente a voz do jovem Voluntário: Nabo!
Sem perder a compostura, lentamente, como era seu apanágio, o condutor colocou o motor em acção, terminou a manobra e reiniciou a marcha em sentido inverso. Ao passar novamente em frente ao Quartel dos Bombeiros onde o jovem voluntário permanecia como se nada se tivesse passado, o veterano condutor parou e chamou-o: - Óhhh, venha cá faz favor...
Nitidamente preocupado, o jovem aproximou-se e o Guarda interpelou-o com cara de poucos amigos: - O que foi que você disse há bocadinho?
A resposta foi espontânea e pronta: - Eu disse que vinha aqui a senhora guarda!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Crise...

"...Portugal já estava mal, muito mal, antes deste terceiro choque do petróleo. Há praticamente oito anos que Portugal vem perdendo, em termos absolutos e relativos. A verdade é que a “nossa” crise é em geral muito superior à dos parceiros europeus. Quer isto dizer que somos os principais culpados. Desperdiçámos anos, recursos e oportunidades. Perdemos com a ditadura e a guerra. Perdemos com a revolução e a contra-revolução. Perdemos também com três décadas de facilidade e demagogia. Assim chegámos ao ponto de perceber que ninguém virá em nosso socorro, que não há mais soluções fáceis e que, de fora, não virá mão redentora. Só de nós próprios virá qualquer remédio. E isto não significa orgulho, nem raça. Muito menos talento ou história. Significa tão simplesmente estudo, persistência e organização. E, sobretudo, trabalho".
António Barreto tem razão, a solução é simples, trabalho. O pior é que os factores que determinam a subida imparável dos produtos petrolíferos e, consequentemente, tudo que tem a ver com a vida das pessoas são comandados externamente e de nada serve clamar pela baixa dos impostos ou por preços especiais para isto ou para aquilo. Alguém terá de pagar a crise e, como sempre, esse alguém tem rosto e tem nome - P O V O .

Foto: http://catedral.weblog.com.pt/arquivo/pescador-2.jpg

domingo, 1 de junho de 2008

Arraianos - Do Castro Laboreiro ao Castro Laboreiro

O dia 6 de agosto erguinme moi cedo para facer a romeria da Nosa Señora da Peneda, camiñando a través das poulas, das gramas, da gándaras; polos cotos onde pacen, ceibes,as vacas piscas. Ía eu na compaña dos meus pais e mais duns cantos da mina aldea de Casardeita, incluído o abade, aos que, axiña, se xuntaron outros camiñantes de Leirado que levaban a mesma rota. Estabamos moi ledos todos nós. Eu gozaba aquelas vacacións escolares coma nunca gozara outras. Chegados ao santuario, após de longas horas de duro andar, instalámonos nunhas leiriñas de aló para pasarmos o día e sentirlles cantar o vira ás voces delgadas da raia, que parece que se che espetan na alma. A mamai fora ás misas e o papai presentoume dous señores. Un era baixote, de barbicha arroxada, carecas, que vestía uniforme e resultou ser o Capitán Costa Beirão, da escuadra da Garda Fiscal de Melgaço. O outro, máis mozo, ollos claros e prominentes, alto e de bigode raro, chamábase João de Sousa Mendes; foime fulminantemente simpático e puxémonos a ligar unha improvisada conversa sobre o saudosismo. Desempeñaba, este segundo señor, as funcións de profesor de Primaria en Castro Laboreiro. Pois ben, cando Sousa Mendes se inclinaba para deixar no riacho a folla de bacallau de mollo para o xantar, mentres asobiaba ledamente a Marcha Turca de Mozart, foi agredido por un animal enorme. Un can negro coma o demo que o trabou na gorxa e o deixou morto instantáneo sen que ningún dos presentes fose capaz de lle facer separar as queixadas. Só se detivo o bruto, que era da raza enxebre daquelas serras, cando o Capitán o abateu a tiros da sua arma regulamentar. Pouco antes do ataque e de tan terríbel morte, o infortunado Profesor, ledamente sorprendido polas miñas afeccións literarias, tan excepcionais ou escasas nos países da raia, entregárame, cun sorriso tímido que lle suliñaba a pouca espesura do bigote, un manuscrito narrativo intitulado O castelo das poulas, que tirou ao efecto dun peto do seu casaco. Comprobei, na altura, que o Profesor ía moi perfumado. Tales papeis son os que reproducín anteriormente de modo literal, aínda que lixeiramente modificado
o texto pola transcripción galega. Con todo, conservo, malenconicamente, o orixinal en portugués por se algún esprito cursidoso quixese contrastar. Escuso decer que o luctuoso feito diu moito que falar no estraño triángulo cuxos vértices se sitúan en Celanova, Montalegre e os Arcos de Valdevez.
http://www.arraianos.com/Arraianos%20n1%208-2004%20Web.pdf

Dia Mundial da Criança

Sorria mais, criança, pra não sofrer
...
Espalhe amor por onde for
Quem sabe amar destrói a dor
Seja todo seu viver
Um mundo cheio de prazer.

Imagem:
http://bp2.blogger.com/_dY-VIZYsDEo/R_pMCsTwLlI/AAAAAAAAAWs/yUAfKKdwaWs/s1600-h/sorriso.jpg
Texto:
http://vagalume.uol.com.ar/beth-carvalho/sorriso-de-crianca.html

sábado, 31 de maio de 2008

Riba de Mouro, Monção - A Nossa Terra



Uma palavra: - SAUDADE

Ares do Minho - A Meritíssima

Naquele tempo só havia uma ligação rodoferroviária en todo o curso internacional do rio Minho. Era a velha ponte de Valença, da autoria do arquitecto espanhol Pelaio Mancebo e inaugurada em 1886, ainda hoje a única que permite o tráfego ferroviário.
Foi, certamente, uma infraestrutura imponente e mais que suficiente para suportar o trânsito rodoviário enquanto a urbe se manteve dentro dos limites da fortaleza mas, com a expansão urbana e o incremento e flexibilidade das trocas comerciais entre os dois lados da fronteira, foi-se transformando numa espécie de funil que gerava filas imensas de automóveis e o desespero de muitos automobilistas, da população local e dos agentes ordenadores do trânsito. Era, na gíria policial, o que se poderia designar por "calcanhar de Aquiles" de uma localidade com reduzidos índices de criminalidade.
Além disso, um dos eventos que mais preocupações causava às forças da ordem era a feira semanal. Localizada ao lado da magnífica fortaleza e junto à estrada que conduzia à fronteira, implicava o empenhamento de todo e efectivo, e mais que houvesse, num frenesim constante para impedir o bloqueio do trânsito e do acesso às propriedades, actividade que começava às primeiras horas do alvorecer e só terminava pela noite dentro.
Num desses dias, perto do meio dia, o telefone do Posto retiniu. Era um pedido para acorrer a um acidente de viação num recôndito lugar, algures entre S. Pedro da Torre e Fontoura, na Estrada Municipal 512.
Não estava muito ocupado, estava tudo a correr bem, decidi ser eu próprio a intervir naquele caso pois o restante pessoal esfalfava-se havia muitas horas no policiamento da feira. Depois de me certificar que dispunha de tudo que era necessário (bloco de apontamentos, fita métrica e esferográfica) desloquei-me para o lugar de Devesas, se a memória me não atraiçoa.
Não foi difícil dar com o acidente. Os intervenientes estavam no local, não ocorreram danos físicos significativos e a descrição também não apresentava grande complexidade. Resumidamente, uma senhora conduzia o seu automóvel, entrou no pequeno pequeno aglomerado de casas, descreveu uma curva ligeira para a direita e deste mesmo lado, por uma rua que entroncava naquela estrada, surgiu o carteiro no seu motociclo. A colisão foi inevitável e a senhora embateu com a parte da frente do lado direito na parte anterior do lado esquerdo do motociclo cujo condutor, na queda, ainda sofreu umas ligeiras escoriações.
Após observar as posições dos veículos intervenientes comecei por elaborar o croquis. É, normalmente, a primeira coisa que se faz porquanto após esse registo é possível desobstruir a via e continuar a recolha dos restantes elementos. Ao mesmo tempo que fazia medições e tomava apontamentos verifiquei que um risonho e simpático casal de mediana idade não perdia patavina do que eu fazia. Senti até uma certa vaidade, deviam estar encantados com o meu desembaraço, as ordens ao meu acompanhante, a fita métrica em bolandas, as triangulações, os rabiscos no papel, tudo aquilo resultaria para o casal, certamente, algo complexo e importante...
Terminado o esboço foi a vez de proceder à recolha dos elementos identificativos dos veículos e dos respectivos condutores, uma tarefa que requeria muita atenção para não falhar nenhum item e andar depois a correr atrás das pessoas, mas que eu já tinha memorizada, tantas as vezes em que tinha sido chamado a intervir em situações daquelas. Comecei pela senhora, ainda jovem, a quem solicitei os documentos do veículo e da própria.
Enquanto escrevia a senhora ia-me relatando como tudo se tinha passado e concluiu que a culpa seria do motociclista porque ela circulava na estrada principal e ele não.
Levantei a cabeça, observei uma vez mais o local a ver se algo me escapava e, serenamente, expliquei à condutora que não era meu dever pronunciar-me sobre a culpa pelo acidente mas que, perante as circunstâncias, não seria assim tão linear, que a regra geral era ceder a prioridade a quem se apresentasse pela direita, que a rua à sua direita era uma via pública aberta ao trânsito e no entroncamento não sofria quaisquer constrangimentos, bla... bla... bla... e a conversa ficou por ali.
A tarefa estava quase concluída mas faltava um elemento importante que não se encontra, normalmente, nos documentos de identificação apesar do nosso BI ter quase a amplitude de um estádio de futebol, a profissão. A esta questão a senhora respondeu - Juiz.
Este dado, conjugado com o facto posteriormente constatado de que o simpático casal de meia idade, que não tinha parado de me seguir todos os movimentos com um sorriso parecido com o da Mona Lisa, eram os pais da Meritíssima condutora, foi fundamental para desvendar o enigma: Eles não estavam de modo algum admirados com a minha frenética actividade, estavam era a dizer para eles mesmos: - Não faças as coisas direitinhas que vais ver o que te acontece...


Foto:
http://www.cp.pt/StaticFiles/Imagens/Fotografias/Aficionados/os%20CF/150_anos/7_1886.gif
Outras fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cronologia_do_Caminho-de-ferro_em_Portugal http://www.euromilhoes.com/forum/showthread.php?t=8110&page=3

Retalhos

Trabalho e lazer, cada qual no seu tempo. Serviço é serviço, o resto já sabem...
El pasado mes de marzo, un empleado del Centro Espacial Johnson de la NASA fue sancionado con una suspensión de empleo y sueldo de 180 días, por haber utilizado el ordenador y la conexión a Internet de su puesto de trabajo para otros fines muy distintos a los que persigue la agencia espacial norteamericana.
Se a moda pega...

Ali ao lado as coisas são como são, sem metáforas nem camuflagens.
El elevado precio de la energía en los mercados internacionales ha situado la tasa de inflación armonizada de mayo en el 4,7%, la más alta desde hace once años, en 1997.
Por cá continuamos na mesma, como a lesma. Os governantes continuam a ver um país de sucesso e a prova disso são as inaugurações de 50 metros do "Andante" em Gaia, 150 (+ ou -) metros de autoestrada ali para os lados da Figueira da Foz e agora as unidades fabris daquele senhor sueco em Paços de Ferreira que promete mobiliário de grande qualidade a preço de pobre mas para o qual temos de contribuir com cerca de 50% de mão de obra, além dos transportes. Por avaliar ficou o impacto futuro na principal indústria local...
E não deixou de ser engraçado ver o nosso Primeiro a dar ao... serrote (*_*)!

A Terra gira ao contrário...



... e os rios nascem no mar!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Em Risco

"Portugal é um dos países da Europa mais desenvolvida com maiores riscos de exclusão financeira de pessoas em situação de pobreza ou exclusão Social".
São dados de 2003, dirá o nosso Primeiro, se for confrontado com este cenário, portanto, a culpa é dos outros. Com o choque tecnológico e as medidas de carácter social e reformistas entretanto desencadeadas a situação actual é, certamente, muito mais confortável...
Para alguns, direi eu, e julgo não me enganar muito.