sábado, 10 de abril de 2010

A Luta de Valença

Veio para ficar a resistência da população de Valença do Minho (ou Valencia do Miño) ao encerramento do Serviço de Atendimento Permanente no Centro de Saúde local.
Os argumentos são muitos e até tiveram a "sorte" de ver morrer um velhinho à entrada do Centro de Saúde, mesmo ocorrendo a horas em que era suposto aquela unidade estar a funcionar plenamente.
Mas para mim, o principal argumento é a "subordinação" da novel cidade a uma Vila.
A história, se é que há alguma história neste imbróglio, começou com a reforma da rede nacional de cuidados de saúde implementada pelo ministro Correia de Campos que, por causa dela, foi sacrificado em prol de uma política mais popularucha. Na altura era presidente da autarquia valenciana um membro do "clã" no poder e a coisa decorreu sem muitas ondas apesar de ainda ter havido contestação e pelo menos uma acção de "corte" da Ponte, um ponto de grande sensibilidade estratégica que a Guarda tenta estoicamente manter desobstruído.
Entretanto - não sei foi alguma contrapartida pelo encerramento do SAP ou não - Valença foi elevada a cidade e com a "nova ordem" do poder autárquico a voz do descontentamento ganhou mais força mesmo não se sabendo bem para que lado pende a posição do presidente que por um lado diz defender os interesses dos habitantes de Valença mas por outro discorda das bandeirinhas espanholas (ficava muito melhor a galega) nas varandas e falta saber se apoia ou não as criminosas investidas sobre a ponte.
Que Valença aspirava há muito ser cidade já se sabia. Desde que a urbe se expandiu anarquicamente para fora das muralhas essa nova zona comercial e habitacional passou a ser designada por "Cidade Nova". Mas as condições legais para tal nunca foram reunidas devido, principalmente, à extinção das barreiras alfandegárias com a adesão de Portugal e Espanha à CEE.
Mesmo sem condições para tal, a verdade é que a elevação a cidade é uma realidade e o orgulho dos valencianos sofre com a perda de influência e do SAP em detrimento dos vizinhos de Monção.
No entanto, são vários os factores que favorecem a implementação do SUB em Monção: melhor centralidade (convém relembrar que Melgaço também faz parte da área coberta por este Serviço), uma infraestrutura pensada e criada pata tal fim e, essencialmente, uma densidade populacional muito superior, conforme se pode ver do quadro seguinte.

De resto, dizer-se que os pacientes têm de andar para um lado e depois no sentido inverso para Viana do Castelo, só serve de arma de arremesso porque, na verdade, se o problema urgente for resolvido em Monção o percurso inverso é apenas o necessário para regressar a casa.
Poderão os meus leitores alegar que defendo a actual situação apenas porque estou do lado dos mais favorecidos mas eu digo que tal não corresponde à verdade. Eu preferiria sempre deslocar-me alguns quilómetros para ter acesso a um serviço que de facto me providenciasse os cuidados necessários e urgentes com qualidade a ter um SAP ao pé da porta apenas para emitir uma "guia de marcha" para outras paragens.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pare, Escute, Olhe...



Do mesmo autor do famoso "Ainda há Pastores", este documentário sobre a linha do Tua é fantástico.
Só quem nunca andou por aquelas paragens é que pode ficar indiferente ao que aquela linha ferroviária representava e ainda representa para as populações que a ladeiam. Mas talvez mais do que isso são as magníficas paisagens que cada viagem permitia descobrir ao longo do imenso vale do Tua.
Um património que daqui a alguns anos apenas será possível visitar através das imagens que Jorge Pelicano recolheu.

sábado, 3 de abril de 2010

De a Caballo al Mundo...

Em finais do Verão de 2006, em Coimbra, fiz as "honras da casa" ao corajoso ginete argentino Eduardo Discoli que durante cerca de nove anos percorreu o Mundo com os seus cavalos deixando por onde passava um rasto de simpatia e admiração pela ousadia.
Com mais ou menos dificuldades foi andando de continente em continente, de país em país, até que casualmente se meteu num beco sem saída: Israel.
Ali foi obrigado a deixar os três cavalos com que se fazia acompanhar e demandou a Europa à procura de apoios financeiros para resgatar os animais. Mas o dinheiro anda caro. E faz falta muito para promover o transporte dos bichos...
Só que o Homem não desiste facilmente e continua, arduamente, a desenvolver diligências no sentido de concretizar o seu sonho.
O seu objectivo inicial era chegar a Marrocos, passar ao Brasil e dali regressar a casa. Só razões de uma política estúpida o impediram de prosseguir mas o que ficou para trás valeu a pena.
Continuo a desejar-lhe sorte D. Eduardo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Até Quando?

http://niviaandres.blogspot.com/2009/02/cinismo-puro.html

Os Estados salvaram os bancos e não exigiram contrapartidas. Os bancos recuperam uma renovada força contra os Estados.

Ver mais...

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Portal da Quinta do Crasto

Quem percorre a Estrada Nacional 101 de Monção para Valença, quase na divisória dos dois concelhos e das freguesias vizinhas de Lapela e Friestas, depara-se subitamente com uma imponente frontaria de granito que tem desafiado o decurso dos séculos. É o celebrado portão da Quinta do Crasto, ou de Castro, porque a primeira designação e aquela pela qual é mais conhecido não é mais nem menos do que o mesmo nome que apenas sofreu uma inversão na sua estrutura (metátese), fenómeno muito comum nesta região norte de Portugal.

A sua descoberta, quase repentina, no meio de densa e verdejante vegetação, leva muitos transeuntes a parar no largo fronteiro e indagar do que se trata, talvez alimentando a esperança de poder efectuar uma visita à propriedade que, com uma entrada daquele quilate, se antevê grandiosa e interessante.
Porém, depressa essa expectativa se desvanece. Os ferrugentos portões encontram-se fechados, não há qualquer dispositivo de chamada e não se vislumbra vivalma para fornecer qualquer explicação.
A grandiosidade do portão contrasta com o resto da propriedade que terá pertencido à aristocrática família  Pimenta de Castro, cuja genealogia se perde na memória dos tempos e com a qual não vou perder tempo nem quero fazer "concorrência" nesta matéria ao meu ilustre amigo Alberto Magno Pereira de Castro que, seguramente, já anda a vasculhar nas raízes dessa antiquíssima árvore...
De facto, a casa que agora tem vindo a ser alvo de obras de restauro e se projecta já com uma volumetria solarenga, não passava até há poucos anos de uma modesta habitação rural cercada de vinhas e leiras de cultivo.
À escassez de informação credível sobre a misteriosa quinta, contrapõe-se a lenda e a sabedoria popular consubstanciada em duas narrativas que, como todas as lendas, enfermam de escassa credibilidade.
A primeira é que na freguesia vizinha de Gondomil, dois homens envolveram-se numa contenda por causa dos marcos que dividiam as respectivas propriedades.À boa maneira do norte, o homem que se considerava roubado, puxou da enxada e desferiu um golpe na cabeça do vizinho, matando-o. Entretanto foram chamados os guardas da Rainha para prender o homicida. Este, conhecedor dos direitos e privilégios do Portão da Quinta do Crasto, fugiu e dirigiu-se para ali perseguido pelos guardas e pela população. Chegando lá, agarrou-se ao portal conseguindo eximir-se à justiça porquanto, todos aqueles que se protegessem junto do portal expiavam os crimes cometidos.
A segunda reza que, perante a ameaça das tropas napoleónicas que invadiram Portugal pelo Norte, os proprietários da nobre Quinta reuniram todo o dinheiro e jóias que possuíam e entregaram o fabuloso tesouro a um fiel criado incumbindo-o de o colocar em segurança. O criado apareceu mais tarde morto mas do tesouro nunca mais se soube, o que leva a considerar duas hipóteses: uma que teria o fiel servo escondido o tesouro em local seguro e levado o segredo do seu esconderijo para a eternidade, outra que aponta a possibilidade de ter sido morto e roubado pelos invasores.
Eu quero acreditar mais na primeira e não me espantará se, algum dia, alguém vier a confrontar-se com um achado fabuloso tornando-se em mais um excêntrico, qual vencedor do euromilhões.

domingo, 21 de março de 2010

Ecopista do Rio Minho - de Cortes até Friestas

Percorrer a ecopista do Rio Minho é uma actividade sempre regeneradora e aliciante. Contudo, pode-se tornar ainda mais aliciante se nos dermos ao trabalho de abandonar a pista propriamente dita e efectuar pequenos desvios numa espécie de "caça ao tesouro".
A recompensa aí fica, pedindo desde já a melhor compreensão para a qualidade do registo que se deve, exclusivamente, à natural falta de jeito do fotógrafo...
Este conjunto de fotografias foi recolhido num pequeno troço da magnífica via, entre o Apeadeiro de Cortes, em Monção, e a Estação de Friestas, já no termo de Valença.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Direito de Petição

"O direito de petição é o direito de apresentar exposições escritas para defesa de direitos, da Constituição, da lei ou do interesse geral. Pode ser exercido junto de qualquer órgão de soberania (à excepção dos tribunais) ou de quaisquer autoridades públicas, sobre qualquer matéria desde que a pretensão não seja ilegal e não se refira a decisões dos tribunais".
Está muito em moda, criar petições online por tudo e por nada, banalizando-se um direito que visa reforçar a cidadania e dar voz às pessoas no sentido de levar a administração a tomar, adoptar ou propor determinadas medidas.
Tem-me chegado à caixa de correio electrónico, por diversas vias e de proveniências que considero insuspeitas, o pedido de subscrição de uma petição pública em que é pedida a libertação de um militar da Guarda Nacional Republicana (GNR), condenado judicialmente em pena de prisão por, alegadamente em legítima defesa, ter morto um jovem de dezoito anos.
Seria uma iniciativa muito louvável se viesse acompanhada de toda a informação necessária para podermos aderir à mesma sem reservas.
Contudo, essa informação não existe e, por isso, fui obrigado a vasculhar a web à procura dela. E o que encontrei não me convenceu, muito pelo contrário, induziu-me a pronunciar-me aqui sobre o mérito da mesma e a pedir que deixem de me enviar pedidos desta natureza porque o meu sentido de camaradagem e de defesa de interesses corporativos não me permite agir cegamente nem apoiar incondicionalmente todas as iniciativas que digam respeito ao grupo profissional em que me encontro inserido.
A primeira constatação é que apenas colhe algum apoio em fóruns ou blogues relacionados com movimentos extremistas de direita, o que por si só é suficiente para me suscitar sérias reservas. Outro motivo de desconfiança deriva da análise de alguns comentários que os subscritores adicionam, que denotam muita paixão mas pouca capacidade de análise de matéria tão delicada.
O que está em causa, no caso em apreço, não é uma mera pena de prisão aplicada a um militar da GNR, é uma decisão judicial proferida num órgão de soberania em relação à qual o cidadão dispõe de mecanismos de defesa próprios e que também desconhecemos se foram ou não desencadeados.
Por isso mesmo, a Lei pela qual se rege o Direito de Petição exclui, do seu âmbito, os Tribunais.
Assim sendo, atrevo-me a formular algumas questões que gostaria de ver respondidas:
  • Quem desencadeou a referida petição?
  • A quem é dirigida?
  • Quais os fundamentos para, eventualmente, fazer reverter a decisão do Tribunal de Loures a favor do militar da GNR?
  • Qual a posição dos quadros de topo da GNR em todo este imbróglio?

Pelo que nos é dado observar através da comunicação social, o jovem assaltante que terá arrancado um fio de ouro ao militar foi abatido com três(?) tiros nas costas. A pena aplicada foi a que corresponde ao homicídio simples, à qual acresce uma outra pena por ofensas corporais simples já que um disparo atingiu a perna de uma jovem que passava no local. Perante este cenário, sejamos realistas, isentos e responsáveis, qualquer juiz teria, necessariamente, de condenar o autor dos disparos.
A quem não concordar comigo lanço apenas este repto: imagine que a vítima era vosso irmão, filho, pai ou parente... independentemente de ser um marginal, branco, negro, cigano ou alentejano.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pigs or Stupid's?

O diabo que escolha. Qualquer dos acrónimos em título não é propriamente um elogio para Portugal, nem para os portugueses, nem para os governantes portugueses. Por isso, era bom que o chefe da diplomacia portuguesa, Dr. Luís Amado, explicasse por onde tem andado para justificar o que acabou de referir à comunicação social no regresso de mais uma viagem lá não sei onde...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Estado de Choque

Havia um ditado antigo que dizia: só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja. Ocorre-me este anexim popular a propósito das notícias que nos têm chegado da Madeira e que deixou o País em estado de choque. A verdade é que estamos permanentemente a ser surpreendidos pela ocorrência de catástrofes naturais que, bem vistas as coisas, não constituem qualquer novidade.
Alguns anos atrás alguns instantes de chuva intensa provocaram o caos em muitas zonas do Continente. A esse propósito alinhavei aqui alguns comentários que permanecem perfeitamente actuais. É perfeitamente visível, sem necessidade de lupa, mesmo para aqueles que enfermam de algumas limitações ópticas, que se têm cometido imensos atentados ambientais, com alterações nos solos que afectam a sua permeabilidade e consequente consolidação, com o "encarceramento" dos cursos de água, quantas vezes enfiados em aquedutos com a capacidade mínima para escoar as águas que por ali escorrem normalmente mas extremamente exíguos para deixar passar uma enxurrada que arraste lama, pedras plásticos, matéria lenhosa e toda a sorte de dejectos que se acumulam ao longo do seu curso.
Indiferentes aos "avisos" da natureza, continua-se a colocar os interesses económicos à frente do que devia ser um planeamento e ordenamento territorial que respeitasse todos os aspectos mas com prevalência para os ambientais.
Assim não é difícil vaticinar a ocorrência futura de catástrofes idênticas ou piores da que ocorreu na Ilha.
Com todo o respeito pelas vítimas e pelos seus familiares, a quem endereço os meus sentidos pêsames, acho que, passada a tormenta, é tempo de reflectir sobre as causas, as consequências e fazer algo para que não continuemos a ser surpreendidos por fenómenos que são tão antigos quanto o é a humanidade.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Propósito de Crise...

"Quando há uma nova lei de que não gostam, (...) ou a ignoram ou arranjam maneira de a massajar".
Quem fala assim é um economista alemão a propósito da situação económica da Grécia e gosto especialmente do termo "massajar". É lindo, sim senhor!
Intencionalmente coloquei uns pontinhos entre parentesis, local onde deveria figurar "os gregos", porque se quisermos também lá podemos colocar "os portugueses".
O desprezo pelas leis claras, concisas e precisas já vem de muito longe e aquelas que ainda resistem, se não houver nos alfarrábios forma de as contornar, são logo revogadas e substituídas por outras "à medida".
Mas o que mais me preocupa nem sequer é a crise, é o facto de, sem saber como, estar a dever ao estrangeiro a módica quantia de € 16.000,00. 
Eu juro que sempre que me desloco ali à Galiza para adquirir alguns produtos que me parece estarem mais em conta do que cá, principalmente a "gasosa", pago no acto.
Por isso, exorto os caloteiros para que paguem o que devem e deixem de colocar em causa a honra e o bom nome de quem faz por ter as contas em dia.
E se este apelo não for suficiente ainda hei-de criar um movimento, talvez uma petição online, para que seja publicada uma lista dos devedores, ou melhor, daqueles que sem mandato meu, andam a mexer no meu bolso.
Quanto à dívida, esqueçam, não pago, não pago e não pago...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Congelados

Como era espectável, voltamos a ter mais do mesmo. O Orçamento de Estado (OE) para 2010 trouxe de novo aquilo que já se sabia há muito: há um bode expiatório para todos os males da economia portuguesa que são os trabalhadores da administração pública. Foi assim em 2005 e anos seguintes, aliviou em 2009 porque havia eleições para sobreviver, recomeçamos o ciclo em 2010 porque as eleições ainda estão longe.
E também continuamos a fazer orelhas moucas ao ruído que vem do exterior, à semelhança do que aconteceu num passado recente. Quando todos os sinais exteriores apontavam para a crise que alastrava a nível mundial e afectava as economias mais poderosas os nossos governantes pavoneavam-se com as suas previsões optimistas e defendiam a solidez das políticas implementadas. O resultado foi o que se viu, ou o que ainda não se viu porque o verdadeiro estado das finanças públicas ainda está no segredo dos deuses. Agora são as agências que avaliam o "rating" dos Estados que não sabem fazer contas e mais uma vez podemos ficar descansados porque o nosso primeiro sabe como fazer descer o défice...
Pois sabe, há por aí uns senhores(as) que entram às nove e saem às cinco, com intervalos para café e lanche e almoço e ir ao banco e dar uma espreitadela no mercado da esquina e escovar o chefe e polir as unhas e telefonar aos filhos, à vizinha, à prima, ao namorado(a) e que se proclamam funcionários públicos que vão saber como "elas doem". Pois que se ponham a pau, porque além de não terem salários melhorados nos próximos anos ainda vão ter de seguir o exemplo do ministro das finanças que trabalha vinte e quatro horas por dia,  disse-o ele. Só não disse foi que de noite também se trabalha... talvez para não ter de pagar horas extraordinárias...
O grande problema é que tudo isto não é mais do que "dourar a pílula", como disse aquele senhor, que não sei de que lado está mas seguramente não está do lado do poder.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Xacobeo 2010 - III

Há quem não se importe de empenhar os anéis, de ruby ou de esmeraldas, ou outras preciosidades quaisquer, para ver ao vivo os seus ídolos musicais.
Eu, sendo um consumidor e apreciador de boa e diversificada música, mas especialmente clássica, manifestei o desejo de aproveitar a oportunidade de assistir ao concerto de Mark Knopfle, se tivesse vagar. Vagar tenho, mas infelizmente não tenho t€mpo. É que o ingresso para o concerto a realizar em 28 de Julho no Multiusos Fontes do Sar em Santiago de Compostela custa (apenas) €95,00, além dos promotores cobrarem ainda mais € 30,00 para o envio por correio expresso...
Eu sei que não é nenhuma fortuna mas as minhas prioridades são outras. Além disso o ano é longo e não vão faltar eventos para todos os gostos e todas as bolsas.
E a Galiza é um mundo de encanto e de magia...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Viaturas do Estado

A circulação de viaturas do Estado sem seguro obrigatório foi tema recentemente na comunicação social e deu azo a inúmeros comentários mas sem qualquer reacção oficial.
Sem procuração de ninguém para assumir a defesa da Nação, deixei o meu ponto de vista no sítio do costume.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Gastronomias II

ali me referi a um prato típico de Monção, muito apreciado por quem gosta, e eu sou um dos seus apreciadores. É o cabrito, anho ou reixelo à moda da terra. E também lá plasmei o epíteto porque é conhecido cá no burgo, para o qual existem diversas explicações, qualquer delas capaz de satisfazer a curiosidade de quem quiser saber a razão de tal reputação.
Agora foi dada a conhecer publicamente, pela voz do Presidente da Autarquia, a intenção de se proceder à certificação da "Foda à Monção",  para "evitar que não haja uma delapidação" desse património gastronómico concelhio. E parece que a intenção é certificar esse prato típico assim mesmo, tal como é anunciado nos cardápios dos restaurantes locais.
Sinceramente acho a ideia de muito mau gosto. Não a certificação mas a designação. Foda é um vulgarismo que significa relação sexual, cópula ou ainda coisa desagradável ou insuportável e na verdade um prato de cabrito à moda de Monção não será nada disso, a menos que as suas virtualidades sejam tão corrompidas que os potenciais consumidores acabem os seus repastos com a expressão: - Mas que grande foda!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Brumas


Por entre as brumas matinais vislumbram-se as ameias de uma construção que não sei bem o que é. Situa-se na ilha de Fillaboa, como é designada por nuestros hermanos, no curso internacional do Rio Minho, junto à foz do rio Tea.
Se há algum sítio onde possa esconder-se o saudoso Rei D. Sebastião, esse sítio é mesmo ali. Até me quis parecer que por lá pastava o seu fogoso corcel...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Aneurisma da Aorta Abdominal

Fixem este nome, principalmente os homens com mais de 65 anos. O aneurisma da aorta abdominal (AAA) é uma das principais causas de morte súbita nessa faixa etária. Porquê? Porque se desenvolve silenciosamente, sem dor e sem sintomas específicos, e quando se dá a rotura na "canalização" mais de metade dos afectados não chega ao hospital com vida.
Como é que eu sei destas coisas?
Bom, o facto de dispor de tempo mais que suficiente para cuidar de mim levou-me a ir assistir a uma sessão de esclarecimento realizada anteontem no auditório da Biblioteca Municipal de Monção, realizada por um especialista em Cirurgia Vascular do Hospital de S. João no Porto com o patrocínio da Medtronic, uma empresa do ramo das tecnologias médicas.
A aula tinha como público alvo, especialmente, os alunos da Universidade Sénior de Monção mas era também aberta a quem quisesse participar, mediante inscrição prévia. Foi o que eu fiz e não dei o pouco tempo que lá permaneci por mal empregue.
Quais são as causas para o desenvolvimento de um AAA?
Todas aquelas que se relacionam com problemas vasculares, nomeadamente o tabagismo, diabetes, colesterol elevado, hipertensão, doenças cardiovasculares e muito especialmente a aterosclerose.
Como se pode diagnosticar?
Muito simples, através de uma simples ecografia abdominal, que deverá realizar-se anualmente a partir dos 60 anos de idade.
Estranhei foi a escassa participação masculina que não chegava a 1/4 da assistência. De facto, ou a divulgação foi escassa, ou os homens de Monção são demasiado "machos" para se preocuparem com essas "mariquices". Ou então confiam cegamente no antídoto natural produzido nesta região para todas essas doenças, como referiu, gracejando, o senhor Presidente da autarquia que fez questão de estar presente, numa clara alusão ao famoso "alvarinho".
E ainda fiquei a saber que o célebre nobel da física Albert Einstein morreu vitimado por um AAA...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Casamento ou União de Facto?

Em Monção já existe há muito tempo um monumento com um célebre poema de João Verde, poeta regionalista que nos fala de um namoro antigo entre o Minho e a Galiza mas cujo casamento não se pode realizar porque os pais não o permitem.
Vendo-os assim tão pertinho
A Galiza mailo Minho
São como dois namorados
Que o rio traz separados
Quasi desde o nascimento.
Deixá-los pois namorar
Já que os pais pera casar
Lhes não dão consentimento.
O mesmo poema foi recentemente integrado num painel que se encontra do outro lado da fronteira, junto à ecopista que ladeia a margem direita do Rio Minho, à entrada do magnífico parque "A Canuda", acompanhado por um outro mais optimista da autoria de um poeta galego de nome Amador Savedra e que reza assim:
Se Dios os fixo de cote
um pra outro e teñem dote
Em terras enparexadas,
Pol'a mesma auga regadas
Con ou sin consentimento
D'os pais o tempo ha chegar
Em que teñam que pensar
Em facer o casamento.
Penso que Savedra era um visionário e um optimista, talvez fruto de um sentimento nacionalista que via no norte de Portugal um prolongamento natural da Nação Galega. Se bem que não houve casamento, existe na realidade uma verdadeira união de facto entre as duas regiões, o que na prática vai dar ao mesmo. E nem foi preciso a Assembleia da Republica legislar ad hoc.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Geada na Lama


Durante o início da noite passada choveu e de madrugada caiu gelo em cima do solo encharcado em água. Diziam os mais velhos da minha terra: geada na lama, chuva na cama. E parece que tudo se conjuga para que assim seja ainda já que as grossas nuvens que agora encobrem o sol radioso com que se iniciou este dia prometem chuva em abundância.
Mas apesar do frio, o sol matinal convidava a sair e eu assim fiz. Dei início à minha caminhada em direcção a Salvaterra e à medida que me aproximava do rio mais me embrenhava no manto de nevoeiro que cobria o seu caudaloso leito.
O frio era muito e era bem evidente pela fumaça que saía das minhas "ventas" mas isso não fez esmorecer o meu entusiasmo.
Valeu a pena.
Não é todos os dias que se vê desaparecer a ponte em lado nenhum...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Adeus 2009


Adeus, dissemos
E nada mais de então ficou
De asas quebradas
Foi a ave branca que voou
Voa lá alto, que eu morro, bem sei, sem voltar
Cantem as aves do monte qu'eu fui ver o mar.. .

Ai,
Não sei de mim;
Ai,
Não sinto nada..
Ai,
E nem,
Voltei.

Hou Hou Hou!!!


Surpresa bonita que parece voltar a repetir-se esta noite no aeroporto de Lisboa. Gostava de ter estado lá, assim meio aparvalhado, como se pode observar na assistência...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A Ecopista do Rio Minho

Volto à Ecopista do Rio Minho porque considero-a a obra mais emblemática da autarquia dos últimos anos e merece o nosso maior respeito e carinho.
O apeadeiro de Nossa Senhora da Cabeça, em Cortes, foi totalmente remodelado para ser ali instalado um centro de interpretação.
Penso que de centro de interpretação tem pouco mas, além de servir de abrigo e local de repouso, dispõe de diversas gravuras que ilustram um pouco da história dos caminhos de ferro em Monção.
Acontece que a imensa humidade que se entranha naquele espaço e a forma como estão expostas as gravuras conjugaram-se para provocar uma rápida degradação da mancha gráfica, factores que aliados a algum vandalismo ou mesmo a curiosidade de quem observa os quadros farão com que dentro de pouco tempo apenas exista um suporte em branco.


Como já referi em post anterior, não basta fazer obras, é preciso velar pela sua conservação e neste caso é urgente que se faça algo para evitar o desaparecimento prematuro de tão preciosa informação.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Santo António de Val de Poldros II

Há cerca de dois anos lançava eu um apelo, aqui da minha "tribuna", para que as entidades competentes travassem qualquer tendência especulativa sobre o espaço que é de toda a humanidade e não apenas dos seus titulares.
Referia-me à Branda de Santo António de Val de Poldros, um espaço que, além da beleza natural, carecteriza-se e orgulha-se de possuir a maior concentração de cardenhas feitas totalmente de granito e xisto e que tão mal têm sido tratadas nos últimos anos.
Felizmente a minha preocupação colheu eco no executivo municipal que decidiu avançar com a "elaboração do Plano de Pormenor de Salvaguarda de Santo António de Vale de Poldros", conforme consta no site da Câmara Municipal de Monção.
Louvável iniciativa que já se impunha há muito tempo mas mesmo assim mais vale tarde do que nunca.
Entretanto já muitas asneiras, para não dizer verdadeiros crimes contra o património histórico e cultural, foram cometidas. E se já não se pode recuperar o que foi destruído, ao menos que se proteja o que existe.
Bem à vista de toda a gente existem exemplos do que foi feito de mal e daquilo que se pode fazer bem para preservar as típicas cardenhas. Para isso nem é preciso gruas, como eu já vi por lá...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ciência e Orgasmos

Há dias ouvi o maestro Miguel Graça Moura dizer que está provado cientificamente que a parte do cérebro humano que guarda e promove o gosto pela cultura e pela aprendizagem permanente é a mesma que se ocupa dos orgasmos.
Eu não sei se é verdade ou não, nem vou questionar. Ele disse, está dito. Certamente haverá algumas bases cientificas para tal, o que me leva a compreender melhor a razão de os investigadores e pessoas que chafurdam toda uma vida em busca de mais e melhor conhecimento e no desenvolvimento de novas e rebuscadas teorias serem, numa grande base de incidência, solitários e incapazes de sustentar uma relação normal porque não há ninguém com pachorra para os aturar.
Isto é uma conclusão minha, sem qualquer base de trabalho que a sustente, mas como eu sou um bocado limitado nessas coisas de ciência...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mesmo com o sacrifício da própria vida.

O título deste artigo é a parte final da fórmula adoptada para a cerimónia de entronização de todos os militares na vida castrense. É também adoptada na Guarda Nacional Republicana, uma vez que é uma força de segurança de natureza militar, como diz a diversa legislação aplicável. É um juramento em que se hipoteca a própria vida ao serviço da Nação e muitos têm sido postos à prova perante esse supremo compromisso.
Só que a disponibilidade da própria vida não pode servir de pretexto para um agir descuidado, desprevenido ou mesmo irreflectido e uma norma que tem de ser indelevelmente gravada na mente de cada soldado é a segurança pessoal. Mesmo que a adopção dessa norma transmita uma imagem de força exagerada, mesmo que corramos o risco de ser apodados de "cow-boys"... A segurança deve ser a palavra de ordem sempre que haja que intervir em qualquer acção policial, desde a operação meticulosamente planeada para combater o crime organizado à mera operação de rotina no controlo e fiscalização do trânsito ou no apoio à comunidade escolar.
Por isso não compreendo a adopção de medidas impostas por quem está comodamente instalado "lá em cima", no gabinete, e determina que no final do serviço a arma seja entregue e depositada no armeiro.

Sempre me manifestei adverso a essa medida por razões diversas: A primeira é que se trata de "passar" um atestado de incompetência aos guardas, a segunda porque se pretende com essa medida suprir a falta de investimento em equipamento, formação e treino de tiro policial, a terceira porque transmite a ideia errónea de que o serviço terminou com a entrega das armas... A ordem pode ser assim ou na inversa, tanto faz.
Na minha perspectiva, o agente policial que termine a formação inicial e passe a integrar os efectivos na sua plenitude deveria ser dotado do equipamento, inclusive a própria arma, do qual se faria fiel depositário enquanto se mantivesse ao serviço activo ou até que lhe fossem aplicadas medidas restritivas ao exercício pleno das funções.
Poderá não ser este sequer o principal problema das forças de segurança e especialmente da GNR mas, se calhar, adicionado a muitos outros, constitui uma das causas que revelam as fragilidades que se acentuam cada vez mais nas células que mais mal tratadas têm sido nos últimos anos: os Postos Territoriais.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Ecopista do Rio Minho

A ecopista do Rio Minho, inaugurada há cerca de cinco anos, resultou do aproveitamento de um troço desactivado da linha de caminho de ferro que ligava as localidades de Valença e Monção.
Inicialmente numa extensão de treze quilómetros, desde a Casa da Guarda em Valença até ao apeadeiro da Senhora da cabeça em Cortes, Monção, foi considerada a primeira infraestrutura do género em Portugal. Recentemente foi também ampliada com mais três quilómetros, desde Cortes à estrada que liga Monção e a localidade galega de Salvaterra do Minho, sendo intenção da autarquia monçanense projectá-la até ao parque termal das Caldas.
Percorrê-la, a pé ou de bicicleta, constitui um exercício físico e mental extraordinário e quem se dispuser a efectuar ligeiros desvios pode observar os inúmeros pontos de interesse que o traçado oferece.
O reconhecimento da qualidade desta obra magnífica está bem patente no honroso quarto lugar na categoria de Desenvolvimento Sustentável e Turismo do Prémio Europeu das Vias Verdes que lhe foi atribuído recentemente, num concurso realizado na Bélgica e organizado pela Associação Europeia Greenways (E.G.W.A.) e Ministério do Turismo da Comunidade Alemã da Bélgica, com o apoio da Fundação espanhola para a Biodiversidade e da Direcção-Geral das Empresas e Indústria da U.E.
Mas não basta fazer obra e descansar à espera dos frutos. A manutenção também se impõe e quanto mais cedo se efectuarem as intervenções necessárias mais fácil e menos dispendioso se tornará.
Ao longo do percurso já são visíveis os danos provocados pelo desenvolvimento subterrâneo de raízes que levantam o pavimento. E nesta altura do ano, com as chuvas e queda de folhas e ramos das árvores,  são muitos os detritos minerais e vegetais que se vão acumulando na via. A agravar este cenário há o assoreamento, ocasional ou intencional de valetas e gateiras por onde se escoam as águas tanto da chuva como das diversas nascentes que se encontram ao longo do percurso.
Talvez a contratação de um cantoneiro (ou técnico de manutenção) fosse útil para resolver as pequenas anomalias que se verificam, podendo ainda exercer algum policiamento já que é notório o abusivo apascentamento de animais nos taludes, além de gerar um posto de trabalho que tanta falta faz.
O caso mais flagrante é o que a fotografia documenta. São cerca de 10 metros de pista que ficam submersos por uma camada de água, suficientemente alta para encharcar o calçado e os pés de quem ousar passar a pé.

Uma semana antes voltei para trás e alertei a autarquia responsável para o problema mas o mesmo ainda subsiste. Desta vez passei encavalitado na "ginga" e aproveitei para efectuar o registo fotográfico.
Talvez esta forma de divulgação seja mais eficiente...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Quadro de Honra

Mesmo na noite mais triste, Em tempo de servidão, Há sempre alguém que resiste, Há sempre alguém que diz não.
O contexto não é o mesmo mas estes versos encaixam bem no tema que me traz aqui de novo. Maria da Conceição seria mais uma maria se não fosse capaz de dizer não a um estilo de vida bem português: acomodado, explorado, resignado...
Eu fico particularmente extasiado com as capacidades empreendedoras de inúmeros portugueses e portuguesas que por esse mundo fora elevam bem alto o nome de Portugal. E Maria da Conceição, com apenas 32 anos de idade, já figura, com todo o mérito, entre aqueles, que por obras valerosas, se vão da lei da morte libertando.
Mas uma dúvida permanece e provoca-me alguma inquietação: Se vivesse e desenvolvesse um projecto da mesma natureza em Portugal obteria o mesmo reconhecimento?

sábado, 14 de novembro de 2009

É crime, sim senhor!

Crime contra a humanidade é também o que os poderes financeiros e económicos, com a cumplicidade efectiva ou tácita dos governos, friamente perpetraram contra milhões de pessoas em todo o mundo, ameaçadas de perder o que lhes resta, a sua casa e as suas poupanças, depois de terem perdido a única e tantas vezes escassa fonte de rendimento, quer dizer, o seu trabalho.

Não pode ser lido literalmente porque, de facto, este crime a que se refere José Saramago não consta de nenhum código penal, nem de qualquer declaração sobre direitos humanos, nem do velho nem do novo testamento.
Por isso, os "senhores do dinheiro" vivem tranquilamente, à grande e à francesa, não se incomodando minimamente com as verdadeiras tragédias humanas que a sua ganância provoca.
Era bom que fossem bem investigadas as falências de empresas cujos administradores se locupletaram com avultadas somas de dinheiro do erário público para as viabilizar e no final lançam para o desemprego dezenas, centenas de trabalhadores, deslocalizando a produção ou simplesmente mudando a designação para continuar a "chuchar" na teta da "vaca"...
Era bom que se investigasse bem onde foram parar os milhões que se esfumaram nas jogadas de interesse de certas instituições financeiras...
Era bom para o povo mas não era bom para os deuses...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Nulidades II

Pronto, já sabemos o que o STJ acha desta coisa estranha de um primeiro-ministro ter sido apanhado em escutas telefónicas em conversas com um amigo de alto coturno: não valem porque não foram autorizadas pelo STJ. E como é que o STJ autoriza uma escuta se não tiver indícios suficientes para tal? Não autoriza, porque não é válido que outros lhe levem os indícios cuja recolha só o STJ poderia fazer. E como é que o STJ poderia investigar um PM se não houver indícios suficientes, cuja recolha só pode ser autorizada pelo STJ?
A isso, meus amigos, a resposta está no vento
.
É assim que o senhor José, da Porta da Loja, define o "embrulho" de que tanto se fala. Claro que é uma ironia mas seria bom que perguntassem ao "pai" do actual Código de Processo Penal como é que se pode sair daquele círculo vicioso sem que o povo se veja confrontado com uma justiça cega para uns e convenientemente arguta para outros.
E para quem disser que a culpa é das leis, também por ali se pode ver a resposta, constante do art. 13.º, n.º 1, da Lei Fundamental: Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
Serão? Eu ainda vou mais pelo sétimo mandamento de Napoleão em Triunfo dos Porcos, de George Orwel: Todos os animais são iguais mas alguns são mais que outros.



Vídeo sacado dali

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nulidades


Parece que andamos num jogo do empurra para ver o que se há-de fazer com a gravação em que aparece o nosso primeiro envolvido em mais um imbróglio de contornos ainda mal definidos.
Pelos vistos, o Supremo Tribunal de Justiça decidiu decretar a nulidade da certidão envolvendo escutas telefónicas em que aparece o primeiro-ministro José Sócrates, beseando-se no facto de que "as escutas envolvendo o primeiro-ministro devem ser previamente validadas por um tribunal superior".
O problema já não é de agora e não é este o primeiro caso que ficará na gaveta devido à nulidade da prova recolhida em circunstâncias idênticas.
Para mim as coisas tornam-se mais simples. A matéria em causa é que deveria determinar se deve ou não instaurar-se um processo para apurar responsabilidades e dar oportunidade aos visados de se defenderem. No caso de haver matéria indiciadora de responsabilidade criminal, a autoridade judiciária deverá validar a prova, à semelhança do que ocorre em inúmeras acções de investigação.
Só que este caso tem muitas particularidades, a começar pelas entidades que deverão decidir o que fazer com aquilo e culminando nas personalidades envolvidas.
Assim, mais uma vez ficamos a saber que a justiça não é tão cega como a pintam e que as nulidades não são apenas as que constam dos códigos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tesourinhos do MAI

Foram muitos os funcionários dependentes do MAI que viram os seus esforços reconhecidos com um merecido louvor.
É justo e merecido reconhecimento para qualquer um, mesmo sendo soldado da Guarda Nacional Republicana, mesmo destacando-se a sua acção nos jantarinhos que sexa organizava lá para os lados da Praça do Comércio...
Mas há ali duas coisas que não "encaixam". Uma é a designação de "soldado" quando é sabido que desde a publicação da lei Orgânica em 2007 passaram a denominar-se de "guardas". A outra é a aplicação do substantivo masculino "o soldado" a uma guarda do sexo feminino. Em boa verdade deveria ser "a soldado" ou "a guarda".

Sexa não tem culpa. Tem lá os assessores para fazer o trabalho mas parece que andam ocupados com tarefas mais importantes.

Funcionários Públicos de ... Portugal!

Deixo-vos para o fim de semana esta jóia musical (e teatral) produzida pelos funcionários da Câmara Municipal de Portimão mas que podia muito bem ser produzida em qualquer órgão da administração pública.
E não me venham dizer que coisa e tal porque ainda há gente com sentido de humor e isso é muito saudável.
Ser repararem bem, há muita coisa em comum com o que se passa no vosso bairro, até o excesso de peso das "meninas".

O C(i)erco das Portagens

Posso afirmá-lo com a legitimidade de quem foi fadado pelo destino para nascer, crescer e viver no Alto Minho e obrigado, à semelhança de inúmeros conterrâneos, a fazer-se "à estrada" em busca de uma vida melhor: O Distrito de Viana do Castelo é, desde há muito, a região mais pobre do País  económica e culturalmente.
Assumimos isso como uma fatalidade incontornável e deslumbramo-nos com as festas e foguetes que nos transformam numa espécie de bobos para gáudio de quem passa e deixa rasgados elogios à beleza da paisagem, ao povo manso e alegre e às iguarias gastronómicas que lhes toldam a vista e o cérebro.
Fora do alcance da vista de quem nos tem governado desbarata-se o melhor capital, o único capaz de inverter esta tendência teimosamente colada ao nosso destino, a força de trabalho.
Assim, continuamos a exportar mão de obra, barata e desqualificada, que vai criar riqueza para outras paragens, remetendo para a santa terrinha as migalhas sobrantes mas que criam a ilusão de se estar a viver no paraíso.
No preciso momento em que é apresentado na Assembleia da Republica  o programa de governo para a actual legislatura, deparamo-nos com duas medidas que vão isolar ainda mais o Distrito: o comboio de alta velocidade, vulgo TGV, e o fim da gratuitidade da autoestrada (A28) que liga a cidade de Viana ao Porto.
Relativamente ao primeiro, é sabido que não trará mais valias para a população do Distrito, a qual se limitará a ver passar os comboios e constituirá apenas uma via de passagem para quer tiver poder económico suficiente para custear as despesas de deslocação, o que sucederá apenas com uma pequena franja de residentes, além de implicar grandes deslocações para alcançar as estações.
O segundo caso ainda é mais grave. O cerco está montado e só falta regulamentar o uso obrigatório de chips de identificação dos automóveis para "premir" o botão e começar a facturar...
Mas no meio da mediocridade parece que surgiu alguém que, se não se perder como aconteceu ao morgado de Agra de Freires, pode vir a constituir um sinal de alerta no centro do poder e mobilizar vontades no sentido de inviabilizar tamanho dislate. Só que me parece que o Dr. Defensor Moura acordou tarde para o problema. Que eu saiba, quando se falou com insistência na colocação de portagens naquele percurso, nenhum dos responsáveis pelas autarquias afectadas, muito menos o Dr. Moura, então a presidir aos destinos da autarquia de Viana do Castelo, fez ver aos membros do governo que tal medida era inconcebível dado que a Estrada Nacional 13 foi transformada num labirinto de ruas e praças das localidades que atravessa, nunca se configurando como alternativa válida para quem precisa de se deslocar e deseja evitar os custos das malfadadas portagens que assim se agravam em cerca de 100%.
E disse que será tarde porque, como já referi, o c(i)erco está montado.

Estruturas como a que a imagem, sacada daqui, documenta foram montadas ao longo de todo o percurso e não serão apenas para monitorizar o fluxo ou a segurança do tráfego, que isso pouco importará.
Penso, sempre pensei, que as autoestradas são necessárias, que o princípio a adoptar deverá ser o do utilizador/pagador, mas é preciso alternativas. Isto deverá aplicar-se tanto nas áreas metropolitanas como em Monção, em Pinhel ou no Fundão.

sábado, 31 de outubro de 2009

Faces Ocultas II

O "conjunto" nunca ficaria completo sem a presença dos senhores do fisco e da GNR, pois claro. Só não compreendo como é que o senhor Godinho ainda não foi contemplado com uma comenda qualquer... Assim, em vez de ser o "rei" da sucata passava a ser "o senhor comendador" e já podia organizar grandes patuscadas com todo o à-vontade, como fazia o vizinho do Pedro Macau...

Faces Ocultas

"Ó puta deita-te", dizia o "Manda" quando as coisas não corriam bem. Eu faço minhas as suas palavras. E não é caso para menos, se atentarmos nos principais temas da actualidade.
Por um lado vem os gajos da Moody’s dizer cobras e lagartos da nossa economia e a alertar para aquilo que é uma evidência não assumida por quem quer que seja, isto é, por quase todos, porque desde há muito tempo existe uma excepção a quem também ninguém dá ouvidos.
Por outro lado, aí vai mais um caso judicial cujos contornos, mau grado ter sido tornado público apenas agora mas que deveria, digo eu, ser blindado ao assédio dos media para não perturbar a investigação, aparecem muito bem desenvolvidos na comunicação social.
E não é que aparecem aqui figuras gradas de determinada força política que já anteriormente tinham sido conotadas com grandes trafulhices? E à semelhança do que ocorre com certas figuras públicas, a quem o povo manifesta total apoio concedendo-lhes os seus votos, também uma daquelas figuras mantém a confiança da administração do Banco onde detém lugar de destaque?
O que parece não oferecer quaisquer dúvidas é que o "rei" da sucata era mesmo boa pessoa. Vejam só como ele sabia levar a água ao seu moinho:
"Paiva Nunes tinha à sua espera nada mais nada menos que um potente Mercedes SL 500, matrícula 03-27-SQ. Treze dias depois, foi a vez de António Paulo Costa. À espera deste quadro superior da Petrogal, uma sociedade detida pela Galp, estava um Mercedes CL 65 AMG, matrícula 68-GV-25".
Ó puta, deita-te!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O primeiro dia do resto da minha vida

Fechou-se um ciclo.
Hoje, ao fim de quase trinta e três anos de trabalho profissional, quebrou-se a rotina de me levantar, escanhoar, vestir a tradicional farda de gala, apertada até às orelhas, olhar-me uma e outra vez no espelho para ver se não faltava nada e apresentar-me no Comando para assim me integrar no serviço.
Em vez disso, após os cuidados de higiene habituais, equipei-me adequadamente e saí a pé, atravessei a fronteira para um saudável e oxigenante passeio desportivo pela eco-pista galega, na margem direita do Rio Minho, e depois do refrescante banho começo a reflectir sobre esta mudança drástica mas há muito espectável.
Em jeito de despedida, que não o é, ocorrem-me apenas duas palavras: gratidão e perdão.
Gratidão a todos aqueles que me acompanharam naquele longo percurso pela camaradagem, pela entreajuda, pela paciência com que suportaram algumas das minhas impertinências, pela força de ânimo necessária em momentos de desalento. Grato também à Instituição por todas as realizações pessoais e profissionais que me permitiu atingir.
Perdão pelas omissões cometidas e por não ter ido mais além quando era preciso, por qualquer coisinha, não sei o quê mas há sempre qualquer coisinha...
Os bons momentos, guardarei-os para sempre.
Os "coices", que também os levei, não os esqueço mas "deixei-os" no quartel.
Despojei-me do fardo mas mantenho a farda para continuar a pugnar pelo prestígio da Instituição, pela honra e bom nome daqueles que abnegadamente servem a Pátria mesmo com sacrifício, se preciso for, da própria vida, ainda que para tal tenha de fazer, como fiz muitas vezes, de "advogado do diabo".
Mas agora deixem-me descansar.
O trabalho segue dentro de momentos...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tempo de Vacas Magras

O título não vem a propósito de qualquer conclusão acerca daquele "manual de maus costumes", como se referiu José Saramago à Bíblia, com ou sem razão, dependendo da perspectiva. Eu nunca ousaria colocar o debate num plano tão elevado e limito-me a coisas muito mais superficiais mas que continuam a preocupar-me.
É que dá a impressão que os problemas decorrentes da crise económica em que há muito tempo estamos a chafurdar já se diluíram com o entusiasmo das campanhas eleitorais ainda vivas na nossa lembrança e as expectativas que se alimentam tendo em conta os indicadores mais recentes.
Mas a verdade é que não há grandes motivos para deitar foguetes e se alguém tiver dúvidas vá vendo o que se passa aqui ao lado:
"Los propios populares pedirán una rebaja del 3% en el salario de todos los altos cargos. Unos 2.500 euros al año menos en la nómina del presidente de la Xunta y 2.000 en el caso de los conselleiros. "Una sociedad gallega que se está sacrificando necesita un Gobierno que se sacrifique también", anunció ayer Alberto Núñez Feijóo, durante la clausura de la reunión ayer de la interparlamentaria del PPdeG".
Estou à espera (e parece-me que terei de esperar sentado para não me cansar muito) de ver os nossos governantes, quer do governo central, quer dos governos autónomos ou mesmo das autarquias, assumir medidas semelhantes àquela que está a ser delineada pelos Galegos. E também seria louvável ver os empresários renunciar a parte dos seus lucros em prol da melhoria dos salários dos seus empregados ou mesmo para criar mais emprego, já que tanto se preocupam com o previsível aumento dos salários mínimos...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Xacobeo 2010 - II


Estes também lá vão estar...

Xacobeo 2010

Mais uma vez, em 2010, o dia 25 de Julho vai calhar ao Domingo e, consequentemente, celebrar-se-à mais um Ano Santo Compostelano ou X(J)acobeo. E o programa vai ser aliciante, conforme foi anunciado pelo conselheiro da Cultura.
Entre muitos outros, vai marcar presença Mark Knopfle que, a avaliar pela amostra, valerá a pena ver e, principalmente, escutar.
Se tiver vagar lá estarei...

sábado, 17 de outubro de 2009

Carta de Despedida


Hoje recomendo uns minutos de leitura atenta e de reflexão acerca do teor de um texto maravilhoso da autoria de Gabrial Garcia Marquez, dizem uns, de Johnny Welch, dizem outros.
Eu só sei dizer que gostei e por isso lhe dou este destaque (passe a imodéstia) neste meu recanto.
O acompanhamento musical fica-lhe bem e o texto integral pode ser lido ali

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A Saia da Maitê

Agora que já assentou a poeira, enquanto uns arrumam as secretárias para darem lugar a outros, outros respiram de alívio por não terem de fazer mudanças da tralha que vem acumulando nos respectivos gabinetes desde há séculos e outros ainda, os novos inquilinos dos Paços do Conselho que vão querer mostrar o que valem, vou dizer umas coisas acerca do tema da semana (até parece que nem houve eleições).
Eu também fui contemplado com o vídeo do "Saia Justa" que vinha acompanhado de um texto escrito por alguém profundamente indignado e quase a exigir que Maitê Proença fosse declarada persona non grata  e proibida de voltar a entrar em Portugal. Vi e sorri, pensando cá para mim que era mais um email a rodopiar pela web até se cansar. Mas não. De repente, aquele vídeo é transformado num caso do dia, da semana, do mês, quiçá, do ano.
Essa gente não tem mais nada que fazer? Para quê alimentar uma polémica por causa de uma sátira (se se pode chamar àquilo uma sátira), quando há coisas muito mais importantes para discutir?
É que se continuamos assim vamos ter de pedir perdão aos alentejanos, aos minhotos, aos beirões, aos negros, aos brancos, a Samora Machel (por acaso também era negro), aos ciganos, aos polícias, aos ladrões, aos maric, não, aos gays, às lésbicas, aos hetero, tudo grupos formados por pessoas que constantemente servem de tema para todo o tipo de humor...
Onde pára o sentido de humor deste Povo?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Evocação de um Crime


Decorreu menos de um mês da data comemorativa de mais um aniversário do 11 de Setembro, não o que todos temos ainda vivo na memória mas outro mais horroroso provocado precisamente pelo ímpeto colonialista daqueles que sofreram o de 2001.
Este aconteceu no Chile, em 1973, e já pouco se fala nele.
Mas agora que ao actualizar as minhas leituras habituais me deparei com o relato cru da forma como foram tratados os prisioneiros políticos no Estádio de Santiago do Chile, aqui vos deixo esta música e ali o texto que certamente vos fará ficar, como a mim me fez, com a sensação de ter levado um soco no estômago.

domingo, 4 de outubro de 2009

Honras Militares

"O desacordo da GNR em prestar honras militares a António Costa valeu-lhe ser dispensada, quase na véspera, das comemorações na Praça do Município. José Sócrates vai estar presente."
É difícil julgar qualquer caso quando não se tem uma visão completa do problema. Contudo, até que seja prestado qualquer esclarecimento sobre os motivos que levaram o presidente da câmara municipal de Lisboa a "dispensar" a GNR das cerimónias comemorativas da implantação da republica, acto em que sempre participou com brio e profissionalismo, a versão que corre na comunicação social está sintetizada no pequeno extrato do DN online acima referido.
A ser assim, fica-lhe mal, sr. presidente. Essa arrogância só demonstra quão mesquinho é, ao tentar ridicularizar uma Instituição secular que ultrapassou barreiras políticas e ideológicas e continua orgulhosamente a servir a Pátria.
Será a continuação do seu trabalho de descredibilização e descaracterização que iniciou enquanto MEAI?
Será algum trauma de infância, à semelhança de um seu antecessor governamental que dizia constantemente que aquele não era o seu ministério?
Eu aconselho-o a ler, ou mandar ler, o que existe de legislação nesta republica das bananas em que vocês transformaram Portugal. Para ajudar, aqui vão algumas pistas:
Regulamento de Continência e Honras Militares (Decreto Lei n.º 331/80 de 28 de Agosto, alterado pelo Decreto Lei n.º 76/81, de 15 de Abril de 1981)
Art. 11.º
...
3 – Os Presidentes das Assembleias e dos Governos Regionais dos Açores e da Madeira têm honras de Ministro do Governo da República (categoria III do quadro B do capítulo V) na área das suas regiões.
4 – Os governadores civis têm honras de oficial general (categoria V do quadro B do capítulo V) quando em actos solenes oficiais a que presidam na área dos seus distritos e que exijam essa representação.
5 – Os oficiais estrangeiros, quando em actos oficiais, têm honras iguais aos da mesma patente das forças armadas nacionais.
6 – Nos navios de guerra deve observar-se o que sobre o assunto estatui a Ordenança do Serviço
Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português (Lei n.º 40/2006, de 25 de Agosto)
Art. 7.º
...
40) Juízes desembargadores dos tribunais da relação e tribunais equiparados e procuradores-gerais-adjuntos, vice-reitores das universidades e vice-presidentes dos institutos politécnicos de direito público;
41) Presidentes das câmaras municipais;
42) Presidentes das assembleias municipais;
43) Governadores civis;
44) Chefes de gabinete do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República e do Primeiro-Ministro;
...
Artigo 31.º
Presidentes das câmaras municipais
1—Os presidentes das câmaras municipais, no respectivo concelho, gozam do estatuto protocolar dos ministros.
2—Os presidentes das câmaras municipais presidem a todos os actos realizados nos paços do concelho ou organizados pela respectiva câmara, excepto se estiverem presentes o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República ou o Primeiro-Ministro, nas Regiões Autónomas, têm ainda precedência o Representante da República, o Presidente da Assembleia Legislativa e o Presidente do Governo Regional.
3—Em cerimónias nacionais realizadas no respectivo concelho, os presidentes das câmaras municipais seguem imediatamente a posição das entidades com estatuto de ministro e, se mesa houver, nela tomarão lugar, em termos apropriados.
...
Pode ser que o código de posturas municipais da kapital tenha algo mais acerca do tema e se sobreponha às leis que foram aprovadas por órgãos legítimos.
Mas para mim é uma séria tentativa de levar para a praça do município a SUA polícia municipal que certamente lhe satisfará todas as vontades.

sábado, 3 de outubro de 2009

Pobreza

"Tanto em termos de produtividade como de rendimento o distrito de Viana ou o Minho-Lima, apresenta sinais relativamente preocupantes que devem merecer a atenção de toda a gente", frisa, enumerando "a desqualificação do trabalho" e "a gestão empresarial fraca" como principais factores que estarão na origem da referida improdutividade".

É preocupante mas não transparece. Por aqui deparamo-nos com um aparente nível de vida razoável mas é muito "fogo de vista" que ofusca os sentidos de muita gente. Longe dos centros de poder e de decisão, as gentes do Alto Minho conseguem disfarçar a humilhação de uma realidade já antiga à custa de foguetes, de muito folclore e uma enorme resignação, numa demonstração de invulgar ingenuidade em que são embalados pelos "vendedores de sonhos" que de vez em quando, tal como agora, apregoam aos quatro ventos o advento da "terra prometida".
E no entanto, a pobreza anda por aí, semi-escondida, envergonhada, porque os minhotos não são de dar o flanco, preferem remoer o desprezo a que são votados sem deixar transparecer o que lhes vai lá por dentro.
Os números já colocavam o Distrito de Viana do Castelo na cauda do rendimento per capita do País há muitos anos mas nem o enorme afluxo de dinheiro da União conseguiu reverter a situação. A realidade é que os jovens continuam a denotar falta de qualificações (que de pouco lhes aproveitaria, mesmo que as tivessem) e optam por emigrar, seguindo na peugada dos pais e, já em muitos casos, dos próprios avós.
São as suas remessas que ainda ajudam a disfarçar a crueza dos números que, sem esse contributo, seriam, certamente, muito mais devastadores.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Politicando

De braços caídos, tenho vindo a observar as ideias que transparecem do discurso político das diversas forças que se têm empenhado por esse país fora em cativar as simpatias da populaça mas é confrangedor o vazio de propostas concretas e a forma despudorada como as principais forças se digladiam apenas com acusações fúteis e sacodem o espantalho do "bicho papão", como se a vitória de uns seja a salvação da pátria ou a dos outros o "fim do mundo".
Mas no meio dessa confusão toda há uma coisa que me perturba: é a "lata" do partido no poder a fazer de conta que nada se passou nos últimos quatro anos de governação e o entusiasmo da arraia que depressa esqueceu os arremedos totalitários timidamente manifestados.
Mas eu não esqueço o estigma que o "nosso primeiro" e os seus acólitos lançaram sobre a administração pública (AP), antes mais conhecida por função pública. Foi sob a influência política dessa mesma cor partidária que mais se alimentou o "monstro" e foi este (des)governo que “vendeu” bem a ideia de que era ali que residiam todos os males das finanças públicas. E com fortes aplausos de quem estava comodamente instalado atacou em todas as frentes: o ensino, a saúde e a segurança foram áreas hostilmente confrontadas com reformas economicistas e os funcionários em geral subjugados e traídos nas justas expectativas que alimentavam em relação às respectivas carreiras.
Tudo isso para quê?
Para sanear as finanças públicas poupando nas despesas com pessoal.
Todos sabemos o resultado. Perante a instabilidade gerada os que puderam debandar fizeram-no rapidamente e em força, o regime de mobilidade foi um fiasco total que serviu apenas para "encostar" alguns quadros desqualificados e em pré-aposentação, a falta de pessoas para desenvolverem tarefas essenciais foi suprida à custa de aquisição de serviços e assim ficou aberto o caminho para outras formas encapotadas de recrutamento com requisitos estabelecidos à medida.
Até agora os objectivos do défice foram cumpridos e a AP continuou a funcionar.
Só falta saber ao estado a que o Estado chegou quando, depois da euforia da vitória, os futuros governantes adquirirem conhecimento de todas as continhas.
Algo me diz que a "cobra vai fumar".

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Malafaia: Une fois, ça suffit...

Há quem se ufane de todos os anos ir à Quinta da Malafaia para assistir àquilo que é designado pelos promotores de "a maior e melhor festa do País".
Eu fui lá há dias pela primeira vez e gostei. Uma boa organização, óptimo espaço e bem arejado, muita animação, comida e bebida a rodos... Mas para mim basta. Se lá voltar será quando estiver no lar, de fraldas, meio "che-che" e sem poder determinar a minha vontade.
De negativo foi o ruído excessivo, o desperdício de alimentos (verdadeiramente chocantes as quantidades enormes de costela, frango de churrasco e outras "especialidades" da casa que iam direitinhas para os sacos do lixo) e a péssima qualidade dos rojões, das pataniscas e dos pastéis de bacalhau, que do fiel amigo nem rasto...
Mas as sardinhas, o bailarico e o "camboinho" a abanar o cu acabaram por superar os pontos fracos.
De resto, quem nunca lá foi deve ir... pelo menos uma vez.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cansaço

As férias não são um período propício a grande produtividade bloguística. Para piorar as coisas há sempre uma catrefada de coisas para fazer e projectos para realizar que não fica tempo nenhum para descansar nem para criar algo que se veja.
Por essas razões, por aqui não há nada de novo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Subsidiodependência

Corre ... uma virtuosa discussão entre o Governo, os militares e a GNR, a propósito do estatuto remuneratório desta corporação paramilitar. Queixam-se os militares de que o Governo pretende contemplar a GNR com uma série de subsídios, enquanto que eles apenas têm um subsídio de 'condição militar', equivalente a 20% da remuneração base. Se já essa coisa do 'subsídio de condição militar' me deixa perplexo (haverá um subsídio de condição médica, de condição de engenheiro, de condição de escriturário?), os subsídios que o Governo pretende agora abonar a favor da GNR são, de facto, de estarrecer. Ora vejam: subsídios de escala, de plantão, de prevenção, de força de segurança, de patrulha, de comando, de investigação criminal e de 'serviços especiais' (seja isso o que for e espero que não seja regar o jardim do general ou transportar a mobília do comandante).
Perdão: mas existe alguma força policial do tipo GNR, em qualquer lado do mundo, que não faça escalas, prevenções, plantões e patrulhas? Que não faça investigação criminal? Que não tenha comando? Não estão aqui reunidas, afinal, todas as funções e tarefas da GNR, começando por ser a de uma 'força de segurança'? Se cada uma das suas tarefas tem direito a um subsídio especial (e todos eles cumulativos, afinal), o que resta de um GNR que não seja subsidiável pelo Estado - o uso da farda, o transporte em viatura, os danos auditivos do toque da corneta?
Os militares das FA estão justamente revoltados com tanta benesse a favor da GNR. E, portanto, querem bani-las? Não, querem igual...
Miguel Sousa Tavares in Expresso

O texto acima, da autoria de Miguel Sousa Tavares (MST), faz parte de um artigo de opinião publicado no Expresso online de 8:00 Segunda-feira, 10 de Ago de 2009 e revela a bandalheira que se instalou no sector da administração pública.
Sei, por experiência própria, o que é a "caça" aos subsídios e suplementos e os efeitos nefastos que isso importa às organizações. Por isso, e apesar do estilo mordaz e de alguma falta de rigor da sua análise, vejo-me forçado a concordar com MST na crítica que faz ao sistema remuneratório que se criou para a GNR e às movimentações assolapadas das diversas associações profissionais das Forças Armadas que pretendem seguir na mesma "onda".
Já dizia um antigo magistrado que exerceu as elevadas funções de Inspector Geral da Administração Interna (IGAI), com uma dignidade e um brilho até agora inigualável, que as forças de segurança não tinham necessidade de ter um subsídio de risco porque a profissão é em si uma profissão de risco pelo que deve ser remunerada em conformidade.
O subsídio de risco nunca foi criado, apesar das múltiplas reivindicações das organizações associativas, mas foram criados inúmeros suplementos e subsídios, distribuídos muitas vezes a esmo, que serviram não só para "calar a boca" às associações profissionais mas também para colmatar sérias lacunas e derrapagens salariais verificadas principalmente no decurso da última década.
E quando tudo fazia prever que o novo estatuto remuneratório iria colocar um ponto final nesse problema, eis que a subsidiodependência surge agora, com maior ênfase, no projecto recentemente aprovado em Conselho de Ministros, agravado com a inclusão, no estatuto profissional, de um horário de referência de 36 horas semanais. Mal comparado, tudo isto se assemelha à guerra do recentemente extinto e já saudoso Raul Solnado, em que uns atacavam às segundas, quartas e sextas e os outros às terças, quintas e sábados. E ainda tinham um dia de descanso!
Não sei quem fez os estudos nem quem discutiu estes diplomas com o poder político. Posso, porém, afirmar que quem os fez não ponderou todos os inconvenientes do ponto de vista do interesse público. É que a segurança de pessoas e bens não tem um tempo definido, as funções policiais não se compadecem com um horário de referência, o seu exercício não se esgota num giro de seis, sete ou oito horas diárias, a distribuição de meios implica deslocações territoriais e desagregação familiar por longos períodos de tempo e a constante necessidade de auto formação concorre com os períodos de tempo de descanso ou de convívio familiar. Aliado a tudo isto há o dever de disponibilidade permanente, os juramentos de bandeira e de fidelidade e ainda o compromisso de honra, onde se promete servir a Pátria mesmo com o sacrifício da própria vida, a renúncia a muitos direitos cívicos e a proibição do exercício de actividades incompatíveis com a função. Sempre foram estas particularidades que deram legalidade aos responsáveis pelas forças de segurança para conceder aos seus elementos um salário superior ao de algumas franjas do leque de servidores do Estado e excepcionais condições de aposentação e aos agentes a necessária legitimidade para reivindicar melhores condições económicas.
A partir do momento em que pretensamente se aproximem e equiparem as diversas carreiras profissionais e o seu efectivo exercício tudo é possível que venha a acontecer, inclusivamente aguentar com o pau, porque as costas já as puseram a jeito.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Brandas ou Verandas?

Não abundam as referências aos pequenos aglomerados de casas que salpicam as montanhas da serra da Peneda. A fazer fé no dicionário Priberam, Branda é um nome utilizado no Minho para designar uma tapada ou pastagem nas montanhas. É alguma coisa mas muito pouco para descrever a importância das brandas na economia rural do Alto Minho e numa economia mais globalizada que é o turismo rural na actualidade.
O saudoso Padre Bernardo* foi um acérrimo defensor da Veranda. E justifica: "A palavra correcta é veranda, de verão, e bem o justifica o fenómeno etnológico de Castro Laboreiro onde a maioria do povo tem duas povoações, a saber, a veranda onde passa o verão e a maior parte do ano e a inverneira onde passa o inverno" .
Então porquê o uso tão comum de Branda? O mesmo Padre Bernardo explica: "A pronuncia estropiada de branda em vez de veranda compreende-se. Cá na região o povo substitui facilmente a letra v pelo b e diz binho, baca, cabalo, bista, o que explica a troca de pronúncia da primeira letra de veranda. A segunda letra da palavra, um «e» mudo antes de «r», esvai-se facilmente antes da pronúncia como em palavras semelhantes, ao menois cá no região onde o povo diz: esp'rança, pref'rência, ref'rência ..."
Pessoalmente inclino-me para Branda, que me desculpe o eminente teólogo, porque é assim que a minha gente pronuncia, porque é mais fácil, soa muito bem e assenta perfeitamente na paz de espírito, na brandura do clima e no sossego que ali se vive.
Para quem não souber, as brandas são (eram) pequenos aglomerados de casas simples, em geral com uma só divisão, quatro paredes e um tecto de telha vã, sem outro conforto que não fosse uma lareira para cozinhar e um cama, um catre de madeira com um enxergão de tomentos cheio de palha de centeio, eventualmente uma arca para guardar as provisões.
Em torno das casas ficam os campos de feno e as "tapadas", pequenas propriedades cercadas com muros de pedras soltas onde se recolhiam os animais para pastar e pernoitar, embora o maior manancial de pastagens venha dos extensos baldios que se alongam pela serra. Regra geral, em todas as brandas existe uma capela dedicada a um santo ou santa.
O acesso a esses lugarejos era feito a pé ou em carros de bois e apenas eram habitados pelos "brandeiros" após as sementeiras de Maio, regressando em Setembro para fazer as colheitas e também porque o aproximar do Inverno tornava a vida ali impossível.
Como bem escreveu Miguel Torga, "preparava a casa de inverno para quando chegasse a hora da transumância e toda a família —pais, irmãos, gados, pulgas e percevejos— descesse dos cortelhos da montanha para os cortelhos do vale, abrigados das neves".
A maior e talvez a única concentração de Brandas situa-se na Serra da Peneda, na confluência dos concelhos de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez, sendo as mais conhecidas a de S. Bento do Cando, a de Aveleira e a minha preferida, Santo António de Val de Poldros.
Outras existem, ou existiram, mas que vão perdendo significado porque vão sendo abandonadas: o meu Outeiro, Covelo, Mourim, Bouça dos Homens, Furado, Junqueira, Gorbelas, Bordença... e a Peneda, que foi branda mas o culto da Senhora das Neves transformou no maior centro mariano de peregrinação do Alto Minho.
Nesta época do ano aqueles lugarejos fervilham de vida, porque ali está-se de bem com Deus e com a Natureza.
E só agora fiquei a saber, através de uma telenovela realizada em Arcos de Valdevez por um conhecido canal privado de televisão, que os lobos são terríveis predadores de galinhas!!!

*PINTOR, Padre Manuel António Bernardo, Obra Histórica, Monção, 2005

terça-feira, 21 de julho de 2009

Perplexidade...

Foi o estado em que eu fiquei ao ler o aviso n.º 12770/2009, publicado no Diário da República, II Série, de 21 de Julho.
Trata-se de um "Procedimento Concursal para ocupação de um posto de trabalho na carreira/categoria de Assistente Operacional, na modalidade de Contrato de Trabalho em Funções Públicas por Tempo Indeterminado" e ainda constituir uma reserva de recrutamento válida por dezoito meses, o que vai gerar, certamente, muitas expectativas para quem procura um emprego.
Mas o que mais perplexidade causa é a descrição de funções e o grau de exigência das provas que os candidatos(as) têm de superar, bem como a catrefada de diplomas legais que têm de estudar para as mesmas.
No âmbito das funções a desempenhar "Compete genericamente ao Assistente Operacional, tal como previsto na caracterização da respectiva carreira no Mapa anexo à Lei n.º 12 -A/2008 de 27 de Fevereiro, funções de natureza executiva, às quais corresponde o grau de complexidade 1, de carácter manual ou mecânico, enquadradas em directivas gerais bem definidas e com graus de complexidade variáveis, a execução de tarefas de apoio elementares, indispensáveis ao funcionamento dos órgãos e serviços, as quais podem comportar esforço físico, implicando responsabilidade pelos equipamentos sob sua guarda e pela sua correcta utilização, procedendo quando necessário, à manutenção e reparação dos mesmos, designadamente, em conformidade com o estabelecido no Mapa de Pessoal da Inspecção -Geral da Administração Interna e tendo em conta as atribuições, competências e actividades da Secção de Processos e Expediente Geral, da Secção de Pessoal e de Economato, do Serviço de Inspecção e de Fiscalização, do Núcleo de Apoio Técnico e do Secretariado de Apoio à Direcção, tais que a reprodução de documentos e execução de todas as tarefas de apoio geral aos serviços e actividade da referida Secções e Serviços".
O resto pode ser lido aqui, se tiverem interesse e pachorra para tal.
Em duas palavras eu diria que o assistente operacional é o "burro de carga" o "pau para toda a obra", o correspondente numa concepção algo fora de moda a "mainato(a)".
Quase arriscava afirmar que os requisitos para ocupar cargos importantes nos órgãos superiores de direcção e administração das grandes EPs não são tão exigentes.
Pelo menos não consomem tanto espaço no DR.

sábado, 11 de julho de 2009

O Pote do Caldo

É bom parar um pouco, ver, observar, encontrar amigos de infância, conversar, recordar.
Foi o que me aconteceu uns dias atrás quando passeava descontraidamente pela pacatez e aconchego da histórica e secular vila de Monção. Na esplanada do Escondidinho encontrei dois “velhos” conterrâneos, vizinhos de Modelos e amigos: o Nelo do Púcaro e o Armando do Senso. Ambos fazem parte de uma geração um pouco anterior à minha e experimentaram o sabor amargo da emigração, no tempo em que se ia “a salto” para terras gaulesas por diversas razões mas principalmente devido a enormes carências económicas.
E foi em torno desta problemática que a conversa fluiu, quer em termos de análise da actualidade, quer recordando aqueles tempos e estabelecendo termos de comparação.
Naquele vasculhar e avivar de lembranças de outro tempo, discorremos sobre as lavradas (fiquei a saber que a última, no lugar de Modelos, era a do Jeremias, com direito a lançamento de um foguete e para a qual era feito convite através de uma criteriosa selecção), sobre os incidentes no exercício da pastorícia com as vezeiras que povoavam a serra, a asfixia dos povos da montanha com a política florestal implementada pelo Estado Novo e os proveitos que essa política também levou àqueles confins do mundo, as dificuldades por que passaram as famílias numerosas, nas quais nos integrávamos tanto eu como o Nelo, compostas por agregados familiares a rondar a dezena de elementos…
Aqui, o Armando, talvez porque na família dele, um agregado familiar de reduzida dimensão (seriam três ou quatro irmãos), não se teria feito sentir muita aflição para prover o sustento de todos, exclamou sorridente:
- Eh, pá! Devia ser complicado alimentar aquela gente toda!
Com o conhecimento de causa que a minha memória conserva retorqui:
- Não era nada, era só uma questão de fazer mais ou menos caldo…
Acrescentou o Nelo:
- É verdade, minha mãe tinha dois potes, um de sete e outro de nove tigelas…

sábado, 4 de julho de 2009

Raly Sprint (quê?)

Com o alto patrocínio das Câmaras Municipais de Monção e Melgaço, vai realizar-se a 18 de Julho um evento automobilístico designado "Raly Sprint Alvarinho".
Nada me move contra estes eventos mas o local para esta realização é que não me parece nada adequado.
Como se pode verificar no prospecto do programa, o percurso inicia-se junto da escola primária de Riba de Mouro, uma infraestrutura que se encontra encerrada por causa das novas políticas educacionais, desenvolve-se numa primeira fase, em jeito de aquecimento, até ao Monte do Santo e dali, em competição, até Bogalheiras .
O que certamente muita gente desconhece é que o itinerário assenta num antigo caminho florestal que rasgou a serra de Riba de Mouro até ao Batateiro, passando por Cavenca, Santo António de Val de Poldros e Aveleira e pelo caminho é fácil encontrar pessoase animaisDepois dos malfadados "birabentos", só faltava mais esta "novidade" para estragar o sossego e a harmonia das "minhas montanhas lindas".
E a designação "Alvarinho" será a propósito de quê?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Opróbio II

"Quem não se sente não é filho de boa gente", diz o povo, e eu, como filho do povo e de boa gente, senti-me ultrajado com o teor do vídeo a que aqui fiz alusão. Senti e agi em conformidade, alertando quem de direito para a afronta de que foi vítima a Instituição e, consequentemente, todos que dela fazemos parte.
A reacção foi firme e adequada.
Parece que, finalmente, a razão começa a prevalecer sobre a ignomínia e o Provedor do Espectador veio agora sugerir aos responsáveis que peçam desculpa à GNR. Isto já depois de o vídeo ter sido removido do site da RTP e do Sapo Vídeos.
Sobre o mesmo assunto foi igualmente publicado um artigo na versão impressa do JN de hoje, da autoria de Dina Margato, que procurou obter as reacções da RTP2, tendo-lhe sido dito que "nunca se pensou que o vídeo em questão pudesse ser interpretado fora da nota humorística que caracteriza o programa" e também do autor do "sketch" que se limitou a dizer "compreendo que possam ter-se sentido ofendidos, mas não foi minha intenção", entre outras "graças" de gosto duvidoso. É pouco, muito pouco, quer da parte da RTP2, quer da parte do autor.
O mínimo que se pode exigir é, efectivamente, um pedido de desculpas inequívoco já que os danos da ofensa irão prevalecer ligados à maléfica frase "adopte um gnr" e só o tempo determinará a real dimensão dos efeitos produzidos.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Opróbio

Aí está, ao mais alto nível, a nova vaga de "humoristas", que emerge do tempo em que se consolidaram as mais amplas liberdades. E com divulgação pública num órgão de comunicação social suportado pelos impostos dos contribuintes. O que aqui se vê e ouve não é uma sátira, nem uma rábula, nem uma anedota, nem um chiste... É uma refinada e baixíssima forma de insulto a uma instituição e aos milhares de elementos que nela exercem com dignidade a sua profissão.
Espero encontrar os responsáveis no único sítio onde se dirimem estes casos ou então deixarei de acreditar em conceitos como justiça, honra, dignidade, carácter, respeito...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ponto Final

Eduardo Discoli percorreu milhares de quilómetros a cavalo, com o inseparável "Chalchalero", mas foi encontrar o fim do mundo em Eilat, Israel, nação onde entrou em 4 de Agosto do ano passado, não podendo imaginar que se estava a meter num beco sem saída.
Agora surge o apelo à comunidade internacional com vista a angariar fundos para trasladar os cavalos para o Brasil e dali rumar a casa.
Aqui ficam as referências para o caso de alguém querer ajudar...

Banco (Bank en alemán) : Volksbank Nahe-Schaumberg eG
Nombre del poseedor: Guillermo Neis
Cuenta (Konto, en alemán) Nr.: 333913
IBAN: DE 40590995500000333913
BIC: GENODE51NOH
Motivo de la Transferencia: Eduardo Díscoli

terça-feira, 23 de junho de 2009

A Alguém que já não volta

Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental, Sonetos