quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Xacobeo 2010 - II


Estes também lá vão estar...

Xacobeo 2010

Mais uma vez, em 2010, o dia 25 de Julho vai calhar ao Domingo e, consequentemente, celebrar-se-à mais um Ano Santo Compostelano ou X(J)acobeo. E o programa vai ser aliciante, conforme foi anunciado pelo conselheiro da Cultura.
Entre muitos outros, vai marcar presença Mark Knopfle que, a avaliar pela amostra, valerá a pena ver e, principalmente, escutar.
Se tiver vagar lá estarei...

sábado, 17 de outubro de 2009

Carta de Despedida


Hoje recomendo uns minutos de leitura atenta e de reflexão acerca do teor de um texto maravilhoso da autoria de Gabrial Garcia Marquez, dizem uns, de Johnny Welch, dizem outros.
Eu só sei dizer que gostei e por isso lhe dou este destaque (passe a imodéstia) neste meu recanto.
O acompanhamento musical fica-lhe bem e o texto integral pode ser lido ali

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A Saia da Maitê

Agora que já assentou a poeira, enquanto uns arrumam as secretárias para darem lugar a outros, outros respiram de alívio por não terem de fazer mudanças da tralha que vem acumulando nos respectivos gabinetes desde há séculos e outros ainda, os novos inquilinos dos Paços do Conselho que vão querer mostrar o que valem, vou dizer umas coisas acerca do tema da semana (até parece que nem houve eleições).
Eu também fui contemplado com o vídeo do "Saia Justa" que vinha acompanhado de um texto escrito por alguém profundamente indignado e quase a exigir que Maitê Proença fosse declarada persona non grata  e proibida de voltar a entrar em Portugal. Vi e sorri, pensando cá para mim que era mais um email a rodopiar pela web até se cansar. Mas não. De repente, aquele vídeo é transformado num caso do dia, da semana, do mês, quiçá, do ano.
Essa gente não tem mais nada que fazer? Para quê alimentar uma polémica por causa de uma sátira (se se pode chamar àquilo uma sátira), quando há coisas muito mais importantes para discutir?
É que se continuamos assim vamos ter de pedir perdão aos alentejanos, aos minhotos, aos beirões, aos negros, aos brancos, a Samora Machel (por acaso também era negro), aos ciganos, aos polícias, aos ladrões, aos maric, não, aos gays, às lésbicas, aos hetero, tudo grupos formados por pessoas que constantemente servem de tema para todo o tipo de humor...
Onde pára o sentido de humor deste Povo?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Evocação de um Crime


Decorreu menos de um mês da data comemorativa de mais um aniversário do 11 de Setembro, não o que todos temos ainda vivo na memória mas outro mais horroroso provocado precisamente pelo ímpeto colonialista daqueles que sofreram o de 2001.
Este aconteceu no Chile, em 1973, e já pouco se fala nele.
Mas agora que ao actualizar as minhas leituras habituais me deparei com o relato cru da forma como foram tratados os prisioneiros políticos no Estádio de Santiago do Chile, aqui vos deixo esta música e ali o texto que certamente vos fará ficar, como a mim me fez, com a sensação de ter levado um soco no estômago.

domingo, 4 de outubro de 2009

Honras Militares

"O desacordo da GNR em prestar honras militares a António Costa valeu-lhe ser dispensada, quase na véspera, das comemorações na Praça do Município. José Sócrates vai estar presente."
É difícil julgar qualquer caso quando não se tem uma visão completa do problema. Contudo, até que seja prestado qualquer esclarecimento sobre os motivos que levaram o presidente da câmara municipal de Lisboa a "dispensar" a GNR das cerimónias comemorativas da implantação da republica, acto em que sempre participou com brio e profissionalismo, a versão que corre na comunicação social está sintetizada no pequeno extrato do DN online acima referido.
A ser assim, fica-lhe mal, sr. presidente. Essa arrogância só demonstra quão mesquinho é, ao tentar ridicularizar uma Instituição secular que ultrapassou barreiras políticas e ideológicas e continua orgulhosamente a servir a Pátria.
Será a continuação do seu trabalho de descredibilização e descaracterização que iniciou enquanto MEAI?
Será algum trauma de infância, à semelhança de um seu antecessor governamental que dizia constantemente que aquele não era o seu ministério?
Eu aconselho-o a ler, ou mandar ler, o que existe de legislação nesta republica das bananas em que vocês transformaram Portugal. Para ajudar, aqui vão algumas pistas:
Regulamento de Continência e Honras Militares (Decreto Lei n.º 331/80 de 28 de Agosto, alterado pelo Decreto Lei n.º 76/81, de 15 de Abril de 1981)
Art. 11.º
...
3 – Os Presidentes das Assembleias e dos Governos Regionais dos Açores e da Madeira têm honras de Ministro do Governo da República (categoria III do quadro B do capítulo V) na área das suas regiões.
4 – Os governadores civis têm honras de oficial general (categoria V do quadro B do capítulo V) quando em actos solenes oficiais a que presidam na área dos seus distritos e que exijam essa representação.
5 – Os oficiais estrangeiros, quando em actos oficiais, têm honras iguais aos da mesma patente das forças armadas nacionais.
6 – Nos navios de guerra deve observar-se o que sobre o assunto estatui a Ordenança do Serviço
Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português (Lei n.º 40/2006, de 25 de Agosto)
Art. 7.º
...
40) Juízes desembargadores dos tribunais da relação e tribunais equiparados e procuradores-gerais-adjuntos, vice-reitores das universidades e vice-presidentes dos institutos politécnicos de direito público;
41) Presidentes das câmaras municipais;
42) Presidentes das assembleias municipais;
43) Governadores civis;
44) Chefes de gabinete do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República e do Primeiro-Ministro;
...
Artigo 31.º
Presidentes das câmaras municipais
1—Os presidentes das câmaras municipais, no respectivo concelho, gozam do estatuto protocolar dos ministros.
2—Os presidentes das câmaras municipais presidem a todos os actos realizados nos paços do concelho ou organizados pela respectiva câmara, excepto se estiverem presentes o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República ou o Primeiro-Ministro, nas Regiões Autónomas, têm ainda precedência o Representante da República, o Presidente da Assembleia Legislativa e o Presidente do Governo Regional.
3—Em cerimónias nacionais realizadas no respectivo concelho, os presidentes das câmaras municipais seguem imediatamente a posição das entidades com estatuto de ministro e, se mesa houver, nela tomarão lugar, em termos apropriados.
...
Pode ser que o código de posturas municipais da kapital tenha algo mais acerca do tema e se sobreponha às leis que foram aprovadas por órgãos legítimos.
Mas para mim é uma séria tentativa de levar para a praça do município a SUA polícia municipal que certamente lhe satisfará todas as vontades.

sábado, 3 de outubro de 2009

Pobreza

"Tanto em termos de produtividade como de rendimento o distrito de Viana ou o Minho-Lima, apresenta sinais relativamente preocupantes que devem merecer a atenção de toda a gente", frisa, enumerando "a desqualificação do trabalho" e "a gestão empresarial fraca" como principais factores que estarão na origem da referida improdutividade".

É preocupante mas não transparece. Por aqui deparamo-nos com um aparente nível de vida razoável mas é muito "fogo de vista" que ofusca os sentidos de muita gente. Longe dos centros de poder e de decisão, as gentes do Alto Minho conseguem disfarçar a humilhação de uma realidade já antiga à custa de foguetes, de muito folclore e uma enorme resignação, numa demonstração de invulgar ingenuidade em que são embalados pelos "vendedores de sonhos" que de vez em quando, tal como agora, apregoam aos quatro ventos o advento da "terra prometida".
E no entanto, a pobreza anda por aí, semi-escondida, envergonhada, porque os minhotos não são de dar o flanco, preferem remoer o desprezo a que são votados sem deixar transparecer o que lhes vai lá por dentro.
Os números já colocavam o Distrito de Viana do Castelo na cauda do rendimento per capita do País há muitos anos mas nem o enorme afluxo de dinheiro da União conseguiu reverter a situação. A realidade é que os jovens continuam a denotar falta de qualificações (que de pouco lhes aproveitaria, mesmo que as tivessem) e optam por emigrar, seguindo na peugada dos pais e, já em muitos casos, dos próprios avós.
São as suas remessas que ainda ajudam a disfarçar a crueza dos números que, sem esse contributo, seriam, certamente, muito mais devastadores.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Politicando

De braços caídos, tenho vindo a observar as ideias que transparecem do discurso político das diversas forças que se têm empenhado por esse país fora em cativar as simpatias da populaça mas é confrangedor o vazio de propostas concretas e a forma despudorada como as principais forças se digladiam apenas com acusações fúteis e sacodem o espantalho do "bicho papão", como se a vitória de uns seja a salvação da pátria ou a dos outros o "fim do mundo".
Mas no meio dessa confusão toda há uma coisa que me perturba: é a "lata" do partido no poder a fazer de conta que nada se passou nos últimos quatro anos de governação e o entusiasmo da arraia que depressa esqueceu os arremedos totalitários timidamente manifestados.
Mas eu não esqueço o estigma que o "nosso primeiro" e os seus acólitos lançaram sobre a administração pública (AP), antes mais conhecida por função pública. Foi sob a influência política dessa mesma cor partidária que mais se alimentou o "monstro" e foi este (des)governo que “vendeu” bem a ideia de que era ali que residiam todos os males das finanças públicas. E com fortes aplausos de quem estava comodamente instalado atacou em todas as frentes: o ensino, a saúde e a segurança foram áreas hostilmente confrontadas com reformas economicistas e os funcionários em geral subjugados e traídos nas justas expectativas que alimentavam em relação às respectivas carreiras.
Tudo isso para quê?
Para sanear as finanças públicas poupando nas despesas com pessoal.
Todos sabemos o resultado. Perante a instabilidade gerada os que puderam debandar fizeram-no rapidamente e em força, o regime de mobilidade foi um fiasco total que serviu apenas para "encostar" alguns quadros desqualificados e em pré-aposentação, a falta de pessoas para desenvolverem tarefas essenciais foi suprida à custa de aquisição de serviços e assim ficou aberto o caminho para outras formas encapotadas de recrutamento com requisitos estabelecidos à medida.
Até agora os objectivos do défice foram cumpridos e a AP continuou a funcionar.
Só falta saber ao estado a que o Estado chegou quando, depois da euforia da vitória, os futuros governantes adquirirem conhecimento de todas as continhas.
Algo me diz que a "cobra vai fumar".

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Malafaia: Une fois, ça suffit...

Há quem se ufane de todos os anos ir à Quinta da Malafaia para assistir àquilo que é designado pelos promotores de "a maior e melhor festa do País".
Eu fui lá há dias pela primeira vez e gostei. Uma boa organização, óptimo espaço e bem arejado, muita animação, comida e bebida a rodos... Mas para mim basta. Se lá voltar será quando estiver no lar, de fraldas, meio "che-che" e sem poder determinar a minha vontade.
De negativo foi o ruído excessivo, o desperdício de alimentos (verdadeiramente chocantes as quantidades enormes de costela, frango de churrasco e outras "especialidades" da casa que iam direitinhas para os sacos do lixo) e a péssima qualidade dos rojões, das pataniscas e dos pastéis de bacalhau, que do fiel amigo nem rasto...
Mas as sardinhas, o bailarico e o "camboinho" a abanar o cu acabaram por superar os pontos fracos.
De resto, quem nunca lá foi deve ir... pelo menos uma vez.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cansaço

As férias não são um período propício a grande produtividade bloguística. Para piorar as coisas há sempre uma catrefada de coisas para fazer e projectos para realizar que não fica tempo nenhum para descansar nem para criar algo que se veja.
Por essas razões, por aqui não há nada de novo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Subsidiodependência

Corre ... uma virtuosa discussão entre o Governo, os militares e a GNR, a propósito do estatuto remuneratório desta corporação paramilitar. Queixam-se os militares de que o Governo pretende contemplar a GNR com uma série de subsídios, enquanto que eles apenas têm um subsídio de 'condição militar', equivalente a 20% da remuneração base. Se já essa coisa do 'subsídio de condição militar' me deixa perplexo (haverá um subsídio de condição médica, de condição de engenheiro, de condição de escriturário?), os subsídios que o Governo pretende agora abonar a favor da GNR são, de facto, de estarrecer. Ora vejam: subsídios de escala, de plantão, de prevenção, de força de segurança, de patrulha, de comando, de investigação criminal e de 'serviços especiais' (seja isso o que for e espero que não seja regar o jardim do general ou transportar a mobília do comandante).
Perdão: mas existe alguma força policial do tipo GNR, em qualquer lado do mundo, que não faça escalas, prevenções, plantões e patrulhas? Que não faça investigação criminal? Que não tenha comando? Não estão aqui reunidas, afinal, todas as funções e tarefas da GNR, começando por ser a de uma 'força de segurança'? Se cada uma das suas tarefas tem direito a um subsídio especial (e todos eles cumulativos, afinal), o que resta de um GNR que não seja subsidiável pelo Estado - o uso da farda, o transporte em viatura, os danos auditivos do toque da corneta?
Os militares das FA estão justamente revoltados com tanta benesse a favor da GNR. E, portanto, querem bani-las? Não, querem igual...
Miguel Sousa Tavares in Expresso

O texto acima, da autoria de Miguel Sousa Tavares (MST), faz parte de um artigo de opinião publicado no Expresso online de 8:00 Segunda-feira, 10 de Ago de 2009 e revela a bandalheira que se instalou no sector da administração pública.
Sei, por experiência própria, o que é a "caça" aos subsídios e suplementos e os efeitos nefastos que isso importa às organizações. Por isso, e apesar do estilo mordaz e de alguma falta de rigor da sua análise, vejo-me forçado a concordar com MST na crítica que faz ao sistema remuneratório que se criou para a GNR e às movimentações assolapadas das diversas associações profissionais das Forças Armadas que pretendem seguir na mesma "onda".
Já dizia um antigo magistrado que exerceu as elevadas funções de Inspector Geral da Administração Interna (IGAI), com uma dignidade e um brilho até agora inigualável, que as forças de segurança não tinham necessidade de ter um subsídio de risco porque a profissão é em si uma profissão de risco pelo que deve ser remunerada em conformidade.
O subsídio de risco nunca foi criado, apesar das múltiplas reivindicações das organizações associativas, mas foram criados inúmeros suplementos e subsídios, distribuídos muitas vezes a esmo, que serviram não só para "calar a boca" às associações profissionais mas também para colmatar sérias lacunas e derrapagens salariais verificadas principalmente no decurso da última década.
E quando tudo fazia prever que o novo estatuto remuneratório iria colocar um ponto final nesse problema, eis que a subsidiodependência surge agora, com maior ênfase, no projecto recentemente aprovado em Conselho de Ministros, agravado com a inclusão, no estatuto profissional, de um horário de referência de 36 horas semanais. Mal comparado, tudo isto se assemelha à guerra do recentemente extinto e já saudoso Raul Solnado, em que uns atacavam às segundas, quartas e sextas e os outros às terças, quintas e sábados. E ainda tinham um dia de descanso!
Não sei quem fez os estudos nem quem discutiu estes diplomas com o poder político. Posso, porém, afirmar que quem os fez não ponderou todos os inconvenientes do ponto de vista do interesse público. É que a segurança de pessoas e bens não tem um tempo definido, as funções policiais não se compadecem com um horário de referência, o seu exercício não se esgota num giro de seis, sete ou oito horas diárias, a distribuição de meios implica deslocações territoriais e desagregação familiar por longos períodos de tempo e a constante necessidade de auto formação concorre com os períodos de tempo de descanso ou de convívio familiar. Aliado a tudo isto há o dever de disponibilidade permanente, os juramentos de bandeira e de fidelidade e ainda o compromisso de honra, onde se promete servir a Pátria mesmo com o sacrifício da própria vida, a renúncia a muitos direitos cívicos e a proibição do exercício de actividades incompatíveis com a função. Sempre foram estas particularidades que deram legalidade aos responsáveis pelas forças de segurança para conceder aos seus elementos um salário superior ao de algumas franjas do leque de servidores do Estado e excepcionais condições de aposentação e aos agentes a necessária legitimidade para reivindicar melhores condições económicas.
A partir do momento em que pretensamente se aproximem e equiparem as diversas carreiras profissionais e o seu efectivo exercício tudo é possível que venha a acontecer, inclusivamente aguentar com o pau, porque as costas já as puseram a jeito.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Brandas ou Verandas?

Não abundam as referências aos pequenos aglomerados de casas que salpicam as montanhas da serra da Peneda. A fazer fé no dicionário Priberam, Branda é um nome utilizado no Minho para designar uma tapada ou pastagem nas montanhas. É alguma coisa mas muito pouco para descrever a importância das brandas na economia rural do Alto Minho e numa economia mais globalizada que é o turismo rural na actualidade.
O saudoso Padre Bernardo* foi um acérrimo defensor da Veranda. E justifica: "A palavra correcta é veranda, de verão, e bem o justifica o fenómeno etnológico de Castro Laboreiro onde a maioria do povo tem duas povoações, a saber, a veranda onde passa o verão e a maior parte do ano e a inverneira onde passa o inverno" .
Então porquê o uso tão comum de Branda? O mesmo Padre Bernardo explica: "A pronuncia estropiada de branda em vez de veranda compreende-se. Cá na região o povo substitui facilmente a letra v pelo b e diz binho, baca, cabalo, bista, o que explica a troca de pronúncia da primeira letra de veranda. A segunda letra da palavra, um «e» mudo antes de «r», esvai-se facilmente antes da pronúncia como em palavras semelhantes, ao menois cá no região onde o povo diz: esp'rança, pref'rência, ref'rência ..."
Pessoalmente inclino-me para Branda, que me desculpe o eminente teólogo, porque é assim que a minha gente pronuncia, porque é mais fácil, soa muito bem e assenta perfeitamente na paz de espírito, na brandura do clima e no sossego que ali se vive.
Para quem não souber, as brandas são (eram) pequenos aglomerados de casas simples, em geral com uma só divisão, quatro paredes e um tecto de telha vã, sem outro conforto que não fosse uma lareira para cozinhar e um cama, um catre de madeira com um enxergão de tomentos cheio de palha de centeio, eventualmente uma arca para guardar as provisões.
Em torno das casas ficam os campos de feno e as "tapadas", pequenas propriedades cercadas com muros de pedras soltas onde se recolhiam os animais para pastar e pernoitar, embora o maior manancial de pastagens venha dos extensos baldios que se alongam pela serra. Regra geral, em todas as brandas existe uma capela dedicada a um santo ou santa.
O acesso a esses lugarejos era feito a pé ou em carros de bois e apenas eram habitados pelos "brandeiros" após as sementeiras de Maio, regressando em Setembro para fazer as colheitas e também porque o aproximar do Inverno tornava a vida ali impossível.
Como bem escreveu Miguel Torga, "preparava a casa de inverno para quando chegasse a hora da transumância e toda a família —pais, irmãos, gados, pulgas e percevejos— descesse dos cortelhos da montanha para os cortelhos do vale, abrigados das neves".
A maior e talvez a única concentração de Brandas situa-se na Serra da Peneda, na confluência dos concelhos de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez, sendo as mais conhecidas a de S. Bento do Cando, a de Aveleira e a minha preferida, Santo António de Val de Poldros.
Outras existem, ou existiram, mas que vão perdendo significado porque vão sendo abandonadas: o meu Outeiro, Covelo, Mourim, Bouça dos Homens, Furado, Junqueira, Gorbelas, Bordença... e a Peneda, que foi branda mas o culto da Senhora das Neves transformou no maior centro mariano de peregrinação do Alto Minho.
Nesta época do ano aqueles lugarejos fervilham de vida, porque ali está-se de bem com Deus e com a Natureza.
E só agora fiquei a saber, através de uma telenovela realizada em Arcos de Valdevez por um conhecido canal privado de televisão, que os lobos são terríveis predadores de galinhas!!!

*PINTOR, Padre Manuel António Bernardo, Obra Histórica, Monção, 2005

terça-feira, 21 de julho de 2009

Perplexidade...

Foi o estado em que eu fiquei ao ler o aviso n.º 12770/2009, publicado no Diário da República, II Série, de 21 de Julho.
Trata-se de um "Procedimento Concursal para ocupação de um posto de trabalho na carreira/categoria de Assistente Operacional, na modalidade de Contrato de Trabalho em Funções Públicas por Tempo Indeterminado" e ainda constituir uma reserva de recrutamento válida por dezoito meses, o que vai gerar, certamente, muitas expectativas para quem procura um emprego.
Mas o que mais perplexidade causa é a descrição de funções e o grau de exigência das provas que os candidatos(as) têm de superar, bem como a catrefada de diplomas legais que têm de estudar para as mesmas.
No âmbito das funções a desempenhar "Compete genericamente ao Assistente Operacional, tal como previsto na caracterização da respectiva carreira no Mapa anexo à Lei n.º 12 -A/2008 de 27 de Fevereiro, funções de natureza executiva, às quais corresponde o grau de complexidade 1, de carácter manual ou mecânico, enquadradas em directivas gerais bem definidas e com graus de complexidade variáveis, a execução de tarefas de apoio elementares, indispensáveis ao funcionamento dos órgãos e serviços, as quais podem comportar esforço físico, implicando responsabilidade pelos equipamentos sob sua guarda e pela sua correcta utilização, procedendo quando necessário, à manutenção e reparação dos mesmos, designadamente, em conformidade com o estabelecido no Mapa de Pessoal da Inspecção -Geral da Administração Interna e tendo em conta as atribuições, competências e actividades da Secção de Processos e Expediente Geral, da Secção de Pessoal e de Economato, do Serviço de Inspecção e de Fiscalização, do Núcleo de Apoio Técnico e do Secretariado de Apoio à Direcção, tais que a reprodução de documentos e execução de todas as tarefas de apoio geral aos serviços e actividade da referida Secções e Serviços".
O resto pode ser lido aqui, se tiverem interesse e pachorra para tal.
Em duas palavras eu diria que o assistente operacional é o "burro de carga" o "pau para toda a obra", o correspondente numa concepção algo fora de moda a "mainato(a)".
Quase arriscava afirmar que os requisitos para ocupar cargos importantes nos órgãos superiores de direcção e administração das grandes EPs não são tão exigentes.
Pelo menos não consomem tanto espaço no DR.

sábado, 11 de julho de 2009

O Pote do Caldo

É bom parar um pouco, ver, observar, encontrar amigos de infância, conversar, recordar.
Foi o que me aconteceu uns dias atrás quando passeava descontraidamente pela pacatez e aconchego da histórica e secular vila de Monção. Na esplanada do Escondidinho encontrei dois “velhos” conterrâneos, vizinhos de Modelos e amigos: o Nelo do Púcaro e o Armando do Senso. Ambos fazem parte de uma geração um pouco anterior à minha e experimentaram o sabor amargo da emigração, no tempo em que se ia “a salto” para terras gaulesas por diversas razões mas principalmente devido a enormes carências económicas.
E foi em torno desta problemática que a conversa fluiu, quer em termos de análise da actualidade, quer recordando aqueles tempos e estabelecendo termos de comparação.
Naquele vasculhar e avivar de lembranças de outro tempo, discorremos sobre as lavradas (fiquei a saber que a última, no lugar de Modelos, era a do Jeremias, com direito a lançamento de um foguete e para a qual era feito convite através de uma criteriosa selecção), sobre os incidentes no exercício da pastorícia com as vezeiras que povoavam a serra, a asfixia dos povos da montanha com a política florestal implementada pelo Estado Novo e os proveitos que essa política também levou àqueles confins do mundo, as dificuldades por que passaram as famílias numerosas, nas quais nos integrávamos tanto eu como o Nelo, compostas por agregados familiares a rondar a dezena de elementos…
Aqui, o Armando, talvez porque na família dele, um agregado familiar de reduzida dimensão (seriam três ou quatro irmãos), não se teria feito sentir muita aflição para prover o sustento de todos, exclamou sorridente:
- Eh, pá! Devia ser complicado alimentar aquela gente toda!
Com o conhecimento de causa que a minha memória conserva retorqui:
- Não era nada, era só uma questão de fazer mais ou menos caldo…
Acrescentou o Nelo:
- É verdade, minha mãe tinha dois potes, um de sete e outro de nove tigelas…

sábado, 4 de julho de 2009

Raly Sprint (quê?)

Com o alto patrocínio das Câmaras Municipais de Monção e Melgaço, vai realizar-se a 18 de Julho um evento automobilístico designado "Raly Sprint Alvarinho".
Nada me move contra estes eventos mas o local para esta realização é que não me parece nada adequado.
Como se pode verificar no prospecto do programa, o percurso inicia-se junto da escola primária de Riba de Mouro, uma infraestrutura que se encontra encerrada por causa das novas políticas educacionais, desenvolve-se numa primeira fase, em jeito de aquecimento, até ao Monte do Santo e dali, em competição, até Bogalheiras .
O que certamente muita gente desconhece é que o itinerário assenta num antigo caminho florestal que rasgou a serra de Riba de Mouro até ao Batateiro, passando por Cavenca, Santo António de Val de Poldros e Aveleira e pelo caminho é fácil encontrar pessoase animaisDepois dos malfadados "birabentos", só faltava mais esta "novidade" para estragar o sossego e a harmonia das "minhas montanhas lindas".
E a designação "Alvarinho" será a propósito de quê?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Opróbio II

"Quem não se sente não é filho de boa gente", diz o povo, e eu, como filho do povo e de boa gente, senti-me ultrajado com o teor do vídeo a que aqui fiz alusão. Senti e agi em conformidade, alertando quem de direito para a afronta de que foi vítima a Instituição e, consequentemente, todos que dela fazemos parte.
A reacção foi firme e adequada.
Parece que, finalmente, a razão começa a prevalecer sobre a ignomínia e o Provedor do Espectador veio agora sugerir aos responsáveis que peçam desculpa à GNR. Isto já depois de o vídeo ter sido removido do site da RTP e do Sapo Vídeos.
Sobre o mesmo assunto foi igualmente publicado um artigo na versão impressa do JN de hoje, da autoria de Dina Margato, que procurou obter as reacções da RTP2, tendo-lhe sido dito que "nunca se pensou que o vídeo em questão pudesse ser interpretado fora da nota humorística que caracteriza o programa" e também do autor do "sketch" que se limitou a dizer "compreendo que possam ter-se sentido ofendidos, mas não foi minha intenção", entre outras "graças" de gosto duvidoso. É pouco, muito pouco, quer da parte da RTP2, quer da parte do autor.
O mínimo que se pode exigir é, efectivamente, um pedido de desculpas inequívoco já que os danos da ofensa irão prevalecer ligados à maléfica frase "adopte um gnr" e só o tempo determinará a real dimensão dos efeitos produzidos.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Opróbio

Aí está, ao mais alto nível, a nova vaga de "humoristas", que emerge do tempo em que se consolidaram as mais amplas liberdades. E com divulgação pública num órgão de comunicação social suportado pelos impostos dos contribuintes. O que aqui se vê e ouve não é uma sátira, nem uma rábula, nem uma anedota, nem um chiste... É uma refinada e baixíssima forma de insulto a uma instituição e aos milhares de elementos que nela exercem com dignidade a sua profissão.
Espero encontrar os responsáveis no único sítio onde se dirimem estes casos ou então deixarei de acreditar em conceitos como justiça, honra, dignidade, carácter, respeito...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ponto Final

Eduardo Discoli percorreu milhares de quilómetros a cavalo, com o inseparável "Chalchalero", mas foi encontrar o fim do mundo em Eilat, Israel, nação onde entrou em 4 de Agosto do ano passado, não podendo imaginar que se estava a meter num beco sem saída.
Agora surge o apelo à comunidade internacional com vista a angariar fundos para trasladar os cavalos para o Brasil e dali rumar a casa.
Aqui ficam as referências para o caso de alguém querer ajudar...

Banco (Bank en alemán) : Volksbank Nahe-Schaumberg eG
Nombre del poseedor: Guillermo Neis
Cuenta (Konto, en alemán) Nr.: 333913
IBAN: DE 40590995500000333913
BIC: GENODE51NOH
Motivo de la Transferencia: Eduardo Díscoli

terça-feira, 23 de junho de 2009

A Alguém que já não volta

Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental, Sonetos

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Para Aquecer

A coisa começou mal, isso já era sabido. Mas nunca pensei que a demagogia e a pouca vergonha fossem tão longe.
Entusiasmado com os incentivos apregoados para a aquisição de sistemas alternativos para aquecimento de águas sanitárias, pesquisei informação na internet e sondei alguns instaladores certificados.
Na internet está tudo bem explicadinho:
***
O Sol quando nasce é para todos. E a energia solar também.
Beneficie do programa de incentivo à utilização de energias renováveis, com condições especiais e garantia de poupança.
Vantagens na aquisição:
- Serviço "Chave-na-Mão": financiamento, equipamento e instalação;
- Manutenção e Garantia do equipamento assegurada durante 6 anos;
- Comparticipação imediata do Estado no valor fixo de € 1.641,70;
- Benefícios fiscais de 30% do custo do investimento em sede de IRS com máximo de €796;
- Cerca de 20% de poupança na factura do gás;
- Facilidade no processo de encomenda;
- 100% de financiamento em Crédito Individual/Pessoal com condições especiais:
- Euribor a 3 meses + 1,5%;
- Só pagará juros após instalação do equipamento;
- Possibilidade de pronto pagamento.
As Marcas:


Os Bancos:
Banif
BES
BPI
Caixa Geral de Depósitos
Crédito Agrícola
Millennium BCP
Montepio
SantanderTotta
Os preços (clique na imagem para aumentar):
Fonte: http://www.paineissolares.gov.pt/incentivo.html
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Até aqui correu tudo bem, mas quando contactei alguns fornecedores e instaladores de equipamentos da mesma marca e nas mesmas condições fiquei estupefacto: É possível adquirir os mesmos produtos fora do programa de incentivos a preços inferiores aos praticados pelos bancos aderentes, mesmo contando com o desconto da parcela financiada pelo Estado. E ainda acresce o benefício fiscal através da dedução no IRS...
Afinal, a quem beneficia esta autêntica "banha da cobra" tão cara ao nosso primeiro?