domingo, 4 de outubro de 2009

Honras Militares

"O desacordo da GNR em prestar honras militares a António Costa valeu-lhe ser dispensada, quase na véspera, das comemorações na Praça do Município. José Sócrates vai estar presente."
É difícil julgar qualquer caso quando não se tem uma visão completa do problema. Contudo, até que seja prestado qualquer esclarecimento sobre os motivos que levaram o presidente da câmara municipal de Lisboa a "dispensar" a GNR das cerimónias comemorativas da implantação da republica, acto em que sempre participou com brio e profissionalismo, a versão que corre na comunicação social está sintetizada no pequeno extrato do DN online acima referido.
A ser assim, fica-lhe mal, sr. presidente. Essa arrogância só demonstra quão mesquinho é, ao tentar ridicularizar uma Instituição secular que ultrapassou barreiras políticas e ideológicas e continua orgulhosamente a servir a Pátria.
Será a continuação do seu trabalho de descredibilização e descaracterização que iniciou enquanto MEAI?
Será algum trauma de infância, à semelhança de um seu antecessor governamental que dizia constantemente que aquele não era o seu ministério?
Eu aconselho-o a ler, ou mandar ler, o que existe de legislação nesta republica das bananas em que vocês transformaram Portugal. Para ajudar, aqui vão algumas pistas:
Regulamento de Continência e Honras Militares (Decreto Lei n.º 331/80 de 28 de Agosto, alterado pelo Decreto Lei n.º 76/81, de 15 de Abril de 1981)
Art. 11.º
...
3 – Os Presidentes das Assembleias e dos Governos Regionais dos Açores e da Madeira têm honras de Ministro do Governo da República (categoria III do quadro B do capítulo V) na área das suas regiões.
4 – Os governadores civis têm honras de oficial general (categoria V do quadro B do capítulo V) quando em actos solenes oficiais a que presidam na área dos seus distritos e que exijam essa representação.
5 – Os oficiais estrangeiros, quando em actos oficiais, têm honras iguais aos da mesma patente das forças armadas nacionais.
6 – Nos navios de guerra deve observar-se o que sobre o assunto estatui a Ordenança do Serviço
Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português (Lei n.º 40/2006, de 25 de Agosto)
Art. 7.º
...
40) Juízes desembargadores dos tribunais da relação e tribunais equiparados e procuradores-gerais-adjuntos, vice-reitores das universidades e vice-presidentes dos institutos politécnicos de direito público;
41) Presidentes das câmaras municipais;
42) Presidentes das assembleias municipais;
43) Governadores civis;
44) Chefes de gabinete do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República e do Primeiro-Ministro;
...
Artigo 31.º
Presidentes das câmaras municipais
1—Os presidentes das câmaras municipais, no respectivo concelho, gozam do estatuto protocolar dos ministros.
2—Os presidentes das câmaras municipais presidem a todos os actos realizados nos paços do concelho ou organizados pela respectiva câmara, excepto se estiverem presentes o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República ou o Primeiro-Ministro, nas Regiões Autónomas, têm ainda precedência o Representante da República, o Presidente da Assembleia Legislativa e o Presidente do Governo Regional.
3—Em cerimónias nacionais realizadas no respectivo concelho, os presidentes das câmaras municipais seguem imediatamente a posição das entidades com estatuto de ministro e, se mesa houver, nela tomarão lugar, em termos apropriados.
...
Pode ser que o código de posturas municipais da kapital tenha algo mais acerca do tema e se sobreponha às leis que foram aprovadas por órgãos legítimos.
Mas para mim é uma séria tentativa de levar para a praça do município a SUA polícia municipal que certamente lhe satisfará todas as vontades.

sábado, 3 de outubro de 2009

Pobreza

"Tanto em termos de produtividade como de rendimento o distrito de Viana ou o Minho-Lima, apresenta sinais relativamente preocupantes que devem merecer a atenção de toda a gente", frisa, enumerando "a desqualificação do trabalho" e "a gestão empresarial fraca" como principais factores que estarão na origem da referida improdutividade".

É preocupante mas não transparece. Por aqui deparamo-nos com um aparente nível de vida razoável mas é muito "fogo de vista" que ofusca os sentidos de muita gente. Longe dos centros de poder e de decisão, as gentes do Alto Minho conseguem disfarçar a humilhação de uma realidade já antiga à custa de foguetes, de muito folclore e uma enorme resignação, numa demonstração de invulgar ingenuidade em que são embalados pelos "vendedores de sonhos" que de vez em quando, tal como agora, apregoam aos quatro ventos o advento da "terra prometida".
E no entanto, a pobreza anda por aí, semi-escondida, envergonhada, porque os minhotos não são de dar o flanco, preferem remoer o desprezo a que são votados sem deixar transparecer o que lhes vai lá por dentro.
Os números já colocavam o Distrito de Viana do Castelo na cauda do rendimento per capita do País há muitos anos mas nem o enorme afluxo de dinheiro da União conseguiu reverter a situação. A realidade é que os jovens continuam a denotar falta de qualificações (que de pouco lhes aproveitaria, mesmo que as tivessem) e optam por emigrar, seguindo na peugada dos pais e, já em muitos casos, dos próprios avós.
São as suas remessas que ainda ajudam a disfarçar a crueza dos números que, sem esse contributo, seriam, certamente, muito mais devastadores.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Politicando

De braços caídos, tenho vindo a observar as ideias que transparecem do discurso político das diversas forças que se têm empenhado por esse país fora em cativar as simpatias da populaça mas é confrangedor o vazio de propostas concretas e a forma despudorada como as principais forças se digladiam apenas com acusações fúteis e sacodem o espantalho do "bicho papão", como se a vitória de uns seja a salvação da pátria ou a dos outros o "fim do mundo".
Mas no meio dessa confusão toda há uma coisa que me perturba: é a "lata" do partido no poder a fazer de conta que nada se passou nos últimos quatro anos de governação e o entusiasmo da arraia que depressa esqueceu os arremedos totalitários timidamente manifestados.
Mas eu não esqueço o estigma que o "nosso primeiro" e os seus acólitos lançaram sobre a administração pública (AP), antes mais conhecida por função pública. Foi sob a influência política dessa mesma cor partidária que mais se alimentou o "monstro" e foi este (des)governo que “vendeu” bem a ideia de que era ali que residiam todos os males das finanças públicas. E com fortes aplausos de quem estava comodamente instalado atacou em todas as frentes: o ensino, a saúde e a segurança foram áreas hostilmente confrontadas com reformas economicistas e os funcionários em geral subjugados e traídos nas justas expectativas que alimentavam em relação às respectivas carreiras.
Tudo isso para quê?
Para sanear as finanças públicas poupando nas despesas com pessoal.
Todos sabemos o resultado. Perante a instabilidade gerada os que puderam debandar fizeram-no rapidamente e em força, o regime de mobilidade foi um fiasco total que serviu apenas para "encostar" alguns quadros desqualificados e em pré-aposentação, a falta de pessoas para desenvolverem tarefas essenciais foi suprida à custa de aquisição de serviços e assim ficou aberto o caminho para outras formas encapotadas de recrutamento com requisitos estabelecidos à medida.
Até agora os objectivos do défice foram cumpridos e a AP continuou a funcionar.
Só falta saber ao estado a que o Estado chegou quando, depois da euforia da vitória, os futuros governantes adquirirem conhecimento de todas as continhas.
Algo me diz que a "cobra vai fumar".

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Malafaia: Une fois, ça suffit...

Há quem se ufane de todos os anos ir à Quinta da Malafaia para assistir àquilo que é designado pelos promotores de "a maior e melhor festa do País".
Eu fui lá há dias pela primeira vez e gostei. Uma boa organização, óptimo espaço e bem arejado, muita animação, comida e bebida a rodos... Mas para mim basta. Se lá voltar será quando estiver no lar, de fraldas, meio "che-che" e sem poder determinar a minha vontade.
De negativo foi o ruído excessivo, o desperdício de alimentos (verdadeiramente chocantes as quantidades enormes de costela, frango de churrasco e outras "especialidades" da casa que iam direitinhas para os sacos do lixo) e a péssima qualidade dos rojões, das pataniscas e dos pastéis de bacalhau, que do fiel amigo nem rasto...
Mas as sardinhas, o bailarico e o "camboinho" a abanar o cu acabaram por superar os pontos fracos.
De resto, quem nunca lá foi deve ir... pelo menos uma vez.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cansaço

As férias não são um período propício a grande produtividade bloguística. Para piorar as coisas há sempre uma catrefada de coisas para fazer e projectos para realizar que não fica tempo nenhum para descansar nem para criar algo que se veja.
Por essas razões, por aqui não há nada de novo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Subsidiodependência

Corre ... uma virtuosa discussão entre o Governo, os militares e a GNR, a propósito do estatuto remuneratório desta corporação paramilitar. Queixam-se os militares de que o Governo pretende contemplar a GNR com uma série de subsídios, enquanto que eles apenas têm um subsídio de 'condição militar', equivalente a 20% da remuneração base. Se já essa coisa do 'subsídio de condição militar' me deixa perplexo (haverá um subsídio de condição médica, de condição de engenheiro, de condição de escriturário?), os subsídios que o Governo pretende agora abonar a favor da GNR são, de facto, de estarrecer. Ora vejam: subsídios de escala, de plantão, de prevenção, de força de segurança, de patrulha, de comando, de investigação criminal e de 'serviços especiais' (seja isso o que for e espero que não seja regar o jardim do general ou transportar a mobília do comandante).
Perdão: mas existe alguma força policial do tipo GNR, em qualquer lado do mundo, que não faça escalas, prevenções, plantões e patrulhas? Que não faça investigação criminal? Que não tenha comando? Não estão aqui reunidas, afinal, todas as funções e tarefas da GNR, começando por ser a de uma 'força de segurança'? Se cada uma das suas tarefas tem direito a um subsídio especial (e todos eles cumulativos, afinal), o que resta de um GNR que não seja subsidiável pelo Estado - o uso da farda, o transporte em viatura, os danos auditivos do toque da corneta?
Os militares das FA estão justamente revoltados com tanta benesse a favor da GNR. E, portanto, querem bani-las? Não, querem igual...
Miguel Sousa Tavares in Expresso

O texto acima, da autoria de Miguel Sousa Tavares (MST), faz parte de um artigo de opinião publicado no Expresso online de 8:00 Segunda-feira, 10 de Ago de 2009 e revela a bandalheira que se instalou no sector da administração pública.
Sei, por experiência própria, o que é a "caça" aos subsídios e suplementos e os efeitos nefastos que isso importa às organizações. Por isso, e apesar do estilo mordaz e de alguma falta de rigor da sua análise, vejo-me forçado a concordar com MST na crítica que faz ao sistema remuneratório que se criou para a GNR e às movimentações assolapadas das diversas associações profissionais das Forças Armadas que pretendem seguir na mesma "onda".
Já dizia um antigo magistrado que exerceu as elevadas funções de Inspector Geral da Administração Interna (IGAI), com uma dignidade e um brilho até agora inigualável, que as forças de segurança não tinham necessidade de ter um subsídio de risco porque a profissão é em si uma profissão de risco pelo que deve ser remunerada em conformidade.
O subsídio de risco nunca foi criado, apesar das múltiplas reivindicações das organizações associativas, mas foram criados inúmeros suplementos e subsídios, distribuídos muitas vezes a esmo, que serviram não só para "calar a boca" às associações profissionais mas também para colmatar sérias lacunas e derrapagens salariais verificadas principalmente no decurso da última década.
E quando tudo fazia prever que o novo estatuto remuneratório iria colocar um ponto final nesse problema, eis que a subsidiodependência surge agora, com maior ênfase, no projecto recentemente aprovado em Conselho de Ministros, agravado com a inclusão, no estatuto profissional, de um horário de referência de 36 horas semanais. Mal comparado, tudo isto se assemelha à guerra do recentemente extinto e já saudoso Raul Solnado, em que uns atacavam às segundas, quartas e sextas e os outros às terças, quintas e sábados. E ainda tinham um dia de descanso!
Não sei quem fez os estudos nem quem discutiu estes diplomas com o poder político. Posso, porém, afirmar que quem os fez não ponderou todos os inconvenientes do ponto de vista do interesse público. É que a segurança de pessoas e bens não tem um tempo definido, as funções policiais não se compadecem com um horário de referência, o seu exercício não se esgota num giro de seis, sete ou oito horas diárias, a distribuição de meios implica deslocações territoriais e desagregação familiar por longos períodos de tempo e a constante necessidade de auto formação concorre com os períodos de tempo de descanso ou de convívio familiar. Aliado a tudo isto há o dever de disponibilidade permanente, os juramentos de bandeira e de fidelidade e ainda o compromisso de honra, onde se promete servir a Pátria mesmo com o sacrifício da própria vida, a renúncia a muitos direitos cívicos e a proibição do exercício de actividades incompatíveis com a função. Sempre foram estas particularidades que deram legalidade aos responsáveis pelas forças de segurança para conceder aos seus elementos um salário superior ao de algumas franjas do leque de servidores do Estado e excepcionais condições de aposentação e aos agentes a necessária legitimidade para reivindicar melhores condições económicas.
A partir do momento em que pretensamente se aproximem e equiparem as diversas carreiras profissionais e o seu efectivo exercício tudo é possível que venha a acontecer, inclusivamente aguentar com o pau, porque as costas já as puseram a jeito.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Brandas ou Verandas?

Não abundam as referências aos pequenos aglomerados de casas que salpicam as montanhas da serra da Peneda. A fazer fé no dicionário Priberam, Branda é um nome utilizado no Minho para designar uma tapada ou pastagem nas montanhas. É alguma coisa mas muito pouco para descrever a importância das brandas na economia rural do Alto Minho e numa economia mais globalizada que é o turismo rural na actualidade.
O saudoso Padre Bernardo* foi um acérrimo defensor da Veranda. E justifica: "A palavra correcta é veranda, de verão, e bem o justifica o fenómeno etnológico de Castro Laboreiro onde a maioria do povo tem duas povoações, a saber, a veranda onde passa o verão e a maior parte do ano e a inverneira onde passa o inverno" .
Então porquê o uso tão comum de Branda? O mesmo Padre Bernardo explica: "A pronuncia estropiada de branda em vez de veranda compreende-se. Cá na região o povo substitui facilmente a letra v pelo b e diz binho, baca, cabalo, bista, o que explica a troca de pronúncia da primeira letra de veranda. A segunda letra da palavra, um «e» mudo antes de «r», esvai-se facilmente antes da pronúncia como em palavras semelhantes, ao menois cá no região onde o povo diz: esp'rança, pref'rência, ref'rência ..."
Pessoalmente inclino-me para Branda, que me desculpe o eminente teólogo, porque é assim que a minha gente pronuncia, porque é mais fácil, soa muito bem e assenta perfeitamente na paz de espírito, na brandura do clima e no sossego que ali se vive.
Para quem não souber, as brandas são (eram) pequenos aglomerados de casas simples, em geral com uma só divisão, quatro paredes e um tecto de telha vã, sem outro conforto que não fosse uma lareira para cozinhar e um cama, um catre de madeira com um enxergão de tomentos cheio de palha de centeio, eventualmente uma arca para guardar as provisões.
Em torno das casas ficam os campos de feno e as "tapadas", pequenas propriedades cercadas com muros de pedras soltas onde se recolhiam os animais para pastar e pernoitar, embora o maior manancial de pastagens venha dos extensos baldios que se alongam pela serra. Regra geral, em todas as brandas existe uma capela dedicada a um santo ou santa.
O acesso a esses lugarejos era feito a pé ou em carros de bois e apenas eram habitados pelos "brandeiros" após as sementeiras de Maio, regressando em Setembro para fazer as colheitas e também porque o aproximar do Inverno tornava a vida ali impossível.
Como bem escreveu Miguel Torga, "preparava a casa de inverno para quando chegasse a hora da transumância e toda a família —pais, irmãos, gados, pulgas e percevejos— descesse dos cortelhos da montanha para os cortelhos do vale, abrigados das neves".
A maior e talvez a única concentração de Brandas situa-se na Serra da Peneda, na confluência dos concelhos de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez, sendo as mais conhecidas a de S. Bento do Cando, a de Aveleira e a minha preferida, Santo António de Val de Poldros.
Outras existem, ou existiram, mas que vão perdendo significado porque vão sendo abandonadas: o meu Outeiro, Covelo, Mourim, Bouça dos Homens, Furado, Junqueira, Gorbelas, Bordença... e a Peneda, que foi branda mas o culto da Senhora das Neves transformou no maior centro mariano de peregrinação do Alto Minho.
Nesta época do ano aqueles lugarejos fervilham de vida, porque ali está-se de bem com Deus e com a Natureza.
E só agora fiquei a saber, através de uma telenovela realizada em Arcos de Valdevez por um conhecido canal privado de televisão, que os lobos são terríveis predadores de galinhas!!!

*PINTOR, Padre Manuel António Bernardo, Obra Histórica, Monção, 2005

terça-feira, 21 de julho de 2009

Perplexidade...

Foi o estado em que eu fiquei ao ler o aviso n.º 12770/2009, publicado no Diário da República, II Série, de 21 de Julho.
Trata-se de um "Procedimento Concursal para ocupação de um posto de trabalho na carreira/categoria de Assistente Operacional, na modalidade de Contrato de Trabalho em Funções Públicas por Tempo Indeterminado" e ainda constituir uma reserva de recrutamento válida por dezoito meses, o que vai gerar, certamente, muitas expectativas para quem procura um emprego.
Mas o que mais perplexidade causa é a descrição de funções e o grau de exigência das provas que os candidatos(as) têm de superar, bem como a catrefada de diplomas legais que têm de estudar para as mesmas.
No âmbito das funções a desempenhar "Compete genericamente ao Assistente Operacional, tal como previsto na caracterização da respectiva carreira no Mapa anexo à Lei n.º 12 -A/2008 de 27 de Fevereiro, funções de natureza executiva, às quais corresponde o grau de complexidade 1, de carácter manual ou mecânico, enquadradas em directivas gerais bem definidas e com graus de complexidade variáveis, a execução de tarefas de apoio elementares, indispensáveis ao funcionamento dos órgãos e serviços, as quais podem comportar esforço físico, implicando responsabilidade pelos equipamentos sob sua guarda e pela sua correcta utilização, procedendo quando necessário, à manutenção e reparação dos mesmos, designadamente, em conformidade com o estabelecido no Mapa de Pessoal da Inspecção -Geral da Administração Interna e tendo em conta as atribuições, competências e actividades da Secção de Processos e Expediente Geral, da Secção de Pessoal e de Economato, do Serviço de Inspecção e de Fiscalização, do Núcleo de Apoio Técnico e do Secretariado de Apoio à Direcção, tais que a reprodução de documentos e execução de todas as tarefas de apoio geral aos serviços e actividade da referida Secções e Serviços".
O resto pode ser lido aqui, se tiverem interesse e pachorra para tal.
Em duas palavras eu diria que o assistente operacional é o "burro de carga" o "pau para toda a obra", o correspondente numa concepção algo fora de moda a "mainato(a)".
Quase arriscava afirmar que os requisitos para ocupar cargos importantes nos órgãos superiores de direcção e administração das grandes EPs não são tão exigentes.
Pelo menos não consomem tanto espaço no DR.

sábado, 11 de julho de 2009

O Pote do Caldo

É bom parar um pouco, ver, observar, encontrar amigos de infância, conversar, recordar.
Foi o que me aconteceu uns dias atrás quando passeava descontraidamente pela pacatez e aconchego da histórica e secular vila de Monção. Na esplanada do Escondidinho encontrei dois “velhos” conterrâneos, vizinhos de Modelos e amigos: o Nelo do Púcaro e o Armando do Senso. Ambos fazem parte de uma geração um pouco anterior à minha e experimentaram o sabor amargo da emigração, no tempo em que se ia “a salto” para terras gaulesas por diversas razões mas principalmente devido a enormes carências económicas.
E foi em torno desta problemática que a conversa fluiu, quer em termos de análise da actualidade, quer recordando aqueles tempos e estabelecendo termos de comparação.
Naquele vasculhar e avivar de lembranças de outro tempo, discorremos sobre as lavradas (fiquei a saber que a última, no lugar de Modelos, era a do Jeremias, com direito a lançamento de um foguete e para a qual era feito convite através de uma criteriosa selecção), sobre os incidentes no exercício da pastorícia com as vezeiras que povoavam a serra, a asfixia dos povos da montanha com a política florestal implementada pelo Estado Novo e os proveitos que essa política também levou àqueles confins do mundo, as dificuldades por que passaram as famílias numerosas, nas quais nos integrávamos tanto eu como o Nelo, compostas por agregados familiares a rondar a dezena de elementos…
Aqui, o Armando, talvez porque na família dele, um agregado familiar de reduzida dimensão (seriam três ou quatro irmãos), não se teria feito sentir muita aflição para prover o sustento de todos, exclamou sorridente:
- Eh, pá! Devia ser complicado alimentar aquela gente toda!
Com o conhecimento de causa que a minha memória conserva retorqui:
- Não era nada, era só uma questão de fazer mais ou menos caldo…
Acrescentou o Nelo:
- É verdade, minha mãe tinha dois potes, um de sete e outro de nove tigelas…

sábado, 4 de julho de 2009

Raly Sprint (quê?)

Com o alto patrocínio das Câmaras Municipais de Monção e Melgaço, vai realizar-se a 18 de Julho um evento automobilístico designado "Raly Sprint Alvarinho".
Nada me move contra estes eventos mas o local para esta realização é que não me parece nada adequado.
Como se pode verificar no prospecto do programa, o percurso inicia-se junto da escola primária de Riba de Mouro, uma infraestrutura que se encontra encerrada por causa das novas políticas educacionais, desenvolve-se numa primeira fase, em jeito de aquecimento, até ao Monte do Santo e dali, em competição, até Bogalheiras .
O que certamente muita gente desconhece é que o itinerário assenta num antigo caminho florestal que rasgou a serra de Riba de Mouro até ao Batateiro, passando por Cavenca, Santo António de Val de Poldros e Aveleira e pelo caminho é fácil encontrar pessoase animaisDepois dos malfadados "birabentos", só faltava mais esta "novidade" para estragar o sossego e a harmonia das "minhas montanhas lindas".
E a designação "Alvarinho" será a propósito de quê?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Opróbio II

"Quem não se sente não é filho de boa gente", diz o povo, e eu, como filho do povo e de boa gente, senti-me ultrajado com o teor do vídeo a que aqui fiz alusão. Senti e agi em conformidade, alertando quem de direito para a afronta de que foi vítima a Instituição e, consequentemente, todos que dela fazemos parte.
A reacção foi firme e adequada.
Parece que, finalmente, a razão começa a prevalecer sobre a ignomínia e o Provedor do Espectador veio agora sugerir aos responsáveis que peçam desculpa à GNR. Isto já depois de o vídeo ter sido removido do site da RTP e do Sapo Vídeos.
Sobre o mesmo assunto foi igualmente publicado um artigo na versão impressa do JN de hoje, da autoria de Dina Margato, que procurou obter as reacções da RTP2, tendo-lhe sido dito que "nunca se pensou que o vídeo em questão pudesse ser interpretado fora da nota humorística que caracteriza o programa" e também do autor do "sketch" que se limitou a dizer "compreendo que possam ter-se sentido ofendidos, mas não foi minha intenção", entre outras "graças" de gosto duvidoso. É pouco, muito pouco, quer da parte da RTP2, quer da parte do autor.
O mínimo que se pode exigir é, efectivamente, um pedido de desculpas inequívoco já que os danos da ofensa irão prevalecer ligados à maléfica frase "adopte um gnr" e só o tempo determinará a real dimensão dos efeitos produzidos.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Opróbio

Aí está, ao mais alto nível, a nova vaga de "humoristas", que emerge do tempo em que se consolidaram as mais amplas liberdades. E com divulgação pública num órgão de comunicação social suportado pelos impostos dos contribuintes. O que aqui se vê e ouve não é uma sátira, nem uma rábula, nem uma anedota, nem um chiste... É uma refinada e baixíssima forma de insulto a uma instituição e aos milhares de elementos que nela exercem com dignidade a sua profissão.
Espero encontrar os responsáveis no único sítio onde se dirimem estes casos ou então deixarei de acreditar em conceitos como justiça, honra, dignidade, carácter, respeito...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ponto Final

Eduardo Discoli percorreu milhares de quilómetros a cavalo, com o inseparável "Chalchalero", mas foi encontrar o fim do mundo em Eilat, Israel, nação onde entrou em 4 de Agosto do ano passado, não podendo imaginar que se estava a meter num beco sem saída.
Agora surge o apelo à comunidade internacional com vista a angariar fundos para trasladar os cavalos para o Brasil e dali rumar a casa.
Aqui ficam as referências para o caso de alguém querer ajudar...

Banco (Bank en alemán) : Volksbank Nahe-Schaumberg eG
Nombre del poseedor: Guillermo Neis
Cuenta (Konto, en alemán) Nr.: 333913
IBAN: DE 40590995500000333913
BIC: GENODE51NOH
Motivo de la Transferencia: Eduardo Díscoli

terça-feira, 23 de junho de 2009

A Alguém que já não volta

Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental, Sonetos

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Para Aquecer

A coisa começou mal, isso já era sabido. Mas nunca pensei que a demagogia e a pouca vergonha fossem tão longe.
Entusiasmado com os incentivos apregoados para a aquisição de sistemas alternativos para aquecimento de águas sanitárias, pesquisei informação na internet e sondei alguns instaladores certificados.
Na internet está tudo bem explicadinho:
***
O Sol quando nasce é para todos. E a energia solar também.
Beneficie do programa de incentivo à utilização de energias renováveis, com condições especiais e garantia de poupança.
Vantagens na aquisição:
- Serviço "Chave-na-Mão": financiamento, equipamento e instalação;
- Manutenção e Garantia do equipamento assegurada durante 6 anos;
- Comparticipação imediata do Estado no valor fixo de € 1.641,70;
- Benefícios fiscais de 30% do custo do investimento em sede de IRS com máximo de €796;
- Cerca de 20% de poupança na factura do gás;
- Facilidade no processo de encomenda;
- 100% de financiamento em Crédito Individual/Pessoal com condições especiais:
- Euribor a 3 meses + 1,5%;
- Só pagará juros após instalação do equipamento;
- Possibilidade de pronto pagamento.
As Marcas:


Os Bancos:
Banif
BES
BPI
Caixa Geral de Depósitos
Crédito Agrícola
Millennium BCP
Montepio
SantanderTotta
Os preços (clique na imagem para aumentar):
Fonte: http://www.paineissolares.gov.pt/incentivo.html
***

Até aqui correu tudo bem, mas quando contactei alguns fornecedores e instaladores de equipamentos da mesma marca e nas mesmas condições fiquei estupefacto: É possível adquirir os mesmos produtos fora do programa de incentivos a preços inferiores aos praticados pelos bancos aderentes, mesmo contando com o desconto da parcela financiada pelo Estado. E ainda acresce o benefício fiscal através da dedução no IRS...
Afinal, a quem beneficia esta autêntica "banha da cobra" tão cara ao nosso primeiro?

Monção em Festa

Uma semana com dois feriados pelo meio pouco produtiva pode ser. O que vale é que com três dias de férias ganha-se um bom período de descanso. Descanso a sério porque o tempo a isso foi propício já que choveu continuamente até à quinta feira (11), dia do Corpo de Deus da antiga Festa da Coca e um dos feriados municipais de Monção.
No início da semana deparei-me com esta coisa em plena Praça Deuladeu, o antigo Terreiro, que constitui a "sala de visitas" da urbe.Dizem que foi na sequência de um evento ali realizado uns dias antes e que tinham um fim pedagógico porque o tema era a ecologia. Ainda bem que assim foi, só que talvez os serviços competentes devessem ter o cuidado de os remover de imediato, por causa das dúvidas...
Dúvidas que se dissiparam de seguida e no seu lugar repousaram por algumas horas a Coca Rabicha e a sua filha, fruto do casamento daquela com o dragão de Redondela.A procissão do Corpo de Deus é majestosa, principalmente pela representação das freguesias do concelho. Em primeiro plano encontra-se a representação de Riba de Mouro, a minha terra natal :)Também se pode apreciar a famosa Custódia, uma obra prima da ourivesaria portuguesa do Séc XVI.No final, o torneio no recinto do Souto congregou as atenções de imensa gente mas para que possam apreciar o evento e muito mais remeto para o álbum do Silvano, que pelos vistos esteve lá, ao contrário de mim que preferi ficar à sombra a deliciar-me com uma saborosa cerveja.
Paralelamente, o alvarinho ia pregando as suas partidas... Para quem não sabe, deixo aqui um conselho: o vinho alvarinho deve beber-se de pé porque se estivermos sentados corremos o risco de não nos conseguirmos levantar.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Panga

Tenho um hobby terrível: jogar bridge online. Faço-o num sítio made in USA e a maioria dos jogadores são também made in USA. Aparece por ali de tudo: jogadores com fair-play e outros nem tanto, diria mesmo que são grosseiros e malcriados. E só admitem que se "fale" em inglês. Quando as coisas não lhes correm bem, os maus jogadores logo digitam "idiot", "moron" e outros mimos talvez piores. Claro que eu não sei como se diz "cabrão" em inglês mas em português bem vernáculo chamo-lhes de tudo. Há dias, depois de quase esgotar a minha lista de palavras injuriosas para cima de um "gajo" que me estava a arreliar, vi escrito assim na caixa de diálogo: comes merda... Quis-me parecer que o tal sobrinho de Sam percebeu que por ali não ia bem e decidiu atacar-me com o que conseguiu arranjar em português. Claro que não me ofendeu minimamente. Além do mais é uma verdade. Nesta economia globalizada todos os dias comemos uma certa quantidade de merda. Se não vejam o vídeo:



A aquacultura será, num futuro muito próximo, a única forma de colocar peixe no mercado para alimentação humana mas saberemos bem o que vamos ter na mesa na hora da refeição?
Vem isto a propósito de um email que me enviaram a dar conta da existência no mercado de "peixe-gato" que sabe a... àquela coisa... e da origem desse produto. Eu próprio já consumi disso, adquirido a muito bom preço no Jumbo, numa daquelas promoções com 60% de desconto e confesso que até gostei.
Como também já consumi e gostava muito de trutas grelhadas, sim dessas que se criam em tanques e se alimentam com umas rações esquisitas. Gostava, disse, porque após ter ido a uma dessas explorações e ter visto a forma como são alimentadas fiquei com vómitos e deixaram de fazer parte da minha dieta.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Campeones

Alto Minho

Um conterrâneo de Tangil tem um acervo fotográfico do melhor que há, como se pode observar em diversos álbuns e sítios da web.
Aqui podemos apreciar uma das facetas mais lindas das nossas "montanhas lindas" e também outras coisas belíssimas, entre as quais as últimas realizações da autarquia de Monção no sentido de tornar o parque das Caldas um local ainda mais aprazível.
Ao Silvano um muito obrigado.

Novo Contador

Como o antigo contador de visitas falhou, procurei um novo e encontrei este que, no mínimo, tem uma bela apresentação.
Como podem verificar, a partir de agora estou "de olho" em vocês;)
Claro que apenas dá indicação das visitas recebidas a partir da sua colocação que ocorreu em 23 do corrente mês mas isso nem sequer é muito importante. Importante é a certeza de que as minhas visitas são as melhores do mundo!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um Homem não Chora?


Chora sim. Mesmo que não se vejam as lágrimas chora. E é uma ideia brilhante, mostrar às pessoas, às gerações diversas, que nós humanos manifestamos sentimentos adversos e erramos.
Penso que todos passamos pelas fases mais contraditórias. A visão deste vídeo evocou-me bem a falta de paciência que quase sempre manifestava para atar os cordões das botas de meu Pai, porque ele não conseguia lá chegar devido a uma deficiência crónica após um trágico acidente, e recrimino-me por isso. Lembrei-me também do esforço que ele fazia, deitado, com a perna esquerda dobrada apenas pelo joelho para conseguir chegar aos atacadores, sempre que decidia fazê-lo ele sem nos aborrecer, ou quando nos enfastiávamos com as suas conversas, porque era um conversador nato e fazia-lhe falta conversar, e também me recrimino por isso.
Só que de nada vale esta auto-flagelação ou auto-comiseração. Hoje teria procedimentos e atitudes diferentes mas... é tarde. Muito tarde...
Desculpa Pai.


PS: Um agradecimento especial à Catarina C. pela sua postagem que me indicou o caminho.

domingo, 24 de maio de 2009

Espanholês?


Os aplausos e os sorrisos estampados no rosto da distinta assistência são, seguramente, para os dotes oratórios do nosso primeiro em espanholês. Assim é que é falar...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Do Rio Tua ao Rio Pinhão - Arguido

O comprador das castanhas era um daqueles indivíduos que olhamos para eles e algo nos diz estarmos perante um refinado patife. Baixote, “redondo”, é melhor de caracterizar se imaginarmos a cabeça em forma esférica em cima do tronco também esférico mas com um perímetro muito superior e duas grossas estacas com botas na extremidade inferior a segurar aquilo tudo… No meio da cara abolachada pontuavam dois olhitos pequenitos, traiçoeiros, mais parecidos com os de uma ratazana. Confesso que nunca lhe confiaria um alqueire de castanhas, muito menos um carregamento no valor de muitas centenas de contos.

Se gostaram deste excerto, podem continuar a ler. A história integral encontra-se aqui.

domingo, 17 de maio de 2009

O Apóstolo do Kamasutra

Eis uma nova forma de exercer o apostolado divino. Finalmente alguém que contraria a teoria agostiniana de que o sexo só é permitido na posição papá-mamã e exclusivamente para procriar.
Diz o venerando capuchinho que "El matrimonio puede demostrar su amor de todas las formas posibles. Esto puede incluir estimulación manual u oral" e que "Todo acto, caricia o posición sexual que tiene como objetivo la excitación del cónyuge está permitido, y agrada a Dios. Durante el acto sexual, el matrimonio puede demostrar su amor de todas las formas posibles, y brindarle al otro las caricias más deseadas".
Assim é que é falar. Não tenho a mais pequena dúvida que a pregar assim não lhe vão faltar "ovelhas" para apascentar.
E se o Agostinho foi santo, este também merece o seu lugar entre os oragos mais distintos.
Se quiserem ver mais podem ler aqui, comprar o livro, ou ir ao seu site, ou de férias até ao mosteiro de Stalowa Wola que é onde ele recebe quem recorre aos seus serviços.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A Caminho de Bruxelas

Há muitos problemas para resolver neste País que nós, portugueses, tanto amamos. Um deles, talvez o mais premente, é o das justiças. A justiça que (não) se faz nos Tribunais, a justiça tributária e também a justiça social.
Eu aprecio as pessoas que se batem para que lhes seja feita justiça, não os justiceiros, mas aqueles que sofrem as injustiças da justiça, seja ela qual for.
São muitos os casos, alguns até hilariantes, em que a administração não faz justiça àqueles que são a sua principal razão de existir mas que se resolvem de uma penada logo que o escândalo é denunciado pelos órgãos de comunicação social, principalmente a televisão: ninguém quer passar para a opinião pública uma imagem de incompetência...
O caso que hoje me inspira é merecedor da máxima divulgação porque revela o que de mais sórdido pode suceder numa sociedade que, apesar de se reconhecer evoluída, me parece estar mais próxima da idade média.
José Leones Lima é um cidadão minhoto, nascido na Ribeira Lima e a residir em Viana do Castelo, detentor de uma força de vontade daquelas de "antes quebrar que torcer". A força quebrou, sim, num vil acidente de trabalho que o atirou para uma cadeira de rodas com uma incapacidade parcial permanente de 80%, mas a vontade redobrou.
Por força disso foi-lhe atribuída pela Segurança Social uma reforma de 180 euros e um complemento de dependência no valor de 97 euros, uma miséria comparada com as rendas de várias centenas atribuídas a mandriões preguiçosos e oportunistas através do RSI, não se sabe com que critérios.
Só que o Homem não se acomodou à cadeira e tem recorrido a tudo que lhe é possível para viver com dignidade. Escreveu vários livros e criou a sua própria editora , o que lhe permite amealhar mais alguns trocos. Porém, o "Big Brother" está de olho nele e por causa das rendas "astronómicas" que deverá andar a angaria como resultado da sua actividade literária e empresarial vai de lhe retirar o complemento de dependência, já que na reforma não se pode tocar.
Assim se cumpre a lei, dizem, mas o que talvez não estivesse nas conjecturas de quem tomou tal decisão é que o Homem tem argumentos de sobra para colocar em causa não só as pessoas mas o próprio sistema.
Já efectuou uma volta a Portugal em cadeira de rodas (VPCR ) para denunciar a falta de oportunidades e de infraestruturas que contemplem as necessidades especiais das pessoas com deficiência e agora propõe-se percorrer, pasme-se, a distância de 2300 quilómetros, até Bruxelas, para denunciar este acto da administração que acreditamos estar de acordo com a lei mas que humanamente está ferido de uma imensurável injustiça.
Força JOSÉ!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Alvarinho e fumeiro

Decorreu em Melgaço entre os dias um e três de Maio o evento destinado a divulgar produtos regionais que são o que de melhor se produz na região. E sendo produtos de peso considerável na economia local serviu também para testar os efeitos da crise que tanto preocupa.
Pelo que me foi dado observar, por ali tudo continua a "navegar" sem grandes turbulências e fiquei impressionado não só com a imensa massa humana que demandou o recinto situado nas bordas do antigo burgo mas pelo contagiante consumismo desenfreado que estava instalado em torno de tudo que se relacionava com comidas e bebidas.
E também me foi referido, por quem lá esteve durante todo o evento, que o primeiro dia esgotou os stoks de fumeiro. Talvez por essa razão "enfiei" um barrete enorme quando consegui uma pequena dose do famoso presunto de Castro Laboreiro, que evidenciava o escasso tempo de cura e sal a mais.
Penso que naquelas circunstâncias mais valia venderem "jamon" galego, salvaguardando devidamente a proveniência, que seria consumido com o mesmo agrado e resultaria também em excelente negócio, sem adulterar um produto que se requer genuinamente regional.
Do vinho não vale a pena falar. O alvarinho bebe-se sempre com prazer. Surpresas só para quem desconhece as suas virtualidades e pensa que é água.
A picanha no "Sabino" também estava boa e o proprietário, novel confrade da Confraria do Alvarinho, demonstrou atenção e disponibilidade para a vasta clientela fora do comum, o que fica sempre bem.
Veremos o que nos reserva Monção, de 10 a 14 de Junho.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Deserção

"Em Portugal não há condições para investir mais. Somos um país endividado. O país não tem um bom governo, no Parlamento não se discute os problemas do país. Não conheço nenhum governo, este ou os anteriores, que diga: nós temos um plano a vários anos e que ninguém vai mudar".
"... passo tempo a falar com os meus netos a dizer-lhes que têm de ir trabalhar para fora de Portugal. Quando aconteceu o 25 de Abril, organizei debates com os meus filhos para lhes explicar o que eram os partidos e a democracia. E agora estou a tentar fazer o mesmo com os meus netos".
"A corrupção é o que de mais perigoso existe numa empresa. A uma dada altura, você não sabe quem é o corrupto, se os locais se os seus funcionários. Em segundo lugar, existem problemas gravíssimos de desalfandegamento das mercadorias nos portos. E depois, como é que se distribui em Angola? É preciso camiões, estradas, segurança. E nada disso existe. As pessoas quando falam em Angola, pensam só em Luanda. E ainda é preciso poder de compra. Não são só meia dúzia de clientes".
Quem falou assim foi Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo "Jerónimo Martins", numa entrevista concedida ao novo jornal diário "i" e que podem ver na integra aqui.
O homem não tem papas na língua e já não é a primeira vez que mete a boca no "trombone" para denunciar a incompetência e a mesquinhez da classe política portuguesa.
De facto, sempre que se verifica uma mudança de governo assistimos à "rotação" de cadeiras, à formação de novos lobies, à defesa de novos interesses, a reformas de mobiliário dos gabinetes e da frota automóvel, como se fosse necessário estar sempre a começar do nada, e se a tesouraria mirrar aplica-se mais um imposto ou uma taxa. Em relação ao médio e longo prazo, é como diz o povo: o futuro a Deus pertence...
E não deixa de ser dramática a afirmação de que os netos terão de estar preparados para emigrar.
Infelizmente penso do mesmo modo, por muito que isso me venha a doer no futuro.

sábado, 9 de maio de 2009

De puta madre!!!

A história tem-nos ensinado que nem sempre as coisas são o que parecem. São inúmeros os casos em que os elementos dos grupos de resistência armada pela libertação de um determinado território ou pela autonomia de um povo são designados de terroristas para mais tarde serem venerados como heróis. Foi assim em Israel, em Angola, em Moçambique, na Guiné Bissau, o mesmo acontece actualmente na Palestina e no País Basco e muitos outros exemplos poderíamos apresentar...
Em regra são movimentos armados que desencadeiam uma guerra com os meios de que dispõem e com objectivos bem definidos. Outros casos há cujos objectivos se revestem de contornos obscuros e que mais parece tratar-se de meros criminosos cujas acções servem apenas para roubar e extorquir grossas maquias, mesmo que para tal deixem um rasto de sangue hediondo.
Parece-me ser este o caso do Grupo de Resistência Antifacista Primeiro de Outubro (GRAPO) que opera na vizinha Espanha desde 1977. Três elementos deste grupo estão a ser julgados pelo assassinato da empresária Ana Isabel Herrero em 2006 e um deles, dirigindo-se ao fiscal, figura que corresponde no nosso ordenamento judicial ao Delegado do Ministério Público, atirou-lhe com este mimo: "Arrepentido estará tu puta madre, gran hijo de puta. No vuelvas a decir eso, cabrón, eso es una provocación".
Até para se ser terrorista é preciso ter nível...

É a vida...

... Mas ainda nos surpreende. Soube ontem que o Manuel Lobato faleceu. Era o Presidente da Junta da minha freguesia, Riba de Mouro, e um homem da minha criação.
Conheci-o desde muito jovem, quando nos encontrávamos no adro da Igreja onde frequentávamos a catequese, depois de percorrer vários quilómetros de caminho, ele desde Quintela, do outro lado do Rio Mouro, eu desde Cavenca, lá do alto da serra.
Depois seguiu na senda de muitos outros pelos trilhos da emigração, regressou e aventurou-se na construção civil, creio que com sucesso.
Ainda lhe sobrou tempo para participar na criação de um clube de futebol, de animar um conjunto musical e dedicar-se à política.
Muito mais poderia ainda realizar se não fosse a velha da gadanha que o levou prematuramente.
À família enlutada endereço daqui os meus sentidos pêsames.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Avaliação de Desempenho

“Maior actividade operacional. Objectivo: 250 detenções”
Consta que foi assim que alguns comandantes de Esquadra definiram como objectivo para o ano em curso o aumento da actividade operacional, facto que tem gerado alguma polémica.
Podem-se apresentar inúmeros argumentos a favor e contra. Parece que o principal pretexto reside no facto de se ter assistido a um incremento da criminalidade nos últimos tempos.
Eu perfilo-me contra esta forma de avaliação de desempenho e explico porquê.
Quando ingressei na GNR havia um período de instrução muito curto que exigia grande poder de síntese. Então, descrevia-se a forma como se executava a missão em três palavras: prevenir, educar, reprimir.
Para as mentes mais sensíveis importa esclarecer que o termo "repressão" era usado sem conotações políticas e tinha o mesmo significado que o actual, isto é, suster uma acção (ilegal), proibir actos (ilegais), punir infracções...
Cada uma daquelas modalidades de actuação definia um nível de importância relativa, começando-se pela que se considerava mais importante. Já naquele tempo se entendia, tal como acontece com a "gripe suína" que actualmente aflige o mundo, que a melhor forma de combater uma epidemia era a prevenção.
Num cenário de previsível aumento da criminalidade é importante responder com um maior esforço de prevenção através do incremento da actividade operacional, a qual deverá reflectir um menor número de delitos e, consequentemente, das detenções e autuações. Nesta perspectiva, o objecto de avaliação teria necessariamente, como referência, uma diminuição das detenções e não o contrário.
Impor um objectivo da natureza do que terá sido imposto aos agentes da PSP é como avaliar um médico de acordo com o número de óbitos que certifique ou um professor em conformidade com as reprovações que se verifiquem na sua disciplina.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Desabafos

Juro que não tenho estado de braços cruzados à espera de algo que me faça sorrir mas acho que mais vale esperar sentado. Os sinais continuam a ser muito preocupantes e à minha volta tenho observado sintomas de inquietação que me deixam deveras apreensivo. É que o melhor activo que uma organização pode deter são mesmo as pessoas mas não podem ser pessoas deprimidas e ansiosas por “abandonar o barco”. Têm de ser pessoas motivadas e animadas, que se sintam úteis e que vejam o seu desempenho valorizado e reconhecido do ponto de vista institucional, social e económico. Mas quando me deparo com elementos com capacidades, potencialidades e perfil para poder continuar activos por muito mais tempo a contar as semanas, os meses ou os anos para debandarem como quem anseia ver-se livre de um grilhão que apenas causa sofrimento algo vai mal…

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Aleluia


A todos os meus leitores desejo uma boa Páscoa. Para a semana há mais!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Duas formas, a mesma mensagem

Já é tempo de dizer algo. Mas, mesmo sem me manifestar como vinha sendo habitual, não tenho deixado de estar atento às actualidades. Hoje vem à colação duas formas diferentes de descrever os tempos de crise que atravessamos e que, em meu entender, dizem o mesmo. Os seus autores são figuras bem conhecidas. De um lado, José Saramago, escritor laureado, humanista, comunista assumido, um autêntico self made man e um mestre na arte de escrever, cujos cadernos já são para mim uma referência de leitura obrigatória, em meia dúzia de linhas mostra-nos a outra leitura da crise, uma visão límpida das vicissitudes destes tempos, da sociedade de consumo em que vivemos atolados e sobre a qual é necessário e urgente reflectir. Do outro o médico, escritor, humanista e activista dos direitos humanos, um homem que não se limita a falar e que tem passado a vida a bater-se contra a indiferença com que vemos cavar cada vez mais fundo o fosso entre ricos e pobres, fala da globalização e das diferenças entre o "TER", conceito materialista dominante que conduziu a economia mundial e a sociedade em geral ao estado em que se encontra e o "SER", uma concepção de vida baseada em valores como "humanidade, consciência social, livre arbítrio, liberdade, igualdade, fraternidade, solidariedade, cultura, preocupação ambiental, ecumenismo, tolerância, aceitação e preocupação do outro".
Vale a pena ler e refletir...

segunda-feira, 30 de março de 2009

O "Risadas"

"O jogo de futebol realizado no estádio do Alijoense, da primeira divisão distrital da Associação de Futebol de Vila Real, terminou sem quaisquer incidentes e o “Risadas” até se permitiu dispensar a protecção da força policial, mesmo antes de entrar para os balneários."

Retomamos o registo de Memórias que o tempo não apaga e aqui fica um dos muitos episódios que contribuíram para que eu passasse a detestar os jogos de futebol ao vivo.
É que à margem de espectáculos, em geral de uma pobreza confrangedora, assiste-se a transmutações de personalidade relativamente a pessoas que no dia a dia são cidadãos exemplares e ali revelam uma faceta completamente desconhecida passando a agir como autênticas bestas.

quarta-feira, 25 de março de 2009

domingo, 15 de março de 2009

Insulto

O primeiro-ministro acusa os sindicatos afectos à CGTP de se deixarem instrumentalizar pelo PCP e do BE e queixou-se de as manifestações se limitarem ao insulto.

Mais do mesmo. O "nosso" primeiro teima em ver nas reacções das pessoas a acção dos malditos comunistas...
Faz-me recordar aquele jovem árbitro que recolhia aos balneários escoltado pela magra força policial sob um chorrilho de insultos e vaias de umas centenas de adeptos em fúria e muito ofendido volta-se para mim e diz: Ó senhor comandante, não vê que me estão a insultar? O senhor quando se meteu nisto estava à espera de quê? retorqui.

(In)Segurança

Indivíduo, de 42 anos, suspeito de furtar dinheiro a uma idosa de Refoios (Ponte de Lima), foi detido e amarrado por duas mulheres, que lhe fizeram uma espera munidas de paus. À GNR, terá confessado a autoria dos furtos.

Quando tanto se debate sobre insegurança, tenho a impressão que aquelas duas arrojadas minhotas deram o mote para debelar esse flagelo social. Não sou, nunca fui, apaniguado da justiça popular mas para resolver algumas coisas sempre será bom "suspender temporariamente a democracia".
Opss... acho que já vi isto em qualquer lado...

sábado, 14 de março de 2009

Dia Mundial da Incontinência Urinária

14 de Março: Dia Mundial da incontinência urinária
A incontinência urinária não afecta tanto os homens porque nós sempre temos a possibilidade de dar um nó na "berga" mas as mulheres, coitadas, é uma desgraça. Dizem que uma em cada cinco sofre desse problema, se calhar é mais...
Mas isto de se instituir um dia mundial para tudo não será demais? E porquê 14 de Março?
Já agora, vamos criar o dia universal da preguiça. Devia ser bonito, todo o mundo a preguiçar...
Então, contra a incontinência...
A la ordem mi general...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Outras Oportunidades

Angola tem um potencial de negócios elevado. Não há que negá-lo. Mas foi deprimente ver todos aqueles lambe-cus, da área politica e empresarial a bajular o presidente, há mais de vinte anos no poder sem para tal ter sido elegido, e os membros da sua comitiva. Uns muito cordatos e subservientes, outros como abutres farejando a preia. Fica-se com a sensação de que existe um certo saudosismo do passado, semelhante ao sentimento despertado pela célebre frase do António de Santa Comba quando declarou solenemente "para Angola e em força". Mas se o objectivo for o lucro fácil não se iludam. A situação actual não é a mesma de há sessenta anos atrás e agora quem manda lá são eles...

11 de Março

Nesse dia (11 de Março de 1975), encontrava-me no Regimento de Infantaria n.º 6, no Porto, onde me especializava na arte da condução auto, e a meio da manhã fui guarnecer um posto de sentinela junto do parque das viaturas, armado com uma espingarda automática G3. Ainda hoje estou à espera que me digam qual era a minha missão ali, mas cumpri-a cabalmente. Por ali, posso garantir, eles não passaram.

O resto está algures.

sábado, 7 de março de 2009

Do Rio Tua ao Rio Pinhão - Direito à Liberdade e à Segurança

...
Era um indivíduo bem apresentado, de mediana idade e notava-se que sabia bem o que queria e como obtê-lo. A presença a seu lado, ou atrás, de um graduado policial em pré aposentação denotava algum cuidado com a sua segurança pessoal e avalizava a intervenção naquele evento.

...

É mais um episódio do dia-a-dia de um tempo que já lá vai. Este parágrafo serve apenas para "aguçar" o apetite. O resto está ali.

quinta-feira, 5 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

Novas Oportunidades

Trinta e cinco mil dos 49 mil elementos que compunham o efectivo da GNR e da PSP, em 2006, não possuía qualificações ao nível do ensino secundário. Este número representava cerca de 75% do total dos homens ao serviço nestas duas forças de segurança. No entanto, os elementos com o 12.º ano têm vindo a aumentar naquelas duas forças de segurança: na PSP são já 35% (dos 22 mil elementos que actualmente integram aquela corporação) os agentes com esse grau de escolaridade; e na GNR cerca de 10% (dos 45 mil militares).

Recebi-o com o respeito e apreço que sempre me mereceram os mais velhos, um modo de proceder que noutros tempos fazia parte da criação.
O Cabo João Sousa era já octogenário mas com todas as faculdades intactas. Apesar do seu semblante sisudo, muito comum à generalidade dos que no seu tempo exerceram a espinhosa função de agente da autoridade, era um homem afável, de palavra fácil, detentor de uma vasta experiência de vida. Foi ao Posto entregar um recibo de uma consulta médica para ser reembolsado da comparticipação que lhe era devida pelos serviços de assistência na doença, uma bagatela que não se podia dispensar.
Para o efeito era necessário preencher um documento em quadruplicado, manualmente, que só o trabalho de tentar acertar os espaços em branco na velha "Olivetti" era suficiente para demover os mais ousados.
Prontifiquei-me a preencher os papéis, um a um, mas o Cabo Sousa, de forma educada, recusou. Disse-me que gostava de escrever, só precisava de se sentar um bocadinho numa secretária que do resto tratava ele. Algo envergonhado, não insisti. Disponibilizei-lhe o espaço e forneci-lhe os impressos de modelo obrigatório. Com mão firme e traço impecável, desenhou os caracteres necessários ao preenchimento dos documentos, entregou-mos e, despedindo-se com a mesma afabilidade, foi à sua vida.
Apreciei a dignidade da atitude e a beleza da escrita impressa naqueles papéis pelo punho do ancião, uma caligrafia escorreita, quase desenhada, que me parece ser muito comum naqueles tempos pelo que se pode observar em inúmeros documentos da época.
O Cabo Sousa não tinha, seguramente, outras habilitações que não fosse o ensino básico obrigatório o qual se deveria cingir à terceira ou quarta classe, muitas vezes obtidas nas aulas regimentais, uma função social importante que as instituições militares cumpriam de forma notável. Porém, os seus conhecimentos eram, de certeza, de nível muito superior. Só que não havia certificação de competências e… o saber acumulado assim permaneceu sem reconhecimento ao longo da sua vida profissional e pessoal.
A vida é mesmo assim. Um aprendizado permanente impulsionado pela necessidade de saber mais, pela prática de inúmeros erros que importa corrigir, pela vontade de desenvolver competências para ascender hierarquicamente, pela simples curiosidade, realização e satisfação pessoal que daí advém.
Conheço muitos outros trabalhadores que, com muitos sacrifícios de toda a ordem, obtiveram habilitações de nível superior, conjugando a actividade profissional com o estudo. Eu próprio passei por essa experiência e mais de uma vez tive de abandonar as salas de aulas para acorrer às minhas obrigações de serviço. De entre todas destaco duas, uma para dirigir as acções a desenvolver num caso de homicídio, outra para transportar uma mulher para o Hospital onde, pouco tempo depois de ali ter entrado, deu à luz uma linda menina, minha filha.
No meu caso pessoal, esses sacrifícios permitiram-me atingir as metas estabelecidas. Muitos outros com qualificações de nível superior continuam a ser Soldados (ainda não me habituei a usar a nova designação de Guardas), Cabos ou Sargentos. Certamente que os serviços onde desenvolvem as suas profissões beneficiam muito das competências adquiridas pelos funcionários. Do ponto de vista institucional é gratificante poder proclamar que o nível de escolaridade melhorou substancialmente mas do ponto de vista pessoal resulta muita frustração. É que não basta reconhecer as habilitações. É preciso também reconhecer o esforço e a excelência do serviço prestado com algo mais do que um mero diploma.
Afinal, para que serve o reconhecimento, certificação e validação de competências cujas virtualidades são proclamadas aos quatro ventos?
Eu atrever-me-ia a dizer que serve apenas interesses difusos no submundo do oportunismo político e económico mas não quero que me acusem de má-língua.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Leon Machado - Os seis pecados de Saramago

Já é um texto bastante antigo mas vale a pena lê-lo. Acho eu.

José Saramago foi o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhar o Prémio Nobel da Literatura. Isto deveria ser motivo de júbilo para todos os falantes da língua e, particularmente, para nós, uma vez que o escritor nasceu em Portugal. Não tem sido, de facto, assim. Isto porque o escritor cometeu seis pecados mortais:
O Saramago é um vaidosão. Vejam-se os volumes do diário, um verdadeiro manifesto narcisista que faz morder-se de inveja qualquer pobre escriba que o leia e que tenha pretensões a um dia vir a ser falado fora do país.
O Saramago é um comunista assumido. Numa altura em que essa praga do comunismo anda pelas ruas do amargura, o escritor, numa teima de velho, mantém-se fiel a Marx e a Lenine. Deu-se o descalabro soviético, caiu o muro de Berlim, debandaram os comunistas em massa e Saramago manteve-se firme como a grande pedra que encima a porta da igreja do convento de Mafra.
O Saramago é um ateu confesso. Deus para ele é uma criação da imaginação do homem. Perguntar-se-á quem criou a imaginação. Para isso ele não tem resposta. Veja-se o vergonhoso e blasfemo livro que parodia os santos Evangelhos e que, só por o ter pensado, sem mesmo escrevê-lo, mereceria, senão a fogueira cá, que se não usa por ser coisa do passado, pelo menos a fogueira no outro mundo.
O Saramago é um traidor porque abandonou a terra que lhe deu o ser, que o tornou um autor conhecido. Diz ele que o país o não merece, que é superior a tudo isto. E então não perde oportunidade para humilhar os que cá vivem, inventando as maiores mentiras, enegrecendo o que aqui é sol luminoso em céu aberto.
O Saramago enriqueceu à custa dos ingénuos que lhe compram os livros. Uns, poucos, porque aquilo que escreve é intragável, lêem-no como quem lê os sagrados textos. Até fazem, diz-se, umas missas demoníacas onde se lêem passagens do tal blasfemo livro. Outros compram-lhe os livros porque está na moda e parece bem ter uma dúzia daqueles volumes em amarelo desbotado nas estantes da sala.
O Saramago não sabe escrever. É um facto indiscutível. Disse-o já o Padre Minhava, um eminente filólogo e linguísta da nossa praça. Nem conhece os números, pois não numera os capítulos. A pontuação é o que se vê. Anda a gente à procura de um ponto final e encontra uma vírgula, e quando a encontra, que muitas vezes o que encontra é um verbo fora do sítio que nem consta do dicionário. O Saramago não tem a mínima noção do que é o bom estilo e vê-se bem que nunca leu os clássicos, como o Padre António Vieira, o Camilo, o Eça ou o Fernando Pessoa. A gramática do Lindley Cintra não a conhece e a sintaxe das frases que escreve enferma de ignorância.
A maledicência, a inveja, a má intenção, o preconceito, o sectarismo e a desinformação fazem coro no que acima fica dito. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!
Quando um atleta ganha uma corrida ou a selecção nacional ganha um jogo de futebol, Portugal está em festa e não há ninguém que não se sinta orgulhoso de ser português. Ganhou Saramago o prémio Nobel e dividem-se as opiniões e os que deveriam ser os primeiros a louvar, ou louvam-no a metade – «Eu não gosto do Saramago, mas estou satisfeito que ele tenha ganho o prémio» – ou simplesmente o lamentam – «Havia outros que o mereciam mais». Ouvem-se por aí coisas como esta: «É uma vergonha para o país os Suecos premiarem um indivíduo comunista que nem sabe escrever.»
Acontece que José Saramago é o escritor português, vivo ou morto, mais traduzido e mais lido fora do país. Poderá pôr-se a questão de ser ele ou não o melhor escritor português. Aí as opiniões divergem e cada um tem os seus gostos. O facto indiscutível é este: José Saramago é o escritor português mais conhecido no estrangeiro e só ele, presentemente, poderia ter ganho o Prémio Nobel da Literatura. Convençam-se os Portugueses e deixem-se de preconceitos religiosos e partidários e de invejas mesquinhas. A propósito: Já o leram? Se não o leram, leiam.

José Leon Machado: Pontapés do Canto
In: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/letras/machad12.htm

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pedro Macau II


"Viagem ao Princípio do Mundo" (França-Portugal, 1997), de Manoel de Oliveira, o centenário cineasta ainda em actividade, com Marcello Mastroiani como protagonista, passou há dias na RTPi.
Parece que em Portugal não lhe foi dado grande destaque, não admira. Eu também prefiro as produções holliwoodescas...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Revolta Silenciosa

"António Duarte Arnault (Cumieira, Concelho de Penela, 1936) é poeta, ficcionista, ensaísta, advogado, maçom e político português que ocupou o cargo de Ministro dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional".
É assim que vem apresentado o "retrato" do velho socialista na Wikipédia, seguindo-se um desenvolvimento mais detalhado da vida e obra de um dos fundadores do Partido Socialista Português.
Foi-lhe atribuido o epíteto de "pai" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) porque foi o seu principal mentor, numa fugaz passagem pela governação em democracia.
Ontem foi entrevistado pela SIC sobre o financiameto do SNS e mostrou-se crítico em relação à introdução de taxas moderadoras nos internamentos e cirurgias de ambulatório.
Gostei de o ouvir, abordando o tema de uma forma clara, despida de preconceitos e reveladora das marcas profundas de um ideal político que abandonou prematuramente, desencantado com o rumo definido pelos ideólogos do partido.
Sem atirar pedras contra ninguém, terminou manifestando esperança no partido que sempre foi o dele mas aqui a emoção atraiçoou-o e... chorou...
É um aviso muito sério. A capacidade de calar a revolta e a indignação tem limites.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Estauto do Trabalhador-Estudante - Funções Públicas

Na sequência do anterior post, aqui fica a ligação para a legislação aplicável aos trabalhadores que exercem funções públicas na modalidade de nomeação, aplicável desde 1 de Janeiro do corrente ano.
Alerta-se para o facto de se tratar de matéria de aplicação geral com ressalva dos casos em que exista legislação especial (art. 8.º, e) da Lei n.º 59/2008).

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Estauto do Trabalhador-Estudante

Entrou em vigor o novo Código do Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro.
Como tenho constatado, através do Sitemeter, que há bastante pesquisa de informação nesta matéria, aqui fica a parte respeitante aos trabalhadores-estudantes.
Fica também uma chamada de atenção para a norma revogatória constante no artigo 12.º da referida Lei, designadamente na alínea h) do número 6, que trata da regulamentação respectiva regulamentação, actualmente desenvolvida na Lei n.º 35/2004, de 29 de Julho e que se mantém válida até ser produzido o diploma que vai regulamentar o actual CT.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Alborada Galega


Curta mas cheia de significado, eis uma magistral interpretação da célebre "Alborada Galega", interpretada por Moncho García diante da tumba de Pascual Veiga, seu autor, em Mondoñedo.

Neocolonialismo Agrário

"A terra é um assunto muito sensível. Sempre provocou paixões. Representa uma parte da identidade dos povos. Tocar neste símbolo pode acabar mal".

Para aqueles que pensam que o problema da alimentação se resume às bancas dos supermercados aqui fica um excelente artigo a merecer reflexão profunda, principalmente daqueles que detêm o poder de delinear políticas e estabelecer regras para ocupação dos solos. Já assim foi nos longínquos tempos do Rei D. Fernando...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dia dos Namorados

Não é a rosa mais linda do mundo mas... é a minha "Rosa"!
Feliz Dia dos Namorados.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Oração de Sapiência - Os Sete Sapatos Sujos

...
Todos os dias somos confrontados com o apelo exaltante de combater a pobreza. E todos nós, de modo generoso e patriótico, queremos participar nessa batalha. Existem, no entanto, várias formas de pobreza. E há, entre todas, uma que escapa às estatísticas e aos indicadores numéricos: é a penúria da nossa reflexão sobre nós mesmos.
...

Isto e muito mais pode ser lido aqui, onde também se encontram as referências ao sítio de onde foi feito o necessário copy.
Também nós devíamos deitar fora alguns "sapatos"...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Cancioneiro de Coimbra

Bocage

Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores:
Morrei amores,
Que Inês morreu.

Mísero esposo,
Desata o pranto.
Que o teu encanto
Já não é teu.

Sua pura alma
Nos céus se encerra:
Triste da terra
Porque a perdeu!

Contra a cruenta
Raiva ferina,
Face divina
Não lhe valeu.

Tem roto o seio,
Tesouro oculto;
Bárbaro insulto
Se lhe atreveu.

De dor e espanto
No carro de ouro
O Numen louro
Desfaleceu.

Aves sinistras
Aqui piaram,
Lobos uivaram,
O chão tremeu.

Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores:
Morrei amores,
Que Inês morreu.


Afonso Lopes Vieira

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Como uma Pedra a Rolar



Vale a pena ouvir este velho feio que canta bem "pa c******", cuja descoberta fico a dever a uma amiga (virtual) muito querida.
Obrigado, amiga!

Há uma Estrela que nos Guia

"O Conselho de Ministros aprovou hoje, 5 de Fevereiro de 2009, o diploma que estabelece a instalação obrigatória de um dispositivo electrónico de matrícula (DEM) em todos os veículos automóveis, reboques, motociclos e triciclos autorizados a circular em auto-estradas e vias equiparadas...".

Mais um coelho sacado da mágica cartola do nosso primeiro e seus acólitos. Com este golpe de magia vou passar a desembolsar nas frequentes deslocações entre Coimbra e Mazedo uma importância que se situará entre os quinze e os vinte euros contra os quatro que actualmente dispenso entre Coimbra Norte e o Nó de Estarreja. Claro que não sou obrigado a utilizar as auto-estradas mas se ousar fazer o mesmo percurso por vias alternativas, em vez das habituais três horas de percurso vou passar a demorar seis ou mais.
Eu até gosto de utilizar a antiga rede rodoviária mas para isso é preciso tempo, coisa que muitas vezes não abunda. Além disso não me conformo com os argumentos de uns pagarem e outros não. E também sou de opinião que a política a adoptar deverá ser a do utilizador/pagador. Mas é necessário criar alternativas razoáveis...
Contudo, atente-se nas pertinentes questões colocadas por Carlos Medina Ribeiro (CMR) do Sorumbático acerca da implementação deste modelo de pagamento nas chamadas SCUT. Afinal como vai ser em relação aos veículos com matrículas estrangeiras? Era importante que explicassem para ficarmos a perceber...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Melro

...
O melro ao ver aproximar o abade,
Despertou da atonia,
Lançando-se furioso contra a grade
Do cárcere. Torcia
Para os partir os ferros da prisão,
Crispando as unhas convulsivamente
Com a fúria dum leão.
Batalha inútil, desespero ardente!
Quebrou as garras, depenou as asas
E balbuciando, exangue,
Partiu num voo arrebatado e louco.
Trazendo dentro em pouco
Preso no bico um ramo de veneno,
E belo e grande e trágico e sereno
Disse:

Meus filhos, a existência é boa
Só quando é livre.
A liberdade é a lei.
Prende-se a asa, mas a alma voa…
Ó filhos, voemos pelo azul!... Comei!”
...
Guerra Junqueiro, A Velhice do Padre Eterno

Porra, não consigo ler isto sem me emocionar...
O resto está ali.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Reciclagem de óleos alimentares

Para animar, aqui fica a ligação para uma excelente iniciativa levada a cabo lá pelo Alto Minho a que o meu amigo Eduardo Cerqueira dá o devido relevo.
Era bom que os outros municípios seguissem este exemplo e que as pessoas aderissem em massa, porque o argumento de que só os outros é que se devem preocupar já não pega...

Flashes

A facturação das concessionárias portuguesas de infra-estruturas de transporte (auto-estradas e parques de estacionamento) aumentou 2,8 % em 2008 face ao ano anterior, totalizando 1.255 milhões de euros .
O Santander-Totta obteve um lucro de 517,7 milhões de euros em 2008, mais 1,5 % do que no exercício de 2007 ...
Fábricas já não pagam às Finanças e Segurança Social.
O volume de negócios da indústria portuguesa caiu 12,8 por cento em Dezembro face a igual mês de 2007, com quebras de vendas tanto no mercado externo como no interno.
... os seguros e as pensões sofreram um impacto significativo com a actual crise, com perdas acima dos três mil milhões de euros.


Sei que é um tema já muito "lambido" mas vale a pena atentar no panorama económico feito de relance num só dia. De um lado, do lado do lucro, estão os papões de sempre, do outro, onde paira o espectro do desemprego, os "burros de carga", sempre os mesmos, que pagam a factura.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A Grande Farra

" ... los bancos son los "causantes" de la crisis y tienen que ser los protagonistas de la salida de la misma... ".
Quem o diz é o Ministro Espanhol da Industria, Turismo y Comércio, porque os bancos estão a limitar o acesso ao crédito às famílias e às pequenas e médias empresas. Lá como cá, sustenta-se que só serão apoiados projectos solventes quando se sabe que "hay muchas empresas españolas con gran prestigio internacional 'que tiene el grifo cerrado por los bancos', cuando hace un año y medio todos eran proyectos 'solventes y maravillosos' ".
Como diz o povo, casa roubada, trancas na porta. Tudo isto ocorre depois de os bancos se locupletarem com lucros astronómicos à custa de uma imensa bolha especulativa de que resultou a crise financeira actual e a falência de inúmeras empresas e famílias, lançando para o desemprego ou para as "ruas da amargura" milhões de pessoas, muitas sem perceberem bem como ou porquê.
"Quando um povo deixa atrás o analfabetismo, sabe ler e escrever, e possui um mínimo indispensável de conhecimentos para viver e produzir honradamente, faltar-lhe-ia vencer ainda a pior forma de ignorância em nossa época: o analfabetismo económico. Só assim poderíamos saber o que está acontecendo no mundo". Quem disse isto, lá das profundas catacumbas onde tem estado recolhido, foi o antigo dinossauro Fidel Castro, a quem a História recente fez ou está a fazer justiça.
Eu concordo com o velho...