Mostrar mensagens com a etiqueta Monção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Monção. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Os Castros III

Vamos hoje terminar este tema com o último dos castros das margens do Minho, em território de Monção: É o Castro de São Caetano, localizado no lugar de Outeiro em Longos Vales.
A denominação deste local foi definida pela construção da Capela de S. Caetano, entre os séculos XVII/XVIII. A nível arqueológico este castro apresenta um conjunto de três linhas de muralha, definindo-se assim como povoado fortificado de grandes dimensões. O castro de S. Caetano era um povoado típico da Idade do Ferro, com cerâmica indígena, de importação romana, como a ânfora e a sigillata, bem como materiais de construção de influência romana (tegula e ímbrex). São visíveis habitações circulares e sub rectangulares, o que atesta, conjuntamente com o espólio cadastrado, a importância deste povoado desde o século I a.C. até ao século II d.C(CMMonção).
Classificado como Monumento Nacional por Decreto n.º 735/74, DG n.º 297, de 21-12-1974, foi recentemente este local valorizado com uma magnífica infraestrutura - o Centro Interpretativo de S. Caetano - que certamente muito contribuirá para divulgar este património.
O acesso faz-se pela Estrada Nacional 304 até Longos Vales e depois pela Estrada Municipal 1111, bastando seguir as indicações.

Clica aqui para ver as fotografias em tamanho grande

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Os Castros II

Retomando o tema dos castros, vamos hoje mostrar o que mais intervenções já sofreu, permitindo identificar a acrópole e diversos troços de das três linhas de muralha.
O castro da Senhora da Assunção situa-se numa colina, a cerca de 250 metros de altitude, na freguesia de Barbeita, em Monção. O nome deste local é conferido pela existência de uma ermida consagrada a N. Sr.ª da Assunção, no topo deste monte, edificada no século XVI. A nível arqueológico este povoado apresenta um conjunto de três linhas de muralha, segundo Maia Marques, definindo assim este habitat como um povoado fortificado. O sítio já foi alvo de intervenções arqueológicas, ficando visível grande parte da acrópole, várias estruturas circulares e sub rectangulares, arruamentos e pátios lajeados, constituindo assim um perfeito modelo de proto-urbanismo que caracteriza os povoados castrejos.  De notar a existência do topónimo Paço, a Norte, muitas vezes associado a vestígios de ocupação romana (CMMonção).
Por todo o Portugal, é muito comum a existência de capelas no cimo das montanhas e aqui também não se fugiu à regra. A sacralização do monte, que certamente teria outra designação, deu-se pelo Séc. XVI podendo afectar algumas construções castrejas, embora com pouco significado.
O acesso faz-se, partindo de Barbeita em direcção a Merufe pela Estrada Municipal n.º 504. A seguir à Igreja há um caminho à direita, com calçada portuguesa e indicações várias, nomeadamente Campo de Tiro, Campo de Futebol e Sr.ª da Assunção, que permite aceder ao topo de automóvel ou outros veículos motorizados ou, em alternativa, como eu fiz: a butes...

Clica aqui para ver as fotografias em tamanho grande

domingo, 10 de outubro de 2010

Os Castros I

Não, não vou referir-me aos célebres Castros da velha nobreza cá do norte. Vou abordar mesmo a temática daqueles velhos aglomerados populacionais, tão velhos que não sabemos ao certo a data da sua implementação. São, seguramente muitos anos mas também não é isso que aqui vou tratar. Vou falar do abandono e do desprezo pelo património da humanidade cujos vestígios quis o destino que chegassem ao nosso tempo.
São três os castros que se situam na margem esquerda do rio Minho, nos limites territoriais do concelho de Monção: Senhora da Graça, em Badim, Senhora da Assunção, em Barbeita e São Caetano, em Longos Vales.
Hoje vou falar apenas do primeiro e que fica mais para nascente.
O castro da Senhora da Graça situa-se no cimo de uma elevação granítica, com cota a rondar os 315 metros, de perfil cónico. Ainda são visíveis algumas estruturas circulares. Provavelmente ocupado desde o Bronze Final à romanização plena, este castro, conjuntamente com os de S. Caetano e Sra. da Assunção, (...) dominava completamente o curso médio do rio Minho, donde tiraria grande parte da sua subsistência. Quanto a cronologias de ocupação, Maia Marques aponta para uma ocupação que iria entre séc. II a.C. ao séc. I d.C. Sendo este sem dúvida um local já intervencionado e que de algum modo se apresenta como um elemento importante para o estudo da Idade do Ferro e do Bronze no Alto Minho (CMMonção).
O acesso ao local faz-se pela estrada municipal n.º 1124 e, à chegada existe um quadro a informar da sua existência, que é um património em vias de classificação e com recomendações para não o destruir nem deixar lixo no local.
No que ao lixo diz respeito, não vale a pena gastar muito tempo. O "turista" interno é insensível a quaisquer apelos dessa natureza. Então mais acima, em torno da capela, o incêndio que abrasou toda a vegetação deixou a descoberto os incombustíveis dejectos que resultam, ao que parece, dos festejos ali realizados anualmente: são dezenas, talvez centenas de garrafas espalhadas pelo monte.
Mas se aqueles dejectos, no que concerne ao património arqueológico, são inofensivos, o mesmo não se pode dizer da abertura dos caminhos de acesso ao santuário que ocupa o topo da colina. Mesmo na borda da estrada podem ver-se a descoberto troços de paredes e muros do antigo povoado, um dos quais pelo lado de dentro de uma habitação castreja, o que revela bem o "cuidado" que (não) houve em preservar aquele património.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Caminhos de Longos Vales

Longos Vales é uma das maiores e mais populosas freguesias de Monção. Percorrer os seus caminhos, diversas vezes e nas diferentes épocas do ano é uma permanente descoberta de cores, de aromas, de matizes e de surpreendentes pormenores, além de nos depararmos com a sua história, as suas tradições e os seus monumentos.
Mas mais do que as palavras dirão, certamente, as imagens que aqui vos deixo.

Click here to view these pictures larger

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O Fogo e a Água

Dois dos elementos que mais têm dado que falar nos últimos dias. O fogo tem devorado áreas enormes de mato e florestas. Mãos criminosas desencadeiam a catástrofe e o tempo, muito de feição, faz o resto. Acredito que os voluntariosos bombeiros fazem o que podem mas sozinhos não conseguem opor-se com sucesso a tamanho flagelo. Para cúmulo o cabo Pereira vem estabelecer comparações e dizer que ardeu menos área do que nos anos tal e tal. Deve sentir-se feliz por isso.
De água, cá pelo burgo, estamos conversados. Todos os anos por esta altura é a mesma coisa: as torneiras só deitam vento. Só que esse fenómeno ocorre apenas nas casas situadas em pontos mais elevados. O argumento das entidades responsáveis é sempre o mesmo: consumos exagerados devido ao número exponencial de residentes com a chegada dos emigrantes. Mas se o problema é dos consumos eu desafio a autarquia a fazer um estudo que demonstre onde e quando ocorreram esses consumos e que o divulgue, para sabermos como é, porque eu desconfio de outras coisas e porque são sempre os mesmos a "pagar a factura" da água que as torneiras não deitam.
E depois aparece uma "jóia" destas na comunicação social: As zonas mais altas das freguesias de montanha de Mazedo e Cortes, no concelho de Monção, estão sem água há cerca de uma semana.
Ora, o que a menina Andreia Cruz designa de "freguesias de montanha" são, nem mais nem menos, duas das freguesias mais ribeirinhas do vale do Minho, cujas cotas mais altas devem situar-se entre os 100 e os 150 metros de altitude. E são as que mais sofrem da falta do precioso líquido, vá lá saber-se porquê...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Penha da Rainha

A vida não para. E como a bicicleta não gasta outro combustível que não sejam as calorias que me obriga a perder, sacrifício do qual ainda retiro algum benefício, dou comigo a explorar muitos recantos aqui do burgo, e não são assim tão poucos os que ainda desconhecia e desconheço. E de tudo quanto me foi possível observar posso retirar, desde já, uma conclusão: passamos a vida a passar pelas coisas sem reparar nelas... Mas vamos ao que interessa.



Se um dia passarem por Monção e perguntarem onde fica a Penha da Rainha o mais certo é ouvirem dizer que tal coisa nunca por cá existiu. E, no entanto, ainda a povoação de Monção não fora criada e já Penha da Rainha era um Julgado com o mesmo nome, cuja área abrangia o actual concelho de Monção até ao rio Mouro, a terminar em Merufe e a referência mais antiga ao seu castelo surge na Crónica do Imperador Afonso, relativamente à campanha de Val-de-Vez.
A realidade é que não se vislumbram no enorme maciço rochoso quaisquer vestígios de construção como seria natural dada a importância que certamente teve. Da ermida, sagrada pelo bispo de Tui D. Pedro I em Junho de 1204, nada resta e a actual, supostamente feita no mesmo local da primitiva, datará de tempos não muito afastados dos Séculos XVIII ou XIX.
Com a criação de uma linha de fortificações ao longo da fronteira, as fortificações situadas mais para o interior perderam importância e foram mesmo votadas ao abandono e as ruínas do castelo de Penha da Rainha foram aproveitadas pelo pároco de Abedim para as obras da sua igreja.
S. Martinho da Penha situa-se no termo da freguesia de Abedim, concelho de Monção. Na Estrada Nacional n.º 101, que liga Monção a Arcos de Valdevez, existe sinalização adequada e depois é sempre em frente, com cuidado porque, além da estrada ser muito estreitinha, há uma bela paisagem para observar.


Fonte Histórica: Pintor, Padre Manuel António Bernardo, Obra Histórica,I, Rotary Clube de Monção, Monção, 2005.
Fotografias minhas.

sábado, 10 de abril de 2010

A Luta de Valença

Veio para ficar a resistência da população de Valença do Minho (ou Valencia do Miño) ao encerramento do Serviço de Atendimento Permanente no Centro de Saúde local.
Os argumentos são muitos e até tiveram a "sorte" de ver morrer um velhinho à entrada do Centro de Saúde, mesmo ocorrendo a horas em que era suposto aquela unidade estar a funcionar plenamente.
Mas para mim, o principal argumento é a "subordinação" da novel cidade a uma Vila.
A história, se é que há alguma história neste imbróglio, começou com a reforma da rede nacional de cuidados de saúde implementada pelo ministro Correia de Campos que, por causa dela, foi sacrificado em prol de uma política mais popularucha. Na altura era presidente da autarquia valenciana um membro do "clã" no poder e a coisa decorreu sem muitas ondas apesar de ainda ter havido contestação e pelo menos uma acção de "corte" da Ponte, um ponto de grande sensibilidade estratégica que a Guarda tenta estoicamente manter desobstruído.
Entretanto - não sei foi alguma contrapartida pelo encerramento do SAP ou não - Valença foi elevada a cidade e com a "nova ordem" do poder autárquico a voz do descontentamento ganhou mais força mesmo não se sabendo bem para que lado pende a posição do presidente que por um lado diz defender os interesses dos habitantes de Valença mas por outro discorda das bandeirinhas espanholas (ficava muito melhor a galega) nas varandas e falta saber se apoia ou não as criminosas investidas sobre a ponte.
Que Valença aspirava há muito ser cidade já se sabia. Desde que a urbe se expandiu anarquicamente para fora das muralhas essa nova zona comercial e habitacional passou a ser designada por "Cidade Nova". Mas as condições legais para tal nunca foram reunidas devido, principalmente, à extinção das barreiras alfandegárias com a adesão de Portugal e Espanha à CEE.
Mesmo sem condições para tal, a verdade é que a elevação a cidade é uma realidade e o orgulho dos valencianos sofre com a perda de influência e do SAP em detrimento dos vizinhos de Monção.
No entanto, são vários os factores que favorecem a implementação do SUB em Monção: melhor centralidade (convém relembrar que Melgaço também faz parte da área coberta por este Serviço), uma infraestrutura pensada e criada pata tal fim e, essencialmente, uma densidade populacional muito superior, conforme se pode ver do quadro seguinte.

De resto, dizer-se que os pacientes têm de andar para um lado e depois no sentido inverso para Viana do Castelo, só serve de arma de arremesso porque, na verdade, se o problema urgente for resolvido em Monção o percurso inverso é apenas o necessário para regressar a casa.
Poderão os meus leitores alegar que defendo a actual situação apenas porque estou do lado dos mais favorecidos mas eu digo que tal não corresponde à verdade. Eu preferiria sempre deslocar-me alguns quilómetros para ter acesso a um serviço que de facto me providenciasse os cuidados necessários e urgentes com qualidade a ter um SAP ao pé da porta apenas para emitir uma "guia de marcha" para outras paragens.

domingo, 21 de março de 2010

Ecopista do Rio Minho - de Cortes até Friestas

Percorrer a ecopista do Rio Minho é uma actividade sempre regeneradora e aliciante. Contudo, pode-se tornar ainda mais aliciante se nos dermos ao trabalho de abandonar a pista propriamente dita e efectuar pequenos desvios numa espécie de "caça ao tesouro".
A recompensa aí fica, pedindo desde já a melhor compreensão para a qualidade do registo que se deve, exclusivamente, à natural falta de jeito do fotógrafo...
Este conjunto de fotografias foi recolhido num pequeno troço da magnífica via, entre o Apeadeiro de Cortes, em Monção, e a Estação de Friestas, já no termo de Valença.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Gastronomias II

ali me referi a um prato típico de Monção, muito apreciado por quem gosta, e eu sou um dos seus apreciadores. É o cabrito, anho ou reixelo à moda da terra. E também lá plasmei o epíteto porque é conhecido cá no burgo, para o qual existem diversas explicações, qualquer delas capaz de satisfazer a curiosidade de quem quiser saber a razão de tal reputação.
Agora foi dada a conhecer publicamente, pela voz do Presidente da Autarquia, a intenção de se proceder à certificação da "Foda à Monção",  para "evitar que não haja uma delapidação" desse património gastronómico concelhio. E parece que a intenção é certificar esse prato típico assim mesmo, tal como é anunciado nos cardápios dos restaurantes locais.
Sinceramente acho a ideia de muito mau gosto. Não a certificação mas a designação. Foda é um vulgarismo que significa relação sexual, cópula ou ainda coisa desagradável ou insuportável e na verdade um prato de cabrito à moda de Monção não será nada disso, a menos que as suas virtualidades sejam tão corrompidas que os potenciais consumidores acabem os seus repastos com a expressão: - Mas que grande foda!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Brumas


Por entre as brumas matinais vislumbram-se as ameias de uma construção que não sei bem o que é. Situa-se na ilha de Fillaboa, como é designada por nuestros hermanos, no curso internacional do Rio Minho, junto à foz do rio Tea.
Se há algum sítio onde possa esconder-se o saudoso Rei D. Sebastião, esse sítio é mesmo ali. Até me quis parecer que por lá pastava o seu fogoso corcel...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Casamento ou União de Facto?

Em Monção já existe há muito tempo um monumento com um célebre poema de João Verde, poeta regionalista que nos fala de um namoro antigo entre o Minho e a Galiza mas cujo casamento não se pode realizar porque os pais não o permitem.
Vendo-os assim tão pertinho
A Galiza mailo Minho
São como dois namorados
Que o rio traz separados
Quasi desde o nascimento.
Deixá-los pois namorar
Já que os pais pera casar
Lhes não dão consentimento.
O mesmo poema foi recentemente integrado num painel que se encontra do outro lado da fronteira, junto à ecopista que ladeia a margem direita do Rio Minho, à entrada do magnífico parque "A Canuda", acompanhado por um outro mais optimista da autoria de um poeta galego de nome Amador Savedra e que reza assim:
Se Dios os fixo de cote
um pra outro e teñem dote
Em terras enparexadas,
Pol'a mesma auga regadas
Con ou sin consentimento
D'os pais o tempo ha chegar
Em que teñam que pensar
Em facer o casamento.
Penso que Savedra era um visionário e um optimista, talvez fruto de um sentimento nacionalista que via no norte de Portugal um prolongamento natural da Nação Galega. Se bem que não houve casamento, existe na realidade uma verdadeira união de facto entre as duas regiões, o que na prática vai dar ao mesmo. E nem foi preciso a Assembleia da Republica legislar ad hoc.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Geada na Lama


Durante o início da noite passada choveu e de madrugada caiu gelo em cima do solo encharcado em água. Diziam os mais velhos da minha terra: geada na lama, chuva na cama. E parece que tudo se conjuga para que assim seja ainda já que as grossas nuvens que agora encobrem o sol radioso com que se iniciou este dia prometem chuva em abundância.
Mas apesar do frio, o sol matinal convidava a sair e eu assim fiz. Dei início à minha caminhada em direcção a Salvaterra e à medida que me aproximava do rio mais me embrenhava no manto de nevoeiro que cobria o seu caudaloso leito.
O frio era muito e era bem evidente pela fumaça que saía das minhas "ventas" mas isso não fez esmorecer o meu entusiasmo.
Valeu a pena.
Não é todos os dias que se vê desaparecer a ponte em lado nenhum...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A Ecopista do Rio Minho

Volto à Ecopista do Rio Minho porque considero-a a obra mais emblemática da autarquia dos últimos anos e merece o nosso maior respeito e carinho.
O apeadeiro de Nossa Senhora da Cabeça, em Cortes, foi totalmente remodelado para ser ali instalado um centro de interpretação.
Penso que de centro de interpretação tem pouco mas, além de servir de abrigo e local de repouso, dispõe de diversas gravuras que ilustram um pouco da história dos caminhos de ferro em Monção.
Acontece que a imensa humidade que se entranha naquele espaço e a forma como estão expostas as gravuras conjugaram-se para provocar uma rápida degradação da mancha gráfica, factores que aliados a algum vandalismo ou mesmo a curiosidade de quem observa os quadros farão com que dentro de pouco tempo apenas exista um suporte em branco.


Como já referi em post anterior, não basta fazer obras, é preciso velar pela sua conservação e neste caso é urgente que se faça algo para evitar o desaparecimento prematuro de tão preciosa informação.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Santo António de Val de Poldros II

Há cerca de dois anos lançava eu um apelo, aqui da minha "tribuna", para que as entidades competentes travassem qualquer tendência especulativa sobre o espaço que é de toda a humanidade e não apenas dos seus titulares.
Referia-me à Branda de Santo António de Val de Poldros, um espaço que, além da beleza natural, carecteriza-se e orgulha-se de possuir a maior concentração de cardenhas feitas totalmente de granito e xisto e que tão mal têm sido tratadas nos últimos anos.
Felizmente a minha preocupação colheu eco no executivo municipal que decidiu avançar com a "elaboração do Plano de Pormenor de Salvaguarda de Santo António de Vale de Poldros", conforme consta no site da Câmara Municipal de Monção.
Louvável iniciativa que já se impunha há muito tempo mas mesmo assim mais vale tarde do que nunca.
Entretanto já muitas asneiras, para não dizer verdadeiros crimes contra o património histórico e cultural, foram cometidas. E se já não se pode recuperar o que foi destruído, ao menos que se proteja o que existe.
Bem à vista de toda a gente existem exemplos do que foi feito de mal e daquilo que se pode fazer bem para preservar as típicas cardenhas. Para isso nem é preciso gruas, como eu já vi por lá...

sábado, 4 de julho de 2009

Raly Sprint (quê?)

Com o alto patrocínio das Câmaras Municipais de Monção e Melgaço, vai realizar-se a 18 de Julho um evento automobilístico designado "Raly Sprint Alvarinho".
Nada me move contra estes eventos mas o local para esta realização é que não me parece nada adequado.
Como se pode verificar no prospecto do programa, o percurso inicia-se junto da escola primária de Riba de Mouro, uma infraestrutura que se encontra encerrada por causa das novas políticas educacionais, desenvolve-se numa primeira fase, em jeito de aquecimento, até ao Monte do Santo e dali, em competição, até Bogalheiras .
O que certamente muita gente desconhece é que o itinerário assenta num antigo caminho florestal que rasgou a serra de Riba de Mouro até ao Batateiro, passando por Cavenca, Santo António de Val de Poldros e Aveleira e pelo caminho é fácil encontrar pessoase animaisDepois dos malfadados "birabentos", só faltava mais esta "novidade" para estragar o sossego e a harmonia das "minhas montanhas lindas".
E a designação "Alvarinho" será a propósito de quê?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Monção em Festa

Uma semana com dois feriados pelo meio pouco produtiva pode ser. O que vale é que com três dias de férias ganha-se um bom período de descanso. Descanso a sério porque o tempo a isso foi propício já que choveu continuamente até à quinta feira (11), dia do Corpo de Deus da antiga Festa da Coca e um dos feriados municipais de Monção.
No início da semana deparei-me com esta coisa em plena Praça Deuladeu, o antigo Terreiro, que constitui a "sala de visitas" da urbe.Dizem que foi na sequência de um evento ali realizado uns dias antes e que tinham um fim pedagógico porque o tema era a ecologia. Ainda bem que assim foi, só que talvez os serviços competentes devessem ter o cuidado de os remover de imediato, por causa das dúvidas...
Dúvidas que se dissiparam de seguida e no seu lugar repousaram por algumas horas a Coca Rabicha e a sua filha, fruto do casamento daquela com o dragão de Redondela.A procissão do Corpo de Deus é majestosa, principalmente pela representação das freguesias do concelho. Em primeiro plano encontra-se a representação de Riba de Mouro, a minha terra natal :)Também se pode apreciar a famosa Custódia, uma obra prima da ourivesaria portuguesa do Séc XVI.No final, o torneio no recinto do Souto congregou as atenções de imensa gente mas para que possam apreciar o evento e muito mais remeto para o álbum do Silvano, que pelos vistos esteve lá, ao contrário de mim que preferi ficar à sombra a deliciar-me com uma saborosa cerveja.
Paralelamente, o alvarinho ia pregando as suas partidas... Para quem não sabe, deixo aqui um conselho: o vinho alvarinho deve beber-se de pé porque se estivermos sentados corremos o risco de não nos conseguirmos levantar.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Alto Minho

Um conterrâneo de Tangil tem um acervo fotográfico do melhor que há, como se pode observar em diversos álbuns e sítios da web.
Aqui podemos apreciar uma das facetas mais lindas das nossas "montanhas lindas" e também outras coisas belíssimas, entre as quais as últimas realizações da autarquia de Monção no sentido de tornar o parque das Caldas um local ainda mais aprazível.
Ao Silvano um muito obrigado.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pedro Macau II


"Viagem ao Princípio do Mundo" (França-Portugal, 1997), de Manoel de Oliveira, o centenário cineasta ainda em actividade, com Marcello Mastroiani como protagonista, passou há dias na RTPi.
Parece que em Portugal não lhe foi dado grande destaque, não admira. Eu também prefiro as produções holliwoodescas...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sentimentos Rivais

Volta a ser tema, lá pelos meus lados, o encerramento da Extensão de Saúde de Tangil, pelo que se depreende do artigo publicado no blog regionalista Monção Repórter.
A este propósito convém recordar que aquela Unidade de Saúde, construída de raiz e inaugurada em 2003, visava servir uma extensa e populosa franja territorial do concelho de Monção e aliviar o Centro de Saúde da sede concelhia, tendo custado ao erário público a módica quantia de 647.000 euros.
Em 2007 era notícia na comunicação social a constatação de que tal empreendimento estava a ser um fiasco. De facto, dos cerca de 6.000 utentes que se previa poderem usufruir dos cuidados de saúde básicos naquela extensão, apenas havia inscritos menos de um milhar, o que se revelava manifestamente insuficiente para o quadro clínico definido, atendendo a um ratio de 1.500 utentes por cada médico, estabelecido a nível nacional.
O avolumar de "nuvens negras" sobre o futuro dessa infraestrutura levou a autarquia, em 2008, a tomar uma medida importante com vista a revitalizar a Extensão de Tangil e cativar os utentes: foi disponibilizado transporte gratuito para os que ali pretendessem acorrer. Nem mesmo assim. A afluência de utentes manteve-se, se é que não diminuiu. As causas ninguém as conhece. Ou, conhecendo-as, assobiam para o ar.
São conhecidas, de sobra, as ancestrais rivalidades entre as freguesias do Vale do Mouro, especialmente entre Riba de Mouro e Tangil. A primeira é a mais periférica, situa-se no extremo sudoeste do concelho, a cerca de vinte quilómetros da sede. Mas é também uma das mais populosas e caprichosas. Talvez por um qualquer complexo de inferioridade intelectual, os ribamourenses nunca aceitaram muito bem as realizações dos vizinhos de Tangil a quem apelidavam, depreciativamente, de "ceboleiros".
De facto, fosse por se encontrar numa localização privilegiada, dotada de excelente centralidade em relação às freguesias vizinhas, fosse pela capacidade de iniciativa e de influência dos seus habitantes, Tangil sobressaiu sempre como pólo de preponderância regional, de que se destacaram a Estação dos Correios, o Posto da GNR, a Casa do Povo, a Escola de Ensino Básico 2/3 a que se juntou recentemente o primeiro ciclo e a centenária Banda de Música.
Em contrapartida, Riba de Mouro vai perdendo tudo. Perde população, perdeu irremediavelmente a Banda de Música, a Secção dos Bombeiros Voluntários parece que já só funciona a "meio gás", a Escola de Ensino Básico fechou recentemente, o Clube de Futebol penso que também desapareceu... A propósito foi publicado recentemente no quinzenário "A Terra Minhota" um excelente artigo que revela as fragilidades da nossa terra, cujo teor pode ser encontrado aqui.
Assim, é grande o desconforto das minhas gentes. E, como "vingança", passam por Tangil altivamente e dirigem-se aos serviços disponibilizados em Monção, porque aqui, além dos cuidados de saúde, há outras coisas a resolver. Só que esta atitude não beneficia ninguém. Tangil perderá a sua Extensão de Saúde mas os vizinhos não ganharão nada. E se assim são periféricos, mais periféricos continuarão a ser.
Se falo apenas de Riba de Mouro é porque conheço bem esta triste realidade. Do mesmo não posso falar relativamente a Merufe, Podame e Segude mas as motivações não devem estar longe do que foi dito relativamente à minha freguesia.
E digo isto com mágoa. É pena que os ribamourenses não saibam ultrapassar um individualismo arreigado e bacoco que impede a formação de uma autêntica comunidade que tenha em vista o bem colectivo. As rivalidades são benéficas se aproveitadas para gerar uma dinâmica de concorrência que promova desenvolvimento. Não é o caso. Aos sucessos do vizinho responde-se com desdém e imobilismo, uma certa forma de demonstrar "dor de cotovelo".
Não vale a pena argumentar que não temos tido autarcas competentes, ou que se esquecem de nós, ou que a culpa é dos outros. A assumpção das responsabilidades tem de ser repartida por todos.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Ponte do Mouro

O lugar de Ponte do Mouro é um local cheio de história, beleza e magia. Situa-se no extremo nordeste da freguesia de Barbeita, concelho de Monção, na confluência do Rio Mouro com o Rio Minho de que é afluente na margem esquerda.
Um facto histórico devidamente comprovado e célebre foi o encontro de D. João I com o Duque de Lencastre de onde resultou o casamento que daria origem àquela que foi designada Ínclita Geração e que consolidou a aliança que haveria de exaurir e sugar os magros recursos de que Portugal foi dispondo ao longo dos séculos.
Também reza a lenda que foi ali, durante a reconquista, que um rei Mouro na fuga precipitada à arremetida dos temíveis cruzados, se deparou com o profundo e estreito fosso impossível de ultrapassar.
Acossado pelos guerreiros cristãos e sem outra saída que não fosse deixar-se capturar ou saltar para a morte, o mouro desesperado intercedeu perante Deus (ou Alá?) prometendo que se o cavalo saltasse para a outra margem se converteria ao cristianismo.
Imbuído de uma fé que só o medo pode gerar, cravou esporas no fogoso animal, um puro sangue árabe, que voou sobre o abismo colocando o nobre sarraceno a salvo do outro lado do rio.
Não sei se cumpriu a promessa mas certamente voltou-se para trás sorridente, fez um manguito aos perseguidores e regressou às arábias...
Deixo por ali algumas fotos para aguçar o apetite.