sábado, 23 de janeiro de 2010

Viaturas do Estado

A circulação de viaturas do Estado sem seguro obrigatório foi tema recentemente na comunicação social e deu azo a inúmeros comentários mas sem qualquer reacção oficial.
Sem procuração de ninguém para assumir a defesa da Nação, deixei o meu ponto de vista no sítio do costume.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Gastronomias II

ali me referi a um prato típico de Monção, muito apreciado por quem gosta, e eu sou um dos seus apreciadores. É o cabrito, anho ou reixelo à moda da terra. E também lá plasmei o epíteto porque é conhecido cá no burgo, para o qual existem diversas explicações, qualquer delas capaz de satisfazer a curiosidade de quem quiser saber a razão de tal reputação.
Agora foi dada a conhecer publicamente, pela voz do Presidente da Autarquia, a intenção de se proceder à certificação da "Foda à Monção",  para "evitar que não haja uma delapidação" desse património gastronómico concelhio. E parece que a intenção é certificar esse prato típico assim mesmo, tal como é anunciado nos cardápios dos restaurantes locais.
Sinceramente acho a ideia de muito mau gosto. Não a certificação mas a designação. Foda é um vulgarismo que significa relação sexual, cópula ou ainda coisa desagradável ou insuportável e na verdade um prato de cabrito à moda de Monção não será nada disso, a menos que as suas virtualidades sejam tão corrompidas que os potenciais consumidores acabem os seus repastos com a expressão: - Mas que grande foda!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Brumas


Por entre as brumas matinais vislumbram-se as ameias de uma construção que não sei bem o que é. Situa-se na ilha de Fillaboa, como é designada por nuestros hermanos, no curso internacional do Rio Minho, junto à foz do rio Tea.
Se há algum sítio onde possa esconder-se o saudoso Rei D. Sebastião, esse sítio é mesmo ali. Até me quis parecer que por lá pastava o seu fogoso corcel...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Aneurisma da Aorta Abdominal

Fixem este nome, principalmente os homens com mais de 65 anos. O aneurisma da aorta abdominal (AAA) é uma das principais causas de morte súbita nessa faixa etária. Porquê? Porque se desenvolve silenciosamente, sem dor e sem sintomas específicos, e quando se dá a rotura na "canalização" mais de metade dos afectados não chega ao hospital com vida.
Como é que eu sei destas coisas?
Bom, o facto de dispor de tempo mais que suficiente para cuidar de mim levou-me a ir assistir a uma sessão de esclarecimento realizada anteontem no auditório da Biblioteca Municipal de Monção, realizada por um especialista em Cirurgia Vascular do Hospital de S. João no Porto com o patrocínio da Medtronic, uma empresa do ramo das tecnologias médicas.
A aula tinha como público alvo, especialmente, os alunos da Universidade Sénior de Monção mas era também aberta a quem quisesse participar, mediante inscrição prévia. Foi o que eu fiz e não dei o pouco tempo que lá permaneci por mal empregue.
Quais são as causas para o desenvolvimento de um AAA?
Todas aquelas que se relacionam com problemas vasculares, nomeadamente o tabagismo, diabetes, colesterol elevado, hipertensão, doenças cardiovasculares e muito especialmente a aterosclerose.
Como se pode diagnosticar?
Muito simples, através de uma simples ecografia abdominal, que deverá realizar-se anualmente a partir dos 60 anos de idade.
Estranhei foi a escassa participação masculina que não chegava a 1/4 da assistência. De facto, ou a divulgação foi escassa, ou os homens de Monção são demasiado "machos" para se preocuparem com essas "mariquices". Ou então confiam cegamente no antídoto natural produzido nesta região para todas essas doenças, como referiu, gracejando, o senhor Presidente da autarquia que fez questão de estar presente, numa clara alusão ao famoso "alvarinho".
E ainda fiquei a saber que o célebre nobel da física Albert Einstein morreu vitimado por um AAA...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Casamento ou União de Facto?

Em Monção já existe há muito tempo um monumento com um célebre poema de João Verde, poeta regionalista que nos fala de um namoro antigo entre o Minho e a Galiza mas cujo casamento não se pode realizar porque os pais não o permitem.
Vendo-os assim tão pertinho
A Galiza mailo Minho
São como dois namorados
Que o rio traz separados
Quasi desde o nascimento.
Deixá-los pois namorar
Já que os pais pera casar
Lhes não dão consentimento.
O mesmo poema foi recentemente integrado num painel que se encontra do outro lado da fronteira, junto à ecopista que ladeia a margem direita do Rio Minho, à entrada do magnífico parque "A Canuda", acompanhado por um outro mais optimista da autoria de um poeta galego de nome Amador Savedra e que reza assim:
Se Dios os fixo de cote
um pra outro e teñem dote
Em terras enparexadas,
Pol'a mesma auga regadas
Con ou sin consentimento
D'os pais o tempo ha chegar
Em que teñam que pensar
Em facer o casamento.
Penso que Savedra era um visionário e um optimista, talvez fruto de um sentimento nacionalista que via no norte de Portugal um prolongamento natural da Nação Galega. Se bem que não houve casamento, existe na realidade uma verdadeira união de facto entre as duas regiões, o que na prática vai dar ao mesmo. E nem foi preciso a Assembleia da Republica legislar ad hoc.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Geada na Lama


Durante o início da noite passada choveu e de madrugada caiu gelo em cima do solo encharcado em água. Diziam os mais velhos da minha terra: geada na lama, chuva na cama. E parece que tudo se conjuga para que assim seja ainda já que as grossas nuvens que agora encobrem o sol radioso com que se iniciou este dia prometem chuva em abundância.
Mas apesar do frio, o sol matinal convidava a sair e eu assim fiz. Dei início à minha caminhada em direcção a Salvaterra e à medida que me aproximava do rio mais me embrenhava no manto de nevoeiro que cobria o seu caudaloso leito.
O frio era muito e era bem evidente pela fumaça que saía das minhas "ventas" mas isso não fez esmorecer o meu entusiasmo.
Valeu a pena.
Não é todos os dias que se vê desaparecer a ponte em lado nenhum...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Adeus 2009


Adeus, dissemos
E nada mais de então ficou
De asas quebradas
Foi a ave branca que voou
Voa lá alto, que eu morro, bem sei, sem voltar
Cantem as aves do monte qu'eu fui ver o mar.. .

Ai,
Não sei de mim;
Ai,
Não sinto nada..
Ai,
E nem,
Voltei.

Hou Hou Hou!!!


Surpresa bonita que parece voltar a repetir-se esta noite no aeroporto de Lisboa. Gostava de ter estado lá, assim meio aparvalhado, como se pode observar na assistência...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A Ecopista do Rio Minho

Volto à Ecopista do Rio Minho porque considero-a a obra mais emblemática da autarquia dos últimos anos e merece o nosso maior respeito e carinho.
O apeadeiro de Nossa Senhora da Cabeça, em Cortes, foi totalmente remodelado para ser ali instalado um centro de interpretação.
Penso que de centro de interpretação tem pouco mas, além de servir de abrigo e local de repouso, dispõe de diversas gravuras que ilustram um pouco da história dos caminhos de ferro em Monção.
Acontece que a imensa humidade que se entranha naquele espaço e a forma como estão expostas as gravuras conjugaram-se para provocar uma rápida degradação da mancha gráfica, factores que aliados a algum vandalismo ou mesmo a curiosidade de quem observa os quadros farão com que dentro de pouco tempo apenas exista um suporte em branco.


Como já referi em post anterior, não basta fazer obras, é preciso velar pela sua conservação e neste caso é urgente que se faça algo para evitar o desaparecimento prematuro de tão preciosa informação.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Santo António de Val de Poldros II

Há cerca de dois anos lançava eu um apelo, aqui da minha "tribuna", para que as entidades competentes travassem qualquer tendência especulativa sobre o espaço que é de toda a humanidade e não apenas dos seus titulares.
Referia-me à Branda de Santo António de Val de Poldros, um espaço que, além da beleza natural, carecteriza-se e orgulha-se de possuir a maior concentração de cardenhas feitas totalmente de granito e xisto e que tão mal têm sido tratadas nos últimos anos.
Felizmente a minha preocupação colheu eco no executivo municipal que decidiu avançar com a "elaboração do Plano de Pormenor de Salvaguarda de Santo António de Vale de Poldros", conforme consta no site da Câmara Municipal de Monção.
Louvável iniciativa que já se impunha há muito tempo mas mesmo assim mais vale tarde do que nunca.
Entretanto já muitas asneiras, para não dizer verdadeiros crimes contra o património histórico e cultural, foram cometidas. E se já não se pode recuperar o que foi destruído, ao menos que se proteja o que existe.
Bem à vista de toda a gente existem exemplos do que foi feito de mal e daquilo que se pode fazer bem para preservar as típicas cardenhas. Para isso nem é preciso gruas, como eu já vi por lá...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ciência e Orgasmos

Há dias ouvi o maestro Miguel Graça Moura dizer que está provado cientificamente que a parte do cérebro humano que guarda e promove o gosto pela cultura e pela aprendizagem permanente é a mesma que se ocupa dos orgasmos.
Eu não sei se é verdade ou não, nem vou questionar. Ele disse, está dito. Certamente haverá algumas bases cientificas para tal, o que me leva a compreender melhor a razão de os investigadores e pessoas que chafurdam toda uma vida em busca de mais e melhor conhecimento e no desenvolvimento de novas e rebuscadas teorias serem, numa grande base de incidência, solitários e incapazes de sustentar uma relação normal porque não há ninguém com pachorra para os aturar.
Isto é uma conclusão minha, sem qualquer base de trabalho que a sustente, mas como eu sou um bocado limitado nessas coisas de ciência...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mesmo com o sacrifício da própria vida.

O título deste artigo é a parte final da fórmula adoptada para a cerimónia de entronização de todos os militares na vida castrense. É também adoptada na Guarda Nacional Republicana, uma vez que é uma força de segurança de natureza militar, como diz a diversa legislação aplicável. É um juramento em que se hipoteca a própria vida ao serviço da Nação e muitos têm sido postos à prova perante esse supremo compromisso.
Só que a disponibilidade da própria vida não pode servir de pretexto para um agir descuidado, desprevenido ou mesmo irreflectido e uma norma que tem de ser indelevelmente gravada na mente de cada soldado é a segurança pessoal. Mesmo que a adopção dessa norma transmita uma imagem de força exagerada, mesmo que corramos o risco de ser apodados de "cow-boys"... A segurança deve ser a palavra de ordem sempre que haja que intervir em qualquer acção policial, desde a operação meticulosamente planeada para combater o crime organizado à mera operação de rotina no controlo e fiscalização do trânsito ou no apoio à comunidade escolar.
Por isso não compreendo a adopção de medidas impostas por quem está comodamente instalado "lá em cima", no gabinete, e determina que no final do serviço a arma seja entregue e depositada no armeiro.

Sempre me manifestei adverso a essa medida por razões diversas: A primeira é que se trata de "passar" um atestado de incompetência aos guardas, a segunda porque se pretende com essa medida suprir a falta de investimento em equipamento, formação e treino de tiro policial, a terceira porque transmite a ideia errónea de que o serviço terminou com a entrega das armas... A ordem pode ser assim ou na inversa, tanto faz.
Na minha perspectiva, o agente policial que termine a formação inicial e passe a integrar os efectivos na sua plenitude deveria ser dotado do equipamento, inclusive a própria arma, do qual se faria fiel depositário enquanto se mantivesse ao serviço activo ou até que lhe fossem aplicadas medidas restritivas ao exercício pleno das funções.
Poderá não ser este sequer o principal problema das forças de segurança e especialmente da GNR mas, se calhar, adicionado a muitos outros, constitui uma das causas que revelam as fragilidades que se acentuam cada vez mais nas células que mais mal tratadas têm sido nos últimos anos: os Postos Territoriais.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Ecopista do Rio Minho

A ecopista do Rio Minho, inaugurada há cerca de cinco anos, resultou do aproveitamento de um troço desactivado da linha de caminho de ferro que ligava as localidades de Valença e Monção.
Inicialmente numa extensão de treze quilómetros, desde a Casa da Guarda em Valença até ao apeadeiro da Senhora da cabeça em Cortes, Monção, foi considerada a primeira infraestrutura do género em Portugal. Recentemente foi também ampliada com mais três quilómetros, desde Cortes à estrada que liga Monção e a localidade galega de Salvaterra do Minho, sendo intenção da autarquia monçanense projectá-la até ao parque termal das Caldas.
Percorrê-la, a pé ou de bicicleta, constitui um exercício físico e mental extraordinário e quem se dispuser a efectuar ligeiros desvios pode observar os inúmeros pontos de interesse que o traçado oferece.
O reconhecimento da qualidade desta obra magnífica está bem patente no honroso quarto lugar na categoria de Desenvolvimento Sustentável e Turismo do Prémio Europeu das Vias Verdes que lhe foi atribuído recentemente, num concurso realizado na Bélgica e organizado pela Associação Europeia Greenways (E.G.W.A.) e Ministério do Turismo da Comunidade Alemã da Bélgica, com o apoio da Fundação espanhola para a Biodiversidade e da Direcção-Geral das Empresas e Indústria da U.E.
Mas não basta fazer obra e descansar à espera dos frutos. A manutenção também se impõe e quanto mais cedo se efectuarem as intervenções necessárias mais fácil e menos dispendioso se tornará.
Ao longo do percurso já são visíveis os danos provocados pelo desenvolvimento subterrâneo de raízes que levantam o pavimento. E nesta altura do ano, com as chuvas e queda de folhas e ramos das árvores,  são muitos os detritos minerais e vegetais que se vão acumulando na via. A agravar este cenário há o assoreamento, ocasional ou intencional de valetas e gateiras por onde se escoam as águas tanto da chuva como das diversas nascentes que se encontram ao longo do percurso.
Talvez a contratação de um cantoneiro (ou técnico de manutenção) fosse útil para resolver as pequenas anomalias que se verificam, podendo ainda exercer algum policiamento já que é notório o abusivo apascentamento de animais nos taludes, além de gerar um posto de trabalho que tanta falta faz.
O caso mais flagrante é o que a fotografia documenta. São cerca de 10 metros de pista que ficam submersos por uma camada de água, suficientemente alta para encharcar o calçado e os pés de quem ousar passar a pé.

Uma semana antes voltei para trás e alertei a autarquia responsável para o problema mas o mesmo ainda subsiste. Desta vez passei encavalitado na "ginga" e aproveitei para efectuar o registo fotográfico.
Talvez esta forma de divulgação seja mais eficiente...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Quadro de Honra

Mesmo na noite mais triste, Em tempo de servidão, Há sempre alguém que resiste, Há sempre alguém que diz não.
O contexto não é o mesmo mas estes versos encaixam bem no tema que me traz aqui de novo. Maria da Conceição seria mais uma maria se não fosse capaz de dizer não a um estilo de vida bem português: acomodado, explorado, resignado...
Eu fico particularmente extasiado com as capacidades empreendedoras de inúmeros portugueses e portuguesas que por esse mundo fora elevam bem alto o nome de Portugal. E Maria da Conceição, com apenas 32 anos de idade, já figura, com todo o mérito, entre aqueles, que por obras valerosas, se vão da lei da morte libertando.
Mas uma dúvida permanece e provoca-me alguma inquietação: Se vivesse e desenvolvesse um projecto da mesma natureza em Portugal obteria o mesmo reconhecimento?

sábado, 14 de novembro de 2009

É crime, sim senhor!

Crime contra a humanidade é também o que os poderes financeiros e económicos, com a cumplicidade efectiva ou tácita dos governos, friamente perpetraram contra milhões de pessoas em todo o mundo, ameaçadas de perder o que lhes resta, a sua casa e as suas poupanças, depois de terem perdido a única e tantas vezes escassa fonte de rendimento, quer dizer, o seu trabalho.

Não pode ser lido literalmente porque, de facto, este crime a que se refere José Saramago não consta de nenhum código penal, nem de qualquer declaração sobre direitos humanos, nem do velho nem do novo testamento.
Por isso, os "senhores do dinheiro" vivem tranquilamente, à grande e à francesa, não se incomodando minimamente com as verdadeiras tragédias humanas que a sua ganância provoca.
Era bom que fossem bem investigadas as falências de empresas cujos administradores se locupletaram com avultadas somas de dinheiro do erário público para as viabilizar e no final lançam para o desemprego dezenas, centenas de trabalhadores, deslocalizando a produção ou simplesmente mudando a designação para continuar a "chuchar" na teta da "vaca"...
Era bom que se investigasse bem onde foram parar os milhões que se esfumaram nas jogadas de interesse de certas instituições financeiras...
Era bom para o povo mas não era bom para os deuses...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Nulidades II

Pronto, já sabemos o que o STJ acha desta coisa estranha de um primeiro-ministro ter sido apanhado em escutas telefónicas em conversas com um amigo de alto coturno: não valem porque não foram autorizadas pelo STJ. E como é que o STJ autoriza uma escuta se não tiver indícios suficientes para tal? Não autoriza, porque não é válido que outros lhe levem os indícios cuja recolha só o STJ poderia fazer. E como é que o STJ poderia investigar um PM se não houver indícios suficientes, cuja recolha só pode ser autorizada pelo STJ?
A isso, meus amigos, a resposta está no vento
.
É assim que o senhor José, da Porta da Loja, define o "embrulho" de que tanto se fala. Claro que é uma ironia mas seria bom que perguntassem ao "pai" do actual Código de Processo Penal como é que se pode sair daquele círculo vicioso sem que o povo se veja confrontado com uma justiça cega para uns e convenientemente arguta para outros.
E para quem disser que a culpa é das leis, também por ali se pode ver a resposta, constante do art. 13.º, n.º 1, da Lei Fundamental: Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
Serão? Eu ainda vou mais pelo sétimo mandamento de Napoleão em Triunfo dos Porcos, de George Orwel: Todos os animais são iguais mas alguns são mais que outros.



Vídeo sacado dali

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nulidades


Parece que andamos num jogo do empurra para ver o que se há-de fazer com a gravação em que aparece o nosso primeiro envolvido em mais um imbróglio de contornos ainda mal definidos.
Pelos vistos, o Supremo Tribunal de Justiça decidiu decretar a nulidade da certidão envolvendo escutas telefónicas em que aparece o primeiro-ministro José Sócrates, beseando-se no facto de que "as escutas envolvendo o primeiro-ministro devem ser previamente validadas por um tribunal superior".
O problema já não é de agora e não é este o primeiro caso que ficará na gaveta devido à nulidade da prova recolhida em circunstâncias idênticas.
Para mim as coisas tornam-se mais simples. A matéria em causa é que deveria determinar se deve ou não instaurar-se um processo para apurar responsabilidades e dar oportunidade aos visados de se defenderem. No caso de haver matéria indiciadora de responsabilidade criminal, a autoridade judiciária deverá validar a prova, à semelhança do que ocorre em inúmeras acções de investigação.
Só que este caso tem muitas particularidades, a começar pelas entidades que deverão decidir o que fazer com aquilo e culminando nas personalidades envolvidas.
Assim, mais uma vez ficamos a saber que a justiça não é tão cega como a pintam e que as nulidades não são apenas as que constam dos códigos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tesourinhos do MAI

Foram muitos os funcionários dependentes do MAI que viram os seus esforços reconhecidos com um merecido louvor.
É justo e merecido reconhecimento para qualquer um, mesmo sendo soldado da Guarda Nacional Republicana, mesmo destacando-se a sua acção nos jantarinhos que sexa organizava lá para os lados da Praça do Comércio...
Mas há ali duas coisas que não "encaixam". Uma é a designação de "soldado" quando é sabido que desde a publicação da lei Orgânica em 2007 passaram a denominar-se de "guardas". A outra é a aplicação do substantivo masculino "o soldado" a uma guarda do sexo feminino. Em boa verdade deveria ser "a soldado" ou "a guarda".

Sexa não tem culpa. Tem lá os assessores para fazer o trabalho mas parece que andam ocupados com tarefas mais importantes.