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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

A minha pequena homenagem a Fernando Pessoa, no 120.º aniversário do seu nascimento.
In Mensagem, Planeta de Agostini, Lisboa, 2006




Imagem: http://amrrm.blogs.sapo.pt/arquivo/Prece.jpg

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Renascer

A Cada Nascer do Sol

A cada nascer do sol
Espero que em seus raios nasçam
O fim das desigualdades, das dores, dos sofrimentos.

A cada nascer do sol
Espero que os sonhos das pessoas
Se fortaleçam, nasçam e cresçam e se
Façam presentes, sempre.

A cada nascer do sol
Acalento um sonho fugaz de igualdade.
Pois sei que a letra é morta
E que a palavra é vida.

A cada nascer do sol
Sei que o mundo, para mim, fica menor,
Que, no meu horário, já se faz tarde,
E que a passos lentos caminho,
O caminhar final...

A cada nascer do sol me questiono:
Aonde quero chegar?
Onde quero ir?
Quando vê, não viu, não chegou, nem saiu...

A cada nascer do sol me respondo,
Porque, embora embace e trapaceie, sei a resposta,
Que, do caminho que busco, encontro
Todos os sinais no percurso...

A cada nascer do sol
Está, dentro de mim, a certeza
Dos indicativos para chegar com segurança...

A cada nascer de sol me cabe decidir.
Discernir com sabedoria e equilíbrio
Cada passo a seguir.

A cada nascer do sol
Sei que tenho de caminhar,
Sei que tenho de decidir,
Sei que tenho de buscar,
Sei que tenho de fazer,
Sei que tenho de conhecer!

Texto:
Delasnieve Daspet
http://www.lunaeamigos.com.br/index1/index1.htm

Imagem:
http://www.helderdarocha.com.br/blog/sol_pontiagudo.jpg


sábado, 16 de junho de 2007

Quando eu Morrer...


- Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes -
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro...


Mário de Sá Carneiro
Poemas completos, Planeta DeAgostini, S.A., Lisboa, 2006

sábado, 12 de maio de 2007

Liberdade


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa, Poesia, Planeta DeAgostini, S.A., Lisboa, 2006



terça-feira, 1 de maio de 2007

El Sonido del Silêncio

El sonido del silencio,
el que no quiero escuchar,
es aquella noche fria,
la que quiero evitar
el sentirme descubierto
cuando el sol me quemará

Para qué seguir riendo,
cuando siento que no estás
para qué quiero los mares,
si mi barco se hundirá
para qué seguir viviendo,
si a lo lejos tú estás.

Que las fuerzas se me agotan,
mi alba está por comenzar
Otro día en silencio
el que acaba de pasar…
Pasa y pasan los minutos
en mi oscura soledad
Soledad que se alimenta
del silencio de tu boca
Esa boca que sonríe,
pronunciando así mi nombre
Aquel nombre que me diste,
diciendo que sí mi amor
Es mi amor que en ti espera
y que siempre esperará,
Es tu amor que me condena
a esta eterna libertad
y aunque pasen mil silencios

Pronto sé que me hablarás…
pronto sé que me hablarás…

El sonido del silencio,
donde sé que escucharás
el susurro de mi canto
y el grito de mi llamar
el llamado de mi alma
pidiendo tu libertad
Yo quiero seguir riendo,
aunque el llanto aquí está,
aunque el barco se me hunda,
sé que yo podré nadar…
la corriente de este río
a tu amor me llevará.

Tú eres mi fortaleza,
mi escudo y mi lanza
Eres todo lo que tengo,
cuando siento que no estás
Eres tú mi compañía
en esta oscura soledad…
Soledad que se alimenta,
del silencio de tu boca…
Esa boca que sonríe,
pronunciando así mi nombre
Aquel nombre que me diste,
diciendo que sí mi amor
Es mi amor que en ti espera
y que siempre esperará,
Es tu amor que me condena
a esta eterna libertad
y aunque pasen mil silencios

Pronto sé que me hablarás…
pronto sé que me hablarás…

Vuelve, vuelve el momento
de escucharte en tu silencio
Vuelve, vuelve el momento
de escucharte en tu silencio

Soledad que se alimenta,
del silencio de tu boca
Esa boca que sonríe,
pronunciando así mi nombre
Aquel nombre que me diste,
diciendo que sí mi amor
Es mi amor que en ti espera
y que siempre esperará,
Es tu amor que me condena
a esta eterna libertad
y aunque pasen mil silencios

Pronto sé que me hablarás…
pronto sé que me hablarás…

quarta-feira, 25 de abril de 2007

25 de Abril

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade


Há 33 anos, a idade com que, dizem, morreu o judeu Jesus Cristo, o País acordou a ouvir estas estrofes, superiormente interpretadas pelo saudoso Zeca Afonso.
Era uma amanhecer diferente, carregado de dúvidas e incertezas, principalmente no interior esquecido e ostracizado.
Sem formação política, apenas nos limitávamos a tecer tímidos comentários e recordo-me de ter proferido, num restrito número de amigos, o seguinte: Isto é bom... é como o sol depois da tempestade...
Hoje há quem defenda o 25 de Abril e há quem teça loas ao antigo regime que nessa data foi deposto. Muitos destes até nem viveram nesse tempo... o que não deixa de causar alguma estupefacção porque não sabem do que estão a falar.
Sei que nem tudo foi positivo mas, passados estes anos todos continuo a pensar que foi, realmente, uma lufada de ar fresco que varreu as consciências entorpecidas.
Assim
Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já
Do branco ao tinto, se o velho estica eu fico por cá
Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar

Não me obriguem a vir para a rua, gritar
Que já é tempo de embalar a trouxa, e zarpar

A gente ajuda, havemos de ser mais, eu bem sei
Mas há quem queira, deitar abaixo o que eu levantei

A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustém
Só nesta rusga, não há lugar para os filhos da mãe

Não me obriguem a vir para a rua, gritar
Que é já tempo de embalar a trouxa, e zarpar

Bem me diziam, bem me avisavam, como era a lei
Na minha terra quem trepa no coqueiro é o rei

A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustém
Só nesta rusga, não há lugar para os filhos da mãe

Não me obriguem a vir para a rua, gritar
Que é já tempo de embalar a trouxa e zarpar


domingo, 15 de abril de 2007

Costa Vicentina

Na rua da padaria
Faz-se pão em forno a lenha
Com a perícia algarvia
E a graça que Deus tenha.

Sei que não é uma obra-prima da literatura mas saiu e... aí está. Bonito mesmo é o painel de azulejos com a designação da rua.
Portugal é um País muito lindo e rico em coisas pequeninas... Não sinto um grande orgulho em ser português mas estou cada vez mais apaixonado por este pedaço de terra...
É assim...

Depois da Páscoa

A culpa é da vontade


A culpa não é do sol
Se o meu corpo se queimar
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te abraçar

A culpa não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te sentir

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim

A culpa é da vontade

A culpa não é do mar
Se o meu olhar se perder
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te ver

A culpa não é do vento
Se a minha voz se calar
A culpa é do lamento
Que suporta o meu cantar

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim

A CULPA É DA VONTADE!
(António Variações)



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Mais Cantares Galegos


A RIANXEIRA

Ondiñas veñen,
ondiñas veñen,
ondiñas veñen e van.
Non te vaias rianxeira,
que te vas a marear.

A Virxe de Guadalupe
cando vai pola ribeira, BIS
descalciña pola area,
parece unha rianxeira. BIS

Ondiñas veñen,
ondiñas veñen,
ondiñas veñen e van.
Non te vaias rianxeira,
que te vas a marear.

A Virxe de Guadalupe
cando vai para Rianxo,
a barquiña que a leva
era de pau de laranxo.

Ondiñas veñen,
ondiñas veñen,
ondiñas veñen e van.
Non te vaias rianxeira,
que te vas a marear.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Pessoa, Outra Vez...

Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti…
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentado entre as últimas notícias dos jornais da noite,
Interseccionando a pena de teres morrido com o último crime...
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...

Depois a retirada preta para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?

Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes,
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? o que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...


Álvaro de Campos

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

O Andar Miudiño


Éche un andar miudiño,
miudiño, miudiño,

miudiño, miudiño,
o que eu traio.


Que eu traio unha borracheira
de viño, que auga non bebo.
Mira, mira Maruxiña;
mira, mira, como eu veño.

Que eu traio unha borracheira
de viño, que auga non bebo.
Mira, mira Marauxiña,
mira, mira como veño.

Éche un andar miudiño,
miudiño, miudiño,
miudiño, miudiño,
o que eu traio.

Foto: http://static.flickr.com/23/27796107_8347091308_m.jpg
Letra: http://www.xente.mundo-r.com/anvi/exercicios_de_lingua/exercicios/
pasatempos/cantigas.htm


segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Bicarbonato de Sódio

Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!
Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?

Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir ...

Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,

Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconsequência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!

Dêem-me de beber, que não tenho sede!


Álvaro de Campos

domingo, 5 de novembro de 2006

Mar Adentro

Mar adentro,
mar adentro.

Y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo,
es como penetrar al centro del universo.

El abrazo más pueril
y el más puro de los besos
hasta vernos reducidos
en un único deseo.

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras
'más adentro', 'más adentro'
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto,
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.


Ramón Sampedro

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.


Eugénio de Andrade.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Soneto do Pau Decifrado

É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:

Verga, e não quebra, como zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:

À roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carvalho ser falta-lhe um U;
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu.

Bocage

sábado, 24 de junho de 2006

Maria la Portuguesa

En las noches de luna y clavel
de Ayamonte hasta Villareal
sin rumbo por el rio, entre suspiros
una canción viene y vá
Que la canta María
al querer de un andaluz.
María es la alegría, y es la agonía
que tiene el sur.

Que conoció a ese hombre
en una noche de vino verde y calor
y entre palmas y fandangos
la fue enredando, le trastornó el corazón.
Y en las playas de isla
se perdieron los dos
donde rompen las olas, besó su boca
y se entregó.

Ay, María la portuguesa
desde Ayamonte hasta Faro
se oye este fado por las tabernas
donde bebe viño amargo
porque canta con tristeza
porque esos ojos cerrados
por un amor desgraciado,
por eso canta, por eso pena.

¡Fado! fado porque me faltan tus ojos
¡Fado! porque me falta tu boca
¡Fado! porque se fue por el río
¡Fado! porque se va con la sombra

Dicen que fue el te quiero
de un marinero, razón de su padecer
que en una noche en los barcos
de contrabando, p'al langostino se fue.
Y en las sombras del río,
un disparo sonó.
Y de aquel sufrimiento, nació el lamento
de esta canción.

Carlos Cano