sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Medidas de Antigamente

aqui abordei a temática das medidas usadas noutros tempos e entre aquelas que enunciei encontrava-se a "medida de crasto" apresentando então a explicação que me parecia mais lógica pelo conhecimento de causa que dela adquiri.
Mas nestas coisas não há nada melhor do que "falar" com quem sabe...
No meu último "retiro" em Monção adquiri e li um livro fabuloso (para quem se interesse pela história do Alto Minho) que é uma feliz compilação de diversas publicações e textos da autoria do Padre Manuel António Bernardo Pintor, Castrejo de nascimento e Ribamourense por adopção. Trata-se da sua "Obra Histórica I", editado em 2005 pelo Rotary Club de Monção o qual, por ser o primeiro, desperta a curiosidade para os que venham a seguir...
Pois surpreendam-se, como eu, porque a determinada altura, acerca das origens da freguesia de Prado, na periferia de Melgaço, o Padre Bernardo dá conta de um escrito datado de 1323, cujo teor é o seguinte:
"A 1 de Julho o Cabido de Tui aforou a Martim Pires e a Marinha Joanes o Casal de S. Lourenço (...) cujo foro ou renda a pagar era de 10 quarteiros de pão, 6 quarteiros de milho, 3 quarteiros de ceveira e 1 quarteiro de órgia, tudo pela medida de Melgaço, e mais metade do vinho que Deus der, sendo o pão levado à eira e o vinho à dorna.
E mais ainda por direitos vários 10 soldos leoneses e 2 capões pelo Natal, 1 cabrito na Páscoa, 4 lampreias do Ribeiro em meados de março e pelo S. João 2 afusais de linho e 9 soldos velhos de Portugal".
Bem sabendo que esta linguagem iria criar confusão a muita gente, o estudioso Padre explica:
- Quarteiro era a quarta parte do moio e o moio era muito diferente de terra para terra como hoje o alqueire. Desde 16 a 64 alqueires havia muita variedade de moios.
- Nas redondezas de Melgaço existiam diversas medidas para o alqueire sendo que o de Monção tinha 20 litros, o de Valadares 24, o de Melgaço 30 e o de Castro Laboreiro 45.
De salientar a referência ao "afusal", termo que eu ouvia em pequeno e de igual modo relacionado com o linho. Pois o afusal é a quarta parte de uma pedra de linho, ou dois arráteis de linho e o arrátel uma antiga medida de peso de dezasseis onças ou 459 gramas.
Já agora, a onça é um peso antigo, equivalente à décima sexta parte do arrátel, ou seja, 28,6875 gramas.
Para quem não saiba ou não se lembre, o bispado de Tui estendia-se até ao rio Lima, seguindo a divisão suévica do Século VI, situação que se manteve até ao Século XVI, aproximadamente (pág.s 360 e 361 da obra citada).

3 comentários:

Professor disse...

É sempre um prazer vir por aqui! Saímos sempre mais ricos. As medidas antigas também me interessam e ando às voltas com as "varas", "braças", "côvados" e outras. Este ano passei uma semanita em Ponte de Lima, só para arregalar os olhos.
Aquela Guerra de família entre mãe e filho arrasou os galegos. Para mim eles continuam a falar português antigo, castelhanizado, mas português.
Um abraço amigo

Moura ao Luar disse...

Só conheço a arroba... tudo quanto puderes

Sir Stephen e SUA maria{SS} disse...

gostei muito de lhe visitar!
vim pelo comentário do i-phode que fez no blog maravilhoso da moura ao luar e por aqui fui ficando... e lendo...
beijos gratos

maria{SS}