domingo, 12 de dezembro de 2010

A Hidra

Há um monstro terrível à solta que mina as instituições, descredibiliza a política e corrói a sociedade. Toda a gente o sente bem perto, toda a gente o teme e toda a gente acaba por se conformar com a sua daninha companhia. Esse monstro chama-se corrupção.
A corrupção já abalou nações, já fez cair governos, já levou pessoas à cadeia mas em Portugal institucionalizou-se. E quando alguém tenta contrariar esse instituto acaba por trilhar os pedregosos caminhos de um calvário que lhe deixará marcas para o resto da vida.
E enquanto cruzarmos, com desdém, os inertes braços a hidra, essa maldição tão antiga, continuará a envenenar a vida de cada um de nós.
Hare baba!!!

sábado, 11 de dezembro de 2010

O Coronel

Tive hoje acesso a uma excerto da gala da TVI de 09 do corrente mês em que actua Pedro Abrunhosa envergando um dólmen que faz parte da farda de gala de um coronel de cavalaria da GNR. É uma peça de vestuário emblemática apesar de, por vezes, incómoda e um dos poucos símbolos da "velha" Guarda que ainda não sofreu depreciação.
Não critico a atitude do cantor. Só lamento a anuência, para tal, do titular daquela peça de vestuário que, com esse gesto, revela que também nas cúpulas da hierarquia existem alguns stronzos.

domingo, 7 de novembro de 2010

Fusões e Infusões

Em tempos de aperto não faltam fazedores de opinião a dar palpites sobre como e onde "cortar" nas despesas, como "emagrecer" a administração, como extinguir órgãos e serviços, até já há quem tente delinear um novo mapa administrativo. Em regra são pessoas bem instaladas e as medidas que propõe não as beliscam minimamente. E, com o uso massivo das novas tecnologias, de imediato é estabelecido o debate em fóruns de discussão das matérias onde, quase sempre sob a capa do anonimato, é permitido tudo.
Esta introdução tem a ver com uma notícia publicada num jornal nacional há algum tempo que tratava de uma eventual fusão entre diversas forças e serviços de segurança com vista a criar uma só polícia de âmbito nacional. A ideia colheu adeptos entre agentes das diversas forças policiais, cujas motivações assentam mais na probabilidades de colherem benefícios individualmente (principalmente no domínio das colocações) do que na convicção de que daí resulta qualquer vantagem para a melhoria do serviço prestado.
Foi desse fórum que nasceu a ideia da petição pública (outro instrumento de difícil concretização sem o recurso às novas tecnologias), cujo destino será a Assembleia da República para apreciação.
Assim se pode compreender que uma notícia, aparentemente avulsa e sem indicação de uma fonte credível, se transforma rapidamente num movimento corporativo visando forçar uma decisão política num caso concreto.
Mas se as motivações não parecem muito claras, o conteúdo ainda o é menos. E, a meu ver, começa mal, muito mal.
O primeiro parágrafo da petição define o objecto "Esta petição visa à extinção dos seguintes OPC´s: PSP; GNR; Policia Marítima e SEF".
Fiquei perplexo. Afinal o que significa aquela sigla que eu sublinhei e relevei a negrito?
Perguntar não ofende e no final da petição deram-me a possibilidade de desfazer a minha dúvida. Perguntei ao autor o que significa e a resposta, dada por um (ou uma) tal ORY é esta: OPC´s sao Orgãos de Policia Criminal (ao seja no fundo é cada uma das policias, a PSP é um OPC a GNR é Outro e por ai...
Perfeitamente esclarecido!!!
Perante isto não digo mais nada. No entanto, aconselharia os promotores da iniciativa a consultar a legislação, nomeadamente o Código de Processo Penal e as leis orgânicas dos respectivos corpos de polícia para ficarem a saber que órgãos de polícia criminal não são sinónimo de Forças e Serviços de Segurança e que a missão das polícias não se esgota na execução de actos ordenados por autoridade judicial conforme é dado a entender erradamente.
Como disse Léon Tolstoi, "a mais potente das armas da ignorância é a difusão do papel impresso". Se fosse hoje certamente  escreveria internet em vez de papel impresso.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Não Choreis os Mortos

Não choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.

E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Das vossas orações, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.

E, ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.

Pedro Homem de Mello, in "Caravela ao Mar"

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Soneto do amor e da morte

Quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. Quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

Quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Os Castros III

Vamos hoje terminar este tema com o último dos castros das margens do Minho, em território de Monção: É o Castro de São Caetano, localizado no lugar de Outeiro em Longos Vales.
A denominação deste local foi definida pela construção da Capela de S. Caetano, entre os séculos XVII/XVIII. A nível arqueológico este castro apresenta um conjunto de três linhas de muralha, definindo-se assim como povoado fortificado de grandes dimensões. O castro de S. Caetano era um povoado típico da Idade do Ferro, com cerâmica indígena, de importação romana, como a ânfora e a sigillata, bem como materiais de construção de influência romana (tegula e ímbrex). São visíveis habitações circulares e sub rectangulares, o que atesta, conjuntamente com o espólio cadastrado, a importância deste povoado desde o século I a.C. até ao século II d.C(CMMonção).
Classificado como Monumento Nacional por Decreto n.º 735/74, DG n.º 297, de 21-12-1974, foi recentemente este local valorizado com uma magnífica infraestrutura - o Centro Interpretativo de S. Caetano - que certamente muito contribuirá para divulgar este património.
O acesso faz-se pela Estrada Nacional 304 até Longos Vales e depois pela Estrada Municipal 1111, bastando seguir as indicações.

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Os Castros II

Retomando o tema dos castros, vamos hoje mostrar o que mais intervenções já sofreu, permitindo identificar a acrópole e diversos troços de das três linhas de muralha.
O castro da Senhora da Assunção situa-se numa colina, a cerca de 250 metros de altitude, na freguesia de Barbeita, em Monção. O nome deste local é conferido pela existência de uma ermida consagrada a N. Sr.ª da Assunção, no topo deste monte, edificada no século XVI. A nível arqueológico este povoado apresenta um conjunto de três linhas de muralha, segundo Maia Marques, definindo assim este habitat como um povoado fortificado. O sítio já foi alvo de intervenções arqueológicas, ficando visível grande parte da acrópole, várias estruturas circulares e sub rectangulares, arruamentos e pátios lajeados, constituindo assim um perfeito modelo de proto-urbanismo que caracteriza os povoados castrejos.  De notar a existência do topónimo Paço, a Norte, muitas vezes associado a vestígios de ocupação romana (CMMonção).
Por todo o Portugal, é muito comum a existência de capelas no cimo das montanhas e aqui também não se fugiu à regra. A sacralização do monte, que certamente teria outra designação, deu-se pelo Séc. XVI podendo afectar algumas construções castrejas, embora com pouco significado.
O acesso faz-se, partindo de Barbeita em direcção a Merufe pela Estrada Municipal n.º 504. A seguir à Igreja há um caminho à direita, com calçada portuguesa e indicações várias, nomeadamente Campo de Tiro, Campo de Futebol e Sr.ª da Assunção, que permite aceder ao topo de automóvel ou outros veículos motorizados ou, em alternativa, como eu fiz: a butes...

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domingo, 10 de outubro de 2010

Os Castros I

Não, não vou referir-me aos célebres Castros da velha nobreza cá do norte. Vou abordar mesmo a temática daqueles velhos aglomerados populacionais, tão velhos que não sabemos ao certo a data da sua implementação. São, seguramente muitos anos mas também não é isso que aqui vou tratar. Vou falar do abandono e do desprezo pelo património da humanidade cujos vestígios quis o destino que chegassem ao nosso tempo.
São três os castros que se situam na margem esquerda do rio Minho, nos limites territoriais do concelho de Monção: Senhora da Graça, em Badim, Senhora da Assunção, em Barbeita e São Caetano, em Longos Vales.
Hoje vou falar apenas do primeiro e que fica mais para nascente.
O castro da Senhora da Graça situa-se no cimo de uma elevação granítica, com cota a rondar os 315 metros, de perfil cónico. Ainda são visíveis algumas estruturas circulares. Provavelmente ocupado desde o Bronze Final à romanização plena, este castro, conjuntamente com os de S. Caetano e Sra. da Assunção, (...) dominava completamente o curso médio do rio Minho, donde tiraria grande parte da sua subsistência. Quanto a cronologias de ocupação, Maia Marques aponta para uma ocupação que iria entre séc. II a.C. ao séc. I d.C. Sendo este sem dúvida um local já intervencionado e que de algum modo se apresenta como um elemento importante para o estudo da Idade do Ferro e do Bronze no Alto Minho (CMMonção).
O acesso ao local faz-se pela estrada municipal n.º 1124 e, à chegada existe um quadro a informar da sua existência, que é um património em vias de classificação e com recomendações para não o destruir nem deixar lixo no local.
No que ao lixo diz respeito, não vale a pena gastar muito tempo. O "turista" interno é insensível a quaisquer apelos dessa natureza. Então mais acima, em torno da capela, o incêndio que abrasou toda a vegetação deixou a descoberto os incombustíveis dejectos que resultam, ao que parece, dos festejos ali realizados anualmente: são dezenas, talvez centenas de garrafas espalhadas pelo monte.
Mas se aqueles dejectos, no que concerne ao património arqueológico, são inofensivos, o mesmo não se pode dizer da abertura dos caminhos de acesso ao santuário que ocupa o topo da colina. Mesmo na borda da estrada podem ver-se a descoberto troços de paredes e muros do antigo povoado, um dos quais pelo lado de dentro de uma habitação castreja, o que revela bem o "cuidado" que (não) houve em preservar aquele património.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Gelo

Que frio é este
Que me gela o pensamento
Que me trava a razão
Que me paralisa a vontade
Que me faz tremer a mão
Que faz a minha vida um tormento?

Que tom de cinza é este
Que não me deixa ver o céu
Que esconde as estrelas
Com um véu
De nuvens negras, tenebrosas
Que oculta o horizonte
E seca a fonte
Da minha inspiração?

Olho e não vejo,
Penso e não entendo,
Tacteio e não compreendo
Este torpor
Malévolo, incompreensível,
Indolor
Que tolhe o corpo e a alma
Como letal veneno
Destrói a calma
E a paz

Vila Nova de Cerveira

É, sem margem para dúvidas, a capital das artes do Alto Minho.
De onde quer que olhemos, Vila Nova de Cerveira absorve-nos num afável abraço, convidando-nos a contemplar os seus encantos sem pressas, como se ali o tempo fosse intemporal.
Ali temos a prova de que o progresso não é incompatível com  a tradição e a história.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Visualizador de Slides

O melhor sítio para alojar fotografias e visualizá-las uma a uma ou em slides é, para mim, o Picasa da Google. Mas tem um inconveniente: o espaço disponibilizado à borla é bastante limitado. Então, temos de procurar alternativas. Que são bastantes mas quase todos enfermam dos mesmos defeitos.
Depois de passar pelo SlaidShou, bastante alegre obrigando-nos a suportar uma série de bonecos insuportáveis, acabei por descobrir, através do meu amigo Ventor, de Adrão, o Shutterfly.
E gosto.
Pode não ser o mais funcional mas para mim basta. Permite ordenar as fotografias de diversas formas, atribuir um título e uma legenda a cada uma e visualizar também de diversos modos, de acordo com os gostos ou necessidades de cada um.
É assim... Para já, vou ficar com este.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Caminhos de Longos Vales

Longos Vales é uma das maiores e mais populosas freguesias de Monção. Percorrer os seus caminhos, diversas vezes e nas diferentes épocas do ano é uma permanente descoberta de cores, de aromas, de matizes e de surpreendentes pormenores, além de nos depararmos com a sua história, as suas tradições e os seus monumentos.
Mas mais do que as palavras dirão, certamente, as imagens que aqui vos deixo.

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Obras

Cansado de olhar há anos para o mesmo boneco, deitei mãos à obra e dei uma pintura quase geral, mudei os "móveis" para retirar o "cotão" que se acumulava por baixo e vamos ver se o frio e a chuva outonais me inspiram para mais uns pedaços de prosa, quer sejam recordações do passado, quer sejam impressões da actualidade.
E confesso que, além de me ocupar bastante a deambular por aí, a falta de actualização deste espaço, bem como do Momentos..., não se deve tanto à falta de tempo nem de temas mas mais ao preenchimento deste espaço pelas redes sociais, especialmente o Facebook.
Perante isto interrogo-me: será que as redes sociais ocuparão o espaço dos blogues na web?
Não sei e também não estou muito preocupado com isso. Mas se houver algum leitor voluntarioso que queira discorrer sobre o tema, faça favor...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Do Rio Tua ao Rio Pinhão - Senhora da Piedade

Sanfins do Douro é terra de machos. Dizem os sanfinenses. Porquê? Nunca o soube e, como sempre ocorre em casos análogos, havia várias explicações. Por serem muito viris, diziam uns, por haver muitos mus devido aos extensos vinhedos em cujo cultivo eram empregues desde sempre, chegando mesmo a competir com os modernos tractores agrícolas, pelo menos enquanto não houve combustíveis subsidiados, diziam outros. De uma forma ou de outra, pouco interessa para o caso.
A verdade porém é que também por lá havia alguns burros… Esse gene asinino manifestava-se frequentemente em pequenas “guerrilhas” de cariz paroquial ou associativo mas havia um evento onde uma estranha rivalidade unia toda a população: a festa da Senhora da Piedade.

A Senhora da Piedade é uma imagem enorme da Virgem, lacrimosa, com o filho Jesus ao colo depois de o terem descido da cruz. É também a designação do local onde tem uma pequena capela e onde permanece durante todo o ano, excepto nos dias da festa, local que constitui um magnífico miradouro sobre o vale do rio Pinhão e mesmo de terras de além Douro.
Todos os anos, no segundo fim-de-semana de Agosto, a festa da Senhora da Piedade faz acorrer a Sanfins inúmeras pessoas, quer sejam dali naturais mas que residem fora, quer das terras circunvizinhas, que procuram diversão e cumprir os votos pelas graças recebidas e que são muitas, a avaliar pelas avultadas oferendas angariadas.
Eram três dias e noites de muito trabalho a acompanhar os comissários nos diversos eventos, no ordenamento do trânsito, na manutenção da ordem, enfim, uma colaboração estreita tendo em vista que tudo decorresse da melhor forma, como era apanágio.
Uma das tradições mais peculiares era a arrematação do andor, isto é, obter o privilégio de carregar em ombros o andor da miraculosa Imagem. Para tal, organizavam-se dois grupos, os novos e os velhos, e ganhavam os que arrematassem o leilão pelo maior lanço, chegando a atingir, nos tempos que eu por lá andava, alguns milhares de contos.
Mas o ponto alto da festa era a majestosa procissão.
O cortejo tinha um itinerário perfeitamente demarcado e ao longo do mesmo aglomeravam-se centenas, milhares de pessoas, que ajoelhavam perante a passagem do andor e atiravam os seus donativos para um caixote previamente instalado na base da pesada liteira.
À frente do andor ia sempre a mesma personagem, o senhor Joaquim Cabeça, velho conhecedor dos usos e costumes, sempre atento a umas notas mal acondicionadas no caixotão ou pendentes de algumas mãos que lá não chegavam. As maiores dádivas eram pregadas no celestial manto da Senhora que assim ficava multicolorido, praticamente coberto de papéis provenientes das quatro partidas do mundo.
No final era costume o senhor Joaquim guardar todo o dinheiro, sem contar e mal acondicionado, em diversos sacos de tecido preto que, devidamente escoltado por três ou quatro agentes da autoridade, transportava para a sua residência e ali ficava guardado da sua mão até se fazer a contagem pela semana adiante.
Naquele ano foi decidida uma nova modalidade que foi transmitida por um elemento da comissão de festas, o senhor Porto Sampaio, ao comandante da força policial: o dinheiro seria recolhido em sacos dos CTT, com fecho de segurança, e guardado no cofre da Adega Cooperativa com toda a garantia.
Da nossa parte não havia quaisquer objecções. Se assim o decidiram estava bem decidido e só tínhamos que nos preocupar com a segurança das pessoas e bens.
Contudo, assim que o andor recolheu à Igreja constatei que algo não estava certo. Em torno do caixote do dinheiro e dentro de um círculo de segurança por nós delimitado, o senhor Joaquim Cabeça e o senhor Porto Sampaio, o primeiro com os sacos tradicionais e o segundo com os novos sacos verdes, procediam avidamente à recolha dos donativos, por entre alguns monólogos imperceptíveis, mais parecendo que estavam a disputar o abundante pecúlio.
Perante aquele cenário antecipei-me aos acontecimentos e ordenei: dois acompanham o senhor Joaquim Cabeça e os outros dois o senhor porto Sampaio.
Assim foi e, como sempre, não se registaram quaisquer incidentes.
Já em casa o senhor Joaquim, aliviado da pesada tarefa e enquanto nos deliciávamos com uma fatia de bola de carne e uma pinga da reserva pessoal, foi confessando as suas amarguras: que sempre tinha sido ele a fazer aquele serviço, que nunca tinha sido colocada em causa a sua integridade e honestidade, que sabia melhor do que ninguém como conduzir o cortejo de forma a obter mais donativos, que não merecia aquela desconsideração…
Penso que a intenção da comissão tinha mais a ver com a transparência do processo e até a própria protecção do senhor Joaquim do que com quaisquer dúvidas acerca da sua honorabilidade. Infelizmente assim não foi por ele aquilatado e a verdade é que há coisas, exigências de procedimentos modernos, que não são fáceis de entender por pessoas como o senhor Joaquim, um veterano membro da comissão cuja conduta nunca merecera qualquer reparo. E compreende-se.


Imagem com direitos de autor.

domingo, 29 de agosto de 2010

O Convento de Ganfei

Outra das jóias arquitectónicas do Vale do Minho é o Convento de Ganfei, próximo de Valença do Minho, mas também aqui o património histórico não se encontra bem tratado, tanto pelos organismos oficiais como pelos proprietários.
A fundação do mosteiro consta que se reporta ao período visigótico e, uma inscrição no claustro refere que foi destruído no ano 1000 pelo chefe árabe Almançor, sendo reconstruído em 1018 por um cavaleiro francês de nome Ganfried ou Ganfei, que se tornou um santo, de cujo nome derivam as designações da localidade e do próprio mosteiro
As novas fachada e capela-mor datam de obras realizadas no Século XVIII, mantendo o restante da traça românica.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Orgulho

Um amigo alertou-me, fui à procura e... achei!!!

Pode parecer banal mas a verdade é que ficamos muito "inchados" e com um sorriso de orelha a orelha...
A minha montra de troféus vai ficar um bocadinho mais ornamentada :)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O Fogo e a Água

Dois dos elementos que mais têm dado que falar nos últimos dias. O fogo tem devorado áreas enormes de mato e florestas. Mãos criminosas desencadeiam a catástrofe e o tempo, muito de feição, faz o resto. Acredito que os voluntariosos bombeiros fazem o que podem mas sozinhos não conseguem opor-se com sucesso a tamanho flagelo. Para cúmulo o cabo Pereira vem estabelecer comparações e dizer que ardeu menos área do que nos anos tal e tal. Deve sentir-se feliz por isso.
De água, cá pelo burgo, estamos conversados. Todos os anos por esta altura é a mesma coisa: as torneiras só deitam vento. Só que esse fenómeno ocorre apenas nas casas situadas em pontos mais elevados. O argumento das entidades responsáveis é sempre o mesmo: consumos exagerados devido ao número exponencial de residentes com a chegada dos emigrantes. Mas se o problema é dos consumos eu desafio a autarquia a fazer um estudo que demonstre onde e quando ocorreram esses consumos e que o divulgue, para sabermos como é, porque eu desconfio de outras coisas e porque são sempre os mesmos a "pagar a factura" da água que as torneiras não deitam.
E depois aparece uma "jóia" destas na comunicação social: As zonas mais altas das freguesias de montanha de Mazedo e Cortes, no concelho de Monção, estão sem água há cerca de uma semana.
Ora, o que a menina Andreia Cruz designa de "freguesias de montanha" são, nem mais nem menos, duas das freguesias mais ribeirinhas do vale do Minho, cujas cotas mais altas devem situar-se entre os 100 e os 150 metros de altitude. E são as que mais sofrem da falta do precioso líquido, vá lá saber-se porquê...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Festas e Romarias...

O Minho é muito alegre, dizem os que por cá passam, e eu compreendo que assim pensem. Mas a verdadeira essência do minhoto não está assim tão visível e, muitas vezes, aquilo que os forasteiros captam, é apenas uma máscara da realidade.
Todos sabemos que nesta época do ano, em especial, há muitas festas, muito estralejar de foguetes, muita folia e folguedo. Mas à custa de quê? Digo-vos eu, de muito trabalho e sacrifícios. Chega a ser verdadeiramente preocupante atender a quantidade de "pedintes" que, de porta em porta, percorrem as aldeias a angariar donativos para a festa de tantos santos quantas as inúmeras igrejas e capelas que existem nos arredores, muitas vezes a multiplicar por dois ou três, conforme o número de oragos que adornam os respectivos altares.
Há uns anos atrás, ouvi do líder da Diocese de Viana do Castelo dizer numa homilia que deveria haver mais contenção  na forma como se esbanjam recursos nas festas religiosas sabendo-se que ao lado se esconde a pobreza, envergonhada. Acho que foi a única coisa de jeito que lhe ouvi em todo o apostolado que exerceu por terras do Alto Minho mas retive-a porque resume, na perfeição, o que eu quero concluir com todo este arrazoado.
Eu ainda admito que sejamos chamados a contribuir para celebrar algo dentro dos limites administrativos de cada freguesia. Agora, sermos importunados quase diariamente para contribuir, pouco que seja, para alimentar folguedos que pouco têm a ver com o nome dos santos invocados, ainda por cima obrigando-nos a contribuir quase que constrangidos, atendendo ao pretexto invocado, acaba por ser fastidioso e de certo modo muito oneroso.
Por isso digo: quem quiser festas que as faça mas com os recursos que obtiverem em cada célula da comunidade e, por favor, não abusem da boa-fé das pessoas. Para os vossos santos tanto faz que tenham mais ou menos espalhafato...

sábado, 10 de julho de 2010

Desabafos de um Guarda

"Nos anos 80 fui colocado numa "velha" companhia da raia terrestre alentejana da, então, muito prestigiada Guarda Fiscal - comparando, claro está, com a, então, mais que obsoleta GNR, que ainda andava de mauser, camisa verde exército, e polainas".
Texto completo aqui.

Começa assim o teor de um email de autor desconhecido que veio parar à minha caixa de correio, não sei se para me divertir se para me aborrecer. A verdade é que fiquei com uma vontade enorme de responder ao autor mas, como é desconhecido, vou tentar com que por esta via oiça o que tenho para lhe dizer.
Começa mal, o senhor guarda, com a comparação que faz logo no início e isso vai afectar todo o discurso. De facto, a Instituição que ele apoda de "obsoleta" era, na altura, e ainda é, uma organização coesa, disciplinada, prestigiada, respeitada e, acima de tudo, reconhecida socialmente. Tanto que ainda prevalece, ao contrário da sua muito "prestigiada" Guarda Fiscal que, como bem se sabe, está morta e enterrada.
Mas que razões estarão subjacentes a este "desabafo"?
À primeira vista tem a ver com o facto de haver refeitórios separados para as diferentes categorias mas... se ficássemos só por aqui eu calar-me-ia e ficava na minha. Contudo, o indignado guarda vai mais longe, muito mais longe, e de desabafo em desabafo sempre vai dizendo que no tempo da "falecida" é que era bom, todos muito amigos, andavam à vontade sem "licença" para entrar ou sair do refeitório, havia obras de arte nas paredes e até os filhos dos soldados, dos sargentos e do comandante se divertiam muito...
Bom... na Guarda Nacional Republicana não era assim. Primeiro porque não havia recursos para adquirir obras de arte, segundo porque nunca os locais de trabalho serviram de creche, ou infantário, ou algo assim e por fim, todos sabíamos das diferenças hierárquicas entre os diversos elementos e das obrigações que isso implicava, não causando qualquer constrangimento o facto de ter de se pedir autorização para entrar num local onde estivesse um superior, de acordo com o que estipulavam os regulamentos internos.
Talvez tenha sido esta última a principal razão pela qual uma Instituição sobreviveu e a outra... esfumou-se...

domingo, 6 de junho de 2010

Mosteiro de Sanfins de Valença

Mais uma arrancada à descoberta dos tesouros arquitectónicos que ainda se podem apreciar pelo Vale do Minho mas que o ostracismo a que são votados parece destinar a fazer desaparecer.
Desta vez atravessei o Vale do Gadanha, rumei a Alderiz, Lara, Gondomil e desde aqui ataquei a serra, pela Estrada Nacional n.º 101-1. A meio da encosta segui as indicações e virei à direita. O objectivo era ir à descoberta do famoso Mosteiro Beneditino de Sanfins, onde existe um dos melhores exemplares da arquitectura românica do norte de Portugal.
Sobre uma plataforma ergue-se a igreja de uma nave, muito alta relativamente à largura, de grande qualidade construtiva, decoração rica e exuberante, características que fazem desta igreja um dos melhores exemplares do românico português. No exterior, as cornijas da nave e da cabeceira são ritmadas por cachorros e capitéis de poderosa volumetria na escultura e assinalável variedade dos temas (link).


A origem deste mosteiro remonta aos primórdios da nacionalidade, embora o convento seja muito posterior. Mas a degradação é bem evidente e a continuar assim não tardará muito que tudo se resumirá a escombros.
Percorri aqueles trilhos numa manhã sombria e solitária. Apenas os fantasmas do passado me acompanharam no reconhecimento breve que fiz por aquelas ruínas, das quais ainda é excepção a Igreja, principal monumento daquele conjunto.
No sepulcral silêncio, apenas quebrado pelo leve agitar dos ramos das frondosas árvores e pelo sonoro canto das aves que por ali esvoaçam e se reproduzem, um arrepio de medo e de raiva percorreu-me diversas vezes o corpo. Medo por sentir-me um intruso num pedaço de história tão longínquo quanto o é, pelo menos, a nossa nacionalidade. Raiva por constatar a triste realidade a que o ostracismo dos homens votou aquele magnífico monumento.
É pena.