"Em Portugal não há condições para investir mais. Somos um país endividado. O país não tem um bom governo, no Parlamento não se discute os problemas do país. Não conheço nenhum governo, este ou os anteriores, que diga: nós temos um plano a vários anos e que ninguém vai mudar".
"... passo tempo a falar com os meus netos a dizer-lhes que têm de ir trabalhar para fora de Portugal. Quando aconteceu o 25 de Abril, organizei debates com os meus filhos para lhes explicar o que eram os partidos e a democracia. E agora estou a tentar fazer o mesmo com os meus netos".
"A corrupção é o que de mais perigoso existe numa empresa. A uma dada altura, você não sabe quem é o corrupto, se os locais se os seus funcionários. Em segundo lugar, existem problemas gravíssimos de desalfandegamento das mercadorias nos portos. E depois, como é que se distribui em Angola? É preciso camiões, estradas, segurança. E nada disso existe. As pessoas quando falam em Angola, pensam só em Luanda. E ainda é preciso poder de compra. Não são só meia dúzia de clientes".
Quem falou assim foi Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo "Jerónimo Martins", numa entrevista concedida ao novo jornal diário "i" e que podem ver na integra aqui.
O homem não tem papas na língua e já não é a primeira vez que mete a boca no "trombone" para denunciar a incompetência e a mesquinhez da classe política portuguesa.
De facto, sempre que se verifica uma mudança de governo assistimos à "rotação" de cadeiras, à formação de novos lobies, à defesa de novos interesses, a reformas de mobiliário dos gabinetes e da frota automóvel, como se fosse necessário estar sempre a começar do nada, e se a tesouraria mirrar aplica-se mais um imposto ou uma taxa. Em relação ao médio e longo prazo, é como diz o povo: o futuro a Deus pertence...
E não deixa de ser dramática a afirmação de que os netos terão de estar preparados para emigrar.
Infelizmente penso do mesmo modo, por muito que isso me venha a doer no futuro.
Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a acção; semeia a acção e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o carácter.
(Tihamer Toth)
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
O (Des)Emprego
"A União de Sindicatos de Braga dispõe de dados recentes sobre a emigração portuguesa na Galiza que apontam para um crescimento de 11 mil trabalhadores em 2008, de 40 para 51 mil".
São, em regra, trabalhadores da construção civil que se deslocam semanalmente para os locais de trabalho onde permanecem de segunda a sexta, regressando a casa no fim de semana.
Trabalham por salários inferiores aos trabalhadores locais mas devido a uma jornada laboral que pode ir até às 16 horas diárias auferem remunerações incomportáveis para os empresários portugueses. A diferença salarial ainda dá para "engordar" as contas das empresas de trabalho temporário que proliferam por aí. E não há notícia de que sejam vítimas da sanha persecutória por parte das autoridades galegas por se deslocarem em veículos com matrícula estrangeira como acontece com os trabalhadores espanhóis que exercem actividade profissional no nosso burgo mas continuam com residência do lado de lá.
Se considerarmos a extensão da zona de fronteira e multiplicarmos o número de emigrantes na Galiza pelos múltiplos de quilómetros que se estendem até Vila Real de Santo António deve dar um indicador a rondar os 300 000, número seguramente exagerado mas talvez mais próximo da realidade do que os supostos 75 000 que lá descontam para a segurança social.
Com isto resolvem-se alguns problemas internos: aumenta o consumo das famílias, ameniza-se o défice orçamental e permite ao chefe da contabilidade demonstrar que está a um passo de conseguir demonstrar que cumpriu a promessa de criação dos tais milheiros de postos de trabalho.
Por outro lado, continuamos a desbaratar o melhor de todos os recursos, o único capaz de gerar riqueza: os recursos humanos.
São, em regra, trabalhadores da construção civil que se deslocam semanalmente para os locais de trabalho onde permanecem de segunda a sexta, regressando a casa no fim de semana.
Trabalham por salários inferiores aos trabalhadores locais mas devido a uma jornada laboral que pode ir até às 16 horas diárias auferem remunerações incomportáveis para os empresários portugueses. A diferença salarial ainda dá para "engordar" as contas das empresas de trabalho temporário que proliferam por aí. E não há notícia de que sejam vítimas da sanha persecutória por parte das autoridades galegas por se deslocarem em veículos com matrícula estrangeira como acontece com os trabalhadores espanhóis que exercem actividade profissional no nosso burgo mas continuam com residência do lado de lá.
Se considerarmos a extensão da zona de fronteira e multiplicarmos o número de emigrantes na Galiza pelos múltiplos de quilómetros que se estendem até Vila Real de Santo António deve dar um indicador a rondar os 300 000, número seguramente exagerado mas talvez mais próximo da realidade do que os supostos 75 000 que lá descontam para a segurança social.
Com isto resolvem-se alguns problemas internos: aumenta o consumo das famílias, ameniza-se o défice orçamental e permite ao chefe da contabilidade demonstrar que está a um passo de conseguir demonstrar que cumpriu a promessa de criação dos tais milheiros de postos de trabalho.
Por outro lado, continuamos a desbaratar o melhor de todos os recursos, o único capaz de gerar riqueza: os recursos humanos.
sábado, 15 de dezembro de 2007
Emigrantes - III
A Diáspora continua. Agora com novos modelos mas, pelos números oficiais, são já perto de cinco milhões os portugueses que procuram renovar a esperança de uma vida melhor por esse mundo fora.
E no entanto, nunca se falou tão pouco de emigração.
A "pedrada no charco" vem de um investigador de Centro de Estudos Geográficos que levanta um pouco do véu com que se tem pretendido ignorar este fenómeno.
Também, porquê que os governantes, sempre tão ocupados com coisas "mais importantes" se deveriam preocupar com a perda de mão de obra, agora muito mais qualificada, se não falta quem os substitua vindos do leste europeu, ou de África, ou do Brasil, e ainda por cima com grandes dividendos políticos? Sim, porque dá mais visibilidade falar de acolhimento do que de fuga, de nacionalizar em vez de exilar...
E no entanto, nunca se falou tão pouco de emigração.
A "pedrada no charco" vem de um investigador de Centro de Estudos Geográficos que levanta um pouco do véu com que se tem pretendido ignorar este fenómeno.
Também, porquê que os governantes, sempre tão ocupados com coisas "mais importantes" se deveriam preocupar com a perda de mão de obra, agora muito mais qualificada, se não falta quem os substitua vindos do leste europeu, ou de África, ou do Brasil, e ainda por cima com grandes dividendos políticos? Sim, porque dá mais visibilidade falar de acolhimento do que de fuga, de nacionalizar em vez de exilar...
domingo, 26 de agosto de 2007
Emigrantes II
São de uma crueza singular, as fotos que uma Franco-Transmontana, Luso-descendente, me ensinou a descobrir.

E eu, que julgava saber tudo sobre o êxodo português dos anos 60, que me cansei de ver esposas e filhas de luto vestidas, viúvas e órfãos com maridos e pais vivos, adquiri uma nova visão do fenómeno pela perspectiva inversa da objectiva de Monseiur Bloncourt, imagens para ver e reflectir no endereço abaixo.
http://www.sudexpress.org/Expositions/Bloncourt/Images/Bloncourt.swf
Há mais documentos, retalhos de uma História ainda viva mas por contar na sua totalidade, na página do autor.

A miséria que se vivia em Portugal forçou muita gente a debandar e procurar melhorar as suas condições de vida. Para eles e para as suas famílias foi a solução.
E para o País?
A melhoria da economia de um País à custa da exportação de mão de obra é apenas ilusória. A riqueza é criada e resulta do trabalho. A História repete-se e não há forma de apreendermos as lições que nos incute. Desperdiçamos a riqueza promovida pelo fluxo das especiarias ocidentais, o mesmo com o ouro e a prata do Brasil, esbanjamos os milhões de €uros de fundos estruturais em investimentos não produtivos.
Hoje estamos no lugar comum que ocupávamos antes da adesão à Europa Comunitária. Em primeiros a contar da cauda.
Só falta virem dizer que estamos orgulhosamente... acompanhados!
E eu, que julgava saber tudo sobre o êxodo português dos anos 60, que me cansei de ver esposas e filhas de luto vestidas, viúvas e órfãos com maridos e pais vivos, adquiri uma nova visão do fenómeno pela perspectiva inversa da objectiva de Monseiur Bloncourt, imagens para ver e reflectir no endereço abaixo.
http://www.sudexpress.org/Expositions/Bloncourt/Images/Bloncourt.swf
Há mais documentos, retalhos de uma História ainda viva mas por contar na sua totalidade, na página do autor.
A miséria que se vivia em Portugal forçou muita gente a debandar e procurar melhorar as suas condições de vida. Para eles e para as suas famílias foi a solução.
E para o País?
A melhoria da economia de um País à custa da exportação de mão de obra é apenas ilusória. A riqueza é criada e resulta do trabalho. A História repete-se e não há forma de apreendermos as lições que nos incute. Desperdiçamos a riqueza promovida pelo fluxo das especiarias ocidentais, o mesmo com o ouro e a prata do Brasil, esbanjamos os milhões de €uros de fundos estruturais em investimentos não produtivos.
Hoje estamos no lugar comum que ocupávamos antes da adesão à Europa Comunitária. Em primeiros a contar da cauda.
Só falta virem dizer que estamos orgulhosamente... acompanhados!
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Emigrantes
Não se pode ignorar que é um fenómeno a ter em conta neste recanto do Mundo. Então, nesta época do ano, é impossível não dar por eles nas ruas, nos supermercados, nos centros comerciais, nas estradas.
Os emigrantes espalhados pelos quatro (ou cinco, ou seis) cantos do mundo estão aí. Os que conseguem, porque outros, como aquela infeliz família minhota que encontrou a morte em Espanha quando tencionava fazer uma surpresa aos familiares, terminam da forma mais triste a sua diáspora.
Chegam em catadupas, falam francês e um português rude, mesclado de novos fonemas e novas terminologias, alguns porque acham importante exibir os conhecimentos linguísticos adquiridos em terras gaulesas, outros porque já foram aculturados pela sociedade onde vivem, trabalham e desenvolvem a formação necessária para se integrarem no meio.
Não aprecio mas compreendo. E os menos culpados são eles.
Desde sempre tem sido reconhecido o importante peso das suas poupanças na economia nacional. Promovem-se campanhas para atrair as suas economias, fazem-lhes festas, dão-lhes "graxa"... Mas na hora de concretizar medidas para lhes facilitar a vida não se faz nada.
Neste constante "diz que disse que não disse" mais uma vez se divisa a forma (in)decidida como este governo trata assuntos que mexem com as pessoas.
E é gritante a forma como (quase) todos nos acomodamos, subservientes, perante quem se proclama paladino das mais amplas liberdades e pratica a prepotência, a arbitrariedade e o abuso do poder para os mais débeis (a maioria), a bajulice, a adulação e subordinação aos interesses dos poderosos (a menor das minorias).
Por isso revejo-me no discurso desta espécie de D. Quijote alentejano, que enquanto puder piar há-de continuar a "pregar" aos peixinhos...
Que nunca os dedos lhe doam.
Os emigrantes espalhados pelos quatro (ou cinco, ou seis) cantos do mundo estão aí. Os que conseguem, porque outros, como aquela infeliz família minhota que encontrou a morte em Espanha quando tencionava fazer uma surpresa aos familiares, terminam da forma mais triste a sua diáspora.
Chegam em catadupas, falam francês e um português rude, mesclado de novos fonemas e novas terminologias, alguns porque acham importante exibir os conhecimentos linguísticos adquiridos em terras gaulesas, outros porque já foram aculturados pela sociedade onde vivem, trabalham e desenvolvem a formação necessária para se integrarem no meio.
Não aprecio mas compreendo. E os menos culpados são eles.
Desde sempre tem sido reconhecido o importante peso das suas poupanças na economia nacional. Promovem-se campanhas para atrair as suas economias, fazem-lhes festas, dão-lhes "graxa"... Mas na hora de concretizar medidas para lhes facilitar a vida não se faz nada.
Neste constante "diz que disse que não disse" mais uma vez se divisa a forma (in)decidida como este governo trata assuntos que mexem com as pessoas.
E é gritante a forma como (quase) todos nos acomodamos, subservientes, perante quem se proclama paladino das mais amplas liberdades e pratica a prepotência, a arbitrariedade e o abuso do poder para os mais débeis (a maioria), a bajulice, a adulação e subordinação aos interesses dos poderosos (a menor das minorias).
Por isso revejo-me no discurso desta espécie de D. Quijote alentejano, que enquanto puder piar há-de continuar a "pregar" aos peixinhos...
Que nunca os dedos lhe doam.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Acordar...
Só não vê quem for cego. E mesmo assim, não há pior cegueira do que a daquele que não quer ver.
Tudo indica que este pequeno rectângulo "à beira mar plantado" caminha inexoravelmente para um beco sem saída. Mas continuamos a fazer ouvidos de mercador. Por este andar, ainda voltarei a ver cenários como os que os meus pequeninos olhos já viram...
Era tudo combinado no maior dos segredos, porque as polícias, apoiadas por uma imensa rede de "bufos", descobria tudo e as consequências não eram como agora... Estabeleciam-se contactos, ajustava-se o preço, ia-se à procura de financiamento junto de familiares, amigos ou simplesmente conhecidos e, de um dia para o outro, eram mais dois ou três jovens que desapareciam do lugar. Ninguém sabia de nada mas os sinais diziam tudo... As mulheres de luto sem morrer ninguém, as crianças vestidas da mesma cor a caminho da escola ou nas lides do campo, tristes, sem saber bem porquê...
Eram duas, três semanas, às vezes mais, à espera, em silêncio, sem um queixume... Finalmente chegava uma carta "Paris, tantos de tal..., meus queridos pais ... chegamos bem, graças a Deus" e o respirar de alívio. Não terminara a tristeza mas pelo menos renascia a esperança. "Chegar bem" não significava ter feito boa viagem mas sim o final de uma autêntica maratona recheada de incidentes, de medos e de aventuras, autênticas epopeias cuja história está por escrever.
O artigo do JN que inspirou este post demonstra bem as razões do meu péssimismo. O quadro que nos é apresentado é deveras preocupante. E não deixa de ser menos preocupante o elogio às "reformas" introduzidas ultimamente no capítulo da política social seguida pelos nossos governantes. É que uma coisa é aquilo que se demonstra aos "manda-chuvas" da UE, com
resultados brilhantes do ponto de vista economicista, outra é a realidade com que nos deparamos no plano interno. A verdade é que estamos a nivelar por baixo e a criar uma sociedade de pobreza cujas consequências poderão ser catastróficas para a maioria da população.
Daqui a alguns anos, talvez vejamos novamente as malas de cartão na Gare de Austerlitz... ou noutras gares do Universo...
Tudo indica que este pequeno rectângulo "à beira mar plantado" caminha inexoravelmente para um beco sem saída. Mas continuamos a fazer ouvidos de mercador. Por este andar, ainda voltarei a ver cenários como os que os meus pequeninos olhos já viram...
Era tudo combinado no maior dos segredos, porque as polícias, apoiadas por uma imensa rede de "bufos", descobria tudo e as consequências não eram como agora... Estabeleciam-se contactos, ajustava-se o preço, ia-se à procura de financiamento junto de familiares, amigos ou simplesmente conhecidos e, de um dia para o outro, eram mais dois ou três jovens que desapareciam do lugar. Ninguém sabia de nada mas os sinais diziam tudo... As mulheres de luto sem morrer ninguém, as crianças vestidas da mesma cor a caminho da escola ou nas lides do campo, tristes, sem saber bem porquê...
Eram duas, três semanas, às vezes mais, à espera, em silêncio, sem um queixume... Finalmente chegava uma carta "Paris, tantos de tal..., meus queridos pais ... chegamos bem, graças a Deus" e o respirar de alívio. Não terminara a tristeza mas pelo menos renascia a esperança. "Chegar bem" não significava ter feito boa viagem mas sim o final de uma autêntica maratona recheada de incidentes, de medos e de aventuras, autênticas epopeias cuja história está por escrever.
O artigo do JN que inspirou este post demonstra bem as razões do meu péssimismo. O quadro que nos é apresentado é deveras preocupante. E não deixa de ser menos preocupante o elogio às "reformas" introduzidas ultimamente no capítulo da política social seguida pelos nossos governantes. É que uma coisa é aquilo que se demonstra aos "manda-chuvas" da UE, com
resultados brilhantes do ponto de vista economicista, outra é a realidade com que nos deparamos no plano interno. A verdade é que estamos a nivelar por baixo e a criar uma sociedade de pobreza cujas consequências poderão ser catastróficas para a maioria da população.Daqui a alguns anos, talvez vejamos novamente as malas de cartão na Gare de Austerlitz... ou noutras gares do Universo...
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