sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Bode Expiatório

Em sentido figurado, um "bode expiatório" é alguém que é escolhido arbitrariamente para levar (sozinho) a culpa de uma calamidade, crime ou qualquer evento negativo (que geralmente não tenha cometido)...
Mal refeito da catadupa de medidas de austeridade anunciadas ontem à noite pelo "nosso primeiro" (é o mínimo que posso fazer para não ser injusto com o seu antecessor), estou a tentar perceber até onde nos levará este torniquete que estrangula a classe média e abre portas a uma sociedade terceiromundista com alguns senhores de tudo e muitos possuidores de coisa nenhuma.
Transpondo a velha alegoria para a vida real, constatamos facilmente que o "bode expiatorio" existe e são os trabalhadores da administração pública.
Eles são TODOS os males da economia nacional, eles são aqueles que nada produzem e também são quem contribui, com os seus salários, para a obtenção de oitenta por cento das receitas que servirão para tapar os buracos do orçamento para o ano que vem e compensar os desvios que decorrem da execução orçamental do corrente ano. Isto para já, porque para 2013 poderá ser assim e algo mais e depois, provavelmente, só haverá emprego na comissão liquidatária...
E para quem diz, relativamente à liderança do Governo, que é tudo "farinha do mesmo saco", que também este é mentiroso e tudo mais eu digo que não... Pedro Passos Coelho mostrou-se visivelmente constrangido pelo anúncio destas medidas, obrigado a ir contra o seu programa de governo que já não augurava nada de bom mas muito diferente da realidade.
A governar com um orçamento que não foi o deste executivo e tomando posse numa situação em que alguns ministérios já não dispunham de verbas para pagar os salários dos funcionários não seria possível fazer muito melhor.
Mas há uma coisa que espanta quem, com seráfica resignação, aceita este esforço: onde estão as medidas de emagrecimento das "gorduras" do Estado?
Eu não ousaria recorrer a um chavão que percorre as redes sociais em que se preconiza que aqueles que exercem cargos políticos aufiram o salário mínimo. Mas há, seguramente, muito desperdício, mordomias e mesmo salários incomportáveis na actual conjuntura. Alguns cortes no statu quo, mesmo não resultando daí grandes resultados, sempre serviriam para suavizar o impacto da "bordoada"...



1 comentário:

Campista selvagem disse...

Factos, tudo é verdade, tudo tem um sentido, alguém foi o culpado, no entanto este Sr. não pode ficar limpinho,ele não aceitou o tão factidico "PEC 4" degulou o governo eleito pelo povo, afirmou saber como estavam as contas publicas, e mentiu ao povo com promessas falsas.
O povo merece, é o que me apetece afirmar, confiou nestes maltrapilhos, esqueceu os ensinamentos do passado, nunca as gerações anteriores, mesmo incultas como querem faser crer elegeram um presidente e um governo da mesma cor.
Esta geração estéve a dormir no tempo e deixou-se enganar.
Agora aguentem-nos ou revoltem-se e ponham estes tipos mentirozos na rua.