Sábado, 4 de Julho de 2009

Raly Sprint (quê?)

Com o alto patrocínio das Câmaras Municipais de Monção e Melgaço, vai realizar-se a 18 de Julho um evento automobilístico designado "Raly Sprint Alvarinho".
Nada me move contra estes eventos mas o local para esta realização é que não me parece nada adequado.
Como se pode verificar no prospecto do programa, o percurso inicia-se junto da escola primária de Riba de Mouro, uma infraestrutura que se encontra encerrada por causa das novas políticas educacionais, desenvolve-se numa primeira fase, em jeito de aquecimento, até ao Monte do Santo e dali, em competição, até Bogalheiras .
O que certamente muita gente desconhece é que o itinerário assenta num antigo caminho florestal que rasgou a serra de Riba de Mouro até ao Batateiro, passando por Cavenca, Santo António de Val de Poldros e Aveleira e pelo caminho é fácil encontrar pessoase animaisDepois dos malfadados "birabentos", só faltava mais esta "novidade" para estragar o sossego e a harmonia das "minhas montanhas lindas".
E a designação "Alvarinho" será a propósito de quê?

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Opróbio II

"Quem não se sente não é filho de boa gente", diz o povo, e eu, como filho do povo e de boa gente, senti-me ultrajado com o teor do vídeo a que aqui fiz alusão. Senti e agi em conformidade, alertando quem de direito para a afronta de que foi vítima a Instituição e, consequentemente, todos que dela fazemos parte.
A reacção foi firme e adequada.
Parece que, finalmente, a razão começa a prevalecer sobre a ignomínia e o Provedor do Espectador veio agora sugerir aos responsáveis que peçam desculpa à GNR. Isto já depois de o vídeo ter sido removido do site da RTP e do Sapo Vídeos.
Sobre o mesmo assunto foi igualmente publicado um artigo na versão impressa do JN de hoje, da autoria de Dina Margato, que procurou obter as reacções da RTP2, tendo-lhe sido dito que "nunca se pensou que o vídeo em questão pudesse ser interpretado fora da nota humorística que caracteriza o programa" e também do autor do "sketch" que se limitou a dizer "compreendo que possam ter-se sentido ofendidos, mas não foi minha intenção", entre outras "graças" de gosto duvidoso. É pouco, muito pouco, quer da parte da RTP2, quer da parte do autor.
O mínimo que se pode exigir é, efectivamente, um pedido de desculpas inequívoco já que os danos da ofensa irão prevalecer ligados à maléfica frase "adopte um gnr" e só o tempo determinará a real dimensão dos efeitos produzidos.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Opróbio

Aí está, ao mais alto nível, a nova vaga de "humoristas", que emerge do tempo em que se consolidaram as mais amplas liberdades. E com divulgação pública num órgão de comunicação social suportado pelos impostos dos contribuintes. O que aqui se vê e ouve não é uma sátira, nem uma rábula, nem uma anedota, nem um chiste... É uma refinada e baixíssima forma de insulto a uma instituição e aos milhares de elementos que nela exercem com dignidade a sua profissão.
Espero encontrar os responsáveis no único sítio onde se dirimem estes casos ou então deixarei de acreditar em conceitos como justiça, honra, dignidade, carácter, respeito...

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Ponto Final

Eduardo Discoli percorreu milhares de quilómetros a cavalo, com o inseparável "Chalchalero", mas foi encontrar o fim do mundo em Eilat, Israel, nação onde entrou em 4 de Agosto do ano passado, não podendo imaginar que se estava a meter num beco sem saída.
Agora surge o apelo à comunidade internacional com vista a angariar fundos para trasladar os cavalos para o Brasil e dali rumar a casa.
Aqui ficam as referências para o caso de alguém querer ajudar...

Banco (Bank en alemán) : Volksbank Nahe-Schaumberg eG
Nombre del poseedor: Guillermo Neis
Cuenta (Konto, en alemán) Nr.: 333913
IBAN: DE 40590995500000333913
BIC: GENODE51NOH
Motivo de la Transferencia: Eduardo Díscoli

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

A Alguém que já não volta

Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental, Sonetos

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Para Aquecer

A coisa começou mal, isso já era sabido. Mas nunca pensei que a demagogia e a pouca vergonha fossem tão longe.
Entusiasmado com os incentivos apregoados para a aquisição de sistemas alternativos para aquecimento de águas sanitárias, pesquisei informação na internet e sondei alguns instaladores certificados.
Na internet está tudo bem explicadinho:
***
O Sol quando nasce é para todos. E a energia solar também.
Beneficie do programa de incentivo à utilização de energias renováveis, com condições especiais e garantia de poupança.
Vantagens na aquisição:
- Serviço "Chave-na-Mão": financiamento, equipamento e instalação;
- Manutenção e Garantia do equipamento assegurada durante 6 anos;
- Comparticipação imediata do Estado no valor fixo de € 1.641,70;
- Benefícios fiscais de 30% do custo do investimento em sede de IRS com máximo de €796;
- Cerca de 20% de poupança na factura do gás;
- Facilidade no processo de encomenda;
- 100% de financiamento em Crédito Individual/Pessoal com condições especiais:
- Euribor a 3 meses + 1,5%;
- Só pagará juros após instalação do equipamento;
- Possibilidade de pronto pagamento.
As Marcas:


Os Bancos:
Banif
BES
BPI
Caixa Geral de Depósitos
Crédito Agrícola
Millennium BCP
Montepio
SantanderTotta
Os preços (clique na imagem para aumentar):

Fonte: http://www.paineissolares.gov.pt/incentivo.html
***

Até aqui correu tudo bem, mas quando contactei alguns fornecedores e instaladores de equipamentos da mesma marca e nas mesmas condições fiquei estupefacto: É possível adquirir os mesmos produtos fora do programa de incentivos a preços inferiores aos praticados pelos bancos aderentes, mesmo contando com o desconto da parcela financiada pelo Estado. E ainda acresce o benefício fiscal através da dedução no IRS...
Afinal, a quem beneficia esta autêntica "banha da cobra" tão cara ao nosso primeiro?

Monção em Festa

Uma semana com dois feriados pelo meio pouco produtiva pode ser. O que vale é que com três dias de férias ganha-se um bom período de descanso. Descanso a sério porque o tempo a isso foi propício já que choveu continuamente até à quinta feira (11), dia do Corpo de Deus da antiga Festa da Coca e um dos feriados municipais de Monção.
No início da semana deparei-me com esta coisa em plena Praça Deuladeu, o antigo Terreiro, que constitui a "sala de visitas" da urbe.Dizem que foi na sequência de um evento ali realizado uns dias antes e que tinham um fim pedagógico porque o tema era a ecologia. Ainda bem que assim foi, só que talvez os serviços competentes devessem ter o cuidado de os remover de imediato, por causa das dúvidas...
Dúvidas que se dissiparam de seguida e no seu lugar repousaram por algumas horas a Coca Rabicha e a sua filha, fruto do casamento daquela com o dragão de Redondela.A procissão do Corpo de Deus é majestosa, principalmente pela representação das freguesias do concelho. Em primeiro plano encontra-se a representação de Riba de Mouro, a minha terra natal :)Também se pode apreciar a famosa Custódia, uma obra prima da ourivesaria portuguesa do Séc XVI.No final, o torneio no recinto do Souto congregou as atenções de imensa gente mas para que possam apreciar o evento e muito mais remeto para o álbum do Silvano, que pelos vistos esteve lá, ao contrário de mim que preferi ficar à sombra a deliciar-me com uma saborosa cerveja.
Paralelamente, o alvarinho ia pregando as suas partidas... Para quem não sabe, deixo aqui um conselho: o vinho alvarinho deve beber-se de pé porque se estivermos sentados corremos o risco de não nos conseguirmos levantar.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Panga

Tenho um hobby terrível: jogar bridge online. Faço-o num sítio made in USA e a maioria dos jogadores são também made in USA. Aparece por ali de tudo: jogadores com fair-play e outros nem tanto, diria mesmo que são grosseiros e malcriados. E só admitem que se "fale" em inglês. Quando as coisas não lhes correm bem, os maus jogadores logo digitam "idiot", "moron" e outros mimos talvez piores. Claro que eu não sei como se diz "cabrão" em inglês mas em português bem vernáculo chamo-lhes de tudo. Há dias, depois de quase esgotar a minha lista de palavras injuriosas para cima de um "gajo" que me estava a arreliar, vi escrito assim na caixa de diálogo: comes merda... Quis-me parecer que o tal sobrinho de Sam percebeu que por ali não ia bem e decidiu atacar-me com o que conseguiu arranjar em português. Claro que não me ofendeu minimamente. Além do mais é uma verdade. Nesta economia globalizada todos os dias comemos uma certa quantidade de merda. Se não vejam o vídeo:



A aquacultura será, num futuro muito próximo, a única forma de colocar peixe no mercado para alimentação humana mas saberemos bem o que vamos ter na mesa na hora da refeição?
Vem isto a propósito de um email que me enviaram a dar conta da existência no mercado de "peixe-gato" que sabe a... àquela coisa... e da origem desse produto. Eu próprio já consumi disso, adquirido a muito bom preço no Jumbo, numa daquelas promoções com 60% de desconto e confesso que até gostei.
Como também já consumi e gostava muito de trutas grelhadas, sim dessas que se criam em tanques e se alimentam com umas rações esquisitas. Gostava, disse, porque após ter ido a uma dessas explorações e ter visto a forma como são alimentadas fiquei com vómitos e deixaram de fazer parte da minha dieta.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Campeones

Alto Minho

Um conterrâneo de Tangil tem um acervo fotográfico do melhor que há, como se pode observar em diversos álbuns e sítios da web.
Aqui podemos apreciar uma das facetas mais lindas das nossas "montanhas lindas" e também outras coisas belíssimas, entre as quais as últimas realizações da autarquia de Monção no sentido de tornar o parque das Caldas um local ainda mais aprazível.
Ao Silvano um muito obrigado.

Novo Contador

Como o antigo contador de visitas falhou, procurei um novo e encontrei este que, no mínimo, tem uma bela apresentação.
Como podem verificar, a partir de agora estou "de olho" em vocês;)
Claro que apenas dá indicação das visitas recebidas a partir da sua colocação que ocorreu em 23 do corrente mês mas isso nem sequer é muito importante. Importante é a certeza de que as minhas visitas são as melhores do mundo!

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Um Homem não Chora?


Chora sim. Mesmo que não se vejam as lágrimas chora. E é uma ideia brilhante, mostrar às pessoas, às gerações diversas, que nós humanos manifestamos sentimentos adversos e erramos.
Penso que todos passamos pelas fases mais contraditórias. A visão deste vídeo evocou-me bem a falta de paciência que quase sempre manifestava para atar os cordões das botas de meu Pai, porque ele não conseguia lá chegar devido a uma deficiência crónica após um trágico acidente, e recrimino-me por isso. Lembrei-me também do esforço que ele fazia, deitado, com a perna esquerda dobrada apenas pelo joelho para conseguir chegar aos atacadores, sempre que decidia fazê-lo ele sem nos aborrecer, ou quando nos enfastiávamos com as suas conversas, porque era um conversador nato e fazia-lhe falta conversar, e também me recrimino por isso.
Só que de nada vale esta auto-flagelação ou auto-comiseração. Hoje teria procedimentos e atitudes diferentes mas... é tarde. Muito tarde...
Desculpa Pai.


PS: Um agradecimento especial à Catarina C. pela sua postagem que me indicou o caminho.

Domingo, 24 de Maio de 2009

Espanholês?


Os aplausos e os sorrisos estampados no rosto da distinta assistência são, seguramente, para os dotes oratórios do nosso primeiro em espanholês. Assim é que é falar...

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Do Rio Tua ao Rio Pinhão - Arguido

O comprador das castanhas era um daqueles indivíduos que olhamos para eles e algo nos diz estarmos perante um refinado patife. Baixote, “redondo”, é melhor de caracterizar se imaginarmos a cabeça em forma esférica em cima do tronco também esférico mas com um perímetro muito superior e duas grossas estacas com botas na extremidade inferior a segurar aquilo tudo… No meio da cara abolachada pontuavam dois olhitos pequenitos, traiçoeiros, mais parecidos com os de uma ratazana. Confesso que nunca lhe confiaria um alqueire de castanhas, muito menos um carregamento no valor de muitas centenas de contos.

Se gostaram deste excerto, podem continuar a ler. A história integral encontra-se aqui.

Domingo, 17 de Maio de 2009

O Apóstolo do Kamasutra

Eis uma nova forma de exercer o apostolado divino. Finalmente alguém que contraria a teoria agostiniana de que o sexo só é permitido na posição papá-mamã e exclusivamente para procriar.
Diz o venerando capuchinho que "El matrimonio puede demostrar su amor de todas las formas posibles. Esto puede incluir estimulación manual u oral" e que "Todo acto, caricia o posición sexual que tiene como objetivo la excitación del cónyuge está permitido, y agrada a Dios. Durante el acto sexual, el matrimonio puede demostrar su amor de todas las formas posibles, y brindarle al otro las caricias más deseadas".
Assim é que é falar. Não tenho a mais pequena dúvida que a pregar assim não lhe vão faltar "ovelhas" para apascentar.
E se o Agostinho foi santo, este também merece o seu lugar entre os oragos mais distintos.
Se quiserem ver mais podem ler aqui, comprar o livro, ou ir ao seu site, ou de férias até ao mosteiro de Stalowa Wola que é onde ele recebe quem recorre aos seus serviços.

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

A Caminho de Bruxelas

Há muitos problemas para resolver neste País que nós, portugueses, tanto amamos. Um deles, talvez o mais premente, é o das justiças. A justiça que (não) se faz nos Tribunais, a justiça tributária e também a justiça social.
Eu aprecio as pessoas que se batem para que lhes seja feita justiça, não os justiceiros, mas aqueles que sofrem as injustiças da justiça, seja ela qual for.
São muitos os casos, alguns até hilariantes, em que a administração não faz justiça àqueles que são a sua principal razão de existir mas que se resolvem de uma penada logo que o escândalo é denunciado pelos órgãos de comunicação social, principalmente a televisão: ninguém quer passar para a opinião pública uma imagem de incompetência...
O caso que hoje me inspira é merecedor da máxima divulgação porque revela o que de mais sórdido pode suceder numa sociedade que, apesar de se reconhecer evoluída, me parece estar mais próxima da idade média.
José Leones Lima é um cidadão minhoto, nascido na Ribeira Lima e a residir em Viana do Castelo, detentor de uma força de vontade daquelas de "antes quebrar que torcer". A força quebrou, sim, num vil acidente de trabalho que o atirou para uma cadeira de rodas com uma incapacidade parcial permanente de 80%, mas a vontade redobrou.
Por força disso foi-lhe atribuída pela Segurança Social uma reforma de 180 euros e um complemento de dependência no valor de 97 euros, uma miséria comparada com as rendas de várias centenas atribuídas a mandriões preguiçosos e oportunistas através do RSI, não se sabe com que critérios.
Só que o Homem não se acomodou à cadeira e tem recorrido a tudo que lhe é possível para viver com dignidade. Escreveu vários livros e criou a sua própria editora , o que lhe permite amealhar mais alguns trocos. Porém, o "Big Brother" está de olho nele e por causa das rendas "astronómicas" que deverá andar a angaria como resultado da sua actividade literária e empresarial vai de lhe retirar o complemento de dependência, já que na reforma não se pode tocar.
Assim se cumpre a lei, dizem, mas o que talvez não estivesse nas conjecturas de quem tomou tal decisão é que o Homem tem argumentos de sobra para colocar em causa não só as pessoas mas o próprio sistema.
Já efectuou uma volta a Portugal em cadeira de rodas (VPCR ) para denunciar a falta de oportunidades e de infraestruturas que contemplem as necessidades especiais das pessoas com deficiência e agora propõe-se percorrer, pasme-se, a distância de 2300 quilómetros, até Bruxelas, para denunciar este acto da administração que acreditamos estar de acordo com a lei mas que humanamente está ferido de uma imensurável injustiça.
Força JOSÉ!

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Alvarinho e fumeiro

Decorreu em Melgaço entre os dias um e três de Maio o evento destinado a divulgar produtos regionais que são o que de melhor se produz na região. E sendo produtos de peso considerável na economia local serviu também para testar os efeitos da crise que tanto preocupa.
Pelo que me foi dado observar, por ali tudo continua a "navegar" sem grandes turbulências e fiquei impressionado não só com a imensa massa humana que demandou o recinto situado nas bordas do antigo burgo mas pelo contagiante consumismo desenfreado que estava instalado em torno de tudo que se relacionava com comidas e bebidas.
E também me foi referido, por quem lá esteve durante todo o evento, que o primeiro dia esgotou os stoks de fumeiro. Talvez por essa razão "enfiei" um barrete enorme quando consegui uma pequena dose do famoso presunto de Castro Laboreiro, que evidenciava o escasso tempo de cura e sal a mais.
Penso que naquelas circunstâncias mais valia venderem "jamon" galego, salvaguardando devidamente a proveniência, que seria consumido com o mesmo agrado e resultaria também em excelente negócio, sem adulterar um produto que se requer genuinamente regional.
Do vinho não vale a pena falar. O alvarinho bebe-se sempre com prazer. Surpresas só para quem desconhece as suas virtualidades e pensa que é água.
A picanha no "Sabino" também estava boa e o proprietário, novel confrade da Confraria do Alvarinho, demonstrou atenção e disponibilidade para a vasta clientela fora do comum, o que fica sempre bem.
Veremos o que nos reserva Monção, de 10 a 14 de Junho.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Uma questão de Fé

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Deserção

"Em Portugal não há condições para investir mais. Somos um país endividado. O país não tem um bom governo, no Parlamento não se discute os problemas do país. Não conheço nenhum governo, este ou os anteriores, que diga: nós temos um plano a vários anos e que ninguém vai mudar".
"... passo tempo a falar com os meus netos a dizer-lhes que têm de ir trabalhar para fora de Portugal. Quando aconteceu o 25 de Abril, organizei debates com os meus filhos para lhes explicar o que eram os partidos e a democracia. E agora estou a tentar fazer o mesmo com os meus netos".
"A corrupção é o que de mais perigoso existe numa empresa. A uma dada altura, você não sabe quem é o corrupto, se os locais se os seus funcionários. Em segundo lugar, existem problemas gravíssimos de desalfandegamento das mercadorias nos portos. E depois, como é que se distribui em Angola? É preciso camiões, estradas, segurança. E nada disso existe. As pessoas quando falam em Angola, pensam só em Luanda. E ainda é preciso poder de compra. Não são só meia dúzia de clientes".
Quem falou assim foi Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo "Jerónimo Martins", numa entrevista concedida ao novo jornal diário "i" e que podem ver na integra aqui.
O homem não tem papas na língua e já não é a primeira vez que mete a boca no "trombone" para denunciar a incompetência e a mesquinhez da classe política portuguesa.
De facto, sempre que se verifica uma mudança de governo assistimos à "rotação" de cadeiras, à formação de novos lobies, à defesa de novos interesses, a reformas de mobiliário dos gabinetes e da frota automóvel, como se fosse necessário estar sempre a começar do nada, e se a tesouraria mirrar aplica-se mais um imposto ou uma taxa. Em relação ao médio e longo prazo, é como diz o povo: o futuro a Deus pertence...
E não deixa de ser dramática a afirmação de que os netos terão de estar preparados para emigrar.
Infelizmente penso do mesmo modo, por muito que isso me venha a doer no futuro.

Sábado, 9 de Maio de 2009

De puta madre!!!

A história tem-nos ensinado que nem sempre as coisas são o que parecem. São inúmeros os casos em que os elementos dos grupos de resistência armada pela libertação de um determinado território ou pela autonomia de um povo são designados de terroristas para mais tarde serem venerados como heróis. Foi assim em Israel, em Angola, em Moçambique, na Guiné Bissau, o mesmo acontece actualmente na Palestina e no País Basco e muitos outros exemplos poderíamos apresentar...
Em regra são movimentos armados que desencadeiam uma guerra com os meios de que dispõem e com objectivos bem definidos. Outros casos há cujos objectivos se revestem de contornos obscuros e que mais parece tratar-se de meros criminosos cujas acções servem apenas para roubar e extorquir grossas maquias, mesmo que para tal deixem um rasto de sangue hediondo.
Parece-me ser este o caso do Grupo de Resistência Antifacista Primeiro de Outubro (GRAPO) que opera na vizinha Espanha desde 1977. Três elementos deste grupo estão a ser julgados pelo assassinato da empresária Ana Isabel Herrero em 2006 e um deles, dirigindo-se ao fiscal, figura que corresponde no nosso ordenamento judicial ao Delegado do Ministério Público, atirou-lhe com este mimo: "Arrepentido estará tu puta madre, gran hijo de puta. No vuelvas a decir eso, cabrón, eso es una provocación".
Até para se ser terrorista é preciso ter nível...

É a vida...

... Mas ainda nos surpreende. Soube ontem que o Manuel Lobato faleceu. Era o Presidente da Junta da minha freguesia, Riba de Mouro, e um homem da minha criação.
Conheci-o desde muito jovem, quando nos encontrávamos no adro da Igreja onde frequentávamos a catequese, depois de percorrer vários quilómetros de caminho, ele desde Quintela, do outro lado do Rio Mouro, eu desde Cavenca, lá do alto da serra.
Depois seguiu na senda de muitos outros pelos trilhos da emigração, regressou e aventurou-se na construção civil, creio que com sucesso.
Ainda lhe sobrou tempo para participar na criação de um clube de futebol, de animar um conjunto musical e dedicar-se à política.
Muito mais poderia ainda realizar se não fosse a velha da gadanha que o levou prematuramente.
À família enlutada endereço daqui os meus sentidos pêsames.

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Avaliação de Desempenho

“Maior actividade operacional. Objectivo: 250 detenções”
Consta que foi assim que alguns comandantes de Esquadra definiram como objectivo para o ano em curso o aumento da actividade operacional, facto que tem gerado alguma polémica.
Podem-se apresentar inúmeros argumentos a favor e contra. Parece que o principal pretexto reside no facto de se ter assistido a um incremento da criminalidade nos últimos tempos.
Eu perfilo-me contra esta forma de avaliação de desempenho e explico porquê.
Quando ingressei na GNR havia um período de instrução muito curto que exigia grande poder de síntese. Então, descrevia-se a forma como se executava a missão em três palavras: prevenir, educar, reprimir.
Para as mentes mais sensíveis importa esclarecer que o termo "repressão" era usado sem conotações políticas e tinha o mesmo significado que o actual, isto é, suster uma acção (ilegal), proibir actos (ilegais), punir infracções...
Cada uma daquelas modalidades de actuação definia um nível de importância relativa, começando-se pela que se considerava mais importante. Já naquele tempo se entendia, tal como acontece com a "gripe suína" que actualmente aflige o mundo, que a melhor forma de combater uma epidemia era a prevenção.
Num cenário de previsível aumento da criminalidade é importante responder com um maior esforço de prevenção através do incremento da actividade operacional, a qual deverá reflectir um menor número de delitos e, consequentemente, das detenções e autuações. Nesta perspectiva, o objecto de avaliação teria necessariamente, como referência, uma diminuição das detenções e não o contrário.
Impor um objectivo da natureza do que terá sido imposto aos agentes da PSP é como avaliar um médico de acordo com o número de óbitos que certifique ou um professor em conformidade com as reprovações que se verifiquem na sua disciplina.

Sábado, 25 de Abril de 2009

25 A

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Desabafos

Juro que não tenho estado de braços cruzados à espera de algo que me faça sorrir mas acho que mais vale esperar sentado. Os sinais continuam a ser muito preocupantes e à minha volta tenho observado sintomas de inquietação que me deixam deveras apreensivo. É que o melhor activo que uma organização pode deter são mesmo as pessoas mas não podem ser pessoas deprimidas e ansiosas por “abandonar o barco”. Têm de ser pessoas motivadas e animadas, que se sintam úteis e que vejam o seu desempenho valorizado e reconhecido do ponto de vista institucional, social e económico. Mas quando me deparo com elementos com capacidades, potencialidades e perfil para poder continuar activos por muito mais tempo a contar as semanas, os meses ou os anos para debandarem como quem anseia ver-se livre de um grilhão que apenas causa sofrimento algo vai mal…