Havia, na minha terra, uma forma curiosa de designar "educação", à qual já me referi algures, embora num contexto diferente do que me leva hoje a alinhavar estas considerações: era a criação. Daqui deriva o termo "malcriado" para se qualificar o comportamento de pessoas lesivo das regras de vida em sociedade.
A verdade é que há um sentimento de impunidade total quando se trata de manifestar opinião através da web de que são o exponente máximo os comentários, em regra anónimos, às notícias divulgadas online pelos diversos órgãos de comunicação social.
Hoje mesmo é notícia uma decisão judicial, ao que parece inédita, relativamente à prática de "crime de difamação" perpetrado através de um blogue supostamente anónimo. E, pasme-se, perpetrado por um médico, facto que, atento o teor da notícia, foi relevante para qualificar os factos e justificar a decisão. O suposto anonimato na internet assemelha-se muito ao trajecto das lesmas quando atacam as couves... Fica um rasto que até um cego o pode ver...
Abstraindo da matéria e da decisão, cujo desfecho ainda não será definitivo, parece-me que há necessidade imperiosa de divulgar, exaustivamente, as regras que devem ser observadas quando temos em mãos uma ferramenta de comunicação tão poderosa quanto esta.
Para o efeito, transcrevo aqui, com o devido respeito pelos direitos intelectuais de propriedade, os 10 mandamentos do Instituto da Ética da Internet:
1 - Não deverá utilizar o computador para prejudicar terceiros.
2 - Não deverá interferir com o trabalho informático de terceiros.
3 - Não deverá vasculhar os ficheiros informáticos de terceiros.
4 - Não deverá utilizar o computador para roubar.
5 - Não deverá utilizar o computador para prestar falsos testemunhos.
6 - Não deverá utilizar ou copiar software pelo qual não pagou.
7 . Não deverá utilizar os recursos informáticos de terceiros sem autorização.
8 . Não deverá apropriar-se do trabalho intelectual de terceiros.
9 . Deverá pensar nas consequências sociais daquilo que escreve.
10 - Deverá utilizar o computador com respeito e consideração por terceiros.
Existem muitas mais "regras" bastando efectuar uma pesquisa através de um qualquer motor de busca e, a título de exemplo, deixo esta ligação para a wikipedia que pode ajudar, quem quiser, a obter alguma informação sobre o assunto, embora me pareça que aqueles dez mandamentos resumam, na perfeição, aquilo que é fundamental observar.
E para quem ainda pensar que a ofensa através destes meios é permitida aqui fica o aviso: a tão propalada liberdade de expressão também tem limites... Mas mesmo que esse limites não estivessem contemplados na lei, bastaria observar uma das velhas máximas que nos eram incutidas na criação para se "navegar" com segurança: NUNCA FAÇAS AOS OUTROS O QUE NÃO QUISERES QUE TE FAÇAM A TI.
Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a acção; semeia a acção e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o carácter.
(Tihamer Toth)
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
A Dona Banca
Maria Branca dos Santos, conhecida por Dona Branca, era uma lisboeta de origens humildes e de escassa formação académica mas muito "esperta" para os negócios. A sua habilidade inata para gerir dinheiro levou-a a construir um império financeiro nunca visto utilizando o esquema conhecido por "pirâmide", julgo que semelhante ao que actualmente se chama "bolha". Na década de 80 do século passado a sua popularidade, que lhe valeu a alcunha de "Banqueira do Povo", varreu o País de lés a lés e a sua engenharia financeira foi uma autêntica mina para quem lhe confiou as suas poupanças, chegando a fazer tremer todo o sistema bancário nacional.
Só que quando as coisas são construídas num alicerce frágil mais cedo ou mais tarde hão-de colapsar. E o império da Dona Branca colapsou não só porque na verdade estava sustentado numa organização de legalidade duvidosa mas também porque se rodeou de pessoas que se movimentavam no submundo do crime e, de forma decisiva, devido ao pânico dos investidores.
Foi usando este termo de comparação que Campos e Cunha, o primeiro ministro das finanças do consulado socrático, se referiu recentemente ao comportamento do Estado nos últimos dez anos. E comparou o momento actual do país a "um carro desgovernado, com os pneus carecas, a duzentos à hora numa auto-estrada".
Se algumas dúvidas ainda subsistissem elas estariam agora dissolvidas. Melhor do que isto só com bonecos animados. Mas parece que ainda há quem não acredite...
Só que quando as coisas são construídas num alicerce frágil mais cedo ou mais tarde hão-de colapsar. E o império da Dona Branca colapsou não só porque na verdade estava sustentado numa organização de legalidade duvidosa mas também porque se rodeou de pessoas que se movimentavam no submundo do crime e, de forma decisiva, devido ao pânico dos investidores.
Foi usando este termo de comparação que Campos e Cunha, o primeiro ministro das finanças do consulado socrático, se referiu recentemente ao comportamento do Estado nos últimos dez anos. E comparou o momento actual do país a "um carro desgovernado, com os pneus carecas, a duzentos à hora numa auto-estrada".
Se algumas dúvidas ainda subsistissem elas estariam agora dissolvidas. Melhor do que isto só com bonecos animados. Mas parece que ainda há quem não acredite...
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
31 de Janeiro
Faz hoje anos, precisamente trinta e seis, que envergando a verde farda de soldado de infantaria do Exército, integrava a formatura das forças em parada para comemorar a efeméride: o dia 31 de Janeiro.
Na parada do Regimento de Infantaria n.º 6, junto à Estrada da Circunvalação no Porto, éramos umas centenas, todos alinhados de verde, que "verdes" também nós éramos, mesmo depois de vivermos quase um ano de liberdade (se bem que, para mim, isso pouca diferença fez) e termos assistido à deposição do regime político que resultou do Estado Novo, fruto de uma acção militar tão original que deixou o mundo estupefacto...
Não sabia porque estava ali mas tinha a percepção que ia ser bom, porque era sexta feira e depois do almoço ficávamos dispensados para gozar o fim de semana.
Entretanto, debaixo de uma chuva copiosa, com a farpela colada ao corpo e a água a escorrer por todos os lados mas sem sequer pestanejar, ouvi falar de uma revolta dos sargentos, blá... blá... blá... e finalmente tocou a destroçar com grande alívio de todos.
Só mais tarde fiquei a saber que na madrugada do dia 31 de Janeiro de 1891, precisamente na mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto, um punhado de militares de baixa patente, liderados basicamente por sargentos mas com a adesão de alguns oficiais subalternos (também aqui se incluíam os capitães), promoveram um levantamento militar a que se associaram imediatamente algumas figuras de relevo ligadas ao movimento republicano que se opunha à monarquia. Na Praça de D. Pedro (actualmente Praça da República) foi proclamada a república e hasteada a bandeira com as cores da carbonária e que viriam a ser a as cores-base do actual estandarte nacional. Foi ainda constituído um governo provisório e ficou-se mais ou menos por aí porque pouco depois o movimento foi derrotado e tudo voltou ao mesmo, ou quase...
Terão sido diversas as razões que levaram os militares (de baixa patente) a rebelarem-se.
De uma forma geral, a humilhação a que Portugal foi sujeito na sequência do ultimato inglês, perante o qual o rei e o governo foram obrigados a ceder, deixou marcas profundas na sociedade portuguesa. E o sentimento de orgulho ferido foi bem explorado pelos republicanos que viram aí a oportunidade de ouro para depor a monarquia. Só que, tanto no seio dos militares como no do partido republicano, as cúpulas entenderam que ainda não estavam reunidas as condições para a deposição do regime e a revolta ficou desde logo condenada ao fracasso.
Mas o que terá levado uma tropa "fandanga" a tomar tal iniciativa?
Bom, parece que associada àqueles factores, verificava-se uma evidente deterioração das condições de vida dos militares, vítimas também de uma forte desconsideração social. E isso terá sido bem aproveitado por aqueles que já há muito conspiravam para derrubar a monarquia.
A "Revolta dos Sargentos", como ficou conhecida, não resultou mas a semente ficou lá, germinou e frutificou dezanove anos depois.
E quem sabe se não haverá ainda por aí algum fermento capaz de reagir em circunstâncias de grave crise não só económica mas também da defesa de princípios e de direitos fundamentais das pessoas e das instituições?
Na parada do Regimento de Infantaria n.º 6, junto à Estrada da Circunvalação no Porto, éramos umas centenas, todos alinhados de verde, que "verdes" também nós éramos, mesmo depois de vivermos quase um ano de liberdade (se bem que, para mim, isso pouca diferença fez) e termos assistido à deposição do regime político que resultou do Estado Novo, fruto de uma acção militar tão original que deixou o mundo estupefacto...
Não sabia porque estava ali mas tinha a percepção que ia ser bom, porque era sexta feira e depois do almoço ficávamos dispensados para gozar o fim de semana.
Entretanto, debaixo de uma chuva copiosa, com a farpela colada ao corpo e a água a escorrer por todos os lados mas sem sequer pestanejar, ouvi falar de uma revolta dos sargentos, blá... blá... blá... e finalmente tocou a destroçar com grande alívio de todos.
Só mais tarde fiquei a saber que na madrugada do dia 31 de Janeiro de 1891, precisamente na mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto, um punhado de militares de baixa patente, liderados basicamente por sargentos mas com a adesão de alguns oficiais subalternos (também aqui se incluíam os capitães), promoveram um levantamento militar a que se associaram imediatamente algumas figuras de relevo ligadas ao movimento republicano que se opunha à monarquia. Na Praça de D. Pedro (actualmente Praça da República) foi proclamada a república e hasteada a bandeira com as cores da carbonária e que viriam a ser a as cores-base do actual estandarte nacional. Foi ainda constituído um governo provisório e ficou-se mais ou menos por aí porque pouco depois o movimento foi derrotado e tudo voltou ao mesmo, ou quase...
Terão sido diversas as razões que levaram os militares (de baixa patente) a rebelarem-se.
De uma forma geral, a humilhação a que Portugal foi sujeito na sequência do ultimato inglês, perante o qual o rei e o governo foram obrigados a ceder, deixou marcas profundas na sociedade portuguesa. E o sentimento de orgulho ferido foi bem explorado pelos republicanos que viram aí a oportunidade de ouro para depor a monarquia. Só que, tanto no seio dos militares como no do partido republicano, as cúpulas entenderam que ainda não estavam reunidas as condições para a deposição do regime e a revolta ficou desde logo condenada ao fracasso.
Mas o que terá levado uma tropa "fandanga" a tomar tal iniciativa?
Bom, parece que associada àqueles factores, verificava-se uma evidente deterioração das condições de vida dos militares, vítimas também de uma forte desconsideração social. E isso terá sido bem aproveitado por aqueles que já há muito conspiravam para derrubar a monarquia.
A "Revolta dos Sargentos", como ficou conhecida, não resultou mas a semente ficou lá, germinou e frutificou dezanove anos depois.
E quem sabe se não haverá ainda por aí algum fermento capaz de reagir em circunstâncias de grave crise não só económica mas também da defesa de princípios e de direitos fundamentais das pessoas e das instituições?
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Relações Humanas na Rede
A internet veio alargar, e de que maneira, o círculo de relações entre pessoas e entidades. É uma realidade com que temos de lidar em casa, no trabalho, em todos os actos da nossa vida, desde um vulgar olá através de uma qualquer rede social até às mais complicadas operações financeiras.
Há que reconhecer as enormes vantagens das ferramentas que o desenvolvimento das tecnologias nos colocou ao alcance de um clique mas também há necessidade de estar sempre atento aos perigos que este mundo produz e fazer uso destas mesmas ferramentas com inteligência.
Onde há necessidade de tomar mais precauções é nas relações interpessoais. À semelhança do que sucede na condução de um automóvel ou na assistência de um jogo de futebol, muitas pessoas transfiguram-se quando estão por detrás de um écrã de computador. Aqui não se acusam perturbações fisionómicas, não se avaliam gestos nem timbres de voz, tudo que nos chega ou exporta pode ser artificial ou falso... Por isso, o melhor, quando não se tem a certeza, é ficar sempre na retranca ou, como diz o povo, nem muito ao mar, nem muito à terra.
Embora me considere um mero aprendiz, sou um utilizador compulsivo da internet da qual tenho colhido muitos proveitos nos mais variados aspectos da vida quotidiana. Desde o tempo dos news, onde "conheci" pessoas com as quais ainda mantenho o contacto, passando pelos blogues e pelas redes sociais, gravitam na órbita das minhas relações muitas pessoas reais (familiares, amigos, conhecidos, antigos companheiros de trabalho) e virtuais, alguns dos quais já passaram para o grupo dos primeiros.
Com todos procuro manter boas relações, no respeito pelas diferentes opiniões mas não me esquivo a sustentar algum debate sobre situações concretas defendendo o meu ponto de vista e até lançando algumas provocações para "animar".
Mas isso já me tem custado alguns constrangimentos que tem muito mais a ver com a personalidade, a meu ver, artificiosa, de quem está do outro lado do monitor do que com a provocação.
E assim acontece que, de vez em quando, desaparecem da minha esfera de relações alguns "amigos", supostamente "muito ofendidos", mas confesso que quase nem se dá por isso...
Como dizia o meu velho amigo: quem vai, vai, quem fica, fica...
Há que reconhecer as enormes vantagens das ferramentas que o desenvolvimento das tecnologias nos colocou ao alcance de um clique mas também há necessidade de estar sempre atento aos perigos que este mundo produz e fazer uso destas mesmas ferramentas com inteligência.
Onde há necessidade de tomar mais precauções é nas relações interpessoais. À semelhança do que sucede na condução de um automóvel ou na assistência de um jogo de futebol, muitas pessoas transfiguram-se quando estão por detrás de um écrã de computador. Aqui não se acusam perturbações fisionómicas, não se avaliam gestos nem timbres de voz, tudo que nos chega ou exporta pode ser artificial ou falso... Por isso, o melhor, quando não se tem a certeza, é ficar sempre na retranca ou, como diz o povo, nem muito ao mar, nem muito à terra.
Embora me considere um mero aprendiz, sou um utilizador compulsivo da internet da qual tenho colhido muitos proveitos nos mais variados aspectos da vida quotidiana. Desde o tempo dos news, onde "conheci" pessoas com as quais ainda mantenho o contacto, passando pelos blogues e pelas redes sociais, gravitam na órbita das minhas relações muitas pessoas reais (familiares, amigos, conhecidos, antigos companheiros de trabalho) e virtuais, alguns dos quais já passaram para o grupo dos primeiros.
Com todos procuro manter boas relações, no respeito pelas diferentes opiniões mas não me esquivo a sustentar algum debate sobre situações concretas defendendo o meu ponto de vista e até lançando algumas provocações para "animar".
Mas isso já me tem custado alguns constrangimentos que tem muito mais a ver com a personalidade, a meu ver, artificiosa, de quem está do outro lado do monitor do que com a provocação.
E assim acontece que, de vez em quando, desaparecem da minha esfera de relações alguns "amigos", supostamente "muito ofendidos", mas confesso que quase nem se dá por isso...
Como dizia o meu velho amigo: quem vai, vai, quem fica, fica...
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Para um Novo Ano
Que o Novo Ano tenha 12 meses, 52 semanas, 365 dias (as noites incluídas);
Que acordemos todos os dias com o céu da boca quente e os pés a mexer;
Que o padeiro continue a deixar o pão na porta todas as manhãs (excepto domingos e feriados);
Que os meus amigos continuem a ser meus amigos;
Que eu continue a ser amigo dos meus amigos;
Que venha frio, calor, chuva e sol;
Que as minhas roseiras voltem a florir;
Que as toupeiras me larguem a horta;
Que a bicicleta se aguente por mais um ano (o pai natal não se mostrou generoso a esse ponto e o Menino Jesus não recebeu a minha carta);
Que o Aníbal, ou o Manuel, ou o Coelho, ou lá quem for, seja eleito à primeira volta (evitamos ter de aturar nova campanha e novo acto eleitoral);
Que o actual governo vá à merda;
Que venha depressa o FMI (há muita gente que terá mais razões do que eu para se preocupar com isso)...
...
Sejamos felizes!!!
Que acordemos todos os dias com o céu da boca quente e os pés a mexer;
Que o padeiro continue a deixar o pão na porta todas as manhãs (excepto domingos e feriados);
Que os meus amigos continuem a ser meus amigos;
Que eu continue a ser amigo dos meus amigos;
Que venha frio, calor, chuva e sol;
Que as minhas roseiras voltem a florir;
Que as toupeiras me larguem a horta;
Que a bicicleta se aguente por mais um ano (o pai natal não se mostrou generoso a esse ponto e o Menino Jesus não recebeu a minha carta);
Que o Aníbal, ou o Manuel, ou o Coelho, ou lá quem for, seja eleito à primeira volta (evitamos ter de aturar nova campanha e novo acto eleitoral);
Que o actual governo vá à merda;
Que venha depressa o FMI (há muita gente que terá mais razões do que eu para se preocupar com isso)...
...
Sejamos felizes!!!
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Sem Honra nem Glória
Longe dos centros de poder, procuro diária e avidamente actualizar-me acerca do que de importante se passa pelos bastidores da organização para a qual trabalhei activamente durante aproximadamente trinta e três anos (a idade de Jesus Cristo quando foi crucificado). E fiquei ontem a saber que o actual Comandante-Geral, Tenente General Nelson Santos vai transitar para a reserva em Janeiro e, consequentemente, abandonará o cargo. Mas fica no ar a sensação que não será esta a única razão. A ser verdade, sairá da estrutura da Guarda, sem honra nem glória, um homem em quem se depositaram elevadas expectativas.
De facto, o Tenente General Nelson Santos era um militar bem conhecido e conhecedor da Instituição e, depois de um longo período marcado por um Comando distante das bases e demasiado politizado, que culminou com uma profunda alteração orgânica, seria a pessoa mais habilitada a fazer serenar os ânimos e recuperar os índices de confiança e de coesão interna que sempre foram apanágio da Guarda Nacional Republicana.
Assim não aconteceu. A conjuntura não lhe foi favorável mas também não se terá apercebido que a Guarda que veio encontrar não era a mesma que tinha deixado alguns anos antes.
Com efeito, tomou posse como Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana em 6 de Maio de 2008, em pleno curso daquela que foi, talvez, a maior e mais traumática e complexa reestruturação interna operada desde 1911.
Esta reestruturação, imposta pelo poder político e tendo na génese uma visão economicista e civilista, sustentada num estudo encomendado ad hoc e levado a efeito por uma empresa de consultoria externa e que permitiria aligeirar a estrutura de comando e colocar no terreno mais efectivos, acabou numa coisa híbrida entre o que fora proposto e o que vinha do antecedente, feita muito em cima do joelho e com um impacto extremamente negativo no moral dos efectivos especialmente daqueles que, integrando a extinta Brigada de Trânsito com um comando centralizado nas Janelas Verdes e células operacionais dispersas por todo o território continental, se viram de um momento para o outro na dependência técnica e funcional dos Comandos Territoriais criados nas sedes de Distrito, ficando assim em pé de igualdade com os oficiais do mesmo ofício mas para quem sempre olharam com sobranceria e diria até que com algum desprezo: os militares do serviço rural (como se dizia antigamente), os generalistas que sempre foram pau para toda a obra mas que ultimamente, por isso mesmo, foram muito desconsiderados.
A agravar a situação, verificou-se de seguida uma violenta greve contra o sucessivo aumento dos combustíveis, levada a cabo por várias empresas e associações ligadas ao transporte de mercadorias que colocou o país num estado caótico. E numa fase em que se impunha um comando forte e actuante perante os continuados ataques criminosos ao estado de direito a Guarda, a quem compete assegurar a legalidade democrática e garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, ficou-se "nas covas", limitando-se a ser um mero espectador sem saber como agir e deixando a iniciativa da acção nas mãos da tutela administrativa.
A partir daqui nunca mais se "viu". Com uma estrutura superior pesada e ainda muito entorpecida, num comando espartilhado por diversas "quintas" e mal dado a trabalho coordenado, foi notória a falta de liderança que, tradicionalmente, era um importante factor de agregação e de confiança.
Se, como é dado a entender na magra notícia que refere o abandono do elevado cargo para o qual foi mandatado, houver outras razões para a decisão que não seja a passagem à reserva por limite de idade mais frustrante será a sua passagem pelo Comando Geral da Guarda porquanto um militar que se preze não foge das dificuldades, antes pelo contrário, aceita-as naturalmente como mais um desafio que importa superar.
E a ocasião não podia ser pior do que no momento actual em que se perfilam vozes a favor da sua extinção, revertendo os despojos para um corpo de polícia único, a criar, e para o Exército que vê nas missões internacionais levadas a cabo pela Guarda, com elevado mérito, uma ameaça às suas competências.
Além disso, têm vindo a verificar-se constantes e por vezes soezes ataques à Instituição, aos seus órgãos e aos seus militares, como foi o "caso Nilton" e a queixa do Director Nacional da Polícia de Segurança Pública contra elementos da ANOG (Associação Nacional dos Oficiais da Guarda) a propósito de um comunicado sobre a aquisição de diverso equipamento, nomeadamente veículos blindados, para aquele Corpo de Polícia. No primeiro caso houve uma ténue reacção que me parece ter ficado pela intenção de levar o autor do "adopte um gnr" a prestar contas na justiça. No segundo sou de opinião que na verdade não deve o Comandante Geral imiscuir-se nos assuntos das associações. Mas uma manifestação de solidariedade do General para com os militares "acossados" nem lhe ficaria mal. Até porque o que foi dito no comunicado da ANOG espelha o sentimento de milhares de cidadãos e não será com um processo judicial que a "família" Pereira vai limpar a imagem degradante que resulta de todo aquele imbróglio.
De facto, o Tenente General Nelson Santos era um militar bem conhecido e conhecedor da Instituição e, depois de um longo período marcado por um Comando distante das bases e demasiado politizado, que culminou com uma profunda alteração orgânica, seria a pessoa mais habilitada a fazer serenar os ânimos e recuperar os índices de confiança e de coesão interna que sempre foram apanágio da Guarda Nacional Republicana.
Assim não aconteceu. A conjuntura não lhe foi favorável mas também não se terá apercebido que a Guarda que veio encontrar não era a mesma que tinha deixado alguns anos antes.
Com efeito, tomou posse como Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana em 6 de Maio de 2008, em pleno curso daquela que foi, talvez, a maior e mais traumática e complexa reestruturação interna operada desde 1911.
Esta reestruturação, imposta pelo poder político e tendo na génese uma visão economicista e civilista, sustentada num estudo encomendado ad hoc e levado a efeito por uma empresa de consultoria externa e que permitiria aligeirar a estrutura de comando e colocar no terreno mais efectivos, acabou numa coisa híbrida entre o que fora proposto e o que vinha do antecedente, feita muito em cima do joelho e com um impacto extremamente negativo no moral dos efectivos especialmente daqueles que, integrando a extinta Brigada de Trânsito com um comando centralizado nas Janelas Verdes e células operacionais dispersas por todo o território continental, se viram de um momento para o outro na dependência técnica e funcional dos Comandos Territoriais criados nas sedes de Distrito, ficando assim em pé de igualdade com os oficiais do mesmo ofício mas para quem sempre olharam com sobranceria e diria até que com algum desprezo: os militares do serviço rural (como se dizia antigamente), os generalistas que sempre foram pau para toda a obra mas que ultimamente, por isso mesmo, foram muito desconsiderados.
A agravar a situação, verificou-se de seguida uma violenta greve contra o sucessivo aumento dos combustíveis, levada a cabo por várias empresas e associações ligadas ao transporte de mercadorias que colocou o país num estado caótico. E numa fase em que se impunha um comando forte e actuante perante os continuados ataques criminosos ao estado de direito a Guarda, a quem compete assegurar a legalidade democrática e garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, ficou-se "nas covas", limitando-se a ser um mero espectador sem saber como agir e deixando a iniciativa da acção nas mãos da tutela administrativa.
A partir daqui nunca mais se "viu". Com uma estrutura superior pesada e ainda muito entorpecida, num comando espartilhado por diversas "quintas" e mal dado a trabalho coordenado, foi notória a falta de liderança que, tradicionalmente, era um importante factor de agregação e de confiança.
Se, como é dado a entender na magra notícia que refere o abandono do elevado cargo para o qual foi mandatado, houver outras razões para a decisão que não seja a passagem à reserva por limite de idade mais frustrante será a sua passagem pelo Comando Geral da Guarda porquanto um militar que se preze não foge das dificuldades, antes pelo contrário, aceita-as naturalmente como mais um desafio que importa superar.
E a ocasião não podia ser pior do que no momento actual em que se perfilam vozes a favor da sua extinção, revertendo os despojos para um corpo de polícia único, a criar, e para o Exército que vê nas missões internacionais levadas a cabo pela Guarda, com elevado mérito, uma ameaça às suas competências.
Além disso, têm vindo a verificar-se constantes e por vezes soezes ataques à Instituição, aos seus órgãos e aos seus militares, como foi o "caso Nilton" e a queixa do Director Nacional da Polícia de Segurança Pública contra elementos da ANOG (Associação Nacional dos Oficiais da Guarda) a propósito de um comunicado sobre a aquisição de diverso equipamento, nomeadamente veículos blindados, para aquele Corpo de Polícia. No primeiro caso houve uma ténue reacção que me parece ter ficado pela intenção de levar o autor do "adopte um gnr" a prestar contas na justiça. No segundo sou de opinião que na verdade não deve o Comandante Geral imiscuir-se nos assuntos das associações. Mas uma manifestação de solidariedade do General para com os militares "acossados" nem lhe ficaria mal. Até porque o que foi dito no comunicado da ANOG espelha o sentimento de milhares de cidadãos e não será com um processo judicial que a "família" Pereira vai limpar a imagem degradante que resulta de todo aquele imbróglio.
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Feliz Natal
Assim como quem não quer a coisa, aproximamo-nos a passos largos dessa data mágica, o Natal. Para mim o Natal, mais do que ao nascimento de Jesus, reporta-me à infância e à família, à perspectiva de alimentação melhorada e de um certo calor que não procedia apenas da lareira bem sustentada com grossas achas de carvalho.
Não me entendam mal. Eu gosto da ligação do Natal ao nascimento de Jesus, é bonita a imagem do presépio, os Reis Magos, o burro e a vaca mas... todos sabemos que este evento não tem qualquer sustentação histórica e, remotamente, algo nos diz que o nosso papel está mais próximo daqueles inocentes cordeirinhos...
Bem... Para diluir um pouco o fel que deitei sobre as rabanadas deixo-vos uma musiquinha bem alegre, do álbum Christmas in the Heart, desse velho judeu Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan...
A todos os meus leitores deixo também os votos de um feliz Natal.
Não me entendam mal. Eu gosto da ligação do Natal ao nascimento de Jesus, é bonita a imagem do presépio, os Reis Magos, o burro e a vaca mas... todos sabemos que este evento não tem qualquer sustentação histórica e, remotamente, algo nos diz que o nosso papel está mais próximo daqueles inocentes cordeirinhos...
Bem... Para diluir um pouco o fel que deitei sobre as rabanadas deixo-vos uma musiquinha bem alegre, do álbum Christmas in the Heart, desse velho judeu Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan...
A todos os meus leitores deixo também os votos de um feliz Natal.
domingo, 12 de dezembro de 2010
A Hidra
Há um monstro terrível à solta que mina as instituições, descredibiliza a política e corrói a sociedade. Toda a gente o sente bem perto, toda a gente o teme e toda a gente acaba por se conformar com a sua daninha companhia. Esse monstro chama-se corrupção.
A corrupção já abalou nações, já fez cair governos, já levou pessoas à cadeia mas em Portugal institucionalizou-se. E quando alguém tenta contrariar esse instituto acaba por trilhar os pedregosos caminhos de um calvário que lhe deixará marcas para o resto da vida.
E enquanto cruzarmos, com desdém, os inertes braços a hidra, essa maldição tão antiga, continuará a envenenar a vida de cada um de nós.
Hare baba!!!
A corrupção já abalou nações, já fez cair governos, já levou pessoas à cadeia mas em Portugal institucionalizou-se. E quando alguém tenta contrariar esse instituto acaba por trilhar os pedregosos caminhos de um calvário que lhe deixará marcas para o resto da vida.
E enquanto cruzarmos, com desdém, os inertes braços a hidra, essa maldição tão antiga, continuará a envenenar a vida de cada um de nós.
Hare baba!!!
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sábado, 11 de dezembro de 2010
O Coronel
Tive hoje acesso a uma excerto da gala da TVI de 09 do corrente mês em que actua Pedro Abrunhosa envergando um dólmen que faz parte da farda de gala de um coronel de cavalaria da GNR. É uma peça de vestuário emblemática apesar de, por vezes, incómoda e um dos poucos símbolos da "velha" Guarda que ainda não sofreu depreciação.
Não critico a atitude do cantor. Só lamento a anuência, para tal, do titular daquela peça de vestuário que, com esse gesto, revela que também nas cúpulas da hierarquia existem alguns stronzos.
Não critico a atitude do cantor. Só lamento a anuência, para tal, do titular daquela peça de vestuário que, com esse gesto, revela que também nas cúpulas da hierarquia existem alguns stronzos.
domingo, 7 de novembro de 2010
Fusões e Infusões
Em tempos de aperto não faltam fazedores de opinião a dar palpites sobre como e onde "cortar" nas despesas, como "emagrecer" a administração, como extinguir órgãos e serviços, até já há quem tente delinear um novo mapa administrativo. Em regra são pessoas bem instaladas e as medidas que propõe não as beliscam minimamente. E, com o uso massivo das novas tecnologias, de imediato é estabelecido o debate em fóruns de discussão das matérias onde, quase sempre sob a capa do anonimato, é permitido tudo.
Esta introdução tem a ver com uma notícia publicada num jornal nacional há algum tempo que tratava de uma eventual fusão entre diversas forças e serviços de segurança com vista a criar uma só polícia de âmbito nacional. A ideia colheu adeptos entre agentes das diversas forças policiais, cujas motivações assentam mais na probabilidades de colherem benefícios individualmente (principalmente no domínio das colocações) do que na convicção de que daí resulta qualquer vantagem para a melhoria do serviço prestado.
Foi desse fórum que nasceu a ideia da petição pública (outro instrumento de difícil concretização sem o recurso às novas tecnologias), cujo destino será a Assembleia da República para apreciação.
Assim se pode compreender que uma notícia, aparentemente avulsa e sem indicação de uma fonte credível, se transforma rapidamente num movimento corporativo visando forçar uma decisão política num caso concreto.
Mas se as motivações não parecem muito claras, o conteúdo ainda o é menos. E, a meu ver, começa mal, muito mal.
O primeiro parágrafo da petição define o objecto "Esta petição visa à extinção dos seguintes OPC´s: PSP; GNR; Policia Marítima e SEF".
Fiquei perplexo. Afinal o que significa aquela sigla que eu sublinhei e relevei a negrito?
Perguntar não ofende e no final da petição deram-me a possibilidade de desfazer a minha dúvida. Perguntei ao autor o que significa e a resposta, dada por um (ou uma) tal ORY é esta: OPC´s sao Orgãos de Policia Criminal (ao seja no fundo é cada uma das policias, a PSP é um OPC a GNR é Outro e por ai...
Perfeitamente esclarecido!!!
Perante isto não digo mais nada. No entanto, aconselharia os promotores da iniciativa a consultar a legislação, nomeadamente o Código de Processo Penal e as leis orgânicas dos respectivos corpos de polícia para ficarem a saber que órgãos de polícia criminal não são sinónimo de Forças e Serviços de Segurança e que a missão das polícias não se esgota na execução de actos ordenados por autoridade judicial conforme é dado a entender erradamente.
Como disse Léon Tolstoi, "a mais potente das armas da ignorância é a difusão do papel impresso". Se fosse hoje certamente escreveria internet em vez de papel impresso.
Esta introdução tem a ver com uma notícia publicada num jornal nacional há algum tempo que tratava de uma eventual fusão entre diversas forças e serviços de segurança com vista a criar uma só polícia de âmbito nacional. A ideia colheu adeptos entre agentes das diversas forças policiais, cujas motivações assentam mais na probabilidades de colherem benefícios individualmente (principalmente no domínio das colocações) do que na convicção de que daí resulta qualquer vantagem para a melhoria do serviço prestado.
Foi desse fórum que nasceu a ideia da petição pública (outro instrumento de difícil concretização sem o recurso às novas tecnologias), cujo destino será a Assembleia da República para apreciação.
Assim se pode compreender que uma notícia, aparentemente avulsa e sem indicação de uma fonte credível, se transforma rapidamente num movimento corporativo visando forçar uma decisão política num caso concreto.
Mas se as motivações não parecem muito claras, o conteúdo ainda o é menos. E, a meu ver, começa mal, muito mal.
O primeiro parágrafo da petição define o objecto "Esta petição visa à extinção dos seguintes OPC´s: PSP; GNR; Policia Marítima e SEF".
Fiquei perplexo. Afinal o que significa aquela sigla que eu sublinhei e relevei a negrito?
Perguntar não ofende e no final da petição deram-me a possibilidade de desfazer a minha dúvida. Perguntei ao autor o que significa e a resposta, dada por um (ou uma) tal ORY é esta: OPC´s sao Orgãos de Policia Criminal (ao seja no fundo é cada uma das policias, a PSP é um OPC a GNR é Outro e por ai...
Perfeitamente esclarecido!!!
Perante isto não digo mais nada. No entanto, aconselharia os promotores da iniciativa a consultar a legislação, nomeadamente o Código de Processo Penal e as leis orgânicas dos respectivos corpos de polícia para ficarem a saber que órgãos de polícia criminal não são sinónimo de Forças e Serviços de Segurança e que a missão das polícias não se esgota na execução de actos ordenados por autoridade judicial conforme é dado a entender erradamente.
Como disse Léon Tolstoi, "a mais potente das armas da ignorância é a difusão do papel impresso". Se fosse hoje certamente escreveria internet em vez de papel impresso.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Não Choreis os Mortos
Não choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.
E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Das vossas orações, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.
Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.
E, ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.
Pedro Homem de Mello, in "Caravela ao Mar"
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.
E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Das vossas orações, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.
Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.
E, ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.
Pedro Homem de Mello, in "Caravela ao Mar"
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Soneto do amor e da morte
Quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. Quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
Quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"
que escrevo para ti. Quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
Quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Os Castros III
Vamos hoje terminar este tema com o último dos castros das margens do Minho, em território de Monção: É o Castro de São Caetano, localizado no lugar de Outeiro em Longos Vales.
A denominação deste local foi definida pela construção da Capela de S. Caetano, entre os séculos XVII/XVIII. A nível arqueológico este castro apresenta um conjunto de três linhas de muralha, definindo-se assim como povoado fortificado de grandes dimensões. O castro de S. Caetano era um povoado típico da Idade do Ferro, com cerâmica indígena, de importação romana, como a ânfora e a sigillata, bem como materiais de construção de influência romana (tegula e ímbrex). São visíveis habitações circulares e sub rectangulares, o que atesta, conjuntamente com o espólio cadastrado, a importância deste povoado desde o século I a.C. até ao século II d.C(CMMonção).
Classificado como Monumento Nacional por Decreto n.º 735/74, DG n.º 297, de 21-12-1974, foi recentemente este local valorizado com uma magnífica infraestrutura - o Centro Interpretativo de S. Caetano - que certamente muito contribuirá para divulgar este património.
O acesso faz-se pela Estrada Nacional 304 até Longos Vales e depois pela Estrada Municipal 1111, bastando seguir as indicações.
A denominação deste local foi definida pela construção da Capela de S. Caetano, entre os séculos XVII/XVIII. A nível arqueológico este castro apresenta um conjunto de três linhas de muralha, definindo-se assim como povoado fortificado de grandes dimensões. O castro de S. Caetano era um povoado típico da Idade do Ferro, com cerâmica indígena, de importação romana, como a ânfora e a sigillata, bem como materiais de construção de influência romana (tegula e ímbrex). São visíveis habitações circulares e sub rectangulares, o que atesta, conjuntamente com o espólio cadastrado, a importância deste povoado desde o século I a.C. até ao século II d.C(CMMonção).
Classificado como Monumento Nacional por Decreto n.º 735/74, DG n.º 297, de 21-12-1974, foi recentemente este local valorizado com uma magnífica infraestrutura - o Centro Interpretativo de S. Caetano - que certamente muito contribuirá para divulgar este património.
O acesso faz-se pela Estrada Nacional 304 até Longos Vales e depois pela Estrada Municipal 1111, bastando seguir as indicações.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Os Castros II
Retomando o tema dos castros, vamos hoje mostrar o que mais intervenções já sofreu, permitindo identificar a acrópole e diversos troços de das três linhas de muralha.
O castro da Senhora da Assunção situa-se numa colina, a cerca de 250 metros de altitude, na freguesia de Barbeita, em Monção. O nome deste local é conferido pela existência de uma ermida consagrada a N. Sr.ª da Assunção, no topo deste monte, edificada no século XVI. A nível arqueológico este povoado apresenta um conjunto de três linhas de muralha, segundo Maia Marques, definindo assim este habitat como um povoado fortificado. O sítio já foi alvo de intervenções arqueológicas, ficando visível grande parte da acrópole, várias estruturas circulares e sub rectangulares, arruamentos e pátios lajeados, constituindo assim um perfeito modelo de proto-urbanismo que caracteriza os povoados castrejos. De notar a existência do topónimo Paço, a Norte, muitas vezes associado a vestígios de ocupação romana (CMMonção).
Por todo o Portugal, é muito comum a existência de capelas no cimo das montanhas e aqui também não se fugiu à regra. A sacralização do monte, que certamente teria outra designação, deu-se pelo Séc. XVI podendo afectar algumas construções castrejas, embora com pouco significado.
O acesso faz-se, partindo de Barbeita em direcção a Merufe pela Estrada Municipal n.º 504. A seguir à Igreja há um caminho à direita, com calçada portuguesa e indicações várias, nomeadamente Campo de Tiro, Campo de Futebol e Sr.ª da Assunção, que permite aceder ao topo de automóvel ou outros veículos motorizados ou, em alternativa, como eu fiz: a butes...
O castro da Senhora da Assunção situa-se numa colina, a cerca de 250 metros de altitude, na freguesia de Barbeita, em Monção. O nome deste local é conferido pela existência de uma ermida consagrada a N. Sr.ª da Assunção, no topo deste monte, edificada no século XVI. A nível arqueológico este povoado apresenta um conjunto de três linhas de muralha, segundo Maia Marques, definindo assim este habitat como um povoado fortificado. O sítio já foi alvo de intervenções arqueológicas, ficando visível grande parte da acrópole, várias estruturas circulares e sub rectangulares, arruamentos e pátios lajeados, constituindo assim um perfeito modelo de proto-urbanismo que caracteriza os povoados castrejos. De notar a existência do topónimo Paço, a Norte, muitas vezes associado a vestígios de ocupação romana (CMMonção).
Por todo o Portugal, é muito comum a existência de capelas no cimo das montanhas e aqui também não se fugiu à regra. A sacralização do monte, que certamente teria outra designação, deu-se pelo Séc. XVI podendo afectar algumas construções castrejas, embora com pouco significado.
O acesso faz-se, partindo de Barbeita em direcção a Merufe pela Estrada Municipal n.º 504. A seguir à Igreja há um caminho à direita, com calçada portuguesa e indicações várias, nomeadamente Campo de Tiro, Campo de Futebol e Sr.ª da Assunção, que permite aceder ao topo de automóvel ou outros veículos motorizados ou, em alternativa, como eu fiz: a butes...
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domingo, 10 de outubro de 2010
Os Castros I
Não, não vou referir-me aos célebres Castros da velha nobreza cá do norte. Vou abordar mesmo a temática daqueles velhos aglomerados populacionais, tão velhos que não sabemos ao certo a data da sua implementação. São, seguramente muitos anos mas também não é isso que aqui vou tratar. Vou falar do abandono e do desprezo pelo património da humanidade cujos vestígios quis o destino que chegassem ao nosso tempo.
São três os castros que se situam na margem esquerda do rio Minho, nos limites territoriais do concelho de Monção: Senhora da Graça, em Badim, Senhora da Assunção, em Barbeita e São Caetano, em Longos Vales.
Hoje vou falar apenas do primeiro e que fica mais para nascente.
O castro da Senhora da Graça situa-se no cimo de uma elevação granítica, com cota a rondar os 315 metros, de perfil cónico. Ainda são visíveis algumas estruturas circulares. Provavelmente ocupado desde o Bronze Final à romanização plena, este castro, conjuntamente com os de S. Caetano e Sra. da Assunção, (...) dominava completamente o curso médio do rio Minho, donde tiraria grande parte da sua subsistência. Quanto a cronologias de ocupação, Maia Marques aponta para uma ocupação que iria entre séc. II a.C. ao séc. I d.C. Sendo este sem dúvida um local já intervencionado e que de algum modo se apresenta como um elemento importante para o estudo da Idade do Ferro e do Bronze no Alto Minho (CMMonção).
O acesso ao local faz-se pela estrada municipal n.º 1124 e, à chegada existe um quadro a informar da sua existência, que é um património em vias de classificação e com recomendações para não o destruir nem deixar lixo no local.
No que ao lixo diz respeito, não vale a pena gastar muito tempo. O "turista" interno é insensível a quaisquer apelos dessa natureza. Então mais acima, em torno da capela, o incêndio que abrasou toda a vegetação deixou a descoberto os incombustíveis dejectos que resultam, ao que parece, dos festejos ali realizados anualmente: são dezenas, talvez centenas de garrafas espalhadas pelo monte.
Mas se aqueles dejectos, no que concerne ao património arqueológico, são inofensivos, o mesmo não se pode dizer da abertura dos caminhos de acesso ao santuário que ocupa o topo da colina. Mesmo na borda da estrada podem ver-se a descoberto troços de paredes e muros do antigo povoado, um dos quais pelo lado de dentro de uma habitação castreja, o que revela bem o "cuidado" que (não) houve em preservar aquele património.
São três os castros que se situam na margem esquerda do rio Minho, nos limites territoriais do concelho de Monção: Senhora da Graça, em Badim, Senhora da Assunção, em Barbeita e São Caetano, em Longos Vales.
Hoje vou falar apenas do primeiro e que fica mais para nascente.
O castro da Senhora da Graça situa-se no cimo de uma elevação granítica, com cota a rondar os 315 metros, de perfil cónico. Ainda são visíveis algumas estruturas circulares. Provavelmente ocupado desde o Bronze Final à romanização plena, este castro, conjuntamente com os de S. Caetano e Sra. da Assunção, (...) dominava completamente o curso médio do rio Minho, donde tiraria grande parte da sua subsistência. Quanto a cronologias de ocupação, Maia Marques aponta para uma ocupação que iria entre séc. II a.C. ao séc. I d.C. Sendo este sem dúvida um local já intervencionado e que de algum modo se apresenta como um elemento importante para o estudo da Idade do Ferro e do Bronze no Alto Minho (CMMonção).
O acesso ao local faz-se pela estrada municipal n.º 1124 e, à chegada existe um quadro a informar da sua existência, que é um património em vias de classificação e com recomendações para não o destruir nem deixar lixo no local.
No que ao lixo diz respeito, não vale a pena gastar muito tempo. O "turista" interno é insensível a quaisquer apelos dessa natureza. Então mais acima, em torno da capela, o incêndio que abrasou toda a vegetação deixou a descoberto os incombustíveis dejectos que resultam, ao que parece, dos festejos ali realizados anualmente: são dezenas, talvez centenas de garrafas espalhadas pelo monte.
Mas se aqueles dejectos, no que concerne ao património arqueológico, são inofensivos, o mesmo não se pode dizer da abertura dos caminhos de acesso ao santuário que ocupa o topo da colina. Mesmo na borda da estrada podem ver-se a descoberto troços de paredes e muros do antigo povoado, um dos quais pelo lado de dentro de uma habitação castreja, o que revela bem o "cuidado" que (não) houve em preservar aquele património.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Gelo
Que frio é este
Que me gela o pensamento
Que me trava a razão
Que me paralisa a vontade
Que me faz tremer a mão
Que faz a minha vida um tormento?
Que tom de cinza é este
Que não me deixa ver o céu
Que esconde as estrelas
Com um véu
De nuvens negras, tenebrosas
Que oculta o horizonte
E seca a fonte
Da minha inspiração?
Olho e não vejo,
Penso e não entendo,
Tacteio e não compreendo
Este torpor
Malévolo, incompreensível,
Indolor
Que tolhe o corpo e a alma
Como letal veneno
Destrói a calma
E a paz
Vila Nova de Cerveira
É, sem margem para dúvidas, a capital das artes do Alto Minho.
De onde quer que olhemos, Vila Nova de Cerveira absorve-nos num afável abraço, convidando-nos a contemplar os seus encantos sem pressas, como se ali o tempo fosse intemporal.
Ali temos a prova de que o progresso não é incompatível com a tradição e a história.
De onde quer que olhemos, Vila Nova de Cerveira absorve-nos num afável abraço, convidando-nos a contemplar os seus encantos sem pressas, como se ali o tempo fosse intemporal.
Ali temos a prova de que o progresso não é incompatível com a tradição e a história.
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Vila Nova de Cerveira
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Visualizador de Slides
O melhor sítio para alojar fotografias e visualizá-las uma a uma ou em slides é, para mim, o Picasa da Google. Mas tem um inconveniente: o espaço disponibilizado à borla é bastante limitado. Então, temos de procurar alternativas. Que são bastantes mas quase todos enfermam dos mesmos defeitos.
Depois de passar pelo SlaidShou, bastante alegre obrigando-nos a suportar uma série de bonecos insuportáveis, acabei por descobrir, através do meu amigo Ventor, de Adrão, o Shutterfly.
E gosto.
Pode não ser o mais funcional mas para mim basta. Permite ordenar as fotografias de diversas formas, atribuir um título e uma legenda a cada uma e visualizar também de diversos modos, de acordo com os gostos ou necessidades de cada um.
É assim... Para já, vou ficar com este.
Depois de passar pelo SlaidShou, bastante alegre obrigando-nos a suportar uma série de bonecos insuportáveis, acabei por descobrir, através do meu amigo Ventor, de Adrão, o Shutterfly.
E gosto.
Pode não ser o mais funcional mas para mim basta. Permite ordenar as fotografias de diversas formas, atribuir um título e uma legenda a cada uma e visualizar também de diversos modos, de acordo com os gostos ou necessidades de cada um.
É assim... Para já, vou ficar com este.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Caminhos de Longos Vales
Longos Vales é uma das maiores e mais populosas freguesias de Monção. Percorrer os seus caminhos, diversas vezes e nas diferentes épocas do ano é uma permanente descoberta de cores, de aromas, de matizes e de surpreendentes pormenores, além de nos depararmos com a sua história, as suas tradições e os seus monumentos.
Mas mais do que as palavras dirão, certamente, as imagens que aqui vos deixo.
Mas mais do que as palavras dirão, certamente, as imagens que aqui vos deixo.
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Obras
Cansado de olhar há anos para o mesmo boneco, deitei mãos à obra e dei uma pintura quase geral, mudei os "móveis" para retirar o "cotão" que se acumulava por baixo e vamos ver se o frio e a chuva outonais me inspiram para mais uns pedaços de prosa, quer sejam recordações do passado, quer sejam impressões da actualidade.
E confesso que, além de me ocupar bastante a deambular por aí, a falta de actualização deste espaço, bem como do Momentos..., não se deve tanto à falta de tempo nem de temas mas mais ao preenchimento deste espaço pelas redes sociais, especialmente o Facebook.
Perante isto interrogo-me: será que as redes sociais ocuparão o espaço dos blogues na web?
Não sei e também não estou muito preocupado com isso. Mas se houver algum leitor voluntarioso que queira discorrer sobre o tema, faça favor...
E confesso que, além de me ocupar bastante a deambular por aí, a falta de actualização deste espaço, bem como do Momentos..., não se deve tanto à falta de tempo nem de temas mas mais ao preenchimento deste espaço pelas redes sociais, especialmente o Facebook.
Perante isto interrogo-me: será que as redes sociais ocuparão o espaço dos blogues na web?
Não sei e também não estou muito preocupado com isso. Mas se houver algum leitor voluntarioso que queira discorrer sobre o tema, faça favor...
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