quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Um sentido para a vida...

Um dia de incessante chuva, encerrado entre estas quatro paredes, - entre leituras, pesquisa de notícias, uma vista de olhos pelas redes sociais - criam o ambiente propício a uma introspecção, à procura de um objectivo para mitigar esta solidão que me acabrunha de mansinho, de um sentido para a vida. Não há nada pior que sentir-se um inútil, um lixo, uma merda…
Se saio de casa acabo por passar sempre pelos mesmos sítios, ver as mesmas pessoas, um olá e pouco mais e instintivamente regresso ao meu covil, o meu castelo, onde ninguém me aborrece nem enfastia com palavras de circunstância, com conversas banais.
Não vejo o dia de pegar na minha bicicleta, de mochila às costas, e vaguear por esses caminhos fora, sem destino e sem pressa, apreciar a paisagem, os sons e os aromas da natureza, parar num local mais elevado e ficar em extase com o olhar perdido no infinito, falar com desconhecidos (se os encontrar e também se me concederem essa possibilidade), chegar ao fim do dia rebentado mas feliz, a cabeça limpa de tanta bagunça que ali se acumula nestes dias de pasmaceira.
Bem vejo alguns atletas a dar ao pedal, quer chova, quer faça sol… Mas eu não, com chuva nem pensar. Arrosto com o frio de Inverno, com a canícula de Verão, mas chuva dispenso. Uma pinga que me caia nas costas é um grande desperdício além de me causar grandes constrangimentos e ir contra a prescrição do meu médico que sempre me diz: nada de apanhar chuva nas costas, Boaventura...
Assim não há outra solução que não seja aguardar melhores dias, mesmo com as negras perspectivas de ver a magra pensão ainda mais esbulhada por essa cambada de biltres que outra coisa não faz senão ir ao bolso daqueles que, como eu, não têm  fuga possível.

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