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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Estado de Choque

Havia um ditado antigo que dizia: só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja. Ocorre-me este anexim popular a propósito das notícias que nos têm chegado da Madeira e que deixou o País em estado de choque. A verdade é que estamos permanentemente a ser surpreendidos pela ocorrência de catástrofes naturais que, bem vistas as coisas, não constituem qualquer novidade.
Alguns anos atrás alguns instantes de chuva intensa provocaram o caos em muitas zonas do Continente. A esse propósito alinhavei aqui alguns comentários que permanecem perfeitamente actuais. É perfeitamente visível, sem necessidade de lupa, mesmo para aqueles que enfermam de algumas limitações ópticas, que se têm cometido imensos atentados ambientais, com alterações nos solos que afectam a sua permeabilidade e consequente consolidação, com o "encarceramento" dos cursos de água, quantas vezes enfiados em aquedutos com a capacidade mínima para escoar as águas que por ali escorrem normalmente mas extremamente exíguos para deixar passar uma enxurrada que arraste lama, pedras plásticos, matéria lenhosa e toda a sorte de dejectos que se acumulam ao longo do seu curso.
Indiferentes aos "avisos" da natureza, continua-se a colocar os interesses económicos à frente do que devia ser um planeamento e ordenamento territorial que respeitasse todos os aspectos mas com prevalência para os ambientais.
Assim não é difícil vaticinar a ocorrência futura de catástrofes idênticas ou piores da que ocorreu na Ilha.
Com todo o respeito pelas vítimas e pelos seus familiares, a quem endereço os meus sentidos pêsames, acho que, passada a tormenta, é tempo de reflectir sobre as causas, as consequências e fazer algo para que não continuemos a ser surpreendidos por fenómenos que são tão antigos quanto o é a humanidade.