quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Para um Novo Ano

Que o Novo Ano tenha 12 meses, 52 semanas, 365 dias (as noites incluídas);
Que acordemos todos os dias com o céu da boca quente e os pés a mexer;
Que o padeiro continue a deixar o pão na porta todas as manhãs (excepto domingos e feriados);
Que os meus amigos continuem a ser meus amigos;
Que eu continue a ser amigo dos meus amigos;
Que venha frio, calor, chuva e sol;
Que as minhas roseiras voltem a florir;
Que as toupeiras me larguem a horta;
Que a bicicleta se aguente por mais um ano (o pai natal não se mostrou generoso a esse ponto e o Menino Jesus não recebeu a minha carta);
Que o Aníbal, ou o Manuel, ou o Coelho, ou lá quem for, seja eleito à primeira volta (evitamos ter de aturar nova campanha e novo acto eleitoral);
Que o actual governo vá à merda;
Que venha depressa o FMI (há muita gente que terá mais razões do que eu para se preocupar com isso)...
...
Sejamos felizes!!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sem Honra nem Glória

Longe dos centros de poder, procuro diária e avidamente actualizar-me acerca do que de importante se passa pelos bastidores da organização para a qual trabalhei activamente durante aproximadamente trinta e três anos (a idade de Jesus Cristo quando foi crucificado). E fiquei ontem a saber que o actual Comandante-Geral, Tenente General Nelson Santos vai transitar para a reserva em Janeiro e, consequentemente, abandonará o cargo. Mas fica no ar a sensação que não será esta a única razão. A ser verdade, sairá da estrutura da Guarda, sem honra nem glória, um homem em quem se depositaram elevadas expectativas.
De facto, o Tenente General Nelson Santos era um militar bem conhecido e conhecedor da Instituição e, depois de um longo período marcado por um Comando distante das bases e demasiado politizado, que culminou com uma profunda alteração orgânica, seria a pessoa mais habilitada a fazer serenar os ânimos e recuperar os índices de confiança e de coesão interna que sempre foram apanágio da Guarda Nacional Republicana.
Assim não aconteceu. A conjuntura não lhe foi favorável mas também não se terá apercebido que a Guarda que veio encontrar não era a mesma que tinha deixado alguns anos antes.
Com efeito, tomou posse como Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana em 6 de Maio de 2008, em pleno curso daquela que foi, talvez, a maior e mais traumática e complexa reestruturação interna operada desde 1911.
Esta reestruturação, imposta pelo poder político e tendo na génese uma visão economicista e civilista, sustentada num estudo encomendado ad hoc e levado a efeito por uma empresa de consultoria externa e que permitiria aligeirar a estrutura de comando e colocar no terreno mais efectivos, acabou numa coisa híbrida entre o que fora proposto e o que vinha do antecedente, feita muito em cima do joelho e com um impacto extremamente negativo no moral dos efectivos especialmente daqueles que, integrando a extinta Brigada de Trânsito com um comando centralizado nas Janelas Verdes e células operacionais dispersas por todo o território continental, se viram de um momento para o outro na dependência técnica e funcional dos Comandos Territoriais criados nas sedes de Distrito, ficando assim em pé de igualdade com os oficiais do mesmo ofício mas para quem sempre olharam com sobranceria e diria até que com algum desprezo: os militares do serviço rural (como se dizia antigamente), os generalistas que sempre foram pau para toda a obra mas que ultimamente, por isso mesmo, foram muito desconsiderados.
A agravar a situação, verificou-se de seguida uma violenta greve contra o sucessivo aumento dos combustíveis, levada a cabo por várias empresas e associações ligadas ao transporte de mercadorias que colocou o país num estado caótico. E numa fase em que se impunha um comando forte e actuante perante os continuados ataques criminosos ao estado de direito a Guarda, a quem compete assegurar a legalidade democrática e garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, ficou-se "nas covas", limitando-se a ser um mero espectador sem saber como agir e deixando a iniciativa da acção nas mãos da tutela administrativa.
A partir daqui nunca mais se "viu". Com uma estrutura superior pesada e ainda muito entorpecida, num comando espartilhado por diversas "quintas" e mal dado a trabalho coordenado, foi notória a falta de liderança que, tradicionalmente, era um importante factor de agregação e de confiança.
Se, como é dado a entender na magra notícia que refere o abandono do elevado cargo para o qual foi mandatado, houver outras razões para a decisão que não seja a passagem à reserva por limite de idade mais frustrante será a sua passagem pelo Comando Geral da Guarda porquanto um militar que se preze não foge das dificuldades, antes pelo contrário, aceita-as naturalmente como mais um desafio que importa superar.
E a ocasião não podia ser pior do que no momento actual em que se perfilam vozes a favor da sua extinção, revertendo os despojos para um corpo de polícia único, a criar, e para o Exército que vê nas missões internacionais levadas a cabo pela Guarda, com elevado mérito, uma ameaça às suas competências.
Além disso, têm vindo a verificar-se constantes e por vezes soezes ataques à Instituição, aos seus órgãos e aos seus militares, como foi o "caso Nilton" e a queixa do Director Nacional da Polícia de Segurança Pública contra elementos da ANOG (Associação Nacional dos Oficiais da Guarda) a propósito de um comunicado sobre a aquisição de diverso equipamento, nomeadamente veículos blindados, para aquele Corpo de Polícia. No primeiro caso houve uma ténue reacção que me parece ter ficado pela intenção de levar o autor do "adopte um gnr" a prestar contas na justiça. No segundo sou de opinião que na verdade não deve o Comandante Geral imiscuir-se nos assuntos das associações. Mas uma manifestação de solidariedade do General para com os militares "acossados" nem lhe ficaria mal. Até porque o que foi dito no comunicado da ANOG espelha o sentimento de milhares de cidadãos e não será com um processo judicial que a "família" Pereira vai limpar a imagem degradante que resulta de todo aquele imbróglio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Assim como quem não quer a coisa, aproximamo-nos a passos largos dessa data mágica, o Natal. Para mim o Natal, mais do que ao nascimento de Jesus, reporta-me à infância e à família, à perspectiva de alimentação melhorada e de um certo calor que não procedia apenas da lareira bem sustentada com grossas achas de carvalho.
Não me entendam mal. Eu gosto da ligação do Natal ao nascimento de Jesus, é bonita a imagem do presépio, os Reis Magos, o burro e a vaca mas... todos sabemos que este evento não tem qualquer sustentação histórica e, remotamente, algo nos diz que o nosso papel está mais próximo daqueles inocentes cordeirinhos...
Bem... Para diluir um pouco o fel que deitei sobre as rabanadas deixo-vos uma musiquinha bem alegre, do álbum Christmas in the Heart, desse velho judeu Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan...
A todos os meus leitores deixo também os votos de um feliz Natal.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Hidra

Há um monstro terrível à solta que mina as instituições, descredibiliza a política e corrói a sociedade. Toda a gente o sente bem perto, toda a gente o teme e toda a gente acaba por se conformar com a sua daninha companhia. Esse monstro chama-se corrupção.
A corrupção já abalou nações, já fez cair governos, já levou pessoas à cadeia mas em Portugal institucionalizou-se. E quando alguém tenta contrariar esse instituto acaba por trilhar os pedregosos caminhos de um calvário que lhe deixará marcas para o resto da vida.
E enquanto cruzarmos, com desdém, os inertes braços a hidra, essa maldição tão antiga, continuará a envenenar a vida de cada um de nós.
Hare baba!!!

sábado, 11 de dezembro de 2010

O Coronel

Tive hoje acesso a uma excerto da gala da TVI de 09 do corrente mês em que actua Pedro Abrunhosa envergando um dólmen que faz parte da farda de gala de um coronel de cavalaria da GNR. É uma peça de vestuário emblemática apesar de, por vezes, incómoda e um dos poucos símbolos da "velha" Guarda que ainda não sofreu depreciação.
Não critico a atitude do cantor. Só lamento a anuência, para tal, do titular daquela peça de vestuário que, com esse gesto, revela que também nas cúpulas da hierarquia existem alguns stronzos.

domingo, 7 de novembro de 2010

Fusões e Infusões

Em tempos de aperto não faltam fazedores de opinião a dar palpites sobre como e onde "cortar" nas despesas, como "emagrecer" a administração, como extinguir órgãos e serviços, até já há quem tente delinear um novo mapa administrativo. Em regra são pessoas bem instaladas e as medidas que propõe não as beliscam minimamente. E, com o uso massivo das novas tecnologias, de imediato é estabelecido o debate em fóruns de discussão das matérias onde, quase sempre sob a capa do anonimato, é permitido tudo.
Esta introdução tem a ver com uma notícia publicada num jornal nacional há algum tempo que tratava de uma eventual fusão entre diversas forças e serviços de segurança com vista a criar uma só polícia de âmbito nacional. A ideia colheu adeptos entre agentes das diversas forças policiais, cujas motivações assentam mais na probabilidades de colherem benefícios individualmente (principalmente no domínio das colocações) do que na convicção de que daí resulta qualquer vantagem para a melhoria do serviço prestado.
Foi desse fórum que nasceu a ideia da petição pública (outro instrumento de difícil concretização sem o recurso às novas tecnologias), cujo destino será a Assembleia da República para apreciação.
Assim se pode compreender que uma notícia, aparentemente avulsa e sem indicação de uma fonte credível, se transforma rapidamente num movimento corporativo visando forçar uma decisão política num caso concreto.
Mas se as motivações não parecem muito claras, o conteúdo ainda o é menos. E, a meu ver, começa mal, muito mal.
O primeiro parágrafo da petição define o objecto "Esta petição visa à extinção dos seguintes OPC´s: PSP; GNR; Policia Marítima e SEF".
Fiquei perplexo. Afinal o que significa aquela sigla que eu sublinhei e relevei a negrito?
Perguntar não ofende e no final da petição deram-me a possibilidade de desfazer a minha dúvida. Perguntei ao autor o que significa e a resposta, dada por um (ou uma) tal ORY é esta: OPC´s sao Orgãos de Policia Criminal (ao seja no fundo é cada uma das policias, a PSP é um OPC a GNR é Outro e por ai...
Perfeitamente esclarecido!!!
Perante isto não digo mais nada. No entanto, aconselharia os promotores da iniciativa a consultar a legislação, nomeadamente o Código de Processo Penal e as leis orgânicas dos respectivos corpos de polícia para ficarem a saber que órgãos de polícia criminal não são sinónimo de Forças e Serviços de Segurança e que a missão das polícias não se esgota na execução de actos ordenados por autoridade judicial conforme é dado a entender erradamente.
Como disse Léon Tolstoi, "a mais potente das armas da ignorância é a difusão do papel impresso". Se fosse hoje certamente  escreveria internet em vez de papel impresso.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Não Choreis os Mortos

Não choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.

E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Das vossas orações, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.

E, ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.

Pedro Homem de Mello, in "Caravela ao Mar"

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Soneto do amor e da morte

Quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. Quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

Quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Os Castros III

Vamos hoje terminar este tema com o último dos castros das margens do Minho, em território de Monção: É o Castro de São Caetano, localizado no lugar de Outeiro em Longos Vales.
A denominação deste local foi definida pela construção da Capela de S. Caetano, entre os séculos XVII/XVIII. A nível arqueológico este castro apresenta um conjunto de três linhas de muralha, definindo-se assim como povoado fortificado de grandes dimensões. O castro de S. Caetano era um povoado típico da Idade do Ferro, com cerâmica indígena, de importação romana, como a ânfora e a sigillata, bem como materiais de construção de influência romana (tegula e ímbrex). São visíveis habitações circulares e sub rectangulares, o que atesta, conjuntamente com o espólio cadastrado, a importância deste povoado desde o século I a.C. até ao século II d.C(CMMonção).
Classificado como Monumento Nacional por Decreto n.º 735/74, DG n.º 297, de 21-12-1974, foi recentemente este local valorizado com uma magnífica infraestrutura - o Centro Interpretativo de S. Caetano - que certamente muito contribuirá para divulgar este património.
O acesso faz-se pela Estrada Nacional 304 até Longos Vales e depois pela Estrada Municipal 1111, bastando seguir as indicações.

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Os Castros II

Retomando o tema dos castros, vamos hoje mostrar o que mais intervenções já sofreu, permitindo identificar a acrópole e diversos troços de das três linhas de muralha.
O castro da Senhora da Assunção situa-se numa colina, a cerca de 250 metros de altitude, na freguesia de Barbeita, em Monção. O nome deste local é conferido pela existência de uma ermida consagrada a N. Sr.ª da Assunção, no topo deste monte, edificada no século XVI. A nível arqueológico este povoado apresenta um conjunto de três linhas de muralha, segundo Maia Marques, definindo assim este habitat como um povoado fortificado. O sítio já foi alvo de intervenções arqueológicas, ficando visível grande parte da acrópole, várias estruturas circulares e sub rectangulares, arruamentos e pátios lajeados, constituindo assim um perfeito modelo de proto-urbanismo que caracteriza os povoados castrejos.  De notar a existência do topónimo Paço, a Norte, muitas vezes associado a vestígios de ocupação romana (CMMonção).
Por todo o Portugal, é muito comum a existência de capelas no cimo das montanhas e aqui também não se fugiu à regra. A sacralização do monte, que certamente teria outra designação, deu-se pelo Séc. XVI podendo afectar algumas construções castrejas, embora com pouco significado.
O acesso faz-se, partindo de Barbeita em direcção a Merufe pela Estrada Municipal n.º 504. A seguir à Igreja há um caminho à direita, com calçada portuguesa e indicações várias, nomeadamente Campo de Tiro, Campo de Futebol e Sr.ª da Assunção, que permite aceder ao topo de automóvel ou outros veículos motorizados ou, em alternativa, como eu fiz: a butes...

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domingo, 10 de outubro de 2010

Os Castros I

Não, não vou referir-me aos célebres Castros da velha nobreza cá do norte. Vou abordar mesmo a temática daqueles velhos aglomerados populacionais, tão velhos que não sabemos ao certo a data da sua implementação. São, seguramente muitos anos mas também não é isso que aqui vou tratar. Vou falar do abandono e do desprezo pelo património da humanidade cujos vestígios quis o destino que chegassem ao nosso tempo.
São três os castros que se situam na margem esquerda do rio Minho, nos limites territoriais do concelho de Monção: Senhora da Graça, em Badim, Senhora da Assunção, em Barbeita e São Caetano, em Longos Vales.
Hoje vou falar apenas do primeiro e que fica mais para nascente.
O castro da Senhora da Graça situa-se no cimo de uma elevação granítica, com cota a rondar os 315 metros, de perfil cónico. Ainda são visíveis algumas estruturas circulares. Provavelmente ocupado desde o Bronze Final à romanização plena, este castro, conjuntamente com os de S. Caetano e Sra. da Assunção, (...) dominava completamente o curso médio do rio Minho, donde tiraria grande parte da sua subsistência. Quanto a cronologias de ocupação, Maia Marques aponta para uma ocupação que iria entre séc. II a.C. ao séc. I d.C. Sendo este sem dúvida um local já intervencionado e que de algum modo se apresenta como um elemento importante para o estudo da Idade do Ferro e do Bronze no Alto Minho (CMMonção).
O acesso ao local faz-se pela estrada municipal n.º 1124 e, à chegada existe um quadro a informar da sua existência, que é um património em vias de classificação e com recomendações para não o destruir nem deixar lixo no local.
No que ao lixo diz respeito, não vale a pena gastar muito tempo. O "turista" interno é insensível a quaisquer apelos dessa natureza. Então mais acima, em torno da capela, o incêndio que abrasou toda a vegetação deixou a descoberto os incombustíveis dejectos que resultam, ao que parece, dos festejos ali realizados anualmente: são dezenas, talvez centenas de garrafas espalhadas pelo monte.
Mas se aqueles dejectos, no que concerne ao património arqueológico, são inofensivos, o mesmo não se pode dizer da abertura dos caminhos de acesso ao santuário que ocupa o topo da colina. Mesmo na borda da estrada podem ver-se a descoberto troços de paredes e muros do antigo povoado, um dos quais pelo lado de dentro de uma habitação castreja, o que revela bem o "cuidado" que (não) houve em preservar aquele património.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Gelo

Que frio é este
Que me gela o pensamento
Que me trava a razão
Que me paralisa a vontade
Que me faz tremer a mão
Que faz a minha vida um tormento?

Que tom de cinza é este
Que não me deixa ver o céu
Que esconde as estrelas
Com um véu
De nuvens negras, tenebrosas
Que oculta o horizonte
E seca a fonte
Da minha inspiração?

Olho e não vejo,
Penso e não entendo,
Tacteio e não compreendo
Este torpor
Malévolo, incompreensível,
Indolor
Que tolhe o corpo e a alma
Como letal veneno
Destrói a calma
E a paz

Vila Nova de Cerveira

É, sem margem para dúvidas, a capital das artes do Alto Minho.
De onde quer que olhemos, Vila Nova de Cerveira absorve-nos num afável abraço, convidando-nos a contemplar os seus encantos sem pressas, como se ali o tempo fosse intemporal.
Ali temos a prova de que o progresso não é incompatível com  a tradição e a história.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Visualizador de Slides

O melhor sítio para alojar fotografias e visualizá-las uma a uma ou em slides é, para mim, o Picasa da Google. Mas tem um inconveniente: o espaço disponibilizado à borla é bastante limitado. Então, temos de procurar alternativas. Que são bastantes mas quase todos enfermam dos mesmos defeitos.
Depois de passar pelo SlaidShou, bastante alegre obrigando-nos a suportar uma série de bonecos insuportáveis, acabei por descobrir, através do meu amigo Ventor, de Adrão, o Shutterfly.
E gosto.
Pode não ser o mais funcional mas para mim basta. Permite ordenar as fotografias de diversas formas, atribuir um título e uma legenda a cada uma e visualizar também de diversos modos, de acordo com os gostos ou necessidades de cada um.
É assim... Para já, vou ficar com este.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Caminhos de Longos Vales

Longos Vales é uma das maiores e mais populosas freguesias de Monção. Percorrer os seus caminhos, diversas vezes e nas diferentes épocas do ano é uma permanente descoberta de cores, de aromas, de matizes e de surpreendentes pormenores, além de nos depararmos com a sua história, as suas tradições e os seus monumentos.
Mas mais do que as palavras dirão, certamente, as imagens que aqui vos deixo.

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Obras

Cansado de olhar há anos para o mesmo boneco, deitei mãos à obra e dei uma pintura quase geral, mudei os "móveis" para retirar o "cotão" que se acumulava por baixo e vamos ver se o frio e a chuva outonais me inspiram para mais uns pedaços de prosa, quer sejam recordações do passado, quer sejam impressões da actualidade.
E confesso que, além de me ocupar bastante a deambular por aí, a falta de actualização deste espaço, bem como do Momentos..., não se deve tanto à falta de tempo nem de temas mas mais ao preenchimento deste espaço pelas redes sociais, especialmente o Facebook.
Perante isto interrogo-me: será que as redes sociais ocuparão o espaço dos blogues na web?
Não sei e também não estou muito preocupado com isso. Mas se houver algum leitor voluntarioso que queira discorrer sobre o tema, faça favor...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Do Rio Tua ao Rio Pinhão - Senhora da Piedade

Sanfins do Douro é terra de machos. Dizem os sanfinenses. Porquê? Nunca o soube e, como sempre ocorre em casos análogos, havia várias explicações. Por serem muito viris, diziam uns, por haver muitos mus devido aos extensos vinhedos em cujo cultivo eram empregues desde sempre, chegando mesmo a competir com os modernos tractores agrícolas, pelo menos enquanto não houve combustíveis subsidiados, diziam outros. De uma forma ou de outra, pouco interessa para o caso.
A verdade porém é que também por lá havia alguns burros… Esse gene asinino manifestava-se frequentemente em pequenas “guerrilhas” de cariz paroquial ou associativo mas havia um evento onde uma estranha rivalidade unia toda a população: a festa da Senhora da Piedade.

A Senhora da Piedade é uma imagem enorme da Virgem, lacrimosa, com o filho Jesus ao colo depois de o terem descido da cruz. É também a designação do local onde tem uma pequena capela e onde permanece durante todo o ano, excepto nos dias da festa, local que constitui um magnífico miradouro sobre o vale do rio Pinhão e mesmo de terras de além Douro.
Todos os anos, no segundo fim-de-semana de Agosto, a festa da Senhora da Piedade faz acorrer a Sanfins inúmeras pessoas, quer sejam dali naturais mas que residem fora, quer das terras circunvizinhas, que procuram diversão e cumprir os votos pelas graças recebidas e que são muitas, a avaliar pelas avultadas oferendas angariadas.
Eram três dias e noites de muito trabalho a acompanhar os comissários nos diversos eventos, no ordenamento do trânsito, na manutenção da ordem, enfim, uma colaboração estreita tendo em vista que tudo decorresse da melhor forma, como era apanágio.
Uma das tradições mais peculiares era a arrematação do andor, isto é, obter o privilégio de carregar em ombros o andor da miraculosa Imagem. Para tal, organizavam-se dois grupos, os novos e os velhos, e ganhavam os que arrematassem o leilão pelo maior lanço, chegando a atingir, nos tempos que eu por lá andava, alguns milhares de contos.
Mas o ponto alto da festa era a majestosa procissão.
O cortejo tinha um itinerário perfeitamente demarcado e ao longo do mesmo aglomeravam-se centenas, milhares de pessoas, que ajoelhavam perante a passagem do andor e atiravam os seus donativos para um caixote previamente instalado na base da pesada liteira.
À frente do andor ia sempre a mesma personagem, o senhor Joaquim Cabeça, velho conhecedor dos usos e costumes, sempre atento a umas notas mal acondicionadas no caixotão ou pendentes de algumas mãos que lá não chegavam. As maiores dádivas eram pregadas no celestial manto da Senhora que assim ficava multicolorido, praticamente coberto de papéis provenientes das quatro partidas do mundo.
No final era costume o senhor Joaquim guardar todo o dinheiro, sem contar e mal acondicionado, em diversos sacos de tecido preto que, devidamente escoltado por três ou quatro agentes da autoridade, transportava para a sua residência e ali ficava guardado da sua mão até se fazer a contagem pela semana adiante.
Naquele ano foi decidida uma nova modalidade que foi transmitida por um elemento da comissão de festas, o senhor Porto Sampaio, ao comandante da força policial: o dinheiro seria recolhido em sacos dos CTT, com fecho de segurança, e guardado no cofre da Adega Cooperativa com toda a garantia.
Da nossa parte não havia quaisquer objecções. Se assim o decidiram estava bem decidido e só tínhamos que nos preocupar com a segurança das pessoas e bens.
Contudo, assim que o andor recolheu à Igreja constatei que algo não estava certo. Em torno do caixote do dinheiro e dentro de um círculo de segurança por nós delimitado, o senhor Joaquim Cabeça e o senhor Porto Sampaio, o primeiro com os sacos tradicionais e o segundo com os novos sacos verdes, procediam avidamente à recolha dos donativos, por entre alguns monólogos imperceptíveis, mais parecendo que estavam a disputar o abundante pecúlio.
Perante aquele cenário antecipei-me aos acontecimentos e ordenei: dois acompanham o senhor Joaquim Cabeça e os outros dois o senhor porto Sampaio.
Assim foi e, como sempre, não se registaram quaisquer incidentes.
Já em casa o senhor Joaquim, aliviado da pesada tarefa e enquanto nos deliciávamos com uma fatia de bola de carne e uma pinga da reserva pessoal, foi confessando as suas amarguras: que sempre tinha sido ele a fazer aquele serviço, que nunca tinha sido colocada em causa a sua integridade e honestidade, que sabia melhor do que ninguém como conduzir o cortejo de forma a obter mais donativos, que não merecia aquela desconsideração…
Penso que a intenção da comissão tinha mais a ver com a transparência do processo e até a própria protecção do senhor Joaquim do que com quaisquer dúvidas acerca da sua honorabilidade. Infelizmente assim não foi por ele aquilatado e a verdade é que há coisas, exigências de procedimentos modernos, que não são fáceis de entender por pessoas como o senhor Joaquim, um veterano membro da comissão cuja conduta nunca merecera qualquer reparo. E compreende-se.


Imagem com direitos de autor.

domingo, 29 de agosto de 2010

O Convento de Ganfei

Outra das jóias arquitectónicas do Vale do Minho é o Convento de Ganfei, próximo de Valença do Minho, mas também aqui o património histórico não se encontra bem tratado, tanto pelos organismos oficiais como pelos proprietários.
A fundação do mosteiro consta que se reporta ao período visigótico e, uma inscrição no claustro refere que foi destruído no ano 1000 pelo chefe árabe Almançor, sendo reconstruído em 1018 por um cavaleiro francês de nome Ganfried ou Ganfei, que se tornou um santo, de cujo nome derivam as designações da localidade e do próprio mosteiro
As novas fachada e capela-mor datam de obras realizadas no Século XVIII, mantendo o restante da traça românica.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Orgulho

Um amigo alertou-me, fui à procura e... achei!!!

Pode parecer banal mas a verdade é que ficamos muito "inchados" e com um sorriso de orelha a orelha...
A minha montra de troféus vai ficar um bocadinho mais ornamentada :)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O Fogo e a Água

Dois dos elementos que mais têm dado que falar nos últimos dias. O fogo tem devorado áreas enormes de mato e florestas. Mãos criminosas desencadeiam a catástrofe e o tempo, muito de feição, faz o resto. Acredito que os voluntariosos bombeiros fazem o que podem mas sozinhos não conseguem opor-se com sucesso a tamanho flagelo. Para cúmulo o cabo Pereira vem estabelecer comparações e dizer que ardeu menos área do que nos anos tal e tal. Deve sentir-se feliz por isso.
De água, cá pelo burgo, estamos conversados. Todos os anos por esta altura é a mesma coisa: as torneiras só deitam vento. Só que esse fenómeno ocorre apenas nas casas situadas em pontos mais elevados. O argumento das entidades responsáveis é sempre o mesmo: consumos exagerados devido ao número exponencial de residentes com a chegada dos emigrantes. Mas se o problema é dos consumos eu desafio a autarquia a fazer um estudo que demonstre onde e quando ocorreram esses consumos e que o divulgue, para sabermos como é, porque eu desconfio de outras coisas e porque são sempre os mesmos a "pagar a factura" da água que as torneiras não deitam.
E depois aparece uma "jóia" destas na comunicação social: As zonas mais altas das freguesias de montanha de Mazedo e Cortes, no concelho de Monção, estão sem água há cerca de uma semana.
Ora, o que a menina Andreia Cruz designa de "freguesias de montanha" são, nem mais nem menos, duas das freguesias mais ribeirinhas do vale do Minho, cujas cotas mais altas devem situar-se entre os 100 e os 150 metros de altitude. E são as que mais sofrem da falta do precioso líquido, vá lá saber-se porquê...