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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pedro Macau II


"Viagem ao Princípio do Mundo" (França-Portugal, 1997), de Manoel de Oliveira, o centenário cineasta ainda em actividade, com Marcello Mastroiani como protagonista, passou há dias na RTPi.
Parece que em Portugal não lhe foi dado grande destaque, não admira. Eu também prefiro as produções holliwoodescas...

sábado, 20 de dezembro de 2008

Ponte do Mouro

O lugar de Ponte do Mouro é um local cheio de história, beleza e magia. Situa-se no extremo nordeste da freguesia de Barbeita, concelho de Monção, na confluência do Rio Mouro com o Rio Minho de que é afluente na margem esquerda.
Um facto histórico devidamente comprovado e célebre foi o encontro de D. João I com o Duque de Lencastre de onde resultou o casamento que daria origem àquela que foi designada Ínclita Geração e que consolidou a aliança que haveria de exaurir e sugar os magros recursos de que Portugal foi dispondo ao longo dos séculos.
Também reza a lenda que foi ali, durante a reconquista, que um rei Mouro na fuga precipitada à arremetida dos temíveis cruzados, se deparou com o profundo e estreito fosso impossível de ultrapassar.
Acossado pelos guerreiros cristãos e sem outra saída que não fosse deixar-se capturar ou saltar para a morte, o mouro desesperado intercedeu perante Deus (ou Alá?) prometendo que se o cavalo saltasse para a outra margem se converteria ao cristianismo.
Imbuído de uma fé que só o medo pode gerar, cravou esporas no fogoso animal, um puro sangue árabe, que voou sobre o abismo colocando o nobre sarraceno a salvo do outro lado do rio.
Não sei se cumpriu a promessa mas certamente voltou-se para trás sorridente, fez um manguito aos perseguidores e regressou às arábias...
Deixo por ali algumas fotos para aguçar o apetite.

sábado, 25 de outubro de 2008

O Pedro Macau

Eu sou o Pedro Macau
Carrego às costas este pau.
Por mim passa muito patego,
Uns de focinho branco,
Outros, de focinho negro.
E nenhum me tira deste degredo.

Francisco Luís Barreiros, de Barbeita, foi o escultor das magníficas estátuas que se podem apreciar na escadaria(1) da Senhora da Peneda, que se designam, no sentido ascendente, por Fé, Esperança, Caridade e Glória.
O contrato de adjudicação consta no livro de actas do Santuário, datado de 7 de Setembro de 1860, e o reconhecido mestre estatuário assinou de cruz o que significa que era analfabeto(2).
Pois segundo refere o Padre Bernardo Pintor (2005, pág. 269) foi ele mesmo o autor do célebre Pedro Macau, estátua que se pode ver do lado esquerdo da Estrada Nacional (antiga) que liga Monção a Melgaço, uns metros antes da Ponte do Mouro. E também lhe é atribuída a construção da ponte sobre o Mouro, no mesmo lugar, em arco abatido, na estrada real de Monção a Melgaço.
Diz mais o Padre Bernardo que a estátua foi construída devido a uns atritos que o mestre Barreiros teve com o chefe dos carabineiros, o que não é de estranhar devido ás relações estreitas que sempre se verificaram entre os habitantes de um lado e do outro do rio, o Minho, claro.
Mas o que meu Pai contava era uma versão diferente e que eu acolho como mais fiável do que a do estudioso Padre.
Dizia meu Pai que o Mestre, sem mencionar o nome, andava empenhado na construção da ponte e passou por lá um caminhante galego, com um pau às costas, que depois de observar por alguns instantes a obra e o respectivo projecto lhe disse que nunca seria capaz de fechar o arco como estava delineado. O Mestre respondeu-lhe que não só seria capaz de concluir a obra conforme estava projectada como ainda o havia de esculpir a ele tal como se apresentava.
O galego foi embora e passados uns anos, ao passar no mesmo local, verificou com espanto que lá estava, em cima de uma das guardas da ponte já concluída, a sua estátua, com um pau às costas. E tal foi a vergonha que morreu de desgosto.
“Pedro Macau/ Que nas costas leva um pau”, dizem os versos à beira do caminho em Viagem ao Princípio do Mundo: a estátua de um homem ajoelhado com uma viga no ombro é a imagem de uma condição corpo-espírito não sacrificial, mas lugar contra-trascendente onde o desafio não é obstáculo mas lugar de sua própria actuação. “Somos todos Pedro Macau” – conclui o personagem”(3).

(1)-É designada, vulgarmente, por escadório.
(2)-Pintor, Padre Manuel António Bernardo, Obra Histórica I, Rotary Club de Monção, 2005
(3)-http://www.contracampo.com.br/50/manoeldeoliveira.htm